A Vida é Uma Caixa de Bombons Sortidos

Um homem vive num sítio há 6 anos, enfrenta desafios de saúde, perda familiar, está se reconstruindo e valorizando a vida.

Moro num sítio na região rural de Araruama/RJ há 6 anos. Eu, duas gatas, 1 cachorro, 8 galinhas, 3 rãs da casa, pacas, coelhos do mato, siriemas, cobras, saguis, pássaros, abelhas sem ferrão, formigas, lagartos, araras e mais de 500 espécies de frutíferas diversas que eu mesmo plantei.

Deixei o mato crescer, desenvolvo o projeto Tudo Sobre Plantas e ainda vou plantar muito mais.

Continue lendo “A Vida é Uma Caixa de Bombons Sortidos”

Aos pobres de direita

Se tem uma coisa que me faz ficar “pensativo” é observar a situação política no mundo – em especial a qualidade dos políticos – e constatar a real de que a vida continuará seguindo inadvertidamente para o curso que as classes dirigentes, vulgarmente chamadas de elites, empurram.

Eles já roubaram e armazenaram todo o conhecimento do mundo, estão criando máquinas para substituir o trabalho braçal, fabricando entretenimento em músicas, textos, imagens, vídeos… com o intuito de deturpar e mentir em profusão, de todas as maneiras possíveis.

É um jogo viciado onde eles estão ensinando máquinas a matar – e nós estamos parados!, assistindo.

Estamos vendo um presidente dizer que quer pegar para isso os recursos nos território dos outros e que se não conseguir na ameaça vai invadir, e matar, e trucidar, e destruir.. etc. E – pasmem! – não há (( NADA )) na situação geopolítica que possa pará-lo.

Seguimos fazendo as coisas da vida como se tal absurdo não fosse absurdo!

Será que foi a pandemia que nos tornou tão insensíveis? Sabe a sensação de quem nunca essa porra vai dar certo?

Como que ainda temos empresários não entendem que é o trabalhador que tem que ganhar mais dinheiro para que possa comprar mais e melhor?

E talvez a pergunta nem seja mais “como”, mas “por quê”.
Por que um sistema que depende do consumo insiste em enfraquecer quem consome?

Por que seguimos aceitando como natural uma lógica que nos esgota, nos divide e, ainda assim, se sustenta sobre nós?

Talvez este seja o ponto mais inquietante: não é a ausência de respostas — é a ausência de reação.

Porque, no fim, enquanto nos acostumamos ao absurdo, ele deixa de parecer absurdo. E quando isso acontece, o jogo já não precisa mais ser vencido — ele apenas continua sendo jogado.

E sabe o que é mais doido? É que vai ter gente se perguntando o que isso tem a ver com plantas!

__
Anderson Porto, um idiota de esquerda que insiste em tentar entender.

A Balança da Praça e o Peso do Mundo

No sertão das ideias um povo vive preso a padrões de aceitação baseados na aparência, enquanto um vendedor de soluções promete felicidade por meio de dietas e espelhos. Apesar de conselhos sobre saúde serem ignorados, a velha sábia alerta que o verdadeiro peso vem da ganância e não do corpo. A solução envolve expandir o mundo para incluir todos.

No sertão das ideias — que às vezes é mais seco que o de Taperoá — vivia um povo curioso: gente que carregava o corpo como quem carrega história, mas que era julgada como se fosse apenas embalagem.

Dizia-se por lá que havia uma balança invisível na praça, dessas que não pesam carne, mas valor. Quem passava mais “dentro da medida” ganhava sorriso; quem transbordava levava olhar atravessado, como se pecado fosse ocupar mais espaço no mundo. E o mais curioso: ninguém sabia ao certo quem tinha inventado essa tal medida e todo mundo obedecia como se fosse lei antiga, dessas escritas em pedra.

Um dia apareceu um sujeito magro de ideias, largo de espertezas e vendendo soluções. Trazia duas malas: numa, dietas milagrosas; noutra, espelhos que prometiam felicidade. Vendia tudo com a mesma ladainha: “Compre, que você será aceito.” E o povo comprava, não porque acreditasse muito, mas porque temia ficar de fora da festa dos aceitos.

Enquanto isso, ali no fundo da feira, uma velha de fala mansa — dessas que conhecem o mundo sem nunca ter saído do lugar — dizia:

“ Meu filho, o problema não é corpo grande nem pequeno. O problema é querer caber na forma de uma fôrma que não foi feita pra você! ”

Mas a voz dela era baixa e o barulho do comércio era alto.

Não pense que era só questão de aparência não. O médico da vila — homem sério, desses que estudaram mais do que viveram — avisava que o corpo também cobra conta. Falava de doenças, de cuidado, de equilíbrio. Falava de besta porque ninguém queria escutar conselho que não viesse embalado numa propaganda bonita.

E o mais estranho de tudo era o seguinte: o mesmo povo que vendia comida que adoecia era o mesmo que vendia remédio pra curar. O mesmo que dizia “coma mais” logo depois dizia “emagreça com isso”. Era um jogo de empurra que nem bodes querendo sair pra pastar e se batendo na porteira: ninguém sai, todo mundo se machuca.

E no meio disso tudo, alguém teve a ideia de culpar o corpo pelo gasto do mundo — como se o problema, aquele velho e conhecido consumo insustentável de recursos do planeta — não fosse o tamanho da ambição de alguns.

A velha, vendo aquilo, soltou mais uma:

“ Se o mundo tá pesado, não é por causa do corpo do povo. É por causa do peso da ganância. ”

No fim das contas, o povo continuou vivendo entre a fome de aceitação e o excesso de exigência. Uns tentando caber, outros tentando vender o encaixe.

E o observador aqui, que não é besta nem nada, desconfia que a solução não está em diminuir gente para caber no mundo, mas sim em aumentar o mundo para caber toda gente — com saúde, com respeito e com menos conversa fiada disfarçada de verdade.

Vem eleições aí, hein gente!?

__
Anderson Porto, um cara que passou 20 anos com 71 quilos, depois foi engordando até chegar em 116kg, depois emagreceu.. e entendeu o que estava acontecendo; e Tami — assistente de linguagem orientado à análise crítica e à síntese de ideias complexas, que agora me ajuda a escrever.

A vida que me leva

A perna não obedeceu. Ao tentar sair da cama, naquela manhã de abril de 2025, ela simplesmente “voou” em direção à parede. Não houve dor nem aviso. Apenas a constatação de que algo havia se rompido entre o corpo e a vontade.

Busquei ajuda na UPA da cidade. O atendimento foi insuficiente e a resposta, apressada: “problema de coluna”. Voltei para casa com o braço e a perna instáveis e a sensação de estar sozinho quando mais precisava de apoio.

Os meses seguintes foram marcados por médicos, exames e esperas. Um esforço contínuo para nomear o que já se impunha no cotidiano. Nesse período, interrompi o consumo de álcool, mudei a alimentação e aceitei que a vida anterior não retornaria intacta. O resultado dos exames? Um mini AVC.

Hoje convivo com limitações persistentes: perda da motricidade fina, cansaço no braço e na perna direita, dificuldade para caminhar, quedas e falta de precisão. No sítio onde vivo desde 2020, isso significa não conseguir realizar tarefas antes rotineiras. A vida rural, já marcada por carências estruturais, tornou-se ainda mais exigente.

Impedido de trabalhos físicos, concentrei-me no que ainda podia sustentar: pensamento, escrita e organização. Em julho de 2025, consegui colocar novamente no ar o portal Tudo Sobre Plantas, que sigo aprimorando. O corpo desacelerou; o projeto, não.

Houve apoio. Amigos ajudaram financeiramente e algumas conversas, com conhecidos e estranhos, sustentaram dias difíceis. Aprendi a adaptar gestos e tempos, embora pensamentos como “não vou conseguir” surgissem com frequência.

Em dezembro de 2025, a morte súbita do meu irmão mais novo, aos 48 anos, trouxe novo abalo. A sanidade mental precisou encontrar algum eixo para não ceder.

A vida ficou difícil. Ainda assim, o portal segue ativo e o desafio agora é estruturá-lo para que sobreviva como legado. Não sei por quanto tempo viverei, mas sigo fazendo o que está ao alcance. Com menos força, mais cuidado e outra forma de caminhar.

A vida me ensinou que se quero colher preciso amarrar as ramas dos pés de maracujás.

Como que você faz para manter o bom humor?
___
Anderson C. Porto
Gestor do projeto Tudo Sobre Plantas, roceiro, poeta e curioso, eterno ACP só que agora no estilo PcD com PVP…
ps1: PcD – Pessoa com Deficiência;
ps2: PVP – Porra da Velhice Presente.
ps3… Tentar definir ACP é tentar controlá-lo.

Retorno do Tudo Sobre Plantas: Novidades e Metas para 2026

Em dezembro de 2025, o portal Tudo Sobre Plantas foi relançado com 13.231 espécies e 20 mil ainda a serem cadastradas. Com apenas um assinante e 17 usuários, o projeto, liderado por Anderson da Costa Porto após um AVC, visa lançar um aplicativo Android e expandir as funcionalidades em 2026.

Continue lendo “Retorno do Tudo Sobre Plantas: Novidades e Metas para 2026”

Participe da Promoção: Acesso Antecipado ao App SiSTSP Mobile!

Anderson Porto anuncia uma promoção para 100 assinantes do portal Tudo Sobre Plantas: acesso ao pré-lançamento do aplicativo SiSTSP Mobile para Android. Os interessados devem se cadastrar no portal e validar o e-mail até 31/12/2025. Após o cadastro, receberão convites para download do aplicativo.

Pessoas! Tudo bem com vocês? Estão prontos para a novidade que vai mudar a pesquisa sobre plantas na Internet?

Tenho 100 convites disponíveis para os assinantes do portal Tudo Sobre Plantas acessarem a versão de pré lançamento do SiSTSP Mobile, nosso PRIMEIRO aplicativo para celulares Android.

Basta se cadastrar no portal e tornar-se assinante!
A PROMOÇÃO acaba dia 31/12/2025!

Captura de tela da página de pagamento de assinaturas
Uma captura da tela de pagamento da assinatura.

Abaixo um pequeno vídeo de como está HOJE o aplicativo SiSTSP Mobile:

Estou cada vez mais empolgado com o desenvolvimento deste aplicativo!

Para receber o convite são necessários DOIS PASSOS:

1. Acesse a página de cadastro clicando no botão abaixo!


2. Faça o seu cadastro, depois valide o e-mail com o link enviado para sua caixa postal eletrônica. Ao retornar ao portal acessando no seu perfil, clique na aba MINHA ASSINATURA, clique no botão de APOIAR e preencha os dados necessários na página de pagamento de assinaturas.

PRONTINHO!

Você irá receber um convite em seu e-mail cadastrado. Siga as instruções para download no seu celular e teste à vontade!

O aplicativo está sendo integrado com o portal para criarmos JUNTOS uma rede social sobre plantas exclusiva e com total suporte de um sistema criado para tirar dúvidas, divulgar pesquisas e proporcionar formas de contato via FÓRUM e DIRETO, entre os participantes.

Vejo vocês por lá!?

Abraços!

Anderson Porto
Criador e gestor do projeto Tudo Sobre Plantas. Agora também desenvolvedor de aplicativos para celulares Android!

Como Fazer a Poda de Formação em Abacateiros

O primeiro abacateiro que plantei no sítio passou por podas de formação. Removi os galhos que estavam tocando o chão para promover um crescimento saudável da planta. Essas intervenções são essenciais para garantir que a árvore se desenvolva de forma adequada e produtiva ao longo do tempo.

O primeiro abacateiro que plantei no sitio recebeu podas de formação. Retirei os galhos que estavam batendo no chão.

Continue lendo “Como Fazer a Poda de Formação em Abacateiros”

Como está a primeira jabuticabeira plantada no sítio

Vídeo de como está a primeira jabuticabeira plantada no sítio Tudo Sobre Plantas.

Jabuticabeira plantada em areia, alguns meses depois que cheguei no sitio, há 5 anos! Tem vídeo dela sendo plantada e da adubação que fiz recentemente.

🍄 Microdosagem de Cogumelos: Benefícios e Experiências

Após a ressonância magnética, o autor faz mudanças na dieta e estilo de vida para melhorar a saúde mental e física, eliminando álcool e carne, e introduzindo suplementos. Com a depressão em meio a dificuldades financeiras e pessoais, descobre na microdosagem de Psilocybe cubensis uma possível solução, experimentando um chá com o cogumelo.

Após receber o resultado[1] do exame de RESSONÂNCIA MAGNÉTICA DO ENCÉFALO me vieram dúvidas sobre o que eu poderia ingerir (Chás? Óleos medicinais? Suplementos?) ou fazer (Yoga? Tai chi? Pilates?) para promover uma possível melhora em minha condição física e mental.

Eu já havia suspendido a ingestão de praticamente tudo que pudesse me fazer mal: necas de cerveja, cachaça, vinho… Nada de álcool! Também já estou há quase 3 anos sem fumar nicotina (graças a minha decisão e força de vontade) e há meses sem consumir Cannabis por causa do aconselhamento do médico do SUS. (Detalhe(!): em tese a Cannabis poderia me ajudar na minha condição promovendo neurogênese – comento sobre isso mais adiante). Diminuí muito, reduzindo praticamente a zero a ingestão de carnes e açúcar. Passei a ingerir diariamente cápsulas de magnésio treonato e zinco.

Quando veio a doença junto vieram vários acontecimentos – tudo ao mesmo tempo – que me forçaram a pegar um empréstimo com o Nubank e isso me criou mais uma dor de cabeça; afinal o pagamento das parcelas me impede de construir um banheiro úmido cá no sítio com minha renda e a venda de ovos está prejudicada pelo ataque dos cachorros do vizinho Fernando (postei nas redes sociais sobre isso).

E aí não teve jeito; veio a depressão! Sozinho, fazendo as coisas aqui no sítio, me bateu aquela sensação de abandono, de “estou morrendo” e com dívidas e dúvidas sobre ter ou não forças para lutar contra isso. Quem me conhece, ou conhece a minha história de vida, sabe o quanto lutei e continuo lutando de todas as formas possíveis para viver.

Acontece que juntou muita coisa, tudo acontecendo ao mesmo tempo, e isso me fez sentir “uma imensa pena de mim mesmo“. Pensei: “será que tem algo que eu possa tomar para me ajudar a sair dessa deprê?”. E aí vou andando pelo sítio, como tenho o costume de fazer diariamente, e uma possível solução aparece como “mágica” no esterco bovino que eu coletei nos pastos aqui perto.

Continue lendo “🍄 Microdosagem de Cogumelos: Benefícios e Experiências”

Servidores ambientais: uma nova forma de compreender a vida no campo

A visão tradicional de “pragas” é um equívoco que ignora a complexidade ecológica. Ao chamá-las de “servidores ambientais”, reconhecemos seu papel nos ecossistemas e questionamos a lógica reducionista da agricultura. É hora de transformar nossa relação com a natureza, refletindo sobre como nossas ações geram desequilíbrios.

Desde 2020 venho utilizando, em publicações no portal Tudo Sobre Plantas, a expressão “servidores ambientais” para me referir aos organismos tradicionalmente chamados de “pragas” pela indústria de agrotóxicos. Essa escolha não é apenas semântica: nasce da compreensão de que insetos, fungos, aves, microrganismos e outros seres que interagem com nossas plantas não são inimigos, mas sim agentes ecológicos que cumprem funções reguladoras nos ecossistemas.

A ideia não surgiu do nada. Diversos pesquisadores já apontaram, cada um a seu modo, que a noção de “praga” é resultado de uma visão estreita, centrada na produtividade imediata e na lógica do monocultivo — isto é, um banquete artificial oferecido a uma fauna especializada.

Praga é um conceito criado por crenças para vender agrotóxicos.

Entre os precursores internacionais, merece destaque Rachel Carson (1907–1964), cuja obra Silent Spring denunciou não só os efeitos dos agrotóxicos, mas também o equívoco de pensar a natureza em termos de inimigos a serem eliminados. Na mesma linha, o chileno Miguel Altieri e o norte-americano Stephen Gliessman fundaram as bases da agroecologia moderna, sempre ressaltando que organismos considerados pragas são, na verdade, indicadores de desequilíbrios provocados por práticas humanas.

No Brasil, essa visão foi antecipada por pioneiros como José Lutzenberger, que criticava o conceito de “praga” e defendia que cada organismo cumpre seu papel; e Ana Maria Primavesi, que demonstrou em sua obra que a ocorrência de pragas e doenças é consequência direta do desequilíbrio do solo e da perda de biodiversidade. Pesquisas conduzidas em instituições como a Embrapa e em universidades públicas brasileiras vêm reforçando esse mesmo entendimento, propondo alternativas como o Manejo Integrado de Pragas (MIP) e o manejo agroecológico, que reconhecem o papel dos inimigos naturais e das interações ecológicas.

Portanto, ao propor a expressão “servidores ambientais”, insiro-me numa tradição crítica que busca superar o paradigma reducionista e reconhecer que não existem organismos prejudiciais em si: há apenas relações ecológicas contextuais, frequentemente alteradas pela ação humana. O que se convencionou chamar de “praga” nada mais é que o reflexo de um agroecossistema desequilibrado. Reconhecê-los como servidores é dar o primeiro passo para reconstruir nossa relação com a terra de forma ética, ecológica e sustentável.

Anderson C. Porto
gestor do portal Tudo Sobre Plantas

Bibliografia Consultada

ALTIERI, Miguel A. Agroecologia: bases científicas para uma agricultura sustentável. 5. ed. São Paulo: Expressão Popular, 2012.

CARSON, Rachel. Primavera Silenciosa. 2. ed. São Paulo: Gaia, 2010. (Título original: Silent Spring, 1962).

GLIESSMAN, Stephen R. Agroecologia: processos ecológicos em agricultura sustentável. 2. ed. Porto Alegre: UFRGS Editora, 2001.

LUTZENBERGER, José A. Fim do futuro? Manifesto ecológico brasileiro. Porto Alegre: Movimento, 1980.

PRIMAVESI, Ana Maria. Manejo ecológico do solo: a agricultura em regiões tropicais. 21. ed. São Paulo: Nobel, 2014.

SILVA, André Felipe Cândido da. Pragas, patógenos e plantas na história dos sistemas agroecológicos. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi: Ciências Humanas, Belém, v. 17, n. 1, p. 1-26, 2022. DOI: https://doi.org/10.1590/2178-2547-BGOELDI-2021-0023