♻️ Como a Natureza Ensina sobre Economia Circular

A função da riqueza

Hoje cedo, enquanto olhava a luz do sol perpassando por entre as folhas do jamelão mais antigo daqui, recomecei a observar os… limites. Um dos princípios da Permacultura é utilizar as bordas para plantio.

No sítio tudo tem limite. O espaço pra plantar, a água do poço, a lenha seca guardada na sombra. Até a espontânea e cíclica vontade da terra de nos fornecer frutos pede pausa, respeito aos processos e reciclagem. A natureza é generosa mas não é infinita. E ela sabe recomeçar.

Quando acaba o espaço para plantar por aqui não fico tentando enfiar mais árvore onde não dá, não cabe. Eu podo. Derrubo um galho. Às vezes faço a supressão de uma espécie que não seja mais necessária. Vai tudo pra compostagem. Folha seca, galho torto, caroço seco de manga… O que antes era excesso vira húmus.

O sistema reinicia.
E a vida segue, adubada por sua própria abundância.

A economia humana, por outro lado, parece não ter aprendido essa lição simples e fundamental das florestas.

Dizem por aí que o acúmulo de recursos seria um sinal de sucesso. Quem poupa muito seria um exemplo de sabedoria. É isso mesmo? Será? Se a natureza acumulasse sem freio…, o que teríamos? Galhos toda hora caindo, raízes sufocadas, sombra demais, solo saturado…

Na Natureza há a sucessão de espécies. Primeiro uma área é colonizada por capim, o que possibilita o crescimento de pequenos arbustos. Esses arbustos fazem sombra e criam oportunidade para outras espécies mais exigentes de sombra. E assim uma floresta vai se formando em estágios. Até que uma árvore de estágio clímax morre, tomba, e vira alimento para o reinício do ciclo. Nada fica parado. Tudo se transforma.

No sítio (e em sistemas agroflorestais em geral), quando acaba o espaço, eu podo árvores e arbustos para fazer compostagem — que vira húmus.

O sistema reinicia.

Na economia capitalista o sistema trava porque não há retorno dos excessos acumulados — salvo por raras filantropias ou políticas públicas de redistribuição da riquezas e oportunidades, e estas políticas públicas enfrentam resistência justamente daqueles que mais acumulam.

Já me disseram que ricos e pobres têm cada um a sua função, tal como a árvore e o capim. Mas eu olho pros cupins, pras minhocas, pras formigas, pros besouros, pro capim, pras árvores… e vejo que a natureza não dá a ninguém o papel de acumular tudo. A abundância, quando vem, é compartilhada. O abacate quando cai do pé alimenta bicho, fungos, terra e futuro.

Aqui no sítio, aprendi que a riqueza que não circula… apodrece. Que o alimento guardado pra sempre no armário estraga. Que a água parada junta mosquito. Que o solo coberto demais sufoca e impede o nascimento de novas mudas.

Talvez a sociedade precise aprender a reiniciar os ciclos também (mas sem guerras, faz favor!).

Nem tudo que é excesso precisa ser jogado fora. Dá pra devolver à terra, às mãos, às mesas. Mas pra isso… alguns poucos vão ter que abrir mão de estar sempre lá, se balançando nos galhos mais altos.

___
Anderson Porto, um cara que aprendeu que compartilhar a abundância só faz aumentá-la.


Descubra mais sobre Portal Tudo Sobre Plantas

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Autor: Anderson Porto

Desenvolvedor do projeto Tudo Sobre Plantas

Descubra mais sobre Portal Tudo Sobre Plantas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading