Estudo: ingredientes da maconha podem combater bactérias

Pesquisadores na Itália e no Reino Unido constataram que o principal princípio ativo da maconha, o tetraidrocanabinol, ou THC, bem como compostos a ele relacionados, demonstram resultados promissores como agentes antibacterianos, especialmente contra variantes de micróbios que já se provaram resistentes a diversas outras variedades de medicamentos.

Sabe-se há décadas que a Cannabis sativa tem propriedades antibacterianas. Experiências conduzidas nos anos 50 testaram diversos preparados de maconha contra infecções de pele e outras, mas os pesquisadores não dispunham, à época, de compreensão aprofundada sobre a composição química da maconha.

As atuais pesquisas, comandadas por Giovanni Apendino, da Universidade de Leste do Piemonte, e colegas, publicadas pelo Journal of Natural Products , avaliaram as propriedades antibacterianas dos cinco canabinóides mais comuns.

Todos eles se provaram efetivos contra diversas variantes de bactérias resistentes a múltiplos tratamentos, ainda que, talvez compreensivelmente, os pesquisadores tenham ressalvado que canabinóides desprovidos de efeitos psicotrópicos poderiam se provar mais promissores para futuro uso prático.

Os pesquisadores afirmam não ter determinado até o momento de que maneira os canabinóides trabalham ou se eles seriam efetivos, já que antibióticos sistêmicos requereriam muito mais pesquisa e testes. Mas os compostos podem vir a se provar úteis mais cedo do que o previsto, como agente tópico para o tratamento do Staphylococcus aureus, ou MRSA, um vírus resistente a meticilina, com o objetivo de prevenir a colonização da pele por micróbios.

(The New York Times)

Fonte: [ Terra Online ]

Investigadores portugueses comprovam efeitos terapêuticos em plantas medicinais de São Tomé

Lisboa, 23 Jun (Lusa) – Uma equipa científica portuguesa comprovou efeitos anti-bacterianos e anti-fúngicos em 75 por cento de um conjunto de 50 plantas medicinais usadas por terapeutas tradicionais para combater infecções em São Tomé e Príncipe.

Estes dados constam do livro “Estudo Etnofarmacológico de Plantas Medicinais de S. Tomé e Príncipe”, que será apresentado terça-feira no jardim Botânico Tropical, em Lisboa, pela coordenadora da equipa, Prof. Maria do Céu Madureira, do Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz.

“Os resultados do estudo comprovam a veracidade da utilização empírica e o potencial farmacêutico dessas plantas”, disse a investigadora à agência Lusa.

Entre as plantas em causa, cujas características químicas e farmacológicas estudou, Maria do Céu Madureira destacou a Tithonia diversifolia, chamada localmente girassol (“parecida com o girassol mas muito mais pequena”), com comprovada actividade anti-malárica.

Foram também encontradas espécies com actividade anti-viral comprovada “in vitro” na replicação do VIH (vírus da imunodeficiência humana) e contra os vírus herpes simplex e da hepatite B, nestes casos “in vivo” – salientou.

Este trabalho insere-se no Projecto Pagué (“Papagaio” em português e o nome de um distrito da ilha de Príncipe), que consiste na recolha e investigação etnofarmacológica de plantas medicinais por farmacêuticos e botânicos portugueses com a colaboração do Ministério da Saúde de São Tomé e Príncipe.

As receitas do livro revertem na totalidade para a melhoria das condições de vida e de trabalho de três terapeutas tradicionais santomenses (Sum Pontes, Sum gino e Sum Costa), que trabalharam mais directamente com os investigadores, facultando os seus conhecimentos, sendo por isso seus co-autores.

“Os terapeutas tradicionais são pessoas com muita experiência, alguns com mais de 80 anos, que dedicam as suas vidas a cuidar de outras pessoas, muitas vezes sem receberem nada em troca, e vivendo em condições muito precárias”, disse a investigadora.

O livro, que já foi lançado em S. Tomé e Príncipe a 21 de Março, com a presença do ministro da Saúde santomense, Martinho do Nascimento, regista informações recolhidas junto de alguns dos mais conceituados terapeutas tradicionais em exercício nas duas ilhas, e que são muito procurados para acudir a vários tipos de doenças, principalmente a malária e outras doenças infecciosas, nomeadamente infecções das vias respiratórias, dermatológicas e do tracto urinário e gastrointestinal, entre muitas outras.

“As preparações tradicionais consistem em infusões, decocções ou macerações aquosas de cascas ou raízes deixadas numa garrafa de um dia para o outro”, referiu. “Podem também fazer macerações com bebidas alcoólicas, como aguardente ou vinho de palma, e há casos de misturas complexas em que chegam a juntar três, quatro ou cinco plantas” – acrescentou.

Os dados recolhidos nesta obra resultaram de um trabalho de três anos iniciado em 2002 por um primeiro grupo de jovens investigadores farmacêuticos (Ana Fernandes, António Gonçalves, Cátia Fernandes, Carlos Catalão, Jaime Atalaia, Jorge Vieira e Verónica Gaspar) e que foi financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian, estando um segundo grupo, ainda sem financiamento, a trabalhar desde 2005 no estudo de mais 80 espécies de plantas recolhidas nas ilhas.

Com financiamento da Cooperação Portuguesa, através do IPAD (Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento), está na forja a publicação um livro mais centrado na medicina tradicional, que coligirá em cerca de 500 páginas todos os conhecimentos recolhidos ao longo de 15 anos de estudos etnofarmacológicos realizados em São Tomé e Príncipe por Maria do Céu Madureira e os seus colegas Ana Paula Martins e Jorge Paiva.

“Será uma Bíblia da medicina tradicional, isto é, uma verdadeira farmacopeia tradicional”, disse em síntese.

Questionada pela Lusa sobre o eventual interesse farmacêutico na investigação e desenvolvimento de novos medicamentos com base nas plantas estudadas, a cientista considerou que tudo “dependerá do empenho das autoridades e da própria indústria, uma vez que há excelentes exemplos recentes de desenvolvimento de novos medicamentos pelas indústrias portuguesas”.

O objectivo do livro, salientou, é contribuir para a resolução de problemas de Saúde específicos de S. Tomé e Príncipe e de outros países em desenvolvimento, incentivando a criação de riqueza através do aproveitamento racional dos recursos locais em plantas medicinais.

Mas é também “um potencial reservatório de conhecimentos que podem ser utilizados em prol de toda a humanidade, se existirem estudos subsequentes que permitam o desenvolvimento de novos fármacos” – concluiu.

CM

Fonte: [ LUSA – Agência de Notícias de Portugal, S.A. ]

Repórter obtém receita médica de maconha para ‘ansiedade’ na Califórnia

Com mais de 200 farmácias de maconha medicinal operando legalmente na região, os traficantes de rua ficaram obsoletos.

O consumo de maconha é proibido pelo governo federal nos Estados Unidos, mas a erva pode ser receitada para uso medicinal por pacientes sofrendo de doenças graves no Estado da Califórnia.

Os benefícios da cannabis para doentes com câncer, Aids, artrite, esclerose múltipla e outras condições debilitantes são amplamente documentados. Segundo os usuários, ela torna os sintomas mais suportáveis.

Estima-se que cerca de 250 mil californianos possuam receitas que os autorizam a consumir o que se entende como “maconha medicinal”.

Mas não é preciso sofrer de doenças terminais para conseguir uma receita. Depois de fazer uma busca no site de pesquisas Google digitando as palavras “medicinal marijuana” e “Los Angeles”, obtive uma longa lista de clínicas onde “pacientes qualificados” podem obter uma recomendação médica autorizando-os a usar maconha legalmente.

Uma das clínicas, o 420 Evaluation Centre, localizado em San Fernando Valley, um subúrbio de Los Angeles, oferecia um desconto de US$ 25 para novos pacientes. O termo 420 é uma gíria local para maconha.

Consulta

Marquei uma consulta. Ao chegar, paguei US$ 100 e preenchi um questionário com dados pessoais. Em uma seção do questionário, respondi perguntas sobre minha condição.

De acordo com as regras, o paciente deve estar sofrendo de doenças graves ou sentindo dor crônica para se qualificar. O melhor que pude imaginar foi escrever que sofro de ansiedade. Afinal, sou do tipo ansioso.

O médico, um vietnamita que se apresentou como doutor Do, tomou meu pulso, mediu minha pressão sangüínea e perguntou há quanto tempo eu me sentia ansioso. “Há vários anos”, respondi.

“Você sofre de ataques de pânico?”, perguntou o médico. “Não”. Do escreveu “ataques de pânico” em seu livro de anotações.

Depois de passarmos alguns minutos falando sobre a culinária asiática, Do assinou uma receita para maconha medicinal, válida por um ano.

Caverna de Aladim

Com mais de 200 farmácias de maconha medicinal operando legalmente na região, os traficantes de rua ficaram obsoletos.

O governo do Estado, por sua vez, está satisfeito, já que sua fatia de impostos está garantida.

Ainda assim, com algumas farmácias instalando máquinas automáticas para lidar com pacientes fora do horário comercial, é difícil você não se perguntar se a situação não estaria correndo o risco de virar uma comédia.

A uma distância curta da clínica fica uma das lojas preferidas dos usuários, votada “farmácia do ano” por uma das revistas lidas pela comunidade de maconheiros. A publicação mais famosa intitula-se High Times.

A loja é uma verdadeira Caverna de Aladim dos narcóticos. Sob o balcão de vidro, estavam dezenas de variedades de cannabis em potes de plástico. Ao lado, um arsenal de objetos usados no consumo, entre eles, cachimbos.

Fumar e tragar

As variedades tinham nomes exóticos, como Sonho Azul e Devastação do Super Trem (em tradução livre).

Para sintomas como ansiedade, o atendente recomendou uma variedade conhecida como Travesseiro Púrpura. A receita não estipulava quantidade.

“Quanto devo usar?”, perguntei. Pego de surpresa, o vendedor respondeu: “Acho que você poderia começar tragando duas ou três vezes e ver o que acontece”.

Eu não comprei a maconha e estou pensando em, um dia, colocar minha receita em uma moldura e pendurá-la na parede.

Nesse meio tempo, parafraseando (o ex-presidente americano) Bill Clinton, se eu fumar, certamente não vou tragar.

Fonte: [ O Globo Online / BBC Brasil ]

Gil envia ao Iphan pedido para reconhecer ayahuasca como patrimônio cultural

da Folha Online

O ministro da Cultura, Gilberto Gil, vai encaminhar ao Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) um pedido de reconhecimento do uso do chá ayahuasca em rituais religiosos como patrimônio imaterial da cultura brasileira.

A bebida é produzida a partir da fervura de duas plantas nativas da floresta amazônica –um cipó e folhas de um arbusto– que têm efeito alucinógeno.

A solicitação foi entregue ao ministro nesta quarta-feira (30), em Rio Branco (AC), em documento assinado por representantes de três das principais doutrinas ayahuasqueiras –Alto Santo, União do Vegetal e Barquinha.

No encontro, Gil destacou que as religiões que utilizam o chá ayahuasca (também conhecido como vegetal ou hoasca) são traços importantes da cultura religiosa brasileira.

– Neste caso, específico, acrescenta-se o afeto em relação a outra dimensão importantísssima para a vida, que é a natureza”, disse o ministro.

Gil disse que o Iphan, órgão do Ministério da Cultura, vai examinar “com todo zelo, carinho e responsabilidade” a solicitação.

Fonte: [ Folha Online ]

Estudo: maconha desacelera efeitos de Alzheimer

[img:5nov00.jpg,full,alinhar_esq_caixa]Espanha – Uma equipe de pesquisadores israelenses e espanhóis descobriu recentemente novos efeitos positivos da maconha no tratamento de pacientes com mal de Alzheimer, informa a agência Ansa.

Os resultados, obtidos por meio de experimentos com ratos, mostraram que o cannabidiol (também conhecido como CBD) – uma das substâncias psicoativas da cannabis – pode desacelerar a perda da memória durante o desenvolvimento da doença.

O estudo foi apresentado formalmente em um congresso sobre a cannabis, organizado em Londres pela Royal Pharmaceutical Society of Great Britain.

Tony Moffatt, que liderou a reunião, afirmou que foram alcançados grandes avanços nas pesquisas sobre a maconha nos últimos dez anos. “Há um grande interesse sobre os efeitos benéficos da cannabis e das substâncias ligadas a ela, no que diz respeito a uma série de distúrbios relacionados à artrite, à esclerose múltipla e até à dor”, explicou.

A pesquisa foi acolhida com reservas por outros especialistas que apontam para os efeitos potencialmente opostos do THC, outro princípio ativo da cannabis.

As informações são do Terra

Fonte: [ O Dia Online ]

FAG inaugura Horto de Plantas Medicinais

Neo Gonçalves (CGN)

A Faculdade Assis Gurgacz (FAG) inaugura amanhã (24), às 9h30, o Horto de Plantas Medicinais em sua Fazenda-Escola. A iniciativa foi incentivada pela parceria firmada entre a faculdade e o programa Cultivando Água Boa, da Itaipu Binacional.

O horto servirá para as aulas práticas e projetos de extensão dos cursos de Agronomia, Ciências Biológicas, Farmácia e Enfermagem. Um dos projetos é o de Produção Integrada de Plantas Medicinais, coordenado pelo professor dos cursos de Ciências Biológicas e Agronomia, Renato Cassol de Oliveira.

O professor considera que o horto não ajudará somente as atividades acadêmicas. “O nosso objetivo é suprir com plantas medicinais tanto os cursos que se utilizarão delas para as suas práticas e projetos de extensão quanto a comunidade em geral”, detalha.

A coordenadora de Estágios de Farmácia, professora Patrícia Stadler Rosa Lucca, destaca que, além de distribuir mudas, o horto servirá também como um espaço onde serão dadas orientações sobre o uso adequado das plantas medicinais. “Nossa proposta é criar uma ponte entre o conhecimento científico e a sabedoria popular”, frisa.

Fonte: [ Central Gazeta de Notícias ]

Plantas Medicinais: uma cientista que aposta na sabedoria popular

[img:1192745285.jpg,full,alinhar_esq_caixa]Faz mais de 20 anos que a professora Alba Regina Monteiro Souza Brito investiga o princípio ativo de plantas medicinais, sobretudo contra doenças gastrointestinais.

Além de coordenar o Laboratório de Produtos Naturais do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp, a docente está à frente de um projeto temático da Fapesp envolvendo espécies que nascem tanto na Mata Atlântica como no Cerrado do Estado de São Paulo.

Alba Brito é uma cientista altamente credenciada que põe fé na sabedoria popular. Se buscasse plantas ao acaso, penaria para encontrar aquelas com atividades terapêuticas. Indo diretamente às plantas de uso popular, a atividade é quase uma certeza. “Quando não consigo detectar a atividade farmacológica é porque meu modelo de análise ou a dosagem são inadequados. Nesses vinte anos, a margem de acerto tem sido muito grande”.

Alba Brito é uma cientista altamente credenciada que põe fé na sabedoria popular. Se buscasse plantas ao acaso, penaria para encontrar aquelas com atividades terapêuticas. Indo diretamente às plantas de uso popular, a atividade é quase uma certeza. “Quando não consigo detectar a atividade farmacológica é porque meu modelo de análise ou a dosagem são inadequados. Nesses vinte anos, a margem de acerto tem sido muito grande”.

“Na análise química destas plantas, as substâncias encontradas são as mesmas, como por exemplo, aquelas dos gêneros Byrsonima, Anacardium, Qualea, Hancornia, Alchornea, Mouriri e Strychnos, todas elas ativas em modelos experimentais de úlceras gástricas. Ou seja: além de funcionar, elas têm o mesmo constituinte químico em sua grande maioria”, assegura.

A pesquisadora crê na teoria de William Irwin Thompson, segundo a qual as plantas medicinais geralmente pertencem a famílias com grande número de gêneros e de espécies, como das leguminosas e compostas. “A população pobre de áreas isoladas apanha as plantas mais facilmente encontradas ao seu redor. Ela não tem como percorrer longas distâncias”.

Thompson prega, também, que os homens descobriram as plantas medicinais por experimentação direta, seguindo seu instinto, tal como o cão vira-lata que mastiga capim depois de se dar mal com a comida. “Plantas amargas, como o boldo (Peumus boldus Mol.), possuem catequina e servem para problemas gástricos. Houve alguém que amassou a folha de boldo, cheirou, experimentou e percebeu que sanava aqueles problemas”.

Da mesma forma, as informações sobre espécies tóxicas ou alucinógenas foram sendo passadas de um para outro, levando ao conhecimento tradicional tão presente no Nordeste, Norte e Centro-Oeste. “No Estado de São Paulo, constatamos o uso de plantas medicinais apenas por migrantes de outras regiões do país e por caiçaras. A maioria dos paulistas perdeu essa cultura”.

LIVRO

O projeto temático no âmbito do Programa Biota/Fapesp, coordenado pelo professor Wagner Vilegas (Unesp de Araraquara) e por Alba Brito, começou em 2004 e termina em julho do próximo ano. Esta parceira entre Unicamp e Unesp já trouxe resultados significativos na investigação de plantas com atividades antiúlceras gástricas, antioxidante, analgésica, antiinflamatória, anti-tuberculose e anti-câncer.

O relatório final será entregue juntamente com um livro que deverá se tornar referência para os estudiosos de plantas de uso popular. “A publicação vai trazer todos os aspectos estudados em cada espécie, incluindo os locais (latitudes e longitudes) onde elas podem ser encontradas”, antecipa a professora do IB.

Plantas bastante estudadas e com atividade comprovada contra a úlcera gástrica são as espécies do gênero Vernonia (que o povo simplificou para “verônica”) e as Indigoferas (sem nome popular). A Vernonia polyanthes já propiciou o isolamento de um princípio ativo, com atividade inédita em vegetais, cujo pedido de patente está sendo encaminhado através da Inova – Agência de Inovação da Unicamp.

Alba Brito reitera que este projeto dá continuidade ao levantamento no cerrado do Tocantins realizado pela professora Clélia Hiruma-Lima, do Instituto de Biociências da Unesp de Botucatu. O objetivo foi comparar as espécies existentes no Tocantins e também na Mata Atlântica e em cerrados paulistas, e validar o conhecimento da população. “Estudamos mais de trinta espécies, todas com trabalhos já publicados”.

Está sendo apresentado à Fapesp um novo projeto, que vai se concentrar nas plantas mais promissoras, estendendo o foco para outras espécies do mesmo gênero e buscando a melhor delas para produção de um fitoterápico ou de um medicamento alopático. “Este material deve gerar um segundo volume do livro”.

USO SUSTENTÁVEL

Uma preocupação dos pesquisadores que participam do projeto temático é com o uso sustentável das plantas medicinais. Alba Brito informa que o cerrado de Rubião Júnior (distrito de Botucatu), por exemplo, apresenta uma flora bastante diversificada e não encontrada em outras regiões.

“A paisagem é bonita para os botânicos e pesquisadores de plantas medicinais, que lutam para preservá-la. Mas, para muitas pessoas que têm aquele cerrado em suas propriedades, a sensação é de que houve uma queimada no local, nascendo depois uma vegetação rasteira que em nada lembra a exuberância de uma mata atlântica”, admite a professora.

Por isso, os pesquisadores do Laboratório de Produtos Naturais procuram agregar valor medicinal às plantas do cerrado de Rubião Júnior e de outras partes do Estado de São Paulo, mostrando à população a importância de não degradar o bioma e incentivando inclusive o cultivo das espécies no entorno, expandido a área.

Há poucos anos, a doutoranda Leônia Maria Batista, orientada da professora Alba Brito, trouxe sempre-vivas da Serra do Cipó, em Minas Gerais. Depois de estudar os efeitos das espécies Syngonanthus bisulcatos e Syngonanthus arthrotrichus em modelos animais, Leônia constatou uma excelente proteção da mucosa gástrica contra os agentes indutores de úlceras.

Este rico teor de flavonóides, porém, é desprezado. As sempre-vivas são de fato belas e acabam exportadas às toneladas para países do primeiro mundo, utilizadas em arranjos ornamentais e buquês. “Na Alemanha, um buquê de noiva chega a custar cem euros. Viabilizando o uso medicinal dessas plantas evitaríamos seu corte indiscriminado”, observa Alba Brito.

O BEABÁ DAS PLANTAS MEDICINAIS

Chá de capim santo: quatro xícaras (de café) com folhas frescas picadinhas, tampadas em água fervente por 10 minutos. Tome duas ou três xícaras ao dia para combater insônia, nervosismo, diarréia e gases intestinais. Cuidado: não deve ser tomado por mulheres grávidas!

Xarope de alecrim: adicionar, em meio litro de água, o sumo de quatro xícaras (café) de folhas frescas amassadas. Junte uma xícara de açúcar e deixe ferver, mexendo até engrossar. Tome uma colher de sopa a cada três horas para problemas respiratórios. Experimente colocar a infusão fria em um borrifador para passar roupas.

Essas duas receitas estão na cartilha Plantas medicinais na escola: aprendendo com saúde, elaborada pela aluna de doutorado Priscila Fernandes, e foram enviadas por mães de alunos de primeiro grau de escolas públicas de Atibaia. A cartilha, que traz desenhos mostrando detalhes como o serrilhado do caule da babosa e a delicadeza das flores da camomila, é fruto da convivência que mais de uma centena de crianças tiveram com canteiros de plantas medicinais.

As atividades foram desenvolvidas em parceria com os professores das escolas e o projeto Fruto da Terra, da Prefeitura de Atibaia. O sucesso das atividades levou à sua incorporação pela Delegacia de Ensino de toda a região. Hoje, a mestranda Patrícia de Sousa Oliveira dá continuidade aos canteiros em escolas públicas de Sumaré e em assentamentos rurais.

“O projeto temático da Fapesp inclui a educação ambiental. Nossos pós-graduandos colaboram na montagem dos canteiros e com palestras para levar até os alunos e seus pais o conhecimento produzido no laboratório”, explica a professora Alba Brito.

A pesquisadora esclarece que, embora a população já guarde bom conhecimento, é sempre importante alertá-la sobre plantas tóxicas e outras que não devem ser consumidas cruas. “Mesmo depois de fervidas, o uso das mãos pode transferir bactérias para uma solução dada ao bebê com dor de barriga ou vômitos”.

FONTE

Jornal da Unicamp
Luiz Sugimoto – Jornalista
E-mail: imprensa@unicamp.br

disponível online em: [ Portal Agrosoft ]

Pesquisa busca a cura de doenças a partir das plantas da Amazônia

Mirtes Bogéa

Parceria entre o Hospital Sírio-Libanês e a Unip vai rastrear novas moléculas que poderão resultar em medicamentos contra o câncer, hipertensão e outros

Em 1995, os médicos Drauzio Varella e Riad Younes, membros do corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês, decidiram iniciar uma busca pelo conhecimento de extratos de plantas e árvores em uma região que contém uma das maiores biodiversidades do mundo: a Amazônia. O objetivo da iniciativa era identificar novas moléculas que levassem ao desenvolvimento de medicamentos contra doenças como o câncer e a hipertensão.

“Cerca de 60% dos remédios se originam de plantas e na época, a flora amazônica era sub-pesquisada. Fazia sentido rastrear essas plantas” garante o cirurgião torácico Riad Younes, diretor clínico do Hospital Sírio-Libanês.

Baseados no modelo do Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos, os pesquisadores contaram com o patrocínio da Universidade Paulista – UNIP e estabeleceram um laboratório (em São Paulo e em Manaus) onde já foram classificadas 1 mil espécies de plantas, obtidos 2,2 mil extratos vegetais e 1.220 extratos já testados.

Até o momento, 120 extratos já testados apresentaram atividades antitumorais e/ou antibacterianas e agora, o Laboratório de Extratos da UNIP une-se ao Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio-Libanês para aumentar a velocidade do rastreamento e dar os próximos passos na pesquisa de novos fármacos.

Segundo o Dr. Riad Younes, o Laboratório integrado das duas instituições usará uma metodologia que poderá ser aplicada em vários modelos, possibilitando que pesquisadores conduzam estudos em várias linhas. Ou seja, no futuro, poderão ser descobertas drogas para vários tratamentos.

A parceria com o IEP – Hospital Sírio-Libanês, que investirá R$ 600 mil na iniciativa, em 2008, proporcionará um passo importante para os estudos. O novo laboratório contará com equipamentos mais sofisticados que permitirão o fracionamento das substâncias em busca de novas moléculas. Uma das ações do laboratório, que começa a funcionar no início do ano, pretende iniciar os ensaios na área de hipertensão.

Um projeto sustentável

O trabalho dos médicos Drauzio Varella e Riad Younes foi o primeiro projeto de bioprospecção a solicitar autorização junto ao Ibama, e um dos poucos projetos autorizados a conduzir a extração nas áreas sob a responsabilidade do órgão governamental.

Ainda de acordo com a autorização do Conselho de Gestão do Patrimônio Genético, órgão que conta com representantes de vários Ministérios, o projeto não visa nenhum lucro e as eventuais descobertas reverterão divisas para a sustentabilidade da própria Amazônia.[14]

Estão previstas ainda pesquisas com plantas da Mata Atlântica.

O novo laboratório, na sede do IEP, em São Paulo, oferecerá oportunidades para pesquisadores de várias áreas. A previsão de descoberta de uma nova molécula, que possa levar a um novo remédio, é de um a dois anos.

Fonte: [ SEGS.com.br ]

Uso sem orientação de chás pode prejudicar a saúde

Chás podem prejudicar a saúde

Uso sem orientação de ervas fitoterápicas como boldo e ginko biloba podem ser a causa de doenças ‘escondidas’

Luiz Galano

Quem nunca recebeu – ou mesmo deu – a dica de um chá que é um santo remédio para determinada doença, que atire a primeira pedra. Tal ato está enraizado na cultura popular, principalmente nas cidades do Interior. O problema é que pouca gente sabe que essas tradições passadas de geração para geração podem causar e até mesmo agravar problemas de saúde, caso a substância seja utilizada de forma indiscriminada e sem acompanhamento especializado. As plantas são matéria prima para grande quantidade de remédios industrializados, por isso elas precisam ser encaradas como tal.

O aposentado Ary de Souza, 68 anos, é um exemplo de quem seguiu dois conselhos e acabou se dando mal. Há cinco anos, quanto passava por consulta no oftalmologista, o médico comentou os poderes da ginko biloba para problemas cardíacos (a planta é famosa pelo poder de “afinar o sangue). A partir daí, ele começou utilizar o produto e não parou mais. No entanto, há três anos, ele sofreu complicações e precisou ficar internado durante 34 dias. Na cama de hospital o cardiologista indicou outro “santo” remédio para afinar o sangue, o AAS.

Depois de receber alta, o aposentado achou que utilizando os dois produtos de forma conjunta, o efeito seria melhor. A partir de então ele passou a perceber que sua visão sempre ficava comprometida quando realizava algum trabalho que exigisse esforço físico. Até agosto deste ano, ele conviveu com essa situação, sem saber que era a combinação dos dois “remédios” que provocavam seu mal ocular.

Somente depois que Souza começou a freqüentar aulas ministradas por um grupo de 13 alunos de farmácia e química da Universidade do Sagrado Coração (USC) ele descobriu que estava se prejudicando. “A junção das duas substâncias potencializa os efeitos que eles causam no organismo. Minha circulação ficava mais acelerada e provocava pequenas hemorragias no meu globo ocular”, explica o aposentado, que hoje não sofre mais com problemas de visão.

De acordo com a professora Márcia Aparecida Zeferino, uma das orientadoras do grupo de alunos que ministra o curso para participantes da Universidade Aberta da Terceira Idade (Uati) da USC, esse é apenas um dos casos em que a utilização de substâncias sem acompanhamento especializado pode causar. “Em determinadas situações o efeito é potencializado e outras vezes é inibido. As duas opções podem ser benéficas ou maléficas”, afirma a pesquisadora, que indica os energéticos como substâncias mais perigosas, porque atingem diretamente o coração.

Suely de Souza, mulher de seu Ary, colocou seu coração em risco sem saber. Ela tomava medicamento para controlar os batimentos cardíacos, devido à uma arritmia. No entanto, em determinadas situações, ela fazia uso de pó de guaraná. “Notava que meu batimento acelerava bastante, mas nunca imaginei que era por causa da combinação das duas substâncias”, revela a aposentada, que também só descobriu o mal feito a si mesma depois de aprender mais sobre as plantas e seus efeitos.

De acordo com os estudantes do 3.º ano de farmácia da universidade Leandro Garcia e Priscila Sgavioli Zago, existem diversas regras na hora de escolher um chá, assim como no modo de preparo, acondicionamento e tempo de duração do tratamento. “O importante é que a compre sempre os produtos em locais autorizados e siga as instruções de maneira correta”, destacam.

Fonte: [ JCNet ]

Remédio manipulado poderá ter bula obrigatória

Agência Câmara

Tramita na Câmara o Projeto de Lei 856/07, do deputado Neilton Mulim (PR-RJ), que obriga as farmácias de manipulação e ervanários a incluírem bula – folheto informativo detalhado – em seus medicamentos.

A proposta define que todo medicamento manipulado deve ser rotulado com: nome de quem o prescreveu; nome do paciente; número de registro da formulação no Livro de Receituário; data da manipulação; prazo de validade; componentes da formulação com as respectivas quantidades; número de unidades; peso ou volume contido; e posologia.

Além disso, também deverá conter: identificação da farmácia com o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ); endereço completo; e nome do farmacêutico responsável técnico da farmácia com o respectivo número no Conselho Regional de Farmácia.

Dizeres obrigatórios:

As bulas deverão conter, no mínimo, os seguintes dizeres:

1) Manter o medicamento em embalagem original, fechado, guardado ao abrigo da luz, calor e umidade excessivos;
2) Não guardar o medicamento em armários de banheiro ou perto de pia e lavatórios;
3) Manter sempre fora do alcance de crianças; não use medicamentos sem orientação médica;
4) Em caso de reações adversas, suspender o uso do medicamento e procurar orientação de quem o prescreveu;
5) Não utilizar o medicamento com a data de validade vencida;
6) Não é recomendado o uso de medicamento durante a gravidez e lactação, sem a orientação médica;
7) Não ingerir bebida alcoólica com medicamentos;
8) Em caso de alteração de cor, odor, consistência ou sabor, procurar seu farmacêutico para esclarecimentos;
9) Nunca dê seu medicamento para outra pessoa e vice-versa. Apesar de alguns sintomas serem parecidos, o tipo de medicamento e a dosagem de que cada pessoa necessita pode ser diferente. Lembre-se: você é único, o seu medicamento manipulado também;
10) Tome seu medicamento corretamente, conforme a indicação do seu médico. A falha no tratamento poderá acarretar problemas e pôr em risco a sua saúde.

O estabelecimento que descumprir as determinações estará sujeito às penas impostas nas leis 6437/77 e 8078/90.

Fonte: [ Badauê ]