A História da Cana-de-açúcar – Da Antiguidade aos Dias Atuais

BeteBrito.com
A cana-de-açúcar é, talvez, o único produto de origem agrícola destinado à alimentação que ao longo dos séculos foi alvo de disputas e conquistas, mobilizando homens e nações. A planta que dá origem ao produto encontrou lugar ideal no Brasil.

Durante o Império, o país dependeu basicamente do cultivo da cana e da exportação do açúcar. Calcula-se que naquele período da história, a exportação do açúcar rendeu ao Brasil cinco vezes mais que as divisas proporcionadas por todos os outros produtos agrícolas destinados ao mercado externo.

– ANTIGUIDADE –

Foi na Nova Guiné que o homem teve o primeiro contato com a cana-de-açúcar. De lá, a planta foi para a Índia. No “Atharvaveda”, o livro dos Vedas, há um trecho curioso: “Esta planta brotou do mel; com mel a arrancamos; nasceu a doçura…..Eu te enlaço com uma grinalda de cana-de-açúcar, para que me não sejas esquiva, para que te enamores de mim, para que não me sejas infiel“. A palavra “açúcar” é derivado de “shakkar” ou açúcar em sânscrito, antiga língua da Índia.

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E não falamos de flores

por Geraldinho Vieira

Que pena que onça-pintada não vota. Que pena que o tatu-canastra, o lobo-guará, a águia-cinzenta e o cachorro-do-mato-vinagre não votam.

Enquanto a “agenda ambiental” contenta-se silenciosa em ter papel secundário numa eleição em que nada debate-se à fundo, quem viaja para a Chapada dos Veadeiros (Goiás) testemunha um grito de calor: montanhas e vales com cara de carvão avisam aos navegantes que não agüentam mais. Fogo, muito fogo, o cerrado grita uma agonia anunciada.

Nos 200 e tantos quilômetros que me levam de Brasília à Vila do Moinho marco a velocidade da intervenção desenvolvimentista na natureza. O cerrado que não agüenta de calor é o cerrado que restou – outra parte de cerrado virou soja ou pastagem nos últimos quatro/cinco anos.

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Dráuzio Varella e a Fitoterapia no Brasil II

Não há porque envergonhar-se de tomar do povo o que pode ser útil à arte de curar.
Hipócrates (460-380 a.C.)

por Douglas Carrara

Há muito tempo a Antropologia se recusa a utilizar categorias inadequadas para estudar e compreender o pensamento popular à respeito da saúde e da medicina. Os folcloristas no passado se referiam à medicina popular como superstições, crendices, práticas consideradas abomináveis por médicos ou pessoas de formação acadêmica. Esta rejeição pejorativa do pensamento popular ocorre sem nenhuma análise de sua função social, já que as práticas da medicina popular necessitam melhores observações e não podemos destacá-las pura e simplesmente sem estudar o seu contexto cultural, sem participar da vida, da interação com aqueles que nos deram os informes, geralmente extraídos e exibidos em função de sua estranheza ou seu exotismo. (1)

Muitas práticas consideradas crendices no passado, atualmente são plenamente explicáveis cientificamente. O uso da laranja mofada ou do queijo embolorado, por exemplo, para tratar feridas tem sido uma prática muito mais antiga do que a descoberta da penicilina por Fleming em 1932. Atualmente sabemos que a laranja abandonada no fundo do quintal, quando apodrece é atacada por um fungo do mesmo gênero (*) do bolor utilizado por Fleming para produzir o primeiro antibiótico. E o raizeiro raspa a casca da laranja onde estava o bolor e passa externamente nas feridas crônicas. Em pouco tempo a inflamação cede e começa o processo de recuperação do paciente. Da mesma forma, em Cesárea, antiga cidade fundada pelos romanos, os armênios tratavam as feridas atônicas, cobrindo-as com queijo mofado, também produzido por um bolor semelhante ao bolor que deu origem à penicilina.

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Cannabis Medicinal: Não lemos e não gostamos?

Dando sequência aos debates sobre a maconha no país, em especial sobre a maconha medicinal, Plantando Consciência publica carta do maior especialista nacional no assunto, o professor da UNIFESP e especialista em psicofarmacologia Elisaldo Carlini que foi recusada pela Folha de São Paulo, mesmo veículo que tem publicado cartas de fortíssimo viés ideológico e repletas de ofensas pessoais a diversos pesquisadores brasileiros, assinadas por Ronaldo Ramos Laranjeira e Ana Cecília Petta Roselli Marques (veja um exemplo aqui).

por Elisaldo Carlini

Elisaldo A. Carlini, Professor-Titular de Psicofarmacologia – UNIFESP / Diretor do CEBRID – Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas / Membro Titular do CONED (Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas) / Membro do Comitê de Peritos sobre Álcool e Drogas OMS (7º mandato) / Ex-membro do Conselho Internacional de Controle de Narcóticos (INCB – ONU) (2002-2007)

Em maio deste ano foi realizado o Simpósio Internacional: “Por uma Agência Brasileira da Cannabis Medicinal?” sob minha presidência, contando com a participação de cientistas do Brasil, Canadá, Estados Unidos, Inglaterra e Holanda, representantes brasileiros de vários órgãos públicos, sociedades científicas e numerosa audiência. Após dois dias de intensas discussões foi aprovado por unanimidade um documento recomendando ao Governo Federal a oficialização da criação da Agência Brasileira da Cannabis Medicinal.

Esperava uma discussão posterior, científica e acalorada, pois sabia de algumas opiniões contrárias à proposta. Entre estas o parecer do Departamento de Dependência Química da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) cujos representantes compareceram apenas para apresentar seu parecer, ausentando-se totalmente, antes e depois, de todo o restante do simpósio.

Esta havendo sim a esperada discussão, veiculada principalmente através da Folha de São Paulo, mas num nível de entristecer. De fato, expressões como – “o dom de iludir”; “Lobby da maconha”; “Maconhabras”; “uma idéia fixa: a legalização das drogas”; “elementos com pretensa respeitabilidade”; “paixão dos lobistas”; “exemplo de indigência intelectual”; “querem maiores facilitações para o consumo”; “travestidos de neurocientistas”; – não se coadunam com a seriedade que deve prevalecer em qualquer discussão científica. Os autores de tais infelizes afirmações certamente não leram a celebre frase de Claude Bernard, o pai da medicina experimental: “em ciência criticar não é sinônimo de denegrir”.

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Em Defesa da Medicina Chinesa

por Gilberto Antônio Silva

O Fantástico deste domingo (29/08) mostrou uma matéria absurda descaracterizando a medicina chinesa e terapias alternativas. A matéria completa está aqui. Abaixo segue minha resposta – desculpem a extensão, mas estes esclarecimentos são muito importantes para a saúde de todos nós.

Desacreditando as medicinas naturais

Foi realmente horrível terminar o domingo com uma matéria tão absurda e mentirosa quanto o novo quadro do Fantástico “É bom pra quê?”. Respeito profundamente o Dr. Dráuzio Varella e seu trabalho, mas não é admissível uma matéria tão manipulada e tendenciosa quanto esta, cujo único objetivo é desinformar e confundir o telespectador, propagando a idéia errônea de que “só a medicina moderna salva”.

Essa história de que a medicina ocidental moderna é a panacéia para todos os males e o resto é só superstição, volta e meia vem à tona. Se a ciência médica moderna curasse todos os males de modo eficaz e simples, não haveria “medicina alternativa”. As pessoas tomam chás justamente em virtude da ineficiência da medicina alopática moderna.

O foco de ataque principal da matéria, além dos tratamentos alternativos em geral, pareceu ser o Hospital de Medicina Alternativa de Goiás, único no Brasil a se dedicar unicamente às terapias alternativas. Um risco para vários interesses corporativos.

É óbvio que qualquer coisa pode ser perigosa à saúde, até água. Mas os “perigos” dos chás nem de longe se igualam aos perigos dos medicamentos químicos mal testados, ineficientes, perigosos (preciso citar a relação de medicamentos recolhidos todos os anos?) e muitas vezes mal receitados.

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Árvores símbolos dos Estados Brasileiros

Listagem parcial das árvores símbolo de cada Estado brasileiro

por Anderson Porto
www.tudosobreplantas.com.br

Até o presente momento (27/05/2013) consegui, com a ajuda do grupo de estudos e outras pesquisas, localizar as seguintes espécies para cada Estado:

 Estado Nome(s) popular(es) Nome Científico Validada?
AC / Acre Seringueira Hevea brasiliensis
AL / Alagoas Craibeira Tabebuia aurea
AP / Amapá Amapazeiro Parahancornia fasciculata
AM / Amazonas Castanheira Bertholletia excelsa
BA / Bahia Umbuzeiro Spondias tuberosa
CE / Ceará Carnaúba Copernicia prunifera
DF / Distrito Federal Buriti Mauritia flexuosa
ES / Espírito Santo Jequitibá Cariniana legalis
GO / Goiás Pau-papel Tibouchina papyrus
MA / Maranhão Palmeira Babaçu Orbignya speciosa
MT / Mato Grosso Seringueira Hevea brasiliensis
MS / Mato Grosso do Sul Ipê-rosa Tabebuia heptaphylla
MG / Minas Gerais Pequizeiro Caryocar brasiliense
PA / Pará Castanheira Castanea sativa
PB / Paraíba Gameleira Ficus doliaria
PR / Paraná Araucária Araucaria angustifolia
PE / Pernambuco Oiti Coró Couepia rufa
PI / Piauí Caneleiro Cenostigma macrophyllum
RJ / Rio de Janeiro Jequitibá-açu Cariniana ianeirensis
RN / Rio Grande do Norte Cajueiro Anacardium occidentale
RS / Rio Grande do Sul Erva-Mate Ilex paraguariensis
RO / Rondônia Chichá / Xixá Sterculia apetala
RR / Roraima Caraipé Licania octandra
SC / Santa Catarina Imbuia Ocotea porosa
SP / São Paulo Jequitibá-rosa Cariniana legalis
SE / Sergipe Mangabeira Hancornia speciosa
TO / Tocantins Fava-de-bolota, faveira, faveira-preta, Badoqueiro Parkia platycephala

 

Sobre a pesquisa:

Cada árvore símbolo, de cada Estado, só aparece na listagem como validada se for apresentada confirmação de publicação no Diário Oficial, ou do Estado, ou da federação.

Se alguém souber de mais alguma, por favor, deixem comentários !!!

Os Estados, portanto, que não possuem até o presente momento (02/06/2011) Árvore-símbolo oficiais e validadas (por publicação em diário oficial) são as seguintes:

  • AC / Acre:
  • GO / Goiás:
  • MS / Mato Grosso do Sul:
  • PA / Pará:
  • PB / Paraíba:
  • PE / Pernambuco:
  • RN / Rio Grande do Norte:
  • RO / Rondônia:
  • RR / Roraima:

Esta listagem surgiu da solicitação / necessidade de uma participante de nosso grupo de estudos, Marcela Badolatto.

A pesquisadora liduinamcg@hotmail.com apresentou, mediante pesquisas em sites da Internet, as seguintes espécies como sendo as árvores símbolo por Estado:

GO / Goiás: MULUNGU – Erythrina velutina
PB / Paraíba: Gameleira – Ficus doliaria

O pesquisador Alex Ribeiro apresentou, mediante pesquisas em sites da Internet, as seguintes espécies como sendo as árvores símbolo por Estado:

PA / Pará: Castanheira – Castanea Sativa
PE / Pernambuco: Oiti Coró – Couepia rufa

Temos também a seguinte informação (ainda não confirmadas):

AC / Acre: Seringueira ou Gameleira
RO / Rondônia: chichá (Sterculia chicha)


Fonte: [ blog Tudo Sobre Plantas ]


[Editado: 02/06/2011] – Listagem alterada para o formato de tabela;
[Editado: 03/06/2011] – Links diretos para as fichas das espécies;
[Editado: 23/09/2012] – Inserida a espécie Castanheira (Castanea Sativa) em PA / Pará; Oiti Coró (Couepia rufa) em PE / Pernambuco;
[Editado: 27/05/2013] – Aguardando confirmação de listagem final;

Floresta esverdeia mesmo sem receber chuva na Amazônia

O sistema antiestresse da floresta amazônica, pelo menos na severa seca de 2005, funcionou melhor do que o esperado. Na edição de sexta-feira (21) da revista científica “Science”, pesquisadores mostram como a região, mesmo sem água, registrou um rebrotamento de suas plantas em muitas áreas.

A chuva sumiu, mas mesmo assim a Amazônia ficou mais verde – e não mais seca, como os modelos previam – depois da pior estiagem em 60 anos.

“O ecossistema não se mostrou negativamente reativo ao estresse hídrico”, afirma em língua de cientista Humberto da Rocha, do IAG – Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP – Universidade de São Paulo. Ele é um dos autores do artigo.

Entre as várias condicionantes que agem sobre a floresta, o estímulo dado pelo calor e pela radiação acabou sendo mais forte do que a falta d’água. “Isso sugere que a reação ao estresse hídrico pode ser muito menor que pensávamos”, diz Rocha.

Mas a aparente boa notícia não é suficiente para espantar o fantasma da savanização de boa parte da região amazônica, caso o aquecimento médio da temperatura na região seja mais constante.

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Democracia, transparência e o tomate transgênico do Dr. Watson, artigo de Milton Krieger

Sofisma barato e maniqueísmo perverso, estes têm sido os artifícios daqueles que defendem a liberação imediata e sem maiores cuidados dos transgênicos

Milton Krieger (miltonkrieger@fca.unesp.br) é engenheiro agrônomo, mestre em genética e melhoramento de plantas (Esalq/USP) e doutorando em agricultura (Unesp-Botucatu).

As questões envolvendo plantas transgênicas têm sido discutidas praticamente a revelia da sociedade, sendo que um OGM aceitável deve ser:

  • Ambientalmente seguro,
  • Biologicamente seguro,
  • Socialmente justa,
  • Economicamente vantajoso,
  • Eticamente aceitável,
  • Devidamente rotulado.

Nenhuma das duas liberações comerciais de plantas transgênicas no Brasil atende a todos os requisitos citados, assim como os processos para liberações que se encontram tramitando na CTNBio.

Como se pode ver, aquilo que seria um OGM aceitável envolve vários aspectos, que fogem daquilo que seria atribuições de uma comissão de biossegurança, que deveria apenas analisar os dois primeiros aspectos.

Porém devido ao lobby pró-transgênico na formulação daquilo que no Brasil é chamada de lei de Biossegurança e a uma mudança de 180 graus na posição do governo Lula em relação ao tema, deu-se todo o poder para CTNBio para deliberar sobre a liberação comercial de OGMs.

E mais, dá à Comissão o direito de deliberar em última instância sobre os casos em que a atividade é potencial ou efetivamente causadora de degradação ambiental, bem como sobre a necessidade do licenciamento ambiental. (art. 54 da lei 11.105 de 24/03/05).

Agora porém, começa a aparecer uma leve luz ainda no meio do túnel, pois haverá pela primeira vez a oportunidade de pessoas de fora da CTNBio opinarem sobre à liberação comercial de plantas, isto através de uma audiência publica que deverá ocorrer em 20 de março.

Esta audiência não é um favor da Comissão, e sim, uma obrigação prevista na lei de “biossegurança”, e foi conseguida na justiça, uma vez que o presidente da comissão foi contra a realização da mesma, alegando que a sociedade civil nada tem a acrescentar nesta discussão.

Analisaremos a seguir as duas liberações comerciais de plantas transgênicas no Brasil para demonstrar como a sociedade civil, pode sim, opinar nesta questão, apesar da posição arrogante do presidente e da maioria dos membros da comissão que foram contra a realização da audiência.

A primeira liberação comercial foi dada a soja RR (Roundup Ready) da Monsanto tolerante ao glifosato (roundup). Para atender os caprichos da soja RR, a Anvisa aumentou em 50 vezes o teor máximo de resíduo (TMR) de glifosato permitido no grão de soja.

O motivo é muito simples, imagine uma planta tolerante a um herbicida e outra não tolerante, em qual das duas haverá maior concentração do herbicida?

A resposta é simples, na tolerante, pois a soja convencional jamais atingiria os mesmos níveis, pois morreria antes. Não é necessário ser doutor em genética ou agronomia para compreender isto.

A segunda liberação foi dada ao algodão Bt (Bollgard) também da Monsanto. As plantas Bt são incorretamente chamadas de plantas resistentes a insetos.

Na verdade são plantas inseticidas, pois já vêm com um inseticida inserido no seu genoma, que atua contra pragas e insetos úteis durante todo o ciclo da planta independentemente do nível de dano, o que do ponto de vista do manejo integrado de pragas (MIP) é um tremendo retrocesso.

Tanto é assim, que na ocasião da liberação do algodão Bt, uma das exigências feitas pela CTNBio foi que após a colheita, as plantas deveriam ser arrancadas com a raiz, para evitar a contaminação do solo pela toxina do Bt.

O procedimento recomendado pela CTNBio é na verdade um “faz-de-conta”, pois ao se arrancar uma planta do solo, a parte da raiz que sai é o seu eixo principal, também chamado de pivô, suas ramificações e os milhares de filamentos capilares ficam no solo. Novamente não é necessário ter doutorado para saber isto, o homem comum do campo sabe.

E interessante notar que a justificativa dada na ocasião da liberação da soja RR, é que se tratava de espécie autógama (autofecundação) sem parentes silvestres no Brasil, já o algodão é uma espécie onde predomina a alogamia (fecundação cruzada) com parentes silvestres no Brasil, ou seja, exatamente o contrário.

Isto demonstra a incoerência da comissão, pois a justificativa dada a soja RR deveria ser suficiente para impedir a liberação do algodão Bt.

Há ainda um consenso mundial que plantas transgênicas de uma determinada espécie não devem ser liberadas nos centros de diversidade da espécie, como é o caso do algodão no Brasil.

Agora a CTNBio quer a todo modo liberar o milho (planta alógama) Liberty Link da Bayer, tolerante ao herbicida Liberty também da Bayer, é o mesmo caso da Soja RR, ou seja, mais resíduo no grão, e não faltam alguns para dizer que assim é mais moderno, mais avançado etc.

Recentemente, James D. Watson lançou um livro, “DNA o segredo da vida”. Nele o famoso geneticista americano que junto com o britânico Francis Crick, elucidaram a estrutura do DNA, atribui o fracasso do tomate transgênico “longa vida” a um acidente de trabalho, pois o cultivar onde o gene foi inserido não era bom (Watson, 2005 – pág.167).

Ora, após um gene ser inserido numa espécie, ele pode passar para outros indivíduos da mesma espécie através de cruzamentos comuns, e novos cultivares transgênicos são obtidos para diferentes ambientes através de retrocruzamentos com cultivares adaptados.

E mais, seria muita burrice uma empresa de biotecnologia gastar milhões e milhões (sic) no desenvolvimento de um OGM se este for um ponto final como esta descrito no livro.

Watson é um dos maiores geneticistas, e acredito, seja um homem honesto e descente. Então como pode cometer um erro tão grosseiro?

E não é só ele, tenho visto muitos grandes geneticistas brasileiros também cometerem erros igualmente grosseiros quando falam ou escrevem sobre transgênicos.

Os erros mais comuns são “os transgênicos são mais produtivos” ou “as plantas Bt são resistentes a insetos”.

As plantas Bt já foram tratadas neste texto e produtividade é um caráter quantitativo que envolve um grande número de genes e sofre grande influência ambiental, já os transgênicos têm um caráter qualitativo geralmente governado por um único gene que não sofre influência ambiental.

Estes erros se devem em grande parte devido a influência de uma minoria de defensores da transgenia que usam estas expressões muitas vezes com má fé.

Estes sempre se apresentam como defensores da ciência e mesmo sem a procuração de ninguém, sempre falam em nome dos cientistas.

Já aqueles que têm preocupações ambientais e com relação à saúde são tachados de atrasados, anti-ciência etc.

Sofisma barato e maniqueísmo perverso, estes têm sido os artifícios daqueles que defendem a liberação imediata e sem maiores cuidados dos transgênicos.

Finalmente haverá uma discussão aberta sobre o tema, e espero que a comunidade científica participe, especialmente a SBPC e a Academia Brasileira de Ciência, até porque sofismas e maniqueísmos não são praticas da boa ciência, e, há muito cientista no Brasil e no mundo que precisam conhecer melhor o assunto.

Referências:
Watson, J.D. DNA o segredo da vida. São Paulo. Companhia das Letras, 2005. 470p.
http://www.cib.org.br/midia.php?ID=11621&data=20050318
http://www.idec.org.br/files/idec_glifosato.doc
http://www.miltonkrieger.bio.br

Fonte: Jornal da Ciência

Os herbários de Jean-Jacques Rousseau

Rosseau dedicou os últimos anos da sua vida quase exclusivamente ao estudo da Botânica, curiosamente este fato não é sequer referido em muitas das suas biografias.

Fiel admirador da obra de Linneo, elaborou diversos herbários destinados a um público não especializado em Botânica.

“Deve julgar-se um homem pela sua utilidade… Rousseau, foi um dos maiores porque aproximou o homem da Natureza”.
Bernardin de Saint-Pierre.