🌾 O portão, o café e a bengala: crônica de um solo fértil

Na roça as manhãs não começam apenas com o sol que rasga a névoa, ou com cheiro de terra úmida. Muitas vezes elas se abrem em pequenas conversas descompromissadas, de portão em portão. Foi assim que tudo começou: algumas colheres de sopa de café, oferecidas como quem dá um abraço disfarçado, evitaram que eu me arriscasse pedalando até o mercado. O gesto foi simples mas profundamente humano.

No dia seguinte retribuí como quem colhe gratidão: uma sacola cheia de maracujás maduros, nascidos do chão que cultivo. E a vida, como bem sabe fazer, respondeu com mais uma dádiva: uma bengala. Presente inesperado entregue com o carinho de quem observa e compreende. Não foi pena, nem compaixão. Foi cuidado.

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