Servidores ambientais: uma nova forma de compreender a vida no campo

A visão tradicional de “pragas” é um equívoco que ignora a complexidade ecológica. Ao chamá-las de “servidores ambientais”, reconhecemos seu papel nos ecossistemas e questionamos a lógica reducionista da agricultura. É hora de transformar nossa relação com a natureza, refletindo sobre como nossas ações geram desequilíbrios.

Desde 2020 venho utilizando, em publicações no portal Tudo Sobre Plantas, a expressão “servidores ambientais” para me referir aos organismos tradicionalmente chamados de “pragas” pela indústria de agrotóxicos. Essa escolha não é apenas semântica: nasce da compreensão de que insetos, fungos, aves, microrganismos e outros seres que interagem com nossas plantas não são inimigos, mas sim agentes ecológicos que cumprem funções reguladoras nos ecossistemas.

A ideia não surgiu do nada. Diversos pesquisadores já apontaram, cada um a seu modo, que a noção de “praga” é resultado de uma visão estreita, centrada na produtividade imediata e na lógica do monocultivo — isto é, um banquete artificial oferecido a uma fauna especializada.

Praga é um conceito criado por crenças para vender agrotóxicos.

Entre os precursores internacionais, merece destaque Rachel Carson (1907–1964), cuja obra Silent Spring denunciou não só os efeitos dos agrotóxicos, mas também o equívoco de pensar a natureza em termos de inimigos a serem eliminados. Na mesma linha, o chileno Miguel Altieri e o norte-americano Stephen Gliessman fundaram as bases da agroecologia moderna, sempre ressaltando que organismos considerados pragas são, na verdade, indicadores de desequilíbrios provocados por práticas humanas.

No Brasil, essa visão foi antecipada por pioneiros como José Lutzenberger, que criticava o conceito de “praga” e defendia que cada organismo cumpre seu papel; e Ana Maria Primavesi, que demonstrou em sua obra que a ocorrência de pragas e doenças é consequência direta do desequilíbrio do solo e da perda de biodiversidade. Pesquisas conduzidas em instituições como a Embrapa e em universidades públicas brasileiras vêm reforçando esse mesmo entendimento, propondo alternativas como o Manejo Integrado de Pragas (MIP) e o manejo agroecológico, que reconhecem o papel dos inimigos naturais e das interações ecológicas.

Portanto, ao propor a expressão “servidores ambientais”, insiro-me numa tradição crítica que busca superar o paradigma reducionista e reconhecer que não existem organismos prejudiciais em si: há apenas relações ecológicas contextuais, frequentemente alteradas pela ação humana. O que se convencionou chamar de “praga” nada mais é que o reflexo de um agroecossistema desequilibrado. Reconhecê-los como servidores é dar o primeiro passo para reconstruir nossa relação com a terra de forma ética, ecológica e sustentável.

Anderson C. Porto
gestor do portal Tudo Sobre Plantas

Bibliografia Consultada

ALTIERI, Miguel A. Agroecologia: bases científicas para uma agricultura sustentável. 5. ed. São Paulo: Expressão Popular, 2012.

CARSON, Rachel. Primavera Silenciosa. 2. ed. São Paulo: Gaia, 2010. (Título original: Silent Spring, 1962).

GLIESSMAN, Stephen R. Agroecologia: processos ecológicos em agricultura sustentável. 2. ed. Porto Alegre: UFRGS Editora, 2001.

LUTZENBERGER, José A. Fim do futuro? Manifesto ecológico brasileiro. Porto Alegre: Movimento, 1980.

PRIMAVESI, Ana Maria. Manejo ecológico do solo: a agricultura em regiões tropicais. 21. ed. São Paulo: Nobel, 2014.

SILVA, André Felipe Cândido da. Pragas, patógenos e plantas na história dos sistemas agroecológicos. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi: Ciências Humanas, Belém, v. 17, n. 1, p. 1-26, 2022. DOI: https://doi.org/10.1590/2178-2547-BGOELDI-2021-0023

🌿✨ Venha fazer parte do Tudo Sobre Plantas! ✨🌿

O Brasil possui uma biodiversidade impressionante, com muitas plantas ainda a serem estudadas, essenciais para a medicina e cultura. O projeto Tudo Sobre Plantas busca promover o conhecimento sobre flora, técnicas de cultivo e etnobotânica, criando uma rede colaborativa que valoriza a sustentabilidade e a aprendizagem coletiva. Junte-se a nós!

O Brasil abriga uma das maiores biodiversidades do planeta: são milhares de espécies vegetais, muitas ainda pouco estudadas, mas que carregam enorme potencial alimentar, medicinal, ecológico e cultural. Estima-se que cerca de 25% dos medicamentos utilizados mundialmente tenham origem direta ou indireta em plantas, e grande parte desse conhecimento nasceu do uso popular e da observação etnobotânica, que conecta saberes tradicionais à ciência moderna.

Por isso, investir na pesquisa e difusão do conhecimento sobre a flora brasileira não é apenas valorizar nossa história e cultura, mas também abrir caminhos para o desenvolvimento de novas medicinas, alimentos e práticas sustentáveis de cultivo e cuidado.

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🍊 A tangerina: doce recompensa da paciência (e da Ciência!)

A tangerina tem cheiro de infância. Ao descascar uma tangerina todos que estão perto sentem o aroma inconfundível.

Tangerina tem sabor de roça, de mãos com calos e olhos atentos ao tempo do céu e do solo.

É fruta que se abre fácil, que se entrega em gomos, como quem oferece o ciclo completo da vida em pedaços doces.

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A Revolução Verde e o Problema do Nitrogênio no Solo

O PROBLEMA DO NITROGÊNIO NO SOLO

Ana Primavesi

Nitrogênio é o adubo químico mais usado, sempre tentando aumentar a massa verde e nunca a saúde vegetal e nem sempre a produção de grãos. O adubo nitrogenado veio maciçamente com a Agricultura Convencional, que foi introduzida graças a uma combinação entre a indústria química e a mecânica. Foi capitaneado pelo prof. Borlaug e mediado pelo então presidente Kennedy (1961-63).

O problema da indústria era que possuía enormes estoques de produtos químicos altamente venenosos, e uma linha de produção para máquinas pesadas que ninguém necessitava mais porque a guerra terminara. E, se a indústria ia à falência, os EUA afundariam numa crise que poderia ser de difícil recuperação.

Foi combinado assim que a agricultura compraria químicos e máquinas das indústrias, e estas, uma vez recuperadas, iriam pagar impostos elevados. Com todas estas despesas, a agricultura convencional obviamente não iria mais ter lucros e até trabalhar no vermelho, mas o Governo se comprometia a devolver à agricultura parte destes impostos em forma de subsídios, dando início a uma “agricultura subsidiada” combatida em vão pelo governo brasileiro, uma vez que esquece a razão do subsídio.

Instaurou-se a famosa “Revolução Verde”. Para os EUA e Europa, que tinham o problema da indústria, era a solução milagrosa. Indústria e países recuperaram-se rapidamente, mas a agricultura familiar tinha de ser trocada pela agricultura industrial para dar espaço às máquinas..

Milhões e milhões de pessoas migravam do campo para as cidades, onde as indústrias as esperavam ansiosamente. Iniciou-se a época de êxodo rural e o crescimento gigantesco das cidades. Era o início da “sociedade de serviço”. E como este convênio era até milagroso para a indústria química e mecânica, ambicionou-se mais. Resolveu-se levar a Revolução Verde também para o Terceiro Mundo, que nesta época, estava em pleno desenvolvimento.

Milhares de “técnicos” americanos se espalharam pelo mundo afora e incutiram em todos as maravilhas da Revolução Verde, e por mais de 10 anos os EUA treinaram os técnicos do Terceiro Mundo gratuitamente nesta agricultura. E até fundaram-se no Terceiro Mundo organizações estatais, como a EMATER para introduzir a Revolução Verde. (Esta reconheceu seu erro e atualmente luta pela Agricultura Orgânica.)

Como o Terceiro Mundo não era o dono destas fábricas, ele tinha que comprar tanto os químicos como as máquinas pesadas, com créditos que o Primeiro Mundo lhes concedia generosamente a juros entre 20 a 25% por ano, endividando os países violentamente.

Para eles, a Revolução Verde tornou-se somente um dreno permanente de todas as riquezas dos seus povos, fluindo para os países do Norte. Também no Sul a população rural tinha de migrar às cidades graças às máquinas, mas como não possuíam indústrias que a esperavam, foram acolhidos somente pelas favelas. E enquanto o Primeiro Mundo enriqueceu, o Terceiro Mundo entrou num ciclo de miséria do qual, até hoje, não conseguiu sair ainda. A Revolução Verde salvou a industria do Primeiro Mundo mas endividou horrivelmente o Terceiro Mundo.

Como foi introduzido

O primeiro passo da Revolução Verde era matar os solos: pela calagem corretiva – a aração profunda – e a adubação nitrogenada.

Por quê?

Porque isso acabou com toda matéria orgânica nos solos.E sem matéria orgânica os solos perderam sua vida, que sem alimento não podia existir, Os solos se desagregaram, compactaram e tornaram-se quase impermeáveis. A água das chuvas escorreu, causando erosão – enchentes – secas aos quais, atualmente, se juntam os ciclones e tufões. É um ciclo do qual não saímos ainda, ao contrário, que está piorando cada vez mais e levando muitas partes do Mundo à desertificação. Mas não se consegue produzir em solos mortos sem todo este pacote químico, mais irrigação. Finalmente os solos servem somente de suporte para as culturas, que praticamente se criam em “hidropônicos ao ar livre.”

Como os solos temperados são rasos (40 a 100 cm) e muito ricos (250 a 2.200 mmol) e os solos tropicais são profundos até muito profundos ( até 35 m) mas pobres ( 1-17 mmol na média as vezes chegando até 35 a 70 mmol), parece lógico que necessitam de manejo distinto. Porém, até agora, foram tratados segundo o manejo dos solos temperados.

O que sacudiu o Mundo após a introdução da Revolução Verde eram os desmatamentos em grande escala, a fim de poder instalar as agroindústrias onde atualmente tem umas com tamanho de até quase 300.000 ha e cuja mecanização é total: trabalham com tratores teleguiados, sem tratorista e com análises químicas e adubação já feitos ao passar dos tratores. Mas nem no laboratório, nem no campo a análise química considera o estado do solo ( agregado, com lajes duras, compactado) nem a possibilidade de absorção pelas raízes, que não somente depende do estado físico do solo mas também do equilíbrio entre os nutrientes.

O nitrogênio do adubo químico não é estável no solo, sendo lixiviado quando em forma de nitratos e nitritos ou se perde para o ar, quando em forma amoniacal ou em estado elementar, Também não considera-se que com o aumento da temperatura pelo aquecimento do Globo os nutrientes Ca – Mg – Cu – B se tornam de difícil absorção.

Pelas deficiências minerais, existentes ou introduzidas, uma adubação elevada com N em forma amoniacal, por exemplo(que pode ser aplicada ou induzida pela falta de oxigênio no solo), resulta na deficiência de Cu, Zn, Mn e a toxidez de Fe além da deficiência de K, Ca e Mg. Enquanto o N se perde para o ar, criam-se desequilíbrios minerais que predispõem as plantas a pragas e doenças.

Também aqui age-se muito sumariamente e combatem-se os parasitas sumariamente com “defensivos” de toxidez cada vez mais elevada. Poucos consideram que uma praga ou doença somente pode atacar uma planta quando sua enzima (bactérias possuem somente 1 enzima, insetos 2 e fungos podem ter até 4) consegue digerir a substância presente mas inacabada.

Não existe enzima nenhuma capaz de quebrar uma substância pronta, como proteínas, somente consegue digerir aminoácidos, ou polissacarídeos, somente conseguem quebrar monossacarídeos. E mesmo quando a planta morrer, suas substâncias completas têm de ser rompidas pelas próprias enzimas da planta, para que depois insetos e micróbios possam fazer a decomposição.

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Fica óbvio que cada praga ou doença é ligada a uma deficiência : p.ex. Oídio – B , Antracnose – Ca , Brusone – Cu etc. que impede o acabamento de uma substância completa.

As deficiências podem existir : por causa da falta de um mineral nutritivo ou seu desequilíbrio pelo excesso de outro mineral, por ex., uma adubação elevada com nitrogênio provoca p.ex. Botrytis em videiras, Puccinia em cereais, Erwinia em batatinhas, Alternaria em tomates, Pseudomonas em fumo etc.(Bergmann, 1976). E em lugar de combater a deficiência mineral induzida, combate-se a doença por agrotóxicos, que, por sua vez, em base de algum mineral, produzem outros desequilíbrios e outras doenças.

A degradação ambiental, não somente graças ao desmatamento mas também pela lavração do solo e sua exposição ao sol e o impacto das chuvas levou à erosão – enchentes e rios secos (por causa da deficiente infiltração de água no solo os mananciais subterrâneos ficaram vazios).

Por outro lado, a adubação de pastagens com elevada quantidade de nitrogênio produz no segundo ano um pasto exuberante e no terceiro ano uma decadência violenta. Isso porque as forrageiras formam somente raízes superficiais , pequenas, que não conseguem reabastecer seu estoque de nutrientes e morrem finalmente de exaustão, uma vez que o nitrogênio leva a um crescimento forçado. Nitrogênio não é um nutriente isolado, mas somente um dos nutrientes que a planta precisa. E quando o pasto entra em degradação assenta-se não somente a erosão mas também cupins.

Existe uma diferença muito grande entre o Nitrogênio químico e orgânico. O nitrogênio químico sempre contribui para o desaparecimento de matéria orgânica por aproximar a relação C / N, e consequentemente promover sua eliminação por micróbios que leva a decadência e compactação do solo. O nitrogênio orgânico, tem como pré-requisito a vida microbiana, que agrega o solo.

Nenhum processo no solo ocorre isolado. Tudo é interligado como o ciclo da vida. A planta capta luz e gás carbônico e absorve água do solo e com isso forma a primeira substância um açúcar simples ( plantas C-3 ) ou um ácido orgânico como o málico.(plantas C-4). As folhas que morrem cobrem o solo, servem aos micróbios de alimento e recambiam os minerais ao solo. Conforme o solo será a raiz, abundante em solo bem agregado ou retorcida e pequena em solo compactado.

Geralmente supõe-se que os micróbios do solo são independentes e somente depende ter um germe e já se desenvolvem. Mas não é bem assim. Nenhuma bactéria ou fungo nasce em solo que não é apropriado.

O nitrogênio acrescido pelo adubo não é estável no solo, e as leguminosas não enriquecem o solo em nitrogênio como se acreditou que podiam comprovar com mais que 1.200 análises de solo com as mais diversas formas de matéria orgânica, a partir de leguminosas até simplesmente palha de arroz. E muitas vezes a quantidade de N no solo era maior após a palha de que após leguminosas. Por que?

Nenhuma planta é atacadista vendendo um produto como N. Cada uma somente fixa N para si mesma. E o que os micróbios não seguram é lixiviado ou perdido para o ar. E a palha às vezes deixou mais N no solo, porque forneceu mais matéria orgânica que não é “nutriente” para as plantas mas somente comida para a vida do solo, que fixa N do ar e mobiliza nutrientes vegetais até de sílica.

Assim cresce a mata Amazônica e assim produzem as culturas orgânicas em solos vivos. Em solos mortos a agricultura orgânica produz miseravelmente, (por isso necessita o “preço acrescido”) em solos vivos produz abundantemente ( 2 a 3 vezes mais do que a melhor agricultura química) e ainda sem nenhuma praga e doença.

A disponibilidade de N no solo depende das bactérias fixadoras (praticamente todos fixam) e seus fagos, especialmente nematóides (em solos mais úmidos) e protozoários (em solos mais secos) que “pastam” os micróbios e liberam seu nitrogênio. Assim, nematoides liberam 30% do N absorvido pelas plantas e de fagos que pastam fungos fornece-se o resto.

Solos vivos com vida intensa mobilizam nutrientes e fixam Nitrogênio do ar.

Microrganismos fixadores de N:

Simbiontes : como rizóbios, Bradyrizóbios, Azospirillo, etc.
Bactérias livres: como Azotobacter, Beijerinckia, Closatridium pasteurianum etc.
Somente 8,6 % das leguminosas nodulam.

Tem rizóbios noduladores e rizóbios endofitas (vivem na folha da planta) graças a estas no Brasil a cana-de-açúcar necessita somente 50 kg/ha de adubo nitrogenado, Nos outros países necessita de 150 a 300 kg /ha de adubo nitrogenado.

Como funcionam os rizóbios endofitas: (Seja ciente: a nodulação não é necesssária para fixar Nitrogênio) . Os rizóbios saem da raiz da leguminosa e entram na raiz da gramínea seguinte, p.ex. milho, trigo, arroz etc.(Dazzo, 2006). Eles sobem às folhas onde aumentam a fotossíntese e a atividade enzimática. Parece que no arroz do sistema SRI existem também rizóbios endofitas.

Micorrizas aumentam o espaço radicular das plantas pelos micélios. Em raízes onde existem micorrizas e rizóbios, os primeiros fortalecem as plantas enquanto os rizóbios , nas plantas mais fortes, são mais ativos. Inoculam as plantas com micorrizas porém o efeito depende da variedade de micorrizas – da espécie vegetal – e da nutrição vegetal. Mas micorrizas não necessitam ser inoculadas se as plantas são suficientemente abastecidas com os nutrientes mais essenciais para elas. p.ex. Milho =. Cu e Zn, / arroz = Cu, aveia =Mn, videira = B etc.

Não é somente importante a presença de N no solo mas especialmente sua transformação para proteínas. Cada proteína se forma de 3 aminoácidos em base de N e 1 em base de S. Mas nem todos os aminoácidos formam proteínas. Para isso necessita-se de Molibdênio (Mo) . Assim muitas vezes saúvas começam cortar folhas de uma roseira ou de uma árvore mas logo abandonam tudo e vão para outro lugar. Isso porque a jardineira que fez a análise das folhas avisou: estes não prestam, eles tem proteínas. E proteínas nenhuma fungo, bactéria ou inseto conseguem digerir. Não possuem enzima para isso. De modo que aplicando Mo num pasto, campo, plantação frutífera, bosque etc. Contribui-se para a formação de proteínas e impede que saúvas cortem suas folhas.

MOKITI OKADA diz: a substância base de toda vida é N – O – H. e que também Rudolf Steiner afirma. Mas como combina isso com o fato que a primeira substância que uma planta forma é um monossacarídeo C – O – H . :

Mas aí o mestre explica: “ Não existe vida sem proteínas, e não existem proteínas sem Nitrogênio.”

O segredo do solo tropical:

Como se explica que os solos mais pobres do Mundo, os amazônicos conseguem criar uma das florestas mais frondosas do Mundo? Se as leis de clima temperado valessem, seria uma região semi desértica. Mas ao contrário, é uma floresta frondosa. Como ?

O segredo da floresta equatorial é:

– solos vivos e ativos,
– biodiversidade máxima (muitas árvores exalam substâncias que impedem o
nascimento de suas próprias semente num raio de até 50 m.)
– proteção contra a insolação direta e o impacto da chuva. Somente 3 a 4% da luz solar
atinge o solo, e muitas vezes a chuva é interceptada pelas folhas, de onde evapora.
– proteção contra o vento (não existe vento nenhum dentro da floresta amazônica)
Sabe-se que o vento leva 51 até 67% da umidade, diminuindo drasticamente o crescimento vegetal. No Ceará, no semi-árido , onde têm bosques que impedem o vento, a agricultura vai bem.

A produção agrícola não é um fator isolado. Tudo na natureza é interligado . É a famosa “ TEIA DA VIDA”, tudo depende de todos. São leis rígidas e imutáveis. E quando queremos “melhorar” um fator rasgamos a Teia da Vida e tudo somente tende a piorar. As leis naturais são imutáveis, modificar é somente destruir. E a natureza se vinga. Assim o Nitrogênio orgânico é altamente benéfico, o químico sempre é destrutivo a médio prazo.

Assim, por exemplo, o aquecimento do nosso Globo não é somente pela camada de gases-estufa (CO2 , CH4, N2O). Gases são frios e não quentes. É pelos solos compactados e expostos ao aquecimento do sol (após uma aração, ou numa cultura capinada, tanto faz se é por herbicidas ou por máquinas). O solo aquece e o ar acima dele (até 74 oC). O ar sobe, até como tufão, esbarra na camada de gases e em lugar de se dissipar para o espaço, se distribui pelo Globo. O clima aquece.

Não é tanto por causa dos gases estufa produzidos por carros e aviões, arroz de água, lixo urbano, rebanhos de gado etc. mas é por causa da falta de florestas e uma agricultura que mantém os solos expostos por muito tempo. É a agricultura convencional que acaba com nossos solos, nosso clima, nossa água, nosso Globo.

Fonte: [ Ana Maria Primavesi ]

Dossiê ABRASCO – Um alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde

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“Este dossiê é um alerta da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrascp) à sociedade e ao Estado brasileiro. Registra e difunde a preocupação de pesquisadores, professores e profissionais com a escalada ascendente de uso de agrotóxicos no país e a contaminação do ambiente e das pessoas dela resultante, com severos impactos sobre a saúde pública e a segurança alimentar e nutricional da população”

Para baixar [ CLIQUE AQUI ].

Após oito anos de pesquisas, relatório confirma vinculação glifosato/câncer

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Por Darío Aranda
Do Página/12*

Oito anos de pesquisa, quinze publicações científicas e uma certeza: os agrotóxicos causam alterações genéticas e aumentam as probabilidades de contrair câncer, sofrer abortos espontâneos e nascimentos com malformações. A declaração vem do Grupo de Genética e Mutagêneses Ambiental (GEMA), pesquisadores da Universidade Nacional de Río Cuarto (UNRC), que confirmaram com estudos em pessoas e animais, as consequências sanitárias do modelo agropecuário. Glifosato, endosulfam, atrazina, clorpirifos e cipermetrina são alguns dos agrotóxicos prejudiciais. “A vinculação entre alteração genética e câncer é clara”, reafirmou Fernando Mañas, pesquisador da UNRC.

“La genotoxicidad del glifosato evaluada por el ensayo cometa y pruebas citogenéticas” é o título que leva a pesquisa publicada na revista científica Toxicologia Ambiental e Farmacologia (da Holanda). O trabalho descreve o efeito genotóxico (o efeito sobre o material genético) do glifosato sobre células humanas e ratos, que, inclusive, confirmaram alterações genéticas em células humanas com doses de glifosato em concentrações até vinte vezes inferiores às utilizadas nas pulverizações em campo.

Outra pesquisa se chama “Genotoxicidad del AMPA (metabolito ambiental del glifosato), evaluada por el ensayo cometa y pruebas citogenéticas”. Publicada na revista Ecotoxicologia e Segurança Ambiental (dos EUA). O AMPA é o principal produto da degradação do glifosato (o herbicida se transforma, principalmente, pela ação de enzimas bacterianas do solo, na AMPA). Confirmaram que o AMPA aumentou a alteração no DNA de em culturas celulares e em cromossomos em culturas de sangue humano. “O AMPA demonstrou ter tanta ou maior capacidade genotóxica que sua molécula parental, o glifosato”, afirma a pesquisa da universidade pública.

“Em diversas pesquisas confirmamos alterações genéticas em pessoas expostas a agrotóxicos. A alteração cromossômica que vimos, indica quem tem mais risco de sofrer de câncer, a médio e longo prazo. Assim como outras doenças cardiovasculares, malformações, abortos”, explicou Fernando Mañas, doutor em Ciências Biológicas e parte da equipe da UNRC.

Mañas trabalha junto com Delia Aiassa e juntos coordenam, desde 2006, o grupo de pesquisa. No início eram cinco pesquisadores. Atualmente são 21 com enfoque multidisciplinar (biólogos, veterinários, microbiólogos, psicopedagogos, veterinários e advogados). O eixo em comum são os efeitos da exposição às substâncias químicas sobre a saúde humana, ambiental e animal. Trabalham junto às populações expostas a agrotóxicos, estudam os cromossomos, o DNA e o funcionamento do material genético.

Em seus quinze artigos científicos os pesquisadores confirmaram o efeito dos agrotóxicos sobre o material genético, tanto em animais de laboratório como em populações humanas expostas pelo trabalho e involuntariamente às substancias químicas. A última pesquisa, de 2014, foi realizada entre crianças entre 05 e 12 anos de Marcos Juárez e Oncativo (Córdoba, Argentina) onde também verificou-se um aumento da alteração no material genético das crianças.

Explicam que os estudos nos cromossomos são sobre o material genético. Eles descobriram altos níveis de alterações genéticas em pessoas expostas a produtos químicos. O dano em cromossomos (material genético) alerta que a pessoa está sob o risco de desenvolver algumas doenças. “Quanto maior o dano genético, maior a probabilidade de câncer”, afimrou Mañas.

Ao longo de suas quinze pesquisas, utilizaram diferentes técnicas. Em todas confirmaram a alteração genética. “Os agrotóxicos e a alteração que provocam estão absolutamente vinculados ao modelo agropecuário vigente”, afirma Mañas, mesmo que esclareça que é uma opinião individual e não uma postura de toda a equipe de pesquisa. Primeiro trabalharam com uma mostra de vinte pessoas, da periferia de Río Cuarto. Aprofundaram com 50 pessoas em outras localidades e, logo, com 80 de Las Vertientes, Marcos Juárez, Saira, Rodeo Viejo e Gigena. Os produtos mais encontrados e que provocam mais dano são o glifosato, atrazina, cipermetrina, clorpirifos e endosulfam.

“Estrés oxidativo y ensayo cometa en tejidos de ratones tratados con glifosato y AMPA” é o título de outra pesquisa publicada na revista Genética Básica e Aplicada da Argentina. Confirmaram o “aumento significativo” no dano ao DNA no fígado e no sangue. Na revista científica Boletim de Contaminação Ambiental e Toxicologia (dos Estados Unidos) confirmaram o dano genético nos trabalhadores rurais. “Estes resultados mostram que a exposição humana à mescla de agrotóxicos pode aumentar o risco que desenvolver doenças relacionadas com a genetoxidade (câncer, problemas reprodutivos e/ou na descendência)”, aponta a publicação científica.

Boa parte das pesquisas do grupo acadêmico está presente no livro “Plaguicidas a la carta. Daño genético y outros riesgos” que trata das características dos pesticidas, os seus efeitos sobre o material genético humano e de animais silvestres, a susceptibilidade das pessoas e os efeitos do glifosato, entre outros agrotóxicos.

*A tradução é do Cepat.

Fonte: [ MST ]

<h2:AGROTÓXICO É ISENTO DE IMPOSTO!

IMPOSTO, se cobrar de quem produz algo que mata, quem sabe sobre pra ajudar o povo a viver melhor!

Isenções fiscais e tributá-rias concedidas, até hoje, ao comércio destes VENENOS. Através do Convênio ICMS 100/97 (Veja o link 1 abaixo), o governo federal concede redução de 60% da alíquota de cobrança do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) A TODOS OS AGROTÓXICOS. Além disso, o Decreto 6.006/06 (Veja o link 2 abaixo) isenta completamente da cobrança de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) os AGROTÓXICOS fabricados a partir de uma lista de dezenas de ingredientes ativos (incluindo alguns altamente perigosos como o metamidofós e o endossulfam, que recentemente tiveram o banimento determinado pela Anvisa). E não é só. O Decreto 5.630/05 (Veja o link 3 abaixo) isenta da cobrança de PIS/PASEP (Programa de Integração Social/Programa de Formação do Patrimônio do Servidor) e de COFINS (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) os “defensivos agropecuários classificados na posição 38.08 da NCM e suas matérias-primas”. A posição 3808 da NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) compreende produtos diversos das indústrias químicas como inseticidas, fungicidas e herbicidas.

Além das isenções federais, há as isenções complementares determinadas por alguns estados. No Ceará, por exemplo, a isenção de ICMS, IPI, COFINS e PIS/PASEP para atividades envolvendo agrotóxicos chega a 100%.

1- Disponível em: http://www.fazenda.gov.br/confaz/confaz/convenios/ICMS/1997/CV100_97.htm

2- O Decreto 6.006/08 está disponível em: http://www.receita.fazenda.gov.br/legislacao/decretos/2006/dec6006.htm – Seu Art. 1º aprova a Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI, que está disponível em: http://www.receita.fazenda.gov.br/Aliquotas/DownloadArqTIPI.htm – os agrotóxicos estão na Seção VI – Produtos das Indústrias Químicas ou das Indústrias Conexas – SEÇÃO VI – Cap. 28 a 38 (consultado em 19/05/2011).

3- O Decreto 5.630/05 está disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2005/Decreto/D5630.htm. Ele revogou e substituiu o Decreto 5.195/04 (disponível em: http://www.receita.fazenda.gov.br/Legislacao/Decretos/2004/dec5195.htm), que já concedia a isenção de PIS/PASEP e COFINS aos agrotóxicos.

E não é só. O Decreto 5.630/053 isenta da cobrança de PIS/PASEP (Programa de Integração Social/ Programa de Formação do Patrimônio do Servidor) e de COFINS (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) os “defensivos agropecuários classificados na posição 38.08 da NCM e suas matérias-primas”. A posição 3808 da NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) compreende produtos diversos das indústrias químicas como inseticidas, fungicidas e herbicidas.

Além das isenções federais, há as isenções complementares determinadas por alguns estados. No Ceará, por exemplo, a isenção de ICMS, IPI, COFINS e PIS/PASEP para atividades envolvendo agrotóxicos chega a 100%.

Fonte: [ CÂMARA DOS DEPUTADOS – COMISSÃO DE SEGURIDADE SOCIAL E FAMÍLIA – SUBCOMISSÃO ESPECIAL SOBRE O USO DE AGROTÓXICOS E SUAS CONSEQUÊNCIAS À SAÚDE ]

CTNBio libera experimentos a campo com mosca das frutas transgênica e preocupa importadores europeus

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A CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) autorizou, em abril deste ano, a realização de experimentos a campo com mosca-das-frutas (Ceratitis capitata) geneticamente modificada. Os experimentos envolvem a liberação de milhões de insetos transgênicos em pomares brasileiros. A data para o início dos testes ainda não foi anunciada.

Espera-se que, quando liberados, os insetos transgênicos cruzem com insetos “selvagens” e que as larvas fêmeas geradas por esses cruzamentos sejam incapazes de atingir a fase adulta. Contudo, muitos dos insetos gerados através desse cruzamento morrerão na fase larval dentro das frutas. O objetivo da tecnologia é reduzir a população natural de moscas das frutas, que atacam pomares de diversas espécies. Mas para que se possa atingir este objetivo a proporção de insetos transgênicos no ambiente deve ser 10 vezes maior do que a população selvagem, o que demandaria a liberação de milhões de insetos transgênicos.

O Brasil é um grande exportador de frutas como melão, manga, uva, maçã, mamão-papaia e ameixa, sendo a Europa seu maior comprador. Em 2013 a Inglaterra e a Holanda foram responsáveis por quase dois terços das exportações, seguidas pela Espanha, EUA, Alemanha, Portugal, França, Uruguai, Emirados Árabes, Canadá, Bangladesh, Itália e Argentina.

No Reino Unido, a ONG GeneWatch está divulgando um alerta sobre o fato de que, com a liberação concedida pela CTNBio, as frutas importadas do Brasil poderão conter larvas transgênicas não autorizadas na Europa.

Na Europa vigora a exigência de que alimentos contendo organismos geneticamente modificados tenham sua segurança avaliada e sejam rotulados, embora nenhum procedimento específico tenha sido adotado até agora para identificar a presença de larvas transgênicas em frutas importadas. Além disso, como alerta a ONG, como o mecanismo genético que determina a morte das larvas só afeta as fêmeas, larvas transgênicas macho podem ainda ser transportadas vivas dentro das frutas.

Genetically modified maggots expected in fruit imports after go-ahead for Brazil GM fruit fly experiments – GeneWatch UK, 04/06/2014

Reunião da CTNBio

(via Boletim AS-PTA)

‘Sementes da Paixão’ germinam na pior seca dos últimos 40 anos na PB

Grãos são mais resistentes e de tradição mantida há décadas.
Comunidades rejeitam milho oferecido pelo poder público.

Canteiro em terreno comunitário é usado para plantar durante a seca (Foto: Fernanda Rappa/Divulgação)
Canteiro em terreno comunitário é usado para plantar durante a seca (Foto: Fernanda Rappa/Divulgação)

Pequenas comunidades de até 300 agricultores na Paraíba estão sobrevivendo durante a seca graças às ‘Sementes da Paixão’, nome dado aos grãos resistentes de milho, feijão e outros alimentos que germinam mesmo durante a pior estiagem dos últimos 40 anos na região.

São 6,5 mil famílias rurais em 61 municípios no Agreste, Cariri e Sertão do estado que mantêm, há décadas, esta prática, sendo nos últimos anos auxiliadas por organizações não-governamentais e associações de apoio ao desenvolvimento da agricultura local.

Na região da Borborema, há pelo menos 57 bancos de ‘Sementes da Paixão’. Nas demais regiões da Paraíba, há mais de 230 bancos de grãos resistentes à estiagem, catalogados pela Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa (AS-PTA) Agricultura Familiar e Agroecologias. “O grão é a semente com a finalidade para alimentação animal, humana ou comércio. Tecnicamente, a semente serve para a propagação da cultura”, explica o agrônomo Emanoel Dias, assessor técnico da AS-PTA.

A relação dos agricultores paraibanos com o meio ambiente levou a fotógrafa paulista Fernanda Rappa a pesquisar o tema através de um projeto contemplado pelo Prêmio Brasil de Fotografia.

“Eu soube das Sementes da Paixão através de amigos que documentaram isso para o Rio+20. Comecei a pesquisar a história porque achei genial que, no meio da Paraíba, existisse uma consciência ambiental protegendo as comunidades das sementes transgênicas que são super prejudiciais ao mundo, ao meu ver. É um modelo a ser seguido e é bonito demais de ver no meio daquela seca, do deserto, uma plantação de coentro verdinha. Parece um sonho”, explica.

fernandarappa-0082 Durante o mês de março deste ano, o projeto fotográfico foi desenvolvido através da construção de uma câmara escura no meio da plantação, para registrar o ciclo das plantações. “A ideia era que, através da imagem formada dentro da câmara escura, as pessoas das comunidades pudessem ter outra experiência visual com algo que para eles é tão corriqueiro. E dessa forma, exaltar a importância do trabalho que eles vêm desenvolvendo há anos”, relatou Fernanda.

Produtores rurais e os técnicos que auxiliam os agricultores paraibanos na manutenção das sementes explicam que estes grãos são selecionados naturalmente ao longo de várias décadas, sem nenhum tipo de modificação genética, devido à sua capacidade de adaptação ao clima do semiárido nordestino. São estas as poucas variações que conseguem sobreviver às secas históricas que atingem a Paraíba e, mais recentemente, à estiagem de 2013.

Seu Dodô mostra feijão das Sementes da Paixão, nome criado por ele (Foto: Fernanda Rappa/Divulgação)
Seu Dodô mostra milho feijão das Sementes da Paixão, nome criado por ele (Foto: Fernanda Rappa/Divulgação)

A tradição de guardar sementes que germinam em temperaturas pouco amenas vem de várias gerações na família destes agricultores. Hoje, com uma ampla variedade de espécies de grãos já guardadas, eles se unem em pequenas comunidades e auxiliam uns aos outros para sobreviver com o plantio em tempos de escassez. Nestas associações, os agricultores promovem a troca entre si das variedades. Em outras regiões do Nordeste, elas são conhecidas de modo geral como ‘sementes crioulas’.

Antônio Salviano, 62 anos, conhecido como Seu Dodô, é um dos mantenedores da tradição de guardar grãos na zona rural de Desterro, no Cariri, a 289 km de João Pessoa. Ele foi o responsável por dar o nome ‘Sementes da Paixão’ às variedades locais. “É uma coisa de família, meu bisavô já guardava as sementes. A gente trabalha em comunidade, então sempre que alguém por aqui precisa a gente ajuda e depois repõe”, conta o agricultor. No sítio em que ele e outras cerca de 20 famílias moram, foram plantados com sucesso milho, alface e coentro destas sementes.

Milho das Sementes da Paixão (Foto: Fernanda Rappa/Divulgação)
Milho das Sementes da Paixão
(Foto: Fernanda Rappa/Divulgação)
Na zona rural de Queimadas, no Agreste, a 155 km da capital, a comunidade local conseguiu plantar milho, feijão e variedades de fava branca. Todos os alimentos são provenientes dos grãos guardados das chamadas ‘Sementes da Paixão’.

O agricultor José Batista, 50, é uma das lideranças locais e com apoio de familiares e moradores, conseguiu produzir mesmo com a seca no semi-árido. “Aqui na região ‘deu’ muito milho e fava. Não tivemos problema nenhum com os grãos que a gente guarda, mas os que o governo manda a gente nem usa, porque sabe que não dá”, ressaltou.

O desafio de uma seca histórica

De acordo com a AS-PTA, em 2013 a Paraíba enfrentou a pior seca das últimas quatro décadas. Para isso, a entidade investe em capacitação das comunidades. “A gente auxilia o trabalho deles, tenta explicar um pouco melhor sobre as técnicas de guardar os grãos e oferece apoio ao pequeno agricultor. As variações que eles guardam são resistentes a esta temperatura, diferentemente dos grãos que os órgãos estaduais e federais fornecem e que, para o plantio nas terras deles, não servem”, disse o técnico Emanoel Dias.

Segundo a direção da Conab, houve duas tentativas de contato com os agricultores que produzem as ‘Sementes da Paixão’, mas não foi possível realizar um trabalho conjunto. “Em outubro de 2013 marcamos duas reuniões com eles, com a proposta de recompor o estoque deles do banco de sementes. A gente tem a proposta de comprar e doar as sementes para eles, porque estavam apenas com 40% do banco em estoque. Temos tudo para ajudar, conversamos e continuamos abertos a ajudar a compor os estoques”, explicou o superintendente da Conab, Gustavo Guimarães.

A previsão climática para 2014 também não é animadora. As chuvas no semi-árido paraibano devem superar a estiagem do ano passado e igualar a média histórica, mas durante os próximos meses, até o início do segundo semestre vão continuar irregulares e mal distribuídas, prevê a Agência Executiva de Gestão das Águas (Aesa).

Fonte: [ G1 ]

Documentário: Nuvens de Veneno

A nuvem se espraia pelas plantações. Em vez de molhar, seca. Ela não traz a chuva, traz o veneno. O Brasil é um dos maiores produtores mundiais de soja, algodão, milho e também um dos maiores consumidores de fertilizantes químicos e agrotóxicos. Nuvens de veneno expõe as preocupações com as consequências do uso desses agroquímicos no ambiente, especialmente, na saúde do trabalhador. Um documentário revelador que faz refletir sobre a forma que crescemos e sobre o tipo de desenvolvimento que queremos.

Realização: Secretaria de Saúde de Mato Grosso, Terra Firme e VideoSaúde

Direção: Beto Novaes

Distribuição: VideoSaúde — Distribuidora da Fiocruz