Moro num sítio na região rural de Araruama/RJ há 6 anos. Eu, duas gatas, 1 cachorro, 8 galinhas, 3 rãs da casa, pacas, coelhos do mato, siriemas, cobras, saguis, pássaros, abelhas sem ferrão, formigas, lagartos, araras e mais de 500 espécies de frutíferas diversas que eu mesmo plantei.

Deixei o mato crescer, desenvolvo o projeto Tudo Sobre Plantas e ainda vou plantar muito mais.
Quando algum animal morre faço cinzas. Quando alguma árvore tomba faço carvão. Falta armazenar água de chuvas e armazenar metano pra usar no fogão.
Tive um AVC há exato um ano. Pensei que meu sonho de viver na roça tinha acabado. Eu estava bebendo muito, tomei um remédio errado e acordei com o braço e a perna direita sem funcionar direito. Tinha perdido a motricidade fina.
Fazer as tarefas diárias da vida rural tornou-se… um tanto quanto… complicado.
De lá para cá parei de beber e tentei me adaptar a nova situação de PcD. Quando eu estava começando a me acostumar a vida me trouxe outra “desgraça”: meu irmão mais novo, com apenas 48 anos, teve um infarto fulminante. Morreu.
Longe de meus filhos e vivendo sozinho me senti muito frágil, pensei em desistir mas… segui em frente, fazendo o que tem pra fazer, do jeito que dá.
Eis que dias atrás recuperei boa parte de minhas condições motoras! Ainda não fiz exames para saber se a condição é permanente. Já consigo tocar violão e fazer algumas tarefas do dia a dia. Quando acontece alguma coisa boa a gente desconfia mas vale comemorar.
A vida é realmente uma caixa de bombons sortidos. Cada dia é diferente do outro. Todos os momentos podem ser oportunidades, desafios, ou simplesmente tediosas e necessárias calmarias.
É preciso saber dar valor a cada um desses instantes e às pessoas envolvidas pois a certeza é uma só: um belo dia acaba.
_acp
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