Como fazer um viveiro de mudas com saquinhos de polietileno

D) Adubação química

Se você quiser adicionar de novo um pouco mais tecnologia ao processo de fazer suas mudas a partir de sementes, anote mais algumas dicas.

* quando você adicionou matéria orgânica em seu composto de terra, e usou a luz do sol para esterilizá-lo, ficou tudo bem com a adubação orgânica. Quando você adicionou 3 colheres de cal de parede em cada balde de 10 litros de água e molhou a argila+areia+matéria orgânica você teoricamente corrigiu a acidez que é prevalente nos solos brasileiros, ainda mais que dois terços do composto que você fez eram de areia e matéria orgânica – ácidos por natureza. Mas quimicamente, isto é, uma reposição dos macro e micro elementos ausentes na terra, você ainda não fez nada.

* Os solos brasileiros já exauridos são muito pobres principalmente em P – Fósforo, um macronutriente ligado diretamente à frutificação. Em segundo lugar e com menos intensidade de N – Nitrogênio e depois em K – Potássio. Adubar quimicamente seria repor estes elementos no solo. As fontes desses elementos que os encontramos no mercado vem de processos químicos de fabricação, embora o fósforo possa ser adquirido de pedras naturais. Considerando apenas estes macronutrientes, a conhecida fórmula NPK.

* Existe quatro formas básicas de adubação. A adubação de cova ou de fundo de cova cuja fórmula mais conhecida é a 04-14-08 ou 4% de N(Nitrogênio) 14% de P(Fósforo) e 8% de K(Potássio). Por que esta adubação deve ser feita no fundo da cova? Porque o Fósforo uma vez na cova ele não “sobe” nem “desce” sob o efeito da irrigação. A raiz da planta tem de passar por ele para que absorva este elemento. O Potássio tem uma mobilidade mediana e o Nitrogênio já se desloca pela ação da água de irrigação. Por isso as fórmulas de adubação de cova são colocadas abaixo das sementes para que ao germinarem as raízes passem pelos adubos.

* Importante – as sementes não podem ficar em contato direto com o adubo químico, sob pena de desidratação ou serem “queimadas”. O adubo deve ficar a uns três dedos ou quatro centímetros abaixo das sementes. Entre a semente e o adubo químico é claro que fica a terra. Repetindo a fórmula de NPK para adubação de cova é a popular 4-14-8.

* A segunda forma de adubação chama-se adubação por cobertura. Neste tipo de adubação – que não é usado em viveiro de mudas em saquinhos de polietileno, a fórmula química é colocada ligeiramente abaixo da superfície do solo, para que pela ação da água de irrigação ou da chuva desça até às raízes de uma planta jovem ou adulta já transplantada para seu lugar definitivo. Em São Paulo conheço a Fórmula NPK 10.10.10 – 10% de N(Nitrogênio) e a mesma porcentagem de Fósforo e Potássio – produzidos com geralmente a partir de fontes de Elementos diferentes da fórmula de adubação de cova.

* A terceira forma de adubação chama-se adubação foliar. Ela pode ser usada em duas situações. Na primeira quando houve algum erro ou em adubações de cova ou de cobertura. Para sanar imediatamente a deficiência adquire-se produtos disponíveis no mercado, geralmente em pacotes de um, dois quilos que podem ser diluídos em água e aplicados com pulverizadores diretamente sobre as folhas das plantas, na parte da manhã quando os estômatos das folhas ainda estão abertos. A segunda situação acontece quando existe uma deficiência ou sintoma de carência de um micronutriente, como por exemplo Zinco, Boro e algumas vezes Cálcio. É muito mais econômico pulverizar com com 20, 30 gramas em água diretamente sobre a planta, do que despejar centenas de quilos de uma fonte desses Elementos no solo de grandes ou pequenas áreas. Ainda mais se considerarmos que bastam duas aplicações assim por ano ou nem isso.

*A quarta e mais sofisticada fórmula de adubação é feita diretamente na água da irrigação, sendo primeiramente usadas em estufas com plantios hidropônicos e depois em plantios abertos por sistemas de gotejamento. Naturalmente isso não é usado em processos artesanais de semeadura em saquinhos.

Ufa! Acho que aí está uma boa parte do conhecimento sobre agricultura que este matuto, aprendeu praticando. Hoje ele fala inglês e a contragosto mora longe do sítio.

Abaixo mais algumas fotos – que não foram tiradas por mim- onde aparecem sacos de polietileno maiores e adequados para o acondicionamento de mudas que geralmente são para grandes projetos ou para comércio. Sugeri o uso do saquinho usado para mudas do café pois é menos terra no enchimento.

Fonte: [ Olhar Cristão ]


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Autor: Anderson Porto

Desenvolvedor do projeto Tudo Sobre Plantas

10 comentários em “Como fazer um viveiro de mudas com saquinhos de polietileno”

  1. Me encanta a simplicidade e naturalidade, assim me fez sentir este site, com a simplicidade de um filho de Mineiro, de mariana onde eu me formei.Sou produtora de Helicônias e quero aprender melhor sobre a adubação e preparação das mudas.Obrigada.

  2. Boa noite o sr disse que mistura areia,argila e esterco,que abrisse uma clareira no meio e colocasse cal,por exemplo,
    posso fazer esta mistura e em vez do cal posso colocar calcareo dolomitico,ou tambem posso fazer uma mistura com torta de mamona farinha de ossos e exterco,faria uma mistura mais rica ou não.

  3. Gostaria de plantar 10 sementes de Oliveira.Moro em Pernambuco no Recife e gostaria de saber o que preciso?Adubo, argila e areia de construção e àgua?Preciso de algum cuidado especial?Agradeço antecipadamente um retorno.

  4. PRECISO COMPRAR 28000 MUDAS ARVORES NATIVA NA REGIAO DECABO SANTO AUGUSTINHO PERNANBUCO

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