Anvisa aprova ampliação de regras para uso de cannabis medicinal e produção no Brasil

Em 28 de janeiro de 2026, a Anvisa aprovou uma resolução que amplia o acesso a terapias com cannabis medicinal no Brasil, autorizando a venda de canabidiol em farmácias de manipulação e regulando a produção da planta. As novas regras possibilitam maior acesso a pacientes com variadas condições, mantendo a proibição do uso recreativo.

Após anos de mobilização de associações de pacientes, grupos de defesa da saúde e entidades médicas em todo o Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, em 28 de janeiro de 2026, uma resolução que amplia o acesso a terapias à base de cannabis medicinal, autoriza a venda de canabidiol (CBD) em farmácias de manipulação e estabelece regras para produção controlada da planta no país. A medida representa um marco regulatório relevante no cenário de saúde e de tratamento terapêutico no Brasil, atendendo também a uma determinação judicial para atualizar a regulamentação.

Continue lendo “Anvisa aprova ampliação de regras para uso de cannabis medicinal e produção no Brasil”

Reclassificação da Maconha: Impactos da Ordem Executiva de Trump

Em 18 de dezembro de 2025, Donald Trump assinou uma ordem executiva para reclassificar a maconha da Lista I para a Lista III, facilitando sua pesquisa medicinal e acesso a financiamentos. Embora não legalize a maconha federalmente, isso beneficia empresas, mas críticos apontam que não aborda questões sociais ou saúde pública relacionadas à proibição.

Donald Trump assinou em 18 de dezembro de 2025 uma ordem executiva que direciona o Departamento de Justiça dos EUA a acelerar a reclassificação da maconha da Lista I para a Lista III da Controlled Substances Act, resposta à pressão de grupos do setor e parte do lobby por reformas na política federal de drogas. A Lista I inclui substâncias consideradas de alto potencial de abuso sem uso médico aceito; a Lista III agrupa substâncias com uso terapêutico reconhecido e risco moderado, como certos medicamentos controlados. A ação não legaliza a maconha em nível federal, mas altera o enquadramento regulatório sob a lei norte-americana.

Essa reclassificação tem implicações práticas: pode reduzir barreiras burocráticas à pesquisa científica sobre usos medicinais da cannabis e ampliar o acesso a financiamentos e estudos clínicos ao reconhecer oficialmente seu uso terapêutico em diversas condições, como dor crônica e náuseas associadas a tratamentos médicos. O governo afirma que a mudança permitirá uma base de evidências mais robusta para orientar pacientes, profissionais de saúde e formulação de políticas públicas.

Continue lendo “Reclassificação da Maconha: Impactos da Ordem Executiva de Trump”

Embrapa obtém autorização da Anvisa para pesquisa com Cannabis sativa L.

A Anvisa autorizou a Embrapa a realizar pesquisas com Cannabis sativa L. para fins científicos, marcando um avanço na regulamentação brasileira. As pesquisas se concentrarão em conservação, Cannabis medicinal e cânhamo industrial, com requisitos rigorosos de segurança. Essa autorização pode fortalecer a soberania científica e impulsionar a indústria e agricultura brasileiras.

Um marco para a ciência e para as futuras cadeias produtivas no Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, em 19 de novembro de 2025, que a Embrapa conduza pesquisas com o cultivo da planta Cannabis sativa L. exclusivamente para fins científicos. A decisão representa um marco na regulamentação brasileira e abre caminho para a produção de conhecimento nacional sobre usos medicinais, industriais e ambientais da espécie.

Linhas de pesquisa previstas

A autorização abrange três eixos principais definidos pela Embrapa:

  1. Conservação e caracterização de germoplasma, com formação de banco genético da espécie.
  2. Pesquisa aplicada à cadeia da Cannabis medicinal, incluindo aspectos agronômicos, fitoquímicos e tecnológicos.
  3. Pré-melhoramento de cânhamo industrial, com foco em fibras e sementes para usos industriais variados.

Essas frentes de trabalho pretendem gerar informações técnicas e científicas capazes de subsidiar futuras políticas públicas e regulamentações.

Exigências regulatórias e condições impostas pela Anvisa

A pesquisa só poderá ocorrer mediante o cumprimento de um extenso conjunto de requisitos de segurança, rastreabilidade e controle. Entre os principais pontos determinados pela Anvisa estão:

  • Inspeção prévia obrigatória da área de pesquisa antes do início do cultivo.
  • Apresentação de um plano detalhado de controle, contenção e monitoramento das plantas.
  • Sistema de videomonitoramento contínuo, controle eletrônico de acesso e registro de entrada e saída de todos os envolvidos.
  • Área de cultivo exclusiva para Cannabis sativa L., sem qualquer outra espécie vegetal compartilhando o mesmo espaço.
  • Qualquer transporte, importação ou exportação do material vegetal dependerá de autorizações específicas.
  • Proibição total de comercialização de qualquer produto, parte vegetal ou subproduto obtido na pesquisa.
  • Permissão para envio de material somente para outras instituições de pesquisa devidamente autorizadas.
  • Autorização inicial válida por três anos, com possibilidade de renovação, considerando que o programa completo de pesquisa da Embrapa possui cronograma estimado de doze anos.

Importância para o Brasil

A autorização dada à Embrapa tem implicações amplas:

  • Soberania científica: permite ao país produzir conhecimento próprio sobre a espécie, reduzindo dependência de dados e materiais estrangeiros.
  • Potencial agrícola: o Brasil possui clima e solos favoráveis ao cultivo, o que pode futuramente gerar vantagens competitivas.
  • Indústria emergente: fibras, sementes e derivados do cânhamo podem se tornar insumos para setores têxteis, alimentícios, bioconstrução e biocompósitos.
  • Pesquisa medicinal: estudos nacionais podem acelerar o desenvolvimento de tecnologias e protocolos aplicados ao uso de canabinoides.
  • Sustentabilidade e meio ambiente: a planta possui potencial para fitoremediação, recuperação de solos e captura de carbono.

O que pesquisadores e profissionais da área precisam saber

Para quem trabalha com botânica, agricultura ou sistemas de cultivo, alguns aspectos merecem atenção:

  • A autorização da Anvisa não é um aval genérico: trata-se de uma permissão excepcional, com limites rigorosos.
  • O cultivo deverá seguir regras de biossegurança semelhantes às de pesquisas com organismos controlados.
  • Toda a produção será destinada exclusivamente à pesquisa, sem qualquer possibilidade de uso comercial.
  • A Embrapa deverá gerar dados sobre solo, porte, iluminação, adubação, ventilação e demais parâmetros agronômicos. Esses dados podem, no futuro, se tornar referência nacional para o manejo da espécie.
  • O processo de autorização pode inaugurar uma nova etapa no desenvolvimento de políticas agrícolas específicas para espécies de múltiplas finalidades.

Perspectivas futuras

A decisão da Anvisa cria um precedente importante. Embora o cultivo comercial ainda dependa de regulamentação própria, o avanço das pesquisas pode fundamentar normas futuras mais claras, embasadas em dados agronômicos, ambientais e de segurança.

Para o setor agrícola e científico, trata-se de uma oportunidade inédita: compreender, testar e desenvolver variedades de Cannabis sativa L. adaptadas ao território brasileiro, com potencial de integrar cadeias produtivas sustentáveis e tecnicamente robustas.

🍄 Microdosagem de Cogumelos: Benefícios e Experiências

Após a ressonância magnética, o autor faz mudanças na dieta e estilo de vida para melhorar a saúde mental e física, eliminando álcool e carne, e introduzindo suplementos. Com a depressão em meio a dificuldades financeiras e pessoais, descobre na microdosagem de Psilocybe cubensis uma possível solução, experimentando um chá com o cogumelo.

Após receber o resultado[1] do exame de RESSONÂNCIA MAGNÉTICA DO ENCÉFALO me vieram dúvidas sobre o que eu poderia ingerir (Chás? Óleos medicinais? Suplementos?) ou fazer (Yoga? Tai chi? Pilates?) para promover uma possível melhora em minha condição física e mental.

Eu já havia suspendido a ingestão de praticamente tudo que pudesse me fazer mal: necas de cerveja, cachaça, vinho… Nada de álcool! Também já estou há quase 3 anos sem fumar nicotina (graças a minha decisão e força de vontade) e há meses sem consumir Cannabis por causa do aconselhamento do médico do SUS. (Detalhe(!): em tese a Cannabis poderia me ajudar na minha condição promovendo neurogênese – comento sobre isso mais adiante). Diminuí muito, reduzindo praticamente a zero a ingestão de carnes e açúcar. Passei a ingerir diariamente cápsulas de magnésio treonato e zinco.

Quando veio a doença junto vieram vários acontecimentos – tudo ao mesmo tempo – que me forçaram a pegar um empréstimo com o Nubank e isso me criou mais uma dor de cabeça; afinal o pagamento das parcelas me impede de construir um banheiro úmido cá no sítio com minha renda e a venda de ovos está prejudicada pelo ataque dos cachorros do vizinho Fernando (postei nas redes sociais sobre isso).

E aí não teve jeito; veio a depressão! Sozinho, fazendo as coisas aqui no sítio, me bateu aquela sensação de abandono, de “estou morrendo” e com dívidas e dúvidas sobre ter ou não forças para lutar contra isso. Quem me conhece, ou conhece a minha história de vida, sabe o quanto lutei e continuo lutando de todas as formas possíveis para viver.

Acontece que juntou muita coisa, tudo acontecendo ao mesmo tempo, e isso me fez sentir “uma imensa pena de mim mesmo“. Pensei: “será que tem algo que eu possa tomar para me ajudar a sair dessa deprê?”. E aí vou andando pelo sítio, como tenho o costume de fazer diariamente, e uma possível solução aparece como “mágica” no esterco bovino que eu coletei nos pastos aqui perto.

Continue lendo “🍄 Microdosagem de Cogumelos: Benefícios e Experiências”

🌿✨ Venha fazer parte do Tudo Sobre Plantas! ✨🌿

O Brasil possui uma biodiversidade impressionante, com muitas plantas ainda a serem estudadas, essenciais para a medicina e cultura. O projeto Tudo Sobre Plantas busca promover o conhecimento sobre flora, técnicas de cultivo e etnobotânica, criando uma rede colaborativa que valoriza a sustentabilidade e a aprendizagem coletiva. Junte-se a nós!

O Brasil abriga uma das maiores biodiversidades do planeta: são milhares de espécies vegetais, muitas ainda pouco estudadas, mas que carregam enorme potencial alimentar, medicinal, ecológico e cultural. Estima-se que cerca de 25% dos medicamentos utilizados mundialmente tenham origem direta ou indireta em plantas, e grande parte desse conhecimento nasceu do uso popular e da observação etnobotânica, que conecta saberes tradicionais à ciência moderna.

Por isso, investir na pesquisa e difusão do conhecimento sobre a flora brasileira não é apenas valorizar nossa história e cultura, mas também abrir caminhos para o desenvolvimento de novas medicinas, alimentos e práticas sustentáveis de cultivo e cuidado.

Continue lendo “🌿✨ Venha fazer parte do Tudo Sobre Plantas! ✨🌿”

Perigos da Maconha Adulterada com Canabinóides Sintéticos

Médicos e pesquisadores alertam sobre a adulteração da maconha com canabinóides sintéticos, que aumentam a rentabilidade dos traficantes. Esses compostos, mais potentes que o THC, causam riscos sérios, como convulsões e até mortes. Consumidores frequentemente não percebem a adulteração, levando a internações. É necessário aumentar a conscientização e revisar políticas de drogas.

Um alerta vem preocupando médicos e pesquisadores: traficantes em diversos países têm adulterado maconha com canabinóides sintéticos — substâncias químicas conhecidas como K2, Spice ou “drogas sintéticas do tipo cannabis”.

O objetivo dessa prática é simples: baratear custos e aumentar a rentabilidade, já que esses compostos são baratos, fáceis de aplicar em flores secas e muito mais potentes que o THC da planta natural. Ao serem pulverizados sobre a maconha, criam a sensação de um produto “forte”, mas na verdade expõem o consumidor a riscos graves.

Continue lendo “Perigos da Maconha Adulterada com Canabinóides Sintéticos”

O que sabemos hoje sobre Cannabis Medicinal

[01/07/2019] Estou um tanto cansado, ainda sob efeito de tantas informações precisas, contundentes e dissipadoras de quaisquer dúvidas que porventura ainda pudessem existir em meu ser. O seminário foi proveitoso e maravilhoso em todos os sentidos.

Anderson Porto, do Tudo Sobre Plantas

Hoje tenho a certeza completa de que essa planta chamada de [ Cannabis sativa ] merece ocupar o seu devido espaço na cultura mundial dos povos.

É uma medicina que atende uma demanda de qualidade crescente, finalmente entendi porque o extrato integral é mais eficaz que qualquer canabinoide isolado, mais estudos trarão a personalização tanto do tratamento como dos teores de cannabinoides e, muito em breve, todos nós poderemos usufruir livremente de seus benefícios, seja plantando para o próprio consumo, seja via associações, seja via comunidades de produtores, seja via produção industrial. Com efeitos psicoativos ou sem.

A luta AGORA é pelo acesso justo, pois as qualidades medicinais estão cientificamente (com)provadas.

Eis algumas doenças que podem ser tratadas com os canabinoides da maconha: dor (dores crônicas), ansiedade, angustia, dispneia, insônia, depressão, náuseas, solidão, autismo, alzheimer, TDAH, esclerose múltipla, fibromialgia, epilepsia, anorexia, câncer, parkinson, glaucoma, diabetes…

Meu conselho, portanto, é: pesquise, informe-se, procure saber se você tem alguma doença tratável com Cannabis Medicinal.

Eis algumas informações que é bom saber:

Continue lendo “O que sabemos hoje sobre Cannabis Medicinal”

Congresso dos EUA legaliza cultivo industrial do cânhamo

Plantação de “hemp” / cânhamo – Foto: autor desconhecido.

Washington, 13 dez 2018 (AFP) – O Congresso dos Estados Unidos aprovou na quarta-feira a legalização do cultivo de cânhamo em grande escala e sua eliminação de uma lista de substâncias controladas.

“Esse é o ponto culminante de muito trabalho de muitos de nós aqui em Washington, mas na realidade a vitória é para os produtores, processadores, fabricantes e consumidores que se beneficiarão deste mercado em crescimento”, disse o líder da maioria no Senado, Mitch McConnell.

A medida “legaliza o cânhamo como um produto agrícola” e o remove da lista de substâncias controladas, enquanto permite que os pesquisadores solicitem subsídios federais e tornem o cânhamo elegível para o seguro de cultivos, explicou McConnell.

A medida foi apoiada por republicanos e democratas, que argumentaram que se trata de uma oportunidade para os agricultores americanos.

O projeto de lei foi adotado pela maioria na Câmara de Representantes por 369 contra 47, depois de ser aprovado com folga no Senado (87-13) no dia anterior.

Para entrar em vigor, a lei ainda precisa ser sancionada pelo presidente Donald Trump.

Fonte: economia.uol.com.br

Uso crônico de óleo rico em THC pode trazer riscos pra Saúde?

river

ME PERGUNTARAM SE O USO CRONICO DE ÓLEO RICO EM THC PODE TRAZER RISCOS PRA SAÚDE.
__
Paulo Fleury Teixeira*

Em primeiro lugar essa pergunta da forma como foi feita, por honestidade, deve ter uma só resposta: Sim.
Mas essa resposta seria a mesma se vc me perguntasse: o uso do óleo de CBD pode trazer efeitos negativos…? Sim
O uso da melatonina, pode? sim
O uso da vitamina C? Sim
O uso de…? Sim

Então a pergunta não deve ser essa pq ela não discrimina nada, pois, por princípio tudo na vida traz riscos e ao fim sabemos q a vida termina inexoravelmente na morte.

A pergunta mais esclarecedora seria então: quais seriam esses riscos e qual a sua frequencia, a sua incidência? Em geral as info não estão completamente disponíveis e então temos estimativas mais ou menos precisas disso.

No caso dos produtos com alto teor de thc, maconha, haxixe, óleos etc. quais seriam os riscos de longo prazo?

o q registramos é justo o contrário, em geral ocorre (grande) melhora no seu desempenho / desenvolvimento.

A primeira coisa q nos tranquiliza, sobretudo, é q não existem riscos organicos comprovados, ou seja nao existe doença ou evento (tipo infarto, avc, trombose, etc) q esteja comprovadamente relacionada/o ao uso de maconha e seus extratos.

Em nenhum sistema do nosso corpo: digestivo, cardiovascular, respiratorio, hepático, metabolico, respiratório, cancer etc… Isso é importantíssimo, qto mais qdo comparamos com os riscos e efeitos colaterais frequentes dos medicamentos q a maconha, ou o oleo rico em thc ou em cbd, pode substituir.

Os riscos estariam entao confinados ao campo psicossocial. Os riscos seriam de:

1. alterações psicquicas negativas (crises etc). Esses riscos existem e são presentes de várias formas e intensidades, na minha experiencia, seja no uso de cbd ou de thc.

Qual é o % em q eles aparecem? É dificil de estimar, mas com os dados q tenho dos ptes autistas é algo em torno de 10% dos casos q tem essas reaçoes. Mtas vezes ligadas à associação com uso de medicamentos neuropsi ou retirada desses medicamentos. E o q é mais importante e fundamental, essas crises são, em grande parte das vezes controláveis e o tto pode e deve continuar com benefícios pro paciente. Sobretudo com a retirada controlada dos outros medicamentos.

2. Perda de desempenho seja escolar ou no trabalho ou na vida social. Alega-se q o consumo intensivo de maconha está associado a alterações psicocomportamentais q resultam em perda do desempenho. Por exemplo, falta de vontade, disturbios de memória e cognitivos. Qual é o risco estimado disso ocorrer?

Não está claro e , o q é mais importante para nós, curiosamente esses problemas não tem sido identificados na literatura sobre o uso medicinal (não q eu saiba) e, em nossos pacientes crianças e adolescentes, por exemplo epiléticos e autistas, o q registramos é justo o contrário, em geral ocorre (grande) melhora no seu desempenho / desenvolvimento, seja com o uso de cbd ou, como é a maioria dos meus pacientes, com o uso de thc.

__
* Paulo Fleury Teixeira​ é médico, pioneiro na pesquisa sobre o uso da Cannabis no Brasil e recentemente apresentou ao público os resultados do seu tratamento experimental para tratar de sinais, sintomas e distúrbios associados ao autismo.

foto: Shutterstock/Tatevosian Yana

+ infos: Uso do óleo da Cannabis gera resultados satisfatórios no tratamento do autismo

 

México legaliza o uso e cultivo da maconha para fins recreativos

  • Numa decisão histórica, os juízes privilegiaram a liberdade individual aos danos à saúde
  • Brasil entra na discussão mundial sobre a legalização do uso de drogas

1446653691_530264_1446667906_noticia_normal

O México rompeu com seu passado. A Suprema Corte de Justiça da Nação abriu as portas para a legalização da maconha para uso recreativo e sem fins lucrativos.

A histórica decisão é um passo gigantesco para um país que durante anos combateu o tráfico de drogas a sangue e fogo. Novamente, como havia acontecido com o casamento gay, foram os juízes que tomaram a iniciativa frente a uma opinião pública esmagadoramente contrária e partidos hesitantes. Neste caso, os magistrados privilegiaram a liberdade individual aos danos à saúde. E, embora a decisão circunscreva a autorização para o consumo, o cultivo e a posse aos pleiteantes, uma espécie de clube de fumantes, na prática coloca em marcha o mecanismo para uma legalização geral. Para tal reviravolta foram determinantes os progressos registrados nos Estados Unidos, mas também uma estratégia jurídica concebida para esse fim.

O acórdão da Primeira Seção da Suprema Corte é resultado de um recurso apresentado pela Sociedade Mexicana de Autoconsumo Responsável e Tolerante, uma ONG fundada em 2013 com o objetivo de forçar o debate pela via jurídica. O primeiro passo foi pedir autorização à Secretaria da Saúde. Como o consumo está tecnicamente despenalizado no México, a ONG centrou sua petição nas atividades correlatas: desde a semeadura até a preparação, o transporte e a posse. Tudo isso com fins recreativos, sem qualquer ânimo de lucro. A proposta foi rejeitada pela Administração, alegando que violava as leis de saúde pública. Foi quando a bola passou ao campo judicial e os litigantes fizeram sucessivos recursos de amparo até chegar à Suprema Corte.

Nessa escalada, brandiram como principal argumento o direito ao livre desenvolvimento da personalidade, protegido pela Constituição mexicana. As negativas se sucederam até que o caso caiu nas mãos do juiz Arturo Zaldívar. Considerado um dos juízes mais progressistas da Suprema Corte, esse ex-advogado e professor aprovou a petição e decidiu defender a legalização da maconha diante de seus quatro colegas da Primeira Seção, conhecida por ter apoiado o casamento homossexual. Sua proposta, em termos gerais, se baseia em que o risco da maconha para a saúde é menor ou semelhante ao do tabaco, e que sua proibição, portanto, é desproporcionada em relação ao direito constitucional à autonomia individual.

A autorização não é um cheque em branco. Os benefícios da decisão se limitam aos peticionários. Mas abre caminho para que outros cidadãos possam tomar o mesmo rumo. E essa abertura introduz, na prática, um elemento libertador na legislação. “A qualquer um que pedir, será preciso conceder o direito ao consumo com fins recreativos e sem ânimo de lucro”, diz um dos promotores. Com essa válvula de escape, de acordo com especialistas, é difícil que em poucos anos as restrições não sejam derrubadas e, como já aconteceu em quatro estados norte-americanos, se amplie o perímetro legal do consumo. Segundo produtor mundial de maconha, o México entrará então em um novo ciclo e terá que rever um regime punitivo extremamente severo com tudo o que se relaciona à maconha e que encheu as prisões de milhares de consumidores.

No campo imediato, a reação dos partidos ainda se faz esperar. Nenhum deles se opôs taxativamente à legalização. Mas a rejeição mostrada pelas pesquisas, com 70% de desaprovação, os levou a adotar muita cautela em sua maneira de enfocar a questão. Somente o PRD, a força hegemônica da esquerda, defendeu um ponto final ao “paradigma punitivo” e apostou na liberalização imediata. O PRI (no Governo) e o Morena pediram uma consulta pública e o PAN, de direita, limitou-se a propor um debate. Nessa área cinzenta, até mesmo a Igreja mostrou uma inusual frouxidão e, sem se declarar a favor ou contra, pediu uma análise desapaixonada do caso.

Essa aparente frieza influencia a percepção de que os anos de luta contra o crime organizado não trouxeram progressos significativos. Por outro lado, a loucura da violência ligada ao tráfico de drogas e a guerra extenuante contra os cartéis, que fizeram 80.000 mortos e 20.000 desaparecidos, enfraqueceram os argumentos dos desfavoráveis à regulamentação. Consciente disto, durante os debates, os partidários não deixaram de lembrar que a legalização significa um golpe para as finanças dos traficantes e uma possível redução da violência do varejo do tráfico de drogas, a mais próxima do cidadão. “O pior que pode acontecer com uma substância perigosa é que o Estado abdique de sua responsabilidade e deixe seu controle nas mãos do crime organizado”, explica Armando Santacruz, um dos vencedores da batalha legal.

Fonte: [ EL PAIS ]