Por Valdemar Arl*
Membro-fundador da Rede Ecovida de Agroecologia
Sementes da Esperança
É muito comum quando ando por aí, colocar a mão no bolso e encontrar algumas sementes. Moro na cidade há muitos anos, mas não perdi essa prática da troca e da disseminação de sementes que herdei da minha história de vivência e convivência junto ao campo.
Sempre que as famílias de agricultores se visitam, uma prática bem presente ainda hoje é a troca de mudas, sementes ou animais reprodutores. Essa prática era uma condição fundamental no melhoramento das espécies ou variedades de plantas e raças de animais. Quando um agricultor ou uma agricultora doa uma semente ou faz uma troca percebe-se um sentimento de realização, felicidade e expectativa em ambas as partes. Essa prática é cultural e faz parte da condição do “ser camponês”.
Alicerçada nessas práticas a humanidade produziu e se alimentou por mais de 10.000 anos. Mas, em apenas pouco mais de 50 anos, a produção de alimentos sofreu grandes transformações. O modelo industrial agroquímico aplicado no campo negou essas práticas populares de manutenção e melhoramento das espécies e raças classificando-as como atrasadas.
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