Aos pobres de direita

Se tem uma coisa que me faz ficar “pensativo” é observar a situação política no mundo – em especial a qualidade dos políticos – e constatar a real de que a vida continuará seguindo inadvertidamente para o curso que as classes dirigentes, vulgarmente chamadas de elites, empurram.

Eles já roubaram e armazenaram todo o conhecimento do mundo, estão criando máquinas para substituir o trabalho braçal, fabricando entretenimento em músicas, textos, imagens, vídeos… com o intuito de deturpar e mentir em profusão, de todas as maneiras possíveis.

É um jogo viciado onde eles estão ensinando máquinas a matar – e nós estamos parados!, assistindo.

Estamos vendo um presidente dizer que quer pegar para isso os recursos nos território dos outros e que se não conseguir na ameaça vai invadir, e matar, e trucidar, e destruir.. etc. E – pasmem! – não há (( NADA )) na situação geopolítica que possa pará-lo.

Seguimos fazendo as coisas da vida como se tal absurdo não fosse absurdo!

Será que foi a pandemia que nos tornou tão insensíveis? Sabe a sensação de quem nunca essa porra vai dar certo?

Como que ainda temos empresários não entendem que é o trabalhador que tem que ganhar mais dinheiro para que possa comprar mais e melhor?

E talvez a pergunta nem seja mais “como”, mas “por quê”.
Por que um sistema que depende do consumo insiste em enfraquecer quem consome?

Por que seguimos aceitando como natural uma lógica que nos esgota, nos divide e, ainda assim, se sustenta sobre nós?

Talvez este seja o ponto mais inquietante: não é a ausência de respostas — é a ausência de reação.

Porque, no fim, enquanto nos acostumamos ao absurdo, ele deixa de parecer absurdo. E quando isso acontece, o jogo já não precisa mais ser vencido — ele apenas continua sendo jogado.

E sabe o que é mais doido? É que vai ter gente se perguntando o que isso tem a ver com plantas!

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Anderson Porto, um idiota de esquerda que insiste em tentar entender.

A Balança da Praça e o Peso do Mundo

No sertão das ideias um povo vive preso a padrões de aceitação baseados na aparência, enquanto um vendedor de soluções promete felicidade por meio de dietas e espelhos. Apesar de conselhos sobre saúde serem ignorados, a velha sábia alerta que o verdadeiro peso vem da ganância e não do corpo. A solução envolve expandir o mundo para incluir todos.

No sertão das ideias — que às vezes é mais seco que o de Taperoá — vivia um povo curioso: gente que carregava o corpo como quem carrega história, mas que era julgada como se fosse apenas embalagem.

Dizia-se por lá que havia uma balança invisível na praça, dessas que não pesam carne, mas valor. Quem passava mais “dentro da medida” ganhava sorriso; quem transbordava levava olhar atravessado, como se pecado fosse ocupar mais espaço no mundo. E o mais curioso: ninguém sabia ao certo quem tinha inventado essa tal medida e todo mundo obedecia como se fosse lei antiga, dessas escritas em pedra.

Um dia apareceu um sujeito magro de ideias, largo de espertezas e vendendo soluções. Trazia duas malas: numa, dietas milagrosas; noutra, espelhos que prometiam felicidade. Vendia tudo com a mesma ladainha: “Compre, que você será aceito.” E o povo comprava, não porque acreditasse muito, mas porque temia ficar de fora da festa dos aceitos.

Enquanto isso, ali no fundo da feira, uma velha de fala mansa — dessas que conhecem o mundo sem nunca ter saído do lugar — dizia:

“ Meu filho, o problema não é corpo grande nem pequeno. O problema é querer caber na forma de uma fôrma que não foi feita pra você! ”

Mas a voz dela era baixa e o barulho do comércio era alto.

Não pense que era só questão de aparência não. O médico da vila — homem sério, desses que estudaram mais do que viveram — avisava que o corpo também cobra conta. Falava de doenças, de cuidado, de equilíbrio. Falava de besta porque ninguém queria escutar conselho que não viesse embalado numa propaganda bonita.

E o mais estranho de tudo era o seguinte: o mesmo povo que vendia comida que adoecia era o mesmo que vendia remédio pra curar. O mesmo que dizia “coma mais” logo depois dizia “emagreça com isso”. Era um jogo de empurra que nem bodes querendo sair pra pastar e se batendo na porteira: ninguém sai, todo mundo se machuca.

E no meio disso tudo, alguém teve a ideia de culpar o corpo pelo gasto do mundo — como se o problema, aquele velho e conhecido consumo insustentável de recursos do planeta — não fosse o tamanho da ambição de alguns.

A velha, vendo aquilo, soltou mais uma:

“ Se o mundo tá pesado, não é por causa do corpo do povo. É por causa do peso da ganância. ”

No fim das contas, o povo continuou vivendo entre a fome de aceitação e o excesso de exigência. Uns tentando caber, outros tentando vender o encaixe.

E o observador aqui, que não é besta nem nada, desconfia que a solução não está em diminuir gente para caber no mundo, mas sim em aumentar o mundo para caber toda gente — com saúde, com respeito e com menos conversa fiada disfarçada de verdade.

Vem eleições aí, hein gente!?

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Anderson Porto, um cara que passou 20 anos com 71 quilos, depois foi engordando até chegar em 116kg, depois emagreceu.. e entendeu o que estava acontecendo; e Tami — assistente de linguagem orientado à análise crítica e à síntese de ideias complexas, que agora me ajuda a escrever.