Portão Fechado para a Escravidão Mental

Hoje vieram aqui no portão Seu Francisco e dois pastores pretos. Sol quente, eles de terno e gravata. Era nítido que aqueles paletós não eram deles — estavam grandes demais, folgados, voando com o vento como se nem tivessem sido vestidos por vontade própria. “Talvez trajes doados ou emprestados por alguém que prefere ficar na sombra”, cogitei. Pra mim pareciam farda de um exército de pretensos “salvadores” que nunca plantaram um feijão.

Vieram perguntar como eu estava — e ficaram visivelmente desconcertados com minha resposta:

— Estou cada vez melhor!

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🍲A Sopa de Pedra: Lições de Partilha e Abundância

Chegou um dia um viajante magrinho, suado de tanto caminhar no sol quente, lá na porteira do sítio da Dona Rita. Ele bateu palma e perguntou:

— Boa tarde, sinhora… será que a senhora teria um tantim de comida pra matar a fome? Um pedacim de pão já tá bão!

Dona Rita coçou a cabeça e disse:

— Ô moço… hoje num tem nada não. Só restô água do feijão de onte.

O moço olhou em volta, viu um monte de galinha ciscando, milho secando no terreiro, abóbora amontoada num canto. Sorriu de ladin:

— Num tem problema, não, dona. Eu sei fazê uma sopa de pedra que é bão demais da conta. Só preciso dum panelão com água e duma pedra bem lavadinha. A senhora consegue me arrumar?

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♻️ Como a Natureza Ensina sobre Economia Circular

Hoje cedo, enquanto olhava a luz do sol perpassando por entre as folhas do jamelão mais antigo daqui, recomecei a observar os… limites. Um dos princípios da Permacultura é utilizar as bordas para plantio.

No sítio tudo tem limite. O espaço pra plantar, a água do poço, a lenha seca guardada na sombra. Até a espontânea e cíclica vontade da terra de nos fornecer frutos pede pausa, respeito aos processos e reciclagem. A natureza é generosa mas não é infinita. E ela sabe recomeçar.

Quando acaba o espaço para plantar por aqui não fico tentando enfiar mais árvore onde não dá, não cabe. Eu podo. Derrubo um galho. Às vezes faço a supressão de uma espécie que não seja mais necessária. Vai tudo pra compostagem. Folha seca, galho torto, caroço seco de manga… O que antes era excesso vira húmus.

O sistema reinicia.
E a vida segue, adubada por sua própria abundância.

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📻 A Rádio Que Toca na Minha Cabeça

Hoje eu chorei de manhã. Acordei, botei ração pras felinas, desci, abri a porta pro Amendoim ir passear. Na rádio que toca na minha cabeça uma música “Your Song”, do Elton John, cantada pelo Billy Paul. Botei a música para tocar.

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☀️ Gás novo, pudim na geladeira e o sol de sempre

Ontem, enquanto preparava um arroz com alho e banha de porco – simples e saboroso como tem que ser – o gás acabou. Justo na hora do almoço.

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🌿 Mestre Zen do Maracujá

Nunca vi tanto maracujá (Passiflora edulis) na vida.

É como se todas as sementes que joguei no chão tivessem feito um pacto secreto de germinar em profusão, todas ao mesmo tempo — e agora o sítio virou uma rede de ramos aéreos com ovos amarelos pra tudo que é lado. Pra cada canto que olho tem um maracujá pendurado me encarando, como quem diz:

“E aí, amigo? Tá mais calmo hoje?”

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👁️‍🗨️ O inimigo é quem faz as leis

Havia um tempo em que acessava a Internet de manhã e lia as notícias. Era bom porque me informava sobre o que estava acontecendo no mundo, ou trocava ideias sobre assuntos que estivesse pesquisando…

Era raro ler alguma postagem que não apresentasse “o quê”, “quem”, “quando”, “como”, “onde”, “porquê” etc.; enfim, as informações completas.

Hoje tenho a impressão de que as pessoas se acostumaram a falar apenas para suas bolhas, ou nichos de mercado, se utilizarmos termos empresariais. E isso limita muito a compreensão do que está acontecendo.

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🎭 Emoções em sete botões: a domesticação do sentir nas redes

Com o problema na coluna tenho passado mais tempo nas redes sociais, ou mesmo pesquisando na Internet. Como analista de sistemas observo mudanças, padrões, manipulações… Hoje me chamou novamente a atenção a falta, a ausência, a limitação de emoções. Explico!

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