Como plantar cebolinha

“Como que planta cebolinha?”, me perguntaram.

Eu faço assim: corto a parte verde para picar e temperar, deixo a parte de baixo, uns 4 dedos de tamanho e com as raízes, para replantar. Terra comum, misturada com um pouco de areia.

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Daí é só manter úmido e deixar à meia-sombra, até começar a rebrotar e desenvolver umas 2, 3 folhas.

Ficou grandinha? Replanto em local definitivo já previamente adubado.

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Abraços!

Anderson Porto
https://apoia.se/tudosobreplantas

As 20 PANCs mais recomendadas para hortas urbanas, inclusive escolares

“Essas espécies de hortaliças estavam aí, algumas pelos quintais, outras dispersas no meio do mato, e diversas na condição de pratos regionais. Se em muitos lugares ainda não são reconhecidas como alimentos, por outro lado, em certas localidades, sempre fizeram parte da culinária numa tradição passada de geração a geração.

Sem contarem com cultivo comercial e uma cadeia produtiva estruturada, muitas dessas plantas passaram a povoar apenas as memórias de algumas pessoas. Mas novos tempos são chegados e, dentro de um contexto científico-econômico-social, outros roteiros começam a fazer parte da história de plantas como araruta, almeirão, azedinha, bertalha, cará-moela, chuchu-de-vento, capuchinha, jambu, mangarito, ora-pro-nóbis, fisális, peixinho, taioba e vinagreira, entre outras que caíram no anonimato.”[2]

A Painel 279 publicou uma reportagem especial sobre Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs). Veja também:

[1] – Guia Prático PANC
[2] – Estudo EMBRAPA
[3] – Flor comestível
[4] – Reportagem do Bom Dia São Paulo
[5] – Mapa das Feiras Orgânicas no Brasil
[6] – Reportagem do portal Época sobre a Ensete – falsa bananeira que consegue vencer a fome na Etiópia

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fonte: [ PANCs: Plantas Alimentícias Não Convencionais ]

Quem foi Luther Burbank, o pai da enxertia?

O inventor da batata do Mc Donnalds, foi chamado de “o pai da enxertia”.

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O campo da botânica tem muitos grandes nomes e um deles é o de Luther Burbank, nascido em Lancaster, Massachusetts, a 07 de Março de 1849, e, falecido em Santa Rosa, Califórnia, a 11 de Abril de 1926).[3]

Ele foi um botânico e horticultor norte-americano e tornou-se um dos pioneiros da ciência agrícola. Burbank era tão brilhante que ele conseguiu chegar a criar cerca de 800 cultivares e variedades em todos seus 55 anos no campo. Ele desenvolveu diferentes frutas, grãos, flores, vegetais e variações de grama e também criou uma variedade de cacto que não têm espinhos, que é principalmente usado para alimentar o gado. Ele também inventou o “plumcot”, quando cruzou, naturalmente, damascos e ameixas.

Algumas de suas criações mais conhecidas incluem a papoula do fogo, a Shasta daisy e o pêssego “julho Elberta”. Ele também criou a variedade “Gold Flaming” de nectarina e pêssego em cantaria. Quando se tratava de batatas, ele era bastante ele rei e ele criou uma batata com pele de cor castanho-avermelhada que era na verdade uma variação da Burbank e estava uma variação genética natural. Esta batata russet de Burbank colorida mais tarde foi chamada a “batata Russet Burbank” e é a batata mais comum que é usada na preparação de alimentos em uma escala mais comercial.

Sua vida

Luther Burbank nasceu em uma fazenda em Lancaster, MA, em Mach 7, 1849. Ele realmente não progredir na escola e na verdade só conseguiu ganhar uma educação elementar. Seus pais tiveram 15 filhos, dos quais ele era o 13th. Enquanto não teve muita instrução, ele gostou das plantas que sua mãe tinha em seu jardim, e este pode ser apenas onde formou um interesse em plantas.

Ele perdeu o pai quando ele tinha apenas 21, quando ganhou acesso à sua herança. Ele usou isso para ganhar a posse de uma fazenda de 17 hectares localizada perto do centro de Lunenburg. Foi onde ele veio com a batata Burbank alardeada, dos quais ele detinha os direitos.

Mais tarde sobre, os direitos para sua criação de batata foram vendidos por US $150, que era considerado uma soma considerável durante aqueles tempos. Ele fez usar este dinheiro para fazer uma viagem para Santa Rosa, na Califórnia, no ano de 1875. Foi alguns anos depois ele se mudou para Santa Rosa que ele veio com a batata Russet Burbank e tornou-se tão famoso que é a mais comumente usada em estabelecimentos que comercializam batata fast food. Na verdade, este é o tipo de batata usada por McDonalds para suas batatas fritas.

Quando ele chegou em Santa Rosa, mais uma vez comprou uma fazenda de 4 hectares e foi onde construiu seu berçário e estufa. Ele também estabeleceu campos onde ele conduziu a maioria de seus projetos de cruzamento. Ele foi inspirado pelo trabalho de Darwin, que foi intitulado a variação dos animais e plantas sob domesticação.Luther Burbank não para por aí embora porque ele decidiu atualizar e mudou-se para comprar outro vastamente maior parcela de terreno que foi cerca de 18-acres grandes. Isto foi em Sebastopol, que estava muito perto de Santa Rosa. É chamada de  Gold Ridge Farm.

Desde os anos de 1904 a 1909, ele foi o destinatário de vários subsídios dado pela instituição Carnegie e foi então que ele poderia continuar com seus projetos de hibridação com o apoio de Andrew Carnegie próprio. Alguns dos conselheiros de Andrew Carnegie foram contra Burbank, desde que eles acreditavam que seus métodos não eram muito científicos, mas Andre Carnegie acreditava em Burbank e apoiou-o todo o caminho.

Foi por meio de seus catálogos de planta que Burbank se tornou mais conhecido. O mais famoso desses catálogos foi as Novas criações em frutas e flores , que foi publicado em 1893. Clientes satisfeitos também foram responsáveis por sua fama, porque eles não conseguia parar de falar dele e as coisas maravilhosas que ele poderia fazer com as plantas. Na verdade, ele era tão famoso, que as pessoas simplesmente poderiam não parar de falar sobre ele durante a primeira década do novo século.

Apesar do fato de que ele não tem muito de uma educação, ele era muito prolífico e veio com um número impressionante de cultivares e híbridos. No entanto, não era tudo liso-vela por Luther Burbank porque mais do que alguns membros da comunidade científica foram rápidos a criticá-lo por não ser mais cuidadoso com o seu registo. A comunidade científica é conhecida por suas maneiras de registos meticulosas mas como aconteceu, Burbank estava mais interessado em resultados, em vez dos métodos e isto explica por que ele estava tão relaxado com seus registros. Na verdade, de acordo com um professor da Purdue, esta falta de registos é o que os impede de considerar Luther Burbank, uma cientista, academicamente falando claro.

Seus métodos

Durante toda sua falta de registos, foi um bem sucedido uso individual e feito de uma variedade de técnicas em seu trabalho. Em seus experimentos ele fez usam de muitas diferentes técnicas como a hibridização e a enxertia. Ele também se envolveu em diferentes tipos de cruzamentos de plantas e veio com os produtos mais fascinantes como o plumcot. Quando se tratava de flores, ele usou a técnica de polinização cruzada e selecionou os melhores produtos para procriar mais.

Sua vida pessoal

Por todas as contas, Luther Burbank era um homem de índole tipo que estava interessado em ajudar as pessoas. Ele também era tudo para a educação (talvez porque ele não tinha muita instrução próprio) e deu dinheiro para muitas escolas diferentes. Embora ele foi casado duas vezes, ele não tinha qualquer descendência com qualquer uma das suas esposas. Ele morreu em 11 de abril de 1926, mas antes disso, ele sofreu um ataque cardíaco e passou por complicações gastronómicas.

Na verdade, ele era um homem que contribuiu muito para o mundo e merece todos os elogios que ele recebeu. Cada vez que você requisita batatas fritas em algum fast-food conjunta, você realmente precisa dar um pouco graças a este homem para vir acima com a batata usada para comer. Ele era um homem bem à frente de seu tempo e todas as suas obras são consideradas importantes até hoje.[1]

É considerado como o “Pai da Enxertia”. Durante sua infância, a teoria da evolução de Darwin era ainda bastante discutida. Burbank aderiu a ela com ardor. Queria apressar o processo de evolução das plantas. A seleção natural depende do vento e dos insetos para o transporte de pólen de uma planta a outra. Ele selecionou as melhores plantas e retirou o pólen de umas para depositar em outras. Cultivando apenas as plantas mais fortes ou as que tinham qualidade desejáveis – como frutas doces ou grandes flores– obteria espécies superiores de suas sementes. Também fertilizou uma planta com pólen de outra espécie diferente, aparentada com ela. A flor “Shasta Daisy”, tão conhecida a ponto de ter sido incluída nos bons dicionários americanos, é uma variedade criada por Burbank. Ele a obteve cruzando a margarida inglesa e a japonesa.[3]

batatas burbank
batata Russet Burbank

A batata Burbank é exemplo clássico do valor do estudo da hereditariedade nas plantas. Geralmente, os pés de batata nascem de brotos dos tubérculos. As batatas nascidas assim têm origem única. Não há introdução de novos fatores hereditários e as batatas produzidas são todas exatamente iguais. Burbank encontrou um pé de batata que tinha bolsa de sementes (fato bastante raro). Plantou-as e observou os diferentes tipos de brotos que nasceram. Cruzou somente os melhores e obteve uma batata de superior qualidade.

Criações de Burbank
 
Burbank criou centenas de novas variedades de frutas (ameixa, pêra, ameixa seca, pêssego, amora, framboesa), batata, tomate, flores ornamentais e outras plantas.
Burbank foi criticado pelos cientistas de sua época por não manter qualquer tipo de cuidado com os registros, que são normas na pesquisa científica, e, porque ele estava principalmente interessado na obtenção de resultados e não na pesquisa básica.
Jules Janick, Ph.D., Professor de Horticultura e Arquitetura Paisagista da Universidade de Purdue, escrevendo na World Book Encyclopedia, edição de 2004, diz: “Burbank não pode ser considerado um cientista no sentido acadêmico”.
Em 1893, Burbank publicou um catálogo descritivo de algumas de suas melhores variedades, intitulado Novas Criações em Frutas e Flores (New Creations in Fruits and Flowers). Em 1907, Burbank publicou um “ensaio sobre a educação dos filhos”, chamado O Treinamento da Planta Humana (The Training of the Human Plant). Nela, ele defendeu um melhor tratamento para as crianças e práticas eugênicas, tais como manter o casamento dos primos impróprios (primos segundos) e primos legítimos.
Durante sua carreira, Burbank escreveu ou co-escreveu vários livros sobre os seus métodos e resultados, incluindo seus oito volumes, Como as Plantas são Treinadas para Trabalhar para o Homem (How Plants Are Trained to Work for Man, 1921), A Colheita dos Anos (Harvest of the Years com Wilbur Hall, 1927), Sócio da Natureza (Partner of Nature, 1939), e os 12 volumes Luther Burbank: Seus Métodos e Descobertas e Sua Aplicação Prática (Luther Burbank: His Methods and Discoveries and Their Practical Application).[3]

Metodologia

Burbank fez experimentos com uma variedade de técnicas, tais como: enxertos, hibridação e cruzamento.

Seu legado

O trabalho de Burbank impulsionou a aprovação da Lei de Patentes de Plantas 1930, quatro anos após a sua morte. A legislação tornou possível patentear novas variedades de plantas (excluindo tubérculos de plantas reproduzidas).

Ao apoiar a legislação, Thomas Edison testemunhou perante o Congresso em apoio à legislação e disse que “Esta legislação vai nos dar, tenho certeza, muitos Burbanks”.
As autoridades emitiram Patentes de Plantas # 12, # 13, # 14, # 15, # 16, # 18, # 41, # 65, # 66, # 235, # 266, # 267, # 269, # 290, # 291, e # 1041 a Burbank postumamente.

Em 1986, Burbank foi incluído no National Inventors Hall of Fame. O Luther Burbank Home and Gardens, no centro de Santa Rosa, agora é designado como um Marco Histórico Nacional. Luther Burbank Gold Ridge Experiment Farm está listado no Registro Nacional de Locais Históricos a poucos quilômetros a oeste de Santa Rosa, na cidade de Sebastopol, Califórnia.

A casa em que Luther Burbank nasceu, assim como sua oficina jardim da Califórnia, foram trasladados por Henry Ford para Dearborn, Michigan, e fazem parte do Greenfield Village.

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Traduzido via Google Translate e com compilação de informações das seguintes fontes:

[1] https://edukavita.blogspot.com/2015/08/biografia-de-luther-burbank-cientistas.html
[2] http://mentalfloss.com/article/57818/10-crazy-creations-plant-wizard-luther-burbank
[3] http://biografiaecuriosidade.blogspot.com/2013/05/biografia-de-luther-burbank-o-pai-da-enxertia.html

Um papo rápido sobre “ORGÂNICOS”

A maior parte dos agrotóxicos está na casca dos alimentos. Então… Tem certeza que a sua compostagem é #orgânica?

Entendo que o composto, para ser orgânico, deve ser feito com cascas e restos de vegetais cultivados também de forma orgânica, sem agrotóxicos, respeitando a Natureza.

A palavra “orgânicos” talvez precise – urgente! – de uma atualização, pois ao meu ver vem sendo utilizada substituindo um sentido mais amplo, mais relacionado a “viver de forma cooperativa”, sem agressões permanentes ao meio ambiente, reutilizando o que for possivel e deslocando recursos de forma mais inteligente e sustentável, justamente pelo fato de compartilharmos TODOS dessa estrutura natural do planeta, nossa casa. Cuidar para que as próximas gerações possam viver aquil.

Quem quer plantar irá utilizar borrachas para irrigar, aço em ferramentas, cordas, madeiras, telas, os mais diversos produtos, até mesmo sementes, todos comprados, a não ser que queiramos fazer tudo isso (plantar, cuidar e colher) com as próprias mãos.

Que dá até dá.
Só que rola um pouco mais de trabalho.

Abraços agroecológicos!

Anderson Porto
www.TudoSobrePlantas.com.br

Livro “Diário de Memórias – Museu Comunitário do Engenho do Sertão”

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Recebi hoje, aqui no projeto, o livro “Diário de Memórias, Museu Comunitário Engenho do Sertão”, uma gentileza da profa. Yolanda Flores E Silva e colaboradores.
O projeto foi conduzido pela professora Dra. Yolanda Flores E Silva, com a gestão da Rô do Engenho (Rosane Luchtenberg), Daniel Baibinati e Rosane Fritsch, contou com a participação da artesã Patrícia Estivallet, da nutricionista Ivani Stello Fará e da estagiária em gastronomia Lana Becker.

Passarei a utilizá-lo para registrar minhas experiências culinárias, testes de plantio, eventos importantes, dúvidas, aprendizados…

Gratidão, Yolanda! <3

Anderson Porto
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Para saber mais sobre o projeto, acessem:
 

 

Por que o VINAGRE NÃO É saudável?

por

vinagre_A história do vinagre é tão antiga quanto à do vinho; a palavra vinagre deriva do termo francês “vinaigre”, que quer dizer “vinho azedo”. O vinho não acondicionado devidamente entra em contato com o oxigênio que favorece a reprodução de leveduras e bactérias, produzindo um ácido que dá o gosto picante.

Atualmente a produção do vinagre envolve dois tipos de alterações bioquímicas: uma fermentação alcoólica de um carboidrato e uma oxidação deste álcool até ácido acético. Emprega-se uma fermentação por leveduras para a produção do álcool.

A concentração alcoólica é ajustada entre 10 a 13%, sendo, então, exposta às bactérias do ácido acético, que vai oxidar a solução alcoólica até que se produza o vinagre na concentração desejada.

Existem diversos tipos de vinagres produzidos dependendo do tipo de material usado na fermentação alcoólica (sucos de frutas, xaropes contendo amiláceos hidrolisados).

De acordo com o FDA (Food and Drug Administration) a definição e padronização de um dos tipos de vinagres são: vinagre de vinhos, vinagre de cidra, vinagre de maçã – produto obtido pelas fermentações alcoólica e subsequentemente acética do suco de maçãs.

O vinagre na realidade é considerado um contaminante indesejável na fabricação de vinhos; mas sempre foi aplicado na culinária como condimento. O vinagre na realidade é uma solução de ácido acético de 4-6 %.

Esse ácido tem propriedades corrosivas acentuadas, particularmente o ácido acético glacial (o ácido na sua forma pura e não diluída), cuja dose letal para o homem situa-se em torno de 20 ml.

É um produto da indústria química, mas como é reproduzido nas reações do vinho em escala orgânica, pelas bactérias, é utilizado em baixas concentrações (4-6%) na culinária.

Os efeitos do Vinagre na digestão

A saliva tem um ph entre 6,0 e 7,0 variação favorável à ação digestiva da ptialina (alfa-amilase) (1) responsável pela digestão dos amidos, ainda na boca; o vinagre, um ácido por excelência, altera todo o ph da saliva e interrompe a digestão dos amidos, que deveria ser ali iniciada.

O ph do Vinagre é idêntico ao do suco estomacal, ou seja de ph = 3,0 (2). O ph estômago tem como objetivo dissolver os alimentos para serem absorvidos no intestino. Mas a concentração da solução ácida no estômago é regulada para favorecer a digestão, e um acréscimo da concentração de ácidos pode causar azia, úlceras e mal estar.

O aumento da concentração de ácidos que o Vinagre promove no trato digestivo pode também desfavorecer a digestão dos alimentos no segmento intestinal. Todo o quimo (massa alimentar processada no estômago) que é enviado para o duodeno sofre a ação de outro suco digestivo, o entérico, com substâncias para digerir proteínas, carbohidratos e gorduras (3).

A secreção dessas substâncias são para neutralizar o ácido estomacal do quimo e para criar um ph adequado para a ação das enzimas pancreáticas (amilase, tripsina, quimotripsina, lípase etc (4)). Se o ph neste processo é alterado em sua concentração por alimentos excessivamente ácidos (o caso do vinagre), há o comprometimento das enzimas do pâncreas.

Já no século XIX se conhecia a ação do vinagre e seus efeitos indesejados; um relato de uma educadora que se preocupava com sanitarismo, demonstra como a ação do vinagre já era identificada como problemática a digestão dos alimentos – “As saladas são preparadas com óleo e vinagre, há fermentação no estômago, e a comida não é digerida, mas decompõe-se ou apodrece; em conseqüência, o sangue não é nutrido, mas fica cheio de impurezas, e surgem perturbações hepáticas e renais” (5).

As interferências nas várias etapas da digestão dos alimentos impedem a ação das várias enzimas da saliva, estômago e as entéricas. O alimento é processado parcialmente, não é absorvido totalemnte pelo intestino, e a ação da flora bacteriana nos vários segmentos intestinais, se encarrega de produzir metabolitos indesejados.

A ação do Vinagre no Tecido Ósseo

Uma experiência simples e fácil de realizar e muito utilizada na escola para os principiantes nos estudos da Química, é a do ovo imerso no vinagre. Os professores instigam os alunos com a seguinte pergunta: Como retirar um ovo de dentro do seu invólucro, sem quebrar a sua casca?

A solução do problema se dá através da reação química do Ácido Acético do vinagre sobre o Cálcio da casca do ovo.

A casca do ovo é constituída por um composto químico chamado carbonato de cálcio. O vinagre, este sendo uma solução diluída de ácido acético que reage com o carbonato de cálcio contido na casca do ovo, origina como produto de reação o dióxido de carbono; toda a casca é perdida na reação, e a clara e a gema permanecem intactas; isso é devido à existência de uma membrana que não reage com o vinagre.

No entanto, esta membrana tem a capacidade de permitir a migração do vinagre do exterior para o interior do ovo através desta. O fato do ovo estar maior no final da experiência é devido à migração do vinagre para o interior do ovo e à inexistência de migração de gema e clara para o exterior.

Queremos destacar aqui a ação do vinagre sobre o tecido ósseo, especialmente nos dentes. Alimentos regados com o vinagre, ou as conservas, irão permitir a reação deste ácido com o cálcio dos dentes, permitindo um desgaste maior e uma ação bacteriana mais favorável, devido a perda do esmalte dentário e fissuras que o ácido cria nos dentes.

As supostas propriedades curativas do Vinagre

O Vinagre além das aplicações na culinária, possui uma suposta aplicação terapêutica que traria benefícios para artrite, osteoporose, reumatismo, pressão alta, gota, bursite, arteriosclerose, enfartos, derrames, fadiga crônica, dores de cabeça crônica, diabetes, rinites, doenças degenerativas e acúmulo de cálcio no sangue.

Todas as afirmações curativas do vinagre são baseadas nos ácidos orgânicos que são oferecidos ao organismo. Mas o Ácido Acético não é um ácido de reposição orgânica, como é o Ácido Ascórbico e outros.

As propriedades curativas dos ácidos orgânicos podem ser oferecidos de forma natural através dos alimentos naturalmente ácidos – as frutas ácidas e vegetais com propriedades similares (veja tabela).

Mas o Ácido Acético é um metabólito de uma ação bacteriana, e sua reposição fisiológica pode ser substituída por ácidos orgânicos naturais (ac. ascórbico, ac. pantotênico, ac. Fólico) como uma ação fisiológica saudável.

Outras aplicações do Vinagre ou Ácido Acético

Na Europa o consumo deste ácido por pessoa situa-se em 4 litros por ano e no Brasil em 0,6 litro por ano. Lá, o produto é utilizado na higienização de cachorros, na limpeza de carpetes e como conservante na indústria de alimentos.

Destacamos a eficiência do ácido acético para limpar metais, cristais e avivar as cores das roupas. Ele também pode ser usado como desodorizador de ambientes poluídos com fumaça de cigarro e odor de frituras; basta colocar um prato com o vinagre sobre alguns pontos estratégicos no ambiente e os vapores do ácido irão neutralizar as partículas e moléculas que causam o odor.

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pH de Secreções em vários compartimentos digestivos:
Saliva 6,0 – 7,0
Secreção Gástrica 1,0 – 3,5
Secreção Pancreática 8,0 – 8,3
Bile 7,8
Suco Entérico 7,8 – 8,0
Séc. Intestino Grosso 7,5 – 8,0

Alimentos com Ph ácido:
Azeitonas (verde) 3.6 – 3.8
Manga 3.9 – 4.6
Ameixa seca 3.1 – 5.4
Tangerina 4.0
Limão 2.2 – 2.4
Laranja 3.1 – 4.1
Pêssego 3.4 – 3.6
Abacaxi 3.3 – 5.2
Obs. Esses alimentos não podem estar combinados aos amidos ou carbohidratos, pois interferem no ph da saliva, não favorecendo a sua digestão inicial na boca.

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Outras utilidades do Vinagre:

1) Para o arroz ficar bem soltinho, coloque uma colher de vinagre na água do arroz na hora do cozimento; o calor irá vaporizar o ácido, mas deixará o arroz soltinho;

2) Para tirar a gosma da carne do frango, lave o frango, corte os pedaços e cubra-os com água fria e duas colheres de sopa de vinagre. Depois é só lavá-las com água corrente que o ácido será retirado;

3) Batatas murchas, com cascas escuras e enrugadas ficarão como novas misturando-se um pouco de vinagre à água em que forem cozidas; o calor irá vaporizar o ácido;

4) O bolo de chocolate ficará úmido se acrescentarmos uma colher de chá de vinagre de álcool ao bicarbonato estipulado na receita; o calor do forno irá vaporizar o ácido;

5) Na falta de uma geladeira, pode-se conservar carnes cruas por período curto embrulhando-as num pano embebido em vinagre;

6) Se quiser guardar salsichas frescas até por cinco ou seis dias, deixe-as mergulhadas dentro de uma tigela contendo água com uma colher de chá de vinagre (ou mais dependendo da quantidade de salsicha), e um pouquinho de sal. Guarde na geladeira, na hora de usar é só lavar em água pura e corrente em abundância;

7) Muitas cozinheiras colocam um recipiente contendo vinagre perto do lugar onde se está fritando cebolas; assim, não exalam seu cheiro característico, que muitas pessoas não suportam;

8) A polpa do abacate, depois de aberta, escurece logo, isto pode ser evitado passando um pouco de vinagre na superfície;

9) Para que o caqui amadureça mais depressa, faça um furinho junto ao cabinho e coloque ali uma gota de vinagre;

10) Se as mãos ficarem manchadas de frutas, uma mistura de limão e vinagre bem esfregada as eliminará;

11) O limão partido também se conservará fresquinho colocando a parte cortada num pires contendo vinagre;

12) As massas fritas não ficam gordurosas se for acrescentada a elas (durante o preparo) uma colher (sopa) de vinagre;
13) Para higienizar verduras que possam conter ovos e cistos de parasitas, as deixem mergulhadas em água com vinagre (5 colheres de vinagre para cada litro de água); o ácido irá desfazer as membranas dos ovos, cisto e larvas. Depois de 10 minutos de molho, lave bem em água corrente e abundante.

Bibliografia:
1.Guyton; Tratado de Fisiologia Médica, 5ª Edição; p.776
2.Guyton; Tratado de Fisiologia Médica, 5ª Edição; p.765
3.Guyton; Tratado de Fisiologia Médica, 5ª Edição; p.771
4.Guyton; Tratado de Fisiologia Médica, 5ª Edição; p.772
5.White, E.G. Conselhos Sobre Saúde. 1887. p.345

Fonte: http://reformadesaude.blogspot.com.br/2006/01/por-que-o-vinagre-no-saudvel.html

“Queremos uma horta em casa”: Saiba como os ciclos da lua podem ajudar

Hortaliças, tubérculos, leguminosas, ervas… Cada grupo, com suas variadas espécies, tem a melhor época de semear e colher. Observar a natureza é uma das melhores formas de aprender.

Ter uma horta orgânica em casa passou a ser o objeto de desejo de muitas famílias. Se você também deseja produzir alimentos livres de agrotóxicos e frescos, estude o melhor espaço para receber terra onde você mora. Em um canteiro de 3 x 4 metros já é possível iniciar uma pequena produção orgânica.

Importante fazer um breve estudo de horticultura, a começar pelos instrumentos e equipamentos que são necessários, além das noções sobre solo, germinação de sementes, reconhecimento e controle de ervas daninhas e pragas, para então iniciar o projeto da horta da família. Outro fator importante, na opinião de Anderson Porto, pequeno produtor rural e criador do portal Tudo Sobre Plantasé desenvolver uma leitura mais próxima da natureza. “Observar os ciclos da lua pode ajudar a marcar as melhores épocas de plantio, cultivo e colheita”, ele acrescenta.

Como os ciclos da lua podem ajudar na horticultura

Lua Nova: Melhor época para acontecer a semeadura, o plantio de tudo o que cresce acima da terra. Ideal também para o corte de bambu para construção; colheita e plantio de raízes, tubérculos, rizomas e bulbos; podas gerais para a produção de matéria seca.

Lua Crescente: Nesta época, a seiva sobe para as folhas, concentrando-se nos talos e ramos. Quando também pode ocorrer o plantio de tudo o que cresce acima da terra (tomate, laranja, alface, milho, soja são alguns exemplos). Durante a lua crescente, costuma acontecer a colheita de folhas (medicinais) e, pouco antes da lua cheia, a colheita de cereais. Podas com maior produção de biomassa para adubo verde estão em boa fase. Já no final da lua crescente, costuma ocorrer o corte de madeira para lenha.

Lua Cheia: Perto da lua cheia, as plantas estão com seus aromas potencializados, atraindo animais. No período de maior luminosidade lunar, a seiva está nas folhas. A lua cheia é ideal para a colheita de flores, frutos e folhas, assim como o plantio. Deve-se evitar mexer muito nas plantas, limitando-se a retirar folhas secas e galhos. Podas com maior produção de biomassa para adubo verde estão em boa fase.

Lua Minguante: A seiva desce para as raízes. Boa época para plantio, semeadura de tudo o que cresce abaixo da terra (alho, cenoura, cebola, mandioca, batata, rabanete são alguns exemplos). Podas e corte de árvores e bambus estão em boa fase. Pouco antes da lua nova, é o momento ideal para colheita de sementes. Dê preferência para intercalar adubações de 15 em 15 dias, sendo uma delas durante o último quarto minguante.

fonte: [ Fluid ]

4º Curso de HORTAS em Pequenos Espaços – ONLINE – edição 2017

Serão apresentadas informações sobre todo o ciclo de cultivo, desde a germinação de sementes, preparação de substratos, compostagem, transplante de mudas, tratos culturais, adubação, irrigação (automática e manual) e colheita.

Sobre o CURSO

O curso é uma introdução ao Cultivo de Hortas Orgânicas em Pequenos Espaços. Irá preparar você para dominar todas as etapas de cultivo orgânico de alimentos, temperos e plantas aromáticas, utilizando espaços ensolarados que estejam disponíveis em áreas cimentadas, paredes, varandas, janelas e pequenos pedaços de terra no quintal.

O curso prepara os alunos para desenvolverem com máxima eficiência HORTAS COMUNITÁRIAS em quintais, escolas, terrenos baldios e/ou espaços públicos no condomínio.

Início, dias da semana e carga horária

O curso começa dia 5 de JUNHO de 2017, com carga horária máxima de 14h, em dois dias na semana: SEGUNDA e QUARTA.

São 4 aulas de até 2 horas cada, das 20 às 22h, podendo haver uma aula extra, caso seja necessário tirar dúvidas.

Nível do curso – público alvo

O curso é voltado para INICIANTES, pessoas que nunca plantaram ou que desejam aprender técnicas específicas para o cultivo de plantas em pequenos espaços.

Para fazer algumas atividades é necessário habilidade no manuseio de soldas elétricas, tesouras, serras, serrotes e/ou furadeiras, além de vasos, garrafas PET e demais materiais e ferramentas necessárias para o plantio.

Objetivo geral

Os alunos assistem as aulas no conforto de sua casa ou trabalho, via ambiente virtual de EAD (Educação à Distância via Internet), com apresentação de slides do curso e áudio transmitido online em tempo real, com espaço para comentários e perguntas para o professor.

Serão apresentadas informações sobre todo o ciclo de cultivo de alimentos, começando pela germinação de sementes, a preparação de substratos, como fazer compostagem, como e quando fazer o transplante de mudas, quais os tratos culturais necessários, como fazer a adubação, como instalar uma irrigação automática e quando e como fazer a colheita.

Durante o curso são passadas atividades para colocar em prática aquilo que o aluno está aprendendo. Desta forma, na próxima aula todos podem tirar dúvidas e comentar sobre possíveis dificultades que estejam tendo. Mais do que simplesmente um curso, é também uma consultoria online com um profissional especializado.

Ao final do curso os alunos estarão capacitados a cultivar seu próprio alimento orgânico, desenvolendo um contato maior com as plantas e economizando para sempre nas compras do mês.

Foi criado um grupo de estudos específico  para o curso no Facebook, para que os alunos possam trocar experiências e receber orientações durante e após o curso.

Valor e inscrições

Valores a partir de 11/04/2017:

  • Valor integral: R$ 198,00.
  • Parcelado em 03 vezes de R$ 79,00.

Pagamento por depósito em conta. Dados da conta enviados por email, após a inscrição.

[ CLIQUE AQUI PARA SE INSCREVER ]

É necessário o envio dos comprovantes de depósito para confirmar as inscrições, até 20/05/2017, por email: tudosobreplantas@gmail.com

A prioridade nas inscrições foi dada a todos que responderam a pesquisa do curso.

RESTAM POUCAS VAGAS!
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Sobre o AUTOR

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O gestor do projeto Tudo Sobre Plantas, Anderson C. Porto, possui mais de 10 mil horas de experiência no cultivo de hortas orgânicas e plantas em geral.

Formado em Tecnologia em Processamento de Dados, pela FACHA-RJ, em outubro de 2002 começou o projeto Tudo Sobre Plantas criando um grupo de estudos sobre plantas, e desde então vem cadastrando informações e fotos de espécies nativas ou exóticas cultivadas em um banco de dados de acesso público e gratuito na Internet.

Durante todos esses anos já ministrou cursos e workshops de plantio, cultivo de bonsai e instalação de irrigação automática.

Possui formação técnica em produção de mudas, implementação de floriculturas, sistemas produtivos, manejos culturais e recuperação de nascentes. É autodidata em poda de frutíferas, cultivo de bonsai, reaproveitamento e economia de água, instalação e manutenção de sistemas de irrigação por gotejamento e aspersão, berçários de germinação de sementes, compostagem acelerada e utilização de areia em substratos. Fora a paixão por fotografia.

Como desafio, durante os últimos 5 anos desenvolveu técnicas específicas para o plantio com areia, compostagem acelerada e cultivos visando a economia de água. O curso atual é um resumo desta experiência.

É o atual gestor da fanpage do projeto Tudo Sobre Plantas no Facebook:
https://www.facebook.com/tudosobreplantas/

+ informações por email: tudosobreplantas@gmail.com

Bom curso a todos e todas!

A Revolução Verde e o Problema do Nitrogênio no Solo

O PROBLEMA DO NITROGÊNIO NO SOLO

Ana Primavesi

Nitrogênio é o adubo químico mais usado, sempre tentando aumentar a massa verde e nunca a saúde vegetal e nem sempre a produção de grãos. O adubo nitrogenado veio maciçamente com a Agricultura Convencional, que foi introduzida graças a uma combinação entre a indústria química e a mecânica. Foi capitaneado pelo prof. Borlaug e mediado pelo então presidente Kennedy (1961-63).

O problema da indústria era que possuía enormes estoques de produtos químicos altamente venenosos, e uma linha de produção para máquinas pesadas que ninguém necessitava mais porque a guerra terminara. E, se a indústria ia à falência, os EUA afundariam numa crise que poderia ser de difícil recuperação.

Foi combinado assim que a agricultura compraria químicos e máquinas das indústrias, e estas, uma vez recuperadas, iriam pagar impostos elevados. Com todas estas despesas, a agricultura convencional obviamente não iria mais ter lucros e até trabalhar no vermelho, mas o Governo se comprometia a devolver à agricultura parte destes impostos em forma de subsídios, dando início a uma “agricultura subsidiada” combatida em vão pelo governo brasileiro, uma vez que esquece a razão do subsídio.

Instaurou-se a famosa “Revolução Verde”. Para os EUA e Europa, que tinham o problema da indústria, era a solução milagrosa. Indústria e países recuperaram-se rapidamente, mas a agricultura familiar tinha de ser trocada pela agricultura industrial para dar espaço às máquinas..

Milhões e milhões de pessoas migravam do campo para as cidades, onde as indústrias as esperavam ansiosamente. Iniciou-se a época de êxodo rural e o crescimento gigantesco das cidades. Era o início da “sociedade de serviço”. E como este convênio era até milagroso para a indústria química e mecânica, ambicionou-se mais. Resolveu-se levar a Revolução Verde também para o Terceiro Mundo, que nesta época, estava em pleno desenvolvimento.

Milhares de “técnicos” americanos se espalharam pelo mundo afora e incutiram em todos as maravilhas da Revolução Verde, e por mais de 10 anos os EUA treinaram os técnicos do Terceiro Mundo gratuitamente nesta agricultura. E até fundaram-se no Terceiro Mundo organizações estatais, como a EMATER para introduzir a Revolução Verde. (Esta reconheceu seu erro e atualmente luta pela Agricultura Orgânica.)

Como o Terceiro Mundo não era o dono destas fábricas, ele tinha que comprar tanto os químicos como as máquinas pesadas, com créditos que o Primeiro Mundo lhes concedia generosamente a juros entre 20 a 25% por ano, endividando os países violentamente.

Para eles, a Revolução Verde tornou-se somente um dreno permanente de todas as riquezas dos seus povos, fluindo para os países do Norte. Também no Sul a população rural tinha de migrar às cidades graças às máquinas, mas como não possuíam indústrias que a esperavam, foram acolhidos somente pelas favelas. E enquanto o Primeiro Mundo enriqueceu, o Terceiro Mundo entrou num ciclo de miséria do qual, até hoje, não conseguiu sair ainda. A Revolução Verde salvou a industria do Primeiro Mundo mas endividou horrivelmente o Terceiro Mundo.

Como foi introduzido

O primeiro passo da Revolução Verde era matar os solos: pela calagem corretiva – a aração profunda – e a adubação nitrogenada.

Por quê?

Porque isso acabou com toda matéria orgânica nos solos.E sem matéria orgânica os solos perderam sua vida, que sem alimento não podia existir, Os solos se desagregaram, compactaram e tornaram-se quase impermeáveis. A água das chuvas escorreu, causando erosão – enchentes – secas aos quais, atualmente, se juntam os ciclones e tufões. É um ciclo do qual não saímos ainda, ao contrário, que está piorando cada vez mais e levando muitas partes do Mundo à desertificação. Mas não se consegue produzir em solos mortos sem todo este pacote químico, mais irrigação. Finalmente os solos servem somente de suporte para as culturas, que praticamente se criam em “hidropônicos ao ar livre.”

Como os solos temperados são rasos (40 a 100 cm) e muito ricos (250 a 2.200 mmol) e os solos tropicais são profundos até muito profundos ( até 35 m) mas pobres ( 1-17 mmol na média as vezes chegando até 35 a 70 mmol), parece lógico que necessitam de manejo distinto. Porém, até agora, foram tratados segundo o manejo dos solos temperados.

O que sacudiu o Mundo após a introdução da Revolução Verde eram os desmatamentos em grande escala, a fim de poder instalar as agroindústrias onde atualmente tem umas com tamanho de até quase 300.000 ha e cuja mecanização é total: trabalham com tratores teleguiados, sem tratorista e com análises químicas e adubação já feitos ao passar dos tratores. Mas nem no laboratório, nem no campo a análise química considera o estado do solo ( agregado, com lajes duras, compactado) nem a possibilidade de absorção pelas raízes, que não somente depende do estado físico do solo mas também do equilíbrio entre os nutrientes.

O nitrogênio do adubo químico não é estável no solo, sendo lixiviado quando em forma de nitratos e nitritos ou se perde para o ar, quando em forma amoniacal ou em estado elementar, Também não considera-se que com o aumento da temperatura pelo aquecimento do Globo os nutrientes Ca – Mg – Cu – B se tornam de difícil absorção.

Pelas deficiências minerais, existentes ou introduzidas, uma adubação elevada com N em forma amoniacal, por exemplo(que pode ser aplicada ou induzida pela falta de oxigênio no solo), resulta na deficiência de Cu, Zn, Mn e a toxidez de Fe além da deficiência de K, Ca e Mg. Enquanto o N se perde para o ar, criam-se desequilíbrios minerais que predispõem as plantas a pragas e doenças.

Também aqui age-se muito sumariamente e combatem-se os parasitas sumariamente com “defensivos” de toxidez cada vez mais elevada. Poucos consideram que uma praga ou doença somente pode atacar uma planta quando sua enzima (bactérias possuem somente 1 enzima, insetos 2 e fungos podem ter até 4) consegue digerir a substância presente mas inacabada.

Não existe enzima nenhuma capaz de quebrar uma substância pronta, como proteínas, somente consegue digerir aminoácidos, ou polissacarídeos, somente conseguem quebrar monossacarídeos. E mesmo quando a planta morrer, suas substâncias completas têm de ser rompidas pelas próprias enzimas da planta, para que depois insetos e micróbios possam fazer a decomposição.

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Fica óbvio que cada praga ou doença é ligada a uma deficiência : p.ex. Oídio – B , Antracnose – Ca , Brusone – Cu etc. que impede o acabamento de uma substância completa.

As deficiências podem existir : por causa da falta de um mineral nutritivo ou seu desequilíbrio pelo excesso de outro mineral, por ex., uma adubação elevada com nitrogênio provoca p.ex. Botrytis em videiras, Puccinia em cereais, Erwinia em batatinhas, Alternaria em tomates, Pseudomonas em fumo etc.(Bergmann, 1976). E em lugar de combater a deficiência mineral induzida, combate-se a doença por agrotóxicos, que, por sua vez, em base de algum mineral, produzem outros desequilíbrios e outras doenças.

A degradação ambiental, não somente graças ao desmatamento mas também pela lavração do solo e sua exposição ao sol e o impacto das chuvas levou à erosão – enchentes e rios secos (por causa da deficiente infiltração de água no solo os mananciais subterrâneos ficaram vazios).

Por outro lado, a adubação de pastagens com elevada quantidade de nitrogênio produz no segundo ano um pasto exuberante e no terceiro ano uma decadência violenta. Isso porque as forrageiras formam somente raízes superficiais , pequenas, que não conseguem reabastecer seu estoque de nutrientes e morrem finalmente de exaustão, uma vez que o nitrogênio leva a um crescimento forçado. Nitrogênio não é um nutriente isolado, mas somente um dos nutrientes que a planta precisa. E quando o pasto entra em degradação assenta-se não somente a erosão mas também cupins.

Existe uma diferença muito grande entre o Nitrogênio químico e orgânico. O nitrogênio químico sempre contribui para o desaparecimento de matéria orgânica por aproximar a relação C / N, e consequentemente promover sua eliminação por micróbios que leva a decadência e compactação do solo. O nitrogênio orgânico, tem como pré-requisito a vida microbiana, que agrega o solo.

Nenhum processo no solo ocorre isolado. Tudo é interligado como o ciclo da vida. A planta capta luz e gás carbônico e absorve água do solo e com isso forma a primeira substância um açúcar simples ( plantas C-3 ) ou um ácido orgânico como o málico.(plantas C-4). As folhas que morrem cobrem o solo, servem aos micróbios de alimento e recambiam os minerais ao solo. Conforme o solo será a raiz, abundante em solo bem agregado ou retorcida e pequena em solo compactado.

Geralmente supõe-se que os micróbios do solo são independentes e somente depende ter um germe e já se desenvolvem. Mas não é bem assim. Nenhuma bactéria ou fungo nasce em solo que não é apropriado.

O nitrogênio acrescido pelo adubo não é estável no solo, e as leguminosas não enriquecem o solo em nitrogênio como se acreditou que podiam comprovar com mais que 1.200 análises de solo com as mais diversas formas de matéria orgânica, a partir de leguminosas até simplesmente palha de arroz. E muitas vezes a quantidade de N no solo era maior após a palha de que após leguminosas. Por que?

Nenhuma planta é atacadista vendendo um produto como N. Cada uma somente fixa N para si mesma. E o que os micróbios não seguram é lixiviado ou perdido para o ar. E a palha às vezes deixou mais N no solo, porque forneceu mais matéria orgânica que não é “nutriente” para as plantas mas somente comida para a vida do solo, que fixa N do ar e mobiliza nutrientes vegetais até de sílica.

Assim cresce a mata Amazônica e assim produzem as culturas orgânicas em solos vivos. Em solos mortos a agricultura orgânica produz miseravelmente, (por isso necessita o “preço acrescido”) em solos vivos produz abundantemente ( 2 a 3 vezes mais do que a melhor agricultura química) e ainda sem nenhuma praga e doença.

A disponibilidade de N no solo depende das bactérias fixadoras (praticamente todos fixam) e seus fagos, especialmente nematóides (em solos mais úmidos) e protozoários (em solos mais secos) que “pastam” os micróbios e liberam seu nitrogênio. Assim, nematoides liberam 30% do N absorvido pelas plantas e de fagos que pastam fungos fornece-se o resto.

Solos vivos com vida intensa mobilizam nutrientes e fixam Nitrogênio do ar.

Microrganismos fixadores de N:

Simbiontes : como rizóbios, Bradyrizóbios, Azospirillo, etc.
Bactérias livres: como Azotobacter, Beijerinckia, Closatridium pasteurianum etc.
Somente 8,6 % das leguminosas nodulam.

Tem rizóbios noduladores e rizóbios endofitas (vivem na folha da planta) graças a estas no Brasil a cana-de-açúcar necessita somente 50 kg/ha de adubo nitrogenado, Nos outros países necessita de 150 a 300 kg /ha de adubo nitrogenado.

Como funcionam os rizóbios endofitas: (Seja ciente: a nodulação não é necesssária para fixar Nitrogênio) . Os rizóbios saem da raiz da leguminosa e entram na raiz da gramínea seguinte, p.ex. milho, trigo, arroz etc.(Dazzo, 2006). Eles sobem às folhas onde aumentam a fotossíntese e a atividade enzimática. Parece que no arroz do sistema SRI existem também rizóbios endofitas.

Micorrizas aumentam o espaço radicular das plantas pelos micélios. Em raízes onde existem micorrizas e rizóbios, os primeiros fortalecem as plantas enquanto os rizóbios , nas plantas mais fortes, são mais ativos. Inoculam as plantas com micorrizas porém o efeito depende da variedade de micorrizas – da espécie vegetal – e da nutrição vegetal. Mas micorrizas não necessitam ser inoculadas se as plantas são suficientemente abastecidas com os nutrientes mais essenciais para elas. p.ex. Milho =. Cu e Zn, / arroz = Cu, aveia =Mn, videira = B etc.

Não é somente importante a presença de N no solo mas especialmente sua transformação para proteínas. Cada proteína se forma de 3 aminoácidos em base de N e 1 em base de S. Mas nem todos os aminoácidos formam proteínas. Para isso necessita-se de Molibdênio (Mo) . Assim muitas vezes saúvas começam cortar folhas de uma roseira ou de uma árvore mas logo abandonam tudo e vão para outro lugar. Isso porque a jardineira que fez a análise das folhas avisou: estes não prestam, eles tem proteínas. E proteínas nenhuma fungo, bactéria ou inseto conseguem digerir. Não possuem enzima para isso. De modo que aplicando Mo num pasto, campo, plantação frutífera, bosque etc. Contribui-se para a formação de proteínas e impede que saúvas cortem suas folhas.

MOKITI OKADA diz: a substância base de toda vida é N – O – H. e que também Rudolf Steiner afirma. Mas como combina isso com o fato que a primeira substância que uma planta forma é um monossacarídeo C – O – H . :

Mas aí o mestre explica: “ Não existe vida sem proteínas, e não existem proteínas sem Nitrogênio.”

O segredo do solo tropical:

Como se explica que os solos mais pobres do Mundo, os amazônicos conseguem criar uma das florestas mais frondosas do Mundo? Se as leis de clima temperado valessem, seria uma região semi desértica. Mas ao contrário, é uma floresta frondosa. Como ?

O segredo da floresta equatorial é:

– solos vivos e ativos,
– biodiversidade máxima (muitas árvores exalam substâncias que impedem o
nascimento de suas próprias semente num raio de até 50 m.)
– proteção contra a insolação direta e o impacto da chuva. Somente 3 a 4% da luz solar
atinge o solo, e muitas vezes a chuva é interceptada pelas folhas, de onde evapora.
– proteção contra o vento (não existe vento nenhum dentro da floresta amazônica)
Sabe-se que o vento leva 51 até 67% da umidade, diminuindo drasticamente o crescimento vegetal. No Ceará, no semi-árido , onde têm bosques que impedem o vento, a agricultura vai bem.

A produção agrícola não é um fator isolado. Tudo na natureza é interligado . É a famosa “ TEIA DA VIDA”, tudo depende de todos. São leis rígidas e imutáveis. E quando queremos “melhorar” um fator rasgamos a Teia da Vida e tudo somente tende a piorar. As leis naturais são imutáveis, modificar é somente destruir. E a natureza se vinga. Assim o Nitrogênio orgânico é altamente benéfico, o químico sempre é destrutivo a médio prazo.

Assim, por exemplo, o aquecimento do nosso Globo não é somente pela camada de gases-estufa (CO2 , CH4, N2O). Gases são frios e não quentes. É pelos solos compactados e expostos ao aquecimento do sol (após uma aração, ou numa cultura capinada, tanto faz se é por herbicidas ou por máquinas). O solo aquece e o ar acima dele (até 74 oC). O ar sobe, até como tufão, esbarra na camada de gases e em lugar de se dissipar para o espaço, se distribui pelo Globo. O clima aquece.

Não é tanto por causa dos gases estufa produzidos por carros e aviões, arroz de água, lixo urbano, rebanhos de gado etc. mas é por causa da falta de florestas e uma agricultura que mantém os solos expostos por muito tempo. É a agricultura convencional que acaba com nossos solos, nosso clima, nossa água, nosso Globo.

Fonte: [ Ana Maria Primavesi ]

A Lavoura

por  Ana Maria Primavesi

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A Lavoura

A economia brasileira é alavancada e sustentada pela atividade agrícola. O país é visto como celeiro de alimentos para o mundo. A atividade agrícola iniciou o salto de desenvolvimento com a revolução verde (com máquinas ampliando a produtividade humana, adubos, defensivos, irrigação, sementes responsivas ao nitrogênio), seguido pela agricultura conservacionista (plantio direto na palha), e atualmente a agricultura digital (de precisão), em que as máquinas são dirigidas por computadores, orientados por satélites. E certamente existe a certificação de boas práticas de manejo e a rastreabilidade para segurança do consumidor.

Os problemas ambientais como plantas daninhas, pragas, estresse hídrico, estresse térmico, estresse salino e diversos outros estresses, recebem o aporte de tecnologias desenvolvidas pela engenharia genética, que garante ser solução de ponta para esses problemas.

Porém, as fábricas de proteínas, carboidratos, fibras e energia, as plantas, continuam tendo raízes. Raízes que representam figurativamente os intestinos (por onde absorvem água e nutrientes) e, junto com o colo, que seria os pulmões (absorvem oxigênio para a respiração) das plantas. O estômago seria constituído pela rizosfera, onde nutrientes são disponibilizados, sendo afetados pelo pH (acidez). E este trato digestivo e pulmonar das plantas, necessita de um substrato úmido, aerado, fresco, com um limite de salinidade e de acidez. Ou seja, um solo agregado, permeável, vivo (com intensa atividade biológica).

Para que isso ocorra necessita de tripla proteção permanente (dossel vegetal; serapilheira ou restos vegetais ou cobertura morta ou mulch; e trama radicular abundante na superfície e em profundidade), contra insolação excessiva, impacto das gotas de chuva tropical, e com bom teor de matéria orgânica, que é fonte de energia para essa vida do solo, e também atua como se fosse a fibra para dar funcionalidade ao trato digestivo das plantas, às raízes e à rizosfera.

Sistematicamente, com cada avanço tecnológico, o solo vem sendo relegado ou mesmo eliminado do planejamento de gestão da propriedade. Na revolução verde proibia‐se o uso de adubos orgânicos. E aconselhava‐se que os restos vegetais deveriam ser incorporados profundamente ou fornecidos como alimento ao gado bovino, ou mesmo sendo utilizado como fonte de energia industrial ou simplesmente queimados.

Veio o sistema plantio direto na palha. Com esse sistema foram eliminadas gradativamente as práticas mecânicas de conservação de solo e de água. E conforme a região, e com a possibilidade de se realizar mais de um cultivo por ano, foi desaparecendo o cuidado pela produção de palhada para proteger osolo, e alimentar a vida do solo.

Atualmente não se diz mais plantio direto na palha, mas simplesmente plantio direto, onde o que importa são as máquinas, os herbicidas e os cultivares resistentes aos herbicidas. Como consequência o solo, sem retorno adequado de material orgânico e sem sua conservação adequada, degrada, compacta, encrosta, erode, esquenta e resseca, amplia os estresses hídricos e térmicos para os cultivos, e aumenta a incidência de pragas e de patogenias. O produtor ou empresário rural vê a solução no uso dos agroquímicos, na engenharia genética, e na robótica teleguiada.

E o solo?

Antes, abandonava‐se uma área de solo degradado, improdutivo, por uma nova área de cultivo. Mas estas novas áreas, sob mata nativa, também estão acabando, por conta da degradação, da urbanização, da mineração a céu aberto, da submersão por lagos artificiais de hidrelétricas. Soluções modernas aparecem. De Nova Iorque vêm notícias de fazendas hidropônicas em edifícios (vertical farm). Da Holanda vêm notícias de fazendas hidropônicas flutuantes (floating farms). Não se precisa mais de solo. Será? Os solos bons e férteis servem para serem urbanizados.

Acredito que neste ponto seria interessante resgatar a lembrança sobre a verdadeira necessidade e função do solo. Muitos chamam‐no pejorativamente de pó (na seca) e barro (nas chuvas), que tudo emporcalha.

Com o advento da ideia da agricultura sustentável, o solo de referência geralmente citado é o da mata virgem, do ambiente natural clímax. Mas acredito que o referencial mais lógico e impactante seria o do ambiente natural primário, em que predomina a rocha exposta. Aí não tem solo. Nem água residente, nem lençol freático. As amplitudes térmicas e hídricas são extremas. Tem água somente quando chove. As chuvas são torrenciais. Os ventos e brisas que levam umidade são mais intensos. É um ambiente inóspito para a vida superior e a produção de biomassa. Não ocorrem os chamados serviços ecossistêmicos, ou seja, não há estruturas nem processos naturais para garantir a produção de biomassa.

A estratégia inicial da natureza para transformar esse ambiente natural primário em natural clímax foi o de reter a água das chuvas. Para isso, foi preciso primeiramente produzir algo como uma esponja, construir o que chamamos de solo permeável e com capacidade de armazenar água, a partir da degradação das rochas. Para tanto designou os líquens (algas+fungos) a iniciarem os trabalhos de desmonte das rochas. Os líquens utilizavam o artifício da cor clara (albedo alto) para refletir a radiação solar e evitar o aquecimento exagerado do substrato. Os líquens mortos foram a primeira matéria orgânica visível na formação dos solos, e de sua proteção. Era preciso proteger a superfície.

Conforme a camada de solo ia sendo formada, aumentava a água residente. Foi estabelecido o lençol freático. Havia água para as plantas superiores fora do período das chuvas. A função primeira do solo é captar e armazenar água das chuvas de forma disponível. É a água residente. Plantas pioneiras de diversas espécies foram se estabelecendo. E conforme o solo ia aprofundando, e sendo colonizado por plantas diversificadas, foi diversificando a vida associada às plantas e a vida do solo. É que as exsudações radiculares (como de açúcares e aminoácidos) e os restos vegetais serviam de fonte de energia para estes seres de vida livre, e também para os simbióticos. Mais água era captada e armazenada. Esse novo ambiente emergente, num desenvolvimento construtivo, sintrópico, permitia o aparecimento de novos seres, novas espécies. As cadeias alimentares formavam teias alimentares, aumentando a resiliência ou estabilidade da vida nos ecossistemas.

Os organismos do solo servem para dar continuidade aos processos químicos de construção da estrutura agregada, grumosa, do solo, que permite a circulação fácil de água e de ar (oxigênio, produzido pelas partes verdes dos vegetais durante a fotossíntese), bem como o desenvolvimento das raízes. E ainda servem para auxiliar na nutrição mineral e orgânica das plantas. Mas para isso precisam de material orgânico na superfície do solo, a serapilheira, em condições aeróbicas.

Sim, material orgânico bruto, não estabilizado biologicamente, na superfície do solo, em contato com o solo, e não enterrado. Este material poderia ser misturado com a terra superficial, até no máximo de 5 cm. Os organismos do solo degradam o material orgânico, sendo que nas etapas iniciais bactérias celulolíticas produzem gomas que auxiliam na colagem de partículas minerais floculadas quimicamente, e posteriormente fungos que vão atrás da energia dessa goma bacteriana enlaçam esses agregados, estabilizando‐os contra a ação dispersante da água. Mas esse processo, realizado por material orgânico bruto, não compostado, necessita ser renovado continuamente ao longo do ano.

Por isso da importância de manter o solo constantemente vegetado, preferencialmente de forma diversificada, com suas atividades radiculares e produção de restos vegetais para proteger a superfície do solo. A diversificação é necessária para diversificar a atividade biológica e assim dar estabilidade à teia alimentar e garantir a porosidade do solo. Por isso se diz que solo não vegetado deixa de ter a função primeira de solo. Volta às condições impermeáveis de uma rocha. Perde a capacidade de captar e armazenar água.

Neste desenvolvimento construtivo, verifica‐se o aparecimento de diferentes estruturas e processos, ou serviços ecossistêmicos vitais para a vida superior e a capacidade de produção de biomassa ou culturas com sua vida associada, como bactérias, fungos, insetos como abelhas, borboletas, besouros, formigas, bem como também pássaros, mamíferos e outros. A natureza finaliza esse processo construtivo de ecossistemas naturais clímax com árvores, tanto faz se o ambiente é quente ou frio. As árvores esquentam ambientes frios (por conta da cor escura das folhas) e esfriam ambientes quentes (por conta da transpiração), além de atuarem na umidificação do ar e na atenuação das temperaturas e amplitudes térmicas, tornando o ambiente mais hospitaleiro para a vida superior.

Assim, quando se domestica o ecossistema natural clímax para transformá‐lo em agroecossistema, deveria ser considerada, planejada, a manutenção da infraestrutura natural mínima para captar e armazenar água das chuvas, manter um ambiente saudável para o trato digestivo das plantas, manter estável a estrutura estabilizadora do microclima favorável à produção vegetal e ao funcionamento dos insumos empregados. Isso seria considerar princípios ecológicos de boa produção. Pertence ao rol das boas práticas de manejo agrícola. Garantindo a produção sustentável, do ponto de vista ambiental.

Quando se desconsidera esses aspectos biológicos, priorizando os aspectos químicos e talvez também os físicos do solo (mas não os biofísicos), pratica‐se uma agricultura mineradora, uma regressão ecológica, de volta às características ambientais primárias inóspitas à produção, por mais tecnologia que se queira aplicar para substituir os serviços ecossistêmicos essenciais. Seria como o de um ambiente urbanizado, sem áreas verdes, impermeabilizado, quente e seco, inóspito, causador de alergias, viroses e muitas doenças. Lembram-se dos povos que sumiram da história? Dos sumérios, egípcios, etruscos, gregos, romanos, incas, astecas, mongóis e hunos? Foram arrasados porque se esqueceram dos campos. Cidades vivem do campo. É a terra que as mantém.

Assim, manter o solo protegido superficialmente com material orgânico não é uma necessidade somente para a agricultura orgânica, mas vale mais ainda para a agricultura industrial, digital. Ainda mais sabendo‐se que a matéria orgânica do solo, em nossas condições tropicais, é responsável por 60 a 80% da capacidade de troca catiônica do solo, ou seja, consegue estocar os adubos aplicados de forma disponível para as plantas, reduzindo os prejuízos do produtor rural. Porque não adianta colocar adubo em um solo parcialmente morto, que a planta não vai conseguir usar, pois é exatamente essa microvida, alimentada pela matéria orgânica, que mobiliza os nutrientes necessários à cultura.

Visto isso, parece lógico que deveremos praticar uma agricultura conservacionista, de preferência agrossilvipastoril, em que o plantio direto volte a ser na palha, que aumenta a rugosidade do terreno, e que a quantidade e qualidade da palha seja o astro principal do sistema de produção. O estabelecimento de curvas de nível e de terraços de base larga também são necessários em terrenos mais inclinados, pois aí a palha segura muito bem o solo mas não toda a água, que é retida por rugosidades mais fortes do terreno. Deve‐se lembrar, solo sem cobertura vegetal permanente e diversificada (incluindo as árvores estrategicamente alocadas para interceptar a água das chuvas cada vem mais intensas), deixa de ter a função primeira, que é a de captar e armazenar água, o mineral mais importante para o sucesso e a sustentabilidade de nossa agricultura, a saúde de nosso povo. Solo cuidado com matéria orgânica fornece alimento nutricional funcional, conserva os solos propiciando seu cultivo ilimitado e a continuidade da vida no planeta.

Fonte: [ Ana Maria Primavesi ]