Você sabe o que é Semente Crioula?

Por Valdemar Arl*
Membro-fundador da Rede Ecovida de Agroecologia

Sementes da Esperança

É muito comum quando ando por aí, colocar a mão no bolso e encontrar algumas sementes. Moro na cidade há muitos anos, mas não perdi essa prática da troca e da disseminação de sementes que herdei da minha história de vivência e convivência junto ao campo.

Sempre que as famílias de agricultores se visitam, uma prática bem presente ainda hoje é a troca de mudas, sementes ou animais reprodutores. Essa prática era uma condição fundamental no melhoramento das espécies ou variedades de plantas e raças de animais. Quando um agricultor ou uma agricultora doa uma semente ou faz uma troca percebe-se um sentimento de realização, felicidade e expectativa em ambas as partes. Essa prática é cultural e faz parte da condição do “ser camponês”.

Alicerçada nessas práticas a humanidade produziu e se alimentou por mais de 10.000 anos. Mas, em apenas pouco mais de 50 anos, a produção de alimentos sofreu grandes transformações. O modelo industrial agroquímico aplicado no campo negou essas práticas populares de manutenção e melhoramento das espécies e raças classificando-as como atrasadas.

Continue lendo “Você sabe o que é Semente Crioula?”

Alelopatia

Atualmente, a alelopatia tem sido objeto de estudos, usando-se desde o simples extrato aquoso até o fracionamento e a identificação da substância alelopática. Tem sido verificado que Eucaliptus grandis não só sombreia culturas plantadas próximas como também impede o desenvolvimento em função de atividades alelopáticas, além do esgotamento do solo que normalmente causa. Foram testadas as concentrações Zero; 6,0; 12,0 e 24,0 mg/l (p v-1) de extratos aquosos de folhas novas de eucalipto (…)

por Edir Patrick

Milho, abóbora e feijão
CONCEITO: Alelopatia é o fenômeno que ocorre na natureza com liberação de substâncias químicas pelas plantas no meio ambiente que provocam efeitos estimulatórios ou inibitórios na germinação, crescimento e desenvolvimento de outras plantas.

Pelo estudo dos processos de alelopatia vê-se que os aleloquímicos, originados do metabolismo secundário, que são liberados no ambiente possuem ação estimulatória em baixa concentração e inibitória com o aumento da concentração.

As substâncias aleloquímicas liberadas no solo são absorvidas pelas raízes e transportadas pelos canais xilemáticos atingindo pontos de crescimento celular, inibindo-os. Pode igualmente interferir nos processos metabólicos celulares induzindo ao crescimento inicialmente para inibi-los posteriormente. Além disso, substâncias como os ácidos orgânicos, resultantes de resíduos no solo, interferem na absorção de nutrientes retardando o desenvolvimento da planta.

Continue lendo “Alelopatia”

As aparências enganam…

por Anderson Porto

Parece tentador, não é? É claro que a foto é uma montagem mas… e se fosse possível?

Pois bem…

Para fazer algo semelhante ao que está na foto, a empresa detentora da tecnologia irá registrar a patente deste transgênico e implementar uma outra tecnologia, chamada Terminator (GURTs, em inglês), que irá impedir que essas plantas produzam sementes férteis….

Desta forma, a empresa irá forçar os cultivadores a comprar sementes somente dela. Para piorar a situação, os frutos só conseguirão ficar belos e aparentemente suculentos SE e SOMENTE SE os cultivadores utilizarem fertilizantes e herbicidas da empresa que vende as sementes, fazendo assim venda casada.

Os agricultores, depois de colhida a safra, ainda irão ter pagar “royalties” para a empresa detentora da tecnologia.

E finalmente, a empresa que vende as sementes modificadas geneticamente, assim que estiver com mercado garantido, irá progressivamente aumentar os preços das sementes, dos herbicidas e dos fertilizantes…

Com o uso intensivo de fertilizantes e herbicidas, progressivamente ao longo dos anos, a terra onde foi cultivado perderá sua energia vital e biodiversidade, fazendo com que os cultivadores sejam obrigados a utilizar mais e mais herbicidas e fertilizantes.

Com o uso dos herbicidas, um efeito secundário e não menos importante surgirá: plantas ditas daninhas se tornarão resistentes aos herbicidas, por causa da seleção natural.

Resumindo: as aparências enganam!!!

Nomes científicos: Complicado falar??? Nem tanto!!!

por Cinthia Emerich
E aí pessoal?

Não é complicado quando você quer um peixe ou planta nova e vai pesquisar a respeito antes de comprar, mas quando digita o “nome popular” aparecem vários peixes/plantas diferentes? Ou então você está conversando com outro aquarista e ele fala que comprou um cardume de Hyphessobrycon megalopterus e você fica sem ter nem idéia do que seu amigo está falando?

Justamente para evitar confusões entre espécies existe o chamado “nome científico” que é diferente para cada uma das espécies que conhecemos. Neste artigo você vai ler sobre: a origem do nome científico, as diferentes classificações, como se escrever corretamente e como pronunciá-lo.

A origem

Para se entender um assunto você tem que entender a sua história e é isso que vamos fazer agora.

Vamos voltar no tempo, mais precisamente para 1735 quando o naturalista sueco Carl von Linné (mais conhecido por Lineu) publicou o livro Systema Naturae, onde propôs um sistema de classificação biológica coerente, que serviu de base para os sistemas modernos.

Continue lendo “Nomes científicos: Complicado falar??? Nem tanto!!!”

Como fazer um viveiro de mudas com saquinhos de polietileno

por João Cruzué

1 – Introdução

Fazer mudas de plantas além de ser um processo dinâmico, é um eterno aprendizado e eu adoro isso. Quero compartilhar com você minha cultura matuta neste negócio, quem sabe não se apaixona também? No decorrer do texto vou grifar algumas palavras de propósito para que pesquise mais na WEB. Conheço três processos de propagação de plantas: semeadura, estaquia e clonagem. Do mais simples ao mais sofisticado. Cada um está ligado à quantidade exigida de mudas.

2 – Processos de propagação

Como fazer mudas

I – Clonagem de meristemas – Por exemplo se alguém precisa plantar, digamos 100 hectares de bananeiras, iria demandar digamos 100 mil mudas. Considerando que cada bananeira leva um ano para produzir duas ou três mudas. Se você estiver começando do zero, quantos anos levará para conseguir tantas mudas? Então neste caso, sei que a EMBRAPA-Mandioca e Fruticultura em Cruz das Almas – Bahia, recomendaria a tecnologia de clonagem de meristemas e a construção de um laboratório/estufa totalmente esterilizado para produzir em um/dois anos as 100 mil mudas. As grandes plantações de eucalipto também recorrem ao mesmo processo.

Continue lendo “Como fazer um viveiro de mudas com saquinhos de polietileno”

A natureza impõe sua pauta


Por Luciano Martins Costa em 14/1/2011
Comentário para o programa radiofônico do OI, 14/1/2011

Eram 470 os mortos na tragédia do Rio de Janeiro quando o jornal O Globo encerrou, na noite de quinta-feira (13/1), a edição que seria enviada para os outros estados na manhã seguinte. A Folha de S.Paulo contou 508 vítimas fatais até as 22h50 de quinta e o Estado de S.Paulo registrou 510 mortes às 23h45.

Em quaisquer dos casos, os números, que ainda aumentavam na manhã de sexta-feira, já confirmavam que se tratava de um dos dez piores deslizamentos de terra registrados em todo o mundo desde o ano 1900. Era também a segunda pior tragédia climática da história do Brasil.

Enquanto acompanham os trabalhos de resgate e a contagem das vítimas, os repórteres também resgatam os sinais de irresponsabilidade que emergem da lama. Um deles: mais de trinta projetos com propostas para minimizar os efeitos das enchentes estão parados no Congresso Nacional.

Ao mesmo tempo, a bancada ruralista ainda tenta acelerar o projeto – com relatoria do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) – que reduz ainda mais as exigências para proteção das margens dos rios, dispensa pequenas e médias propriedades de manter reservas legais de floresta e torna fato consumado os desmatamentos ilegais.

Comunicação para a vida

Como lembra o colunista Marcos Sá Corrêa no Estadão, basta olhar as fotografias aéreas das avalanches em Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo para saber aonde vai levar o novo Código Florestal em gestação.

O deputado Rebelo e seus associados certamente estão neste momento elaborando notas de condolências destinadas às famílias das vítimas e provavelmente nem se deram conta de que a proposta que defendem, se vier a ser aprovada, vai agravar ainda mais a situação em muitas áreas de risco pelo Brasil afora.

Continue lendo “A natureza impõe sua pauta”

Todos os dias o povo come veneno. Quem são os responsáveis?

Gilvander Moreira, frei Carmelita*

O Brasil se transformou desde 2007, no maior consumidor mundial de venenos agrícolas. E na última safra as empresas produtoras venderam nada menos do que um bilhão de litros de venenos agrícolas. Isso representa uma média anual de 6 litros por pessoa ou 150 litros por hectare cultivado. Uma vergonha. Um indicador incomparável com a situação de nenhum outro país ou agricultura.

Há um oligopólio de produção por parte de algumas empresas transnacionais que controlam toda a produção e estimulam seu uso, como a Bayer, a Basf, Syngenta, Monsanto, Du Pont, Shell química, etc.

O Brasil possui a terceira maior frota mundial de aviões de pulverização agrícola. Somente esse ano foram treinados 716 novos pilotos. E a pulverização aérea é a mais contaminadora e comprometedora para toda a população.

Continue lendo “Todos os dias o povo come veneno. Quem são os responsáveis?”

Acesso livre à biodiversidade

por Alex Sander Alcântara

SciELO lança portal que disponibiliza obras, artigos e documentos históricos sobre a biodiversidade brasileira (Martin J. Heade/WIkimedia)
Agência FAPESP – O conhecimento produzido no Brasil sobre a sua biodiversidade ganhará mais visibilidade. O motivo é o Portal BHL ScieLO, que disponibiliza com acesso livre milhares de obras, artigos, mapas e documentos históricos sobre a biodiversidade brasileira.

Lançado oficialmente na quarta-feira (1º/12), o serviço é parte do projeto “Digitalização e publicação on-line de uma coleção de obras essenciais em biodiversidade das bibliotecas brasileiras”, conduzido pelo programa SciELO, biblioteca eletrônica virtual de revistas científicas mantida pela FAPESP em convênio com o Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (Bireme).

O projeto conta com a participação do programa Biota-FAPESP, da Biblioteca Virtual do Centro de Documentação e Informação da FAPESP, do Ministério do Meio Ambiente, do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP) e da Fundação de Apoio à Universidade Federal de São Paulo.

De acordo com Abel Packer, coordenador operacional do programa SciELO, a BHL SciELO possibilitará o fortalecimento da pesquisa científica em biodiversidade.

Continue lendo “Acesso livre à biodiversidade”

A opção pela Fruticultura

por Engº Agrº Valerio Pietro Mondin¹

Frutas Nativas

O Brasil, pelas suas grandes dimensões e variações climáticas, é um grande produtor de frutas. Tem boas condições tanto para produzir frutas de clima tropical, como de clima subtropical e também de clima temperado. Por essas características, pode-se dizer que o país pode dispor de frutas durante todo o ano, com grande diversidade e isso é interessante.

No aspecto alimentar e dietético, a produção e o consumo de frutas é muito importante. Dentro dos critérios aprovados pela Organização Mundial de Saúde – OMS, é recomendável consumir de 3 a 5 porções diárias, ou seja, uma porção a cada refeição. Cabe lembrar, também, que essas porções de frutas, podem ser substituídas por hortaliças.

Continue lendo “A opção pela Fruticultura”

Amora-preta: uma fruta antioxidante


A amoreira-preta (Rubus sp.), apesar de ser nativa da Ásia, Europa, América do Norte e América do Sul, cresce apenas em regiões determinadas de acordo com o clima ideal para o seudesenvolvimento.

A amoreira-preta é uma espécie arbustiva de porte ereto ou rasteiro, geralmente dotada de espinhos e a coloração das flores varia do branco ao rosa.

Produz um fruto agregado, a amora-preta, composto por frutículas e sua coloração pode variar do branco ao negro, e a sua casca é brilhante, lisa e frágil, quando madura. A amora-preta pode facilmente ser confundida com a framboesa, mas esta tem o centro oco, enquanto a primeira tem um coração esbranquiçado.

A amora-preta in natura é altamente nutritiva. Da sua composição fazem parte a água (85%), as proteínas, as fibras, os lipídeos e também os carboidratos. Também possui cálcio, fósforo, potássio, magnésio, ferro, selênio e várias vitaminas, no entanto, é uma fruta de baixo valor calórico, apenas 52 calorias em 100 gramas de fruta.

Vários tipos de açúcares e ácidos fazem parte da composição desta fruta, sendo que o balanço entre acidez e sólidos solúveis é que dá o seu delicioso sabor característico.

Continue lendo “Amora-preta: uma fruta antioxidante”