A vida que me leva

A perna não obedeceu. Ao tentar sair da cama, naquela manhã de abril de 2025, ela simplesmente “voou” em direção à parede. Não houve dor nem aviso. Apenas a constatação de que algo havia se rompido entre o corpo e a vontade.

Busquei ajuda na UPA da cidade. O atendimento foi insuficiente e a resposta, apressada: “problema de coluna”. Voltei para casa com o braço e a perna instáveis e a sensação de estar sozinho quando mais precisava de apoio.

Os meses seguintes foram marcados por médicos, exames e esperas. Um esforço contínuo para nomear o que já se impunha no cotidiano. Nesse período, interrompi o consumo de álcool, mudei a alimentação e aceitei que a vida anterior não retornaria intacta. O resultado dos exames? Um mini AVC.

Hoje convivo com limitações persistentes: perda da motricidade fina, cansaço no braço e na perna direita, dificuldade para caminhar, quedas e falta de precisão. No sítio onde vivo desde 2020, isso significa não conseguir realizar tarefas antes rotineiras. A vida rural, já marcada por carências estruturais, tornou-se ainda mais exigente.

Impedido de trabalhos físicos, concentrei-me no que ainda podia sustentar: pensamento, escrita e organização. Em julho de 2025, consegui colocar novamente no ar o portal Tudo Sobre Plantas, que sigo aprimorando. O corpo desacelerou; o projeto, não.

Houve apoio. Amigos ajudaram financeiramente e algumas conversas, com conhecidos e estranhos, sustentaram dias difíceis. Aprendi a adaptar gestos e tempos, embora pensamentos como “não vou conseguir” surgissem com frequência.

Em dezembro de 2025, a morte súbita do meu irmão mais novo, aos 48 anos, trouxe novo abalo. A sanidade mental precisou encontrar algum eixo para não ceder.

A vida ficou difícil. Ainda assim, o portal segue ativo e o desafio agora é estruturá-lo para que sobreviva como legado. Não sei por quanto tempo viverei, mas sigo fazendo o que está ao alcance. Com menos força, mais cuidado e outra forma de caminhar.

A vida me ensinou que se quero colher preciso amarrar as ramas dos pés de maracujás.

Como que você faz para manter o bom humor?
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Anderson C. Porto
Gestor do projeto Tudo Sobre Plantas, roceiro, poeta e curioso, eterno ACP só que agora no estilo PcD com PVP…
ps1: PcD – Pessoa com Deficiência;
ps2: PVP – Porra da Velhice Presente.
ps3… Tentar definir ACP é tentar controlá-lo.


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Autor: Anderson Porto

Desenvolvedor do projeto Tudo Sobre Plantas

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