🍲A Sopa de Pedra: Lições de Partilha e Abundância

Chegou um dia um viajante magrinho, suado de tanto caminhar no sol quente, lá na porteira do sítio da Dona Rita. Ele bateu palma e perguntou:

— Boa tarde, sinhora… será que a senhora teria um tantim de comida pra matar a fome? Um pedacim de pão já tá bão!

Dona Rita coçou a cabeça e disse:

— Ô moço… hoje num tem nada não. Só restô água do feijão de onte.

O moço olhou em volta, viu um monte de galinha ciscando, milho secando no terreiro, abóbora amontoada num canto. Sorriu de ladin:

— Num tem problema, não, dona. Eu sei fazê uma sopa de pedra que é bão demais da conta. Só preciso dum panelão com água e duma pedra bem lavadinha. A senhora consegue me arrumar?

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♻️ Como a Natureza Ensina sobre Economia Circular

Hoje cedo, enquanto olhava a luz do sol perpassando por entre as folhas do jamelão mais antigo daqui, recomecei a observar os… limites. Um dos princípios da Permacultura é utilizar as bordas para plantio.

No sítio tudo tem limite. O espaço pra plantar, a água do poço, a lenha seca guardada na sombra. Até a espontânea e cíclica vontade da terra de nos fornecer frutos pede pausa, respeito aos processos e reciclagem. A natureza é generosa mas não é infinita. E ela sabe recomeçar.

Quando acaba o espaço para plantar por aqui não fico tentando enfiar mais árvore onde não dá, não cabe. Eu podo. Derrubo um galho. Às vezes faço a supressão de uma espécie que não seja mais necessária. Vai tudo pra compostagem. Folha seca, galho torto, caroço seco de manga… O que antes era excesso vira húmus.

O sistema reinicia.
E a vida segue, adubada por sua própria abundância.

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📻 A Rádio Que Toca na Minha Cabeça

Hoje eu chorei de manhã. Acordei, botei ração pras felinas, desci, abri a porta pro Amendoim ir passear. Na rádio que toca na minha cabeça uma música “Your Song”, do Elton John, cantada pelo Billy Paul. Botei a música para tocar.

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🌾 O portão, o café e a bengala: crônica de um solo fértil

Na roça as manhãs não começam apenas com o sol que rasga a névoa, ou com cheiro de terra úmida. Muitas vezes elas se abrem em pequenas conversas descompromissadas, de portão em portão. Foi assim que tudo começou: algumas colheres de sopa de café, oferecidas como quem dá um abraço disfarçado, evitaram que eu me arriscasse pedalando até o mercado. O gesto foi simples mas profundamente humano.

No dia seguinte retribuí como quem colhe gratidão: uma sacola cheia de maracujás maduros, nascidos do chão que cultivo. E a vida, como bem sabe fazer, respondeu com mais uma dádiva: uma bengala. Presente inesperado entregue com o carinho de quem observa e compreende. Não foi pena, nem compaixão. Foi cuidado.

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