Por Amanda Mont’Alvão
Desde quando o homem sentiu a primeira dor, ele procura na natureza maneiras de atenuar ou mesmo combater a má sensação. O alívio, que começou com um chá, evoluiu para medicamentos feitos à base de caules, folhas, flores e extratos de plantas.
O uso de ervas para o tratamento de doenças ainda é visto com receio, mas uma recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) pode tornar os medicamentos baseados em plantas, os fitoterápicos, reconhecidos pela Medicina como recursos terapêuticos. “Basicamente, todos os medicamentos existentes hoje ou são originários de plantas ou tiveram suas estruturas químicas sintetizadas com base numa estrutura química identificada em uma planta”, esclarece Elizabeth Uber Bucek, farmacêutica industrial.
Os fitoterápicos, assim como todo medicamento sintético, devem atender à regulamentação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Resolução de 2004 da Anvisa descreve 34 plantas cuja ação farmacológica é reconhecida pelo Ministério da Saúde. “A resolução apresenta uma lista com as plantas, as partes utilizadas, a indicação terapêutica, a forma de uso (posologia) e a freqüência com que o medicamento deve ser administrado”, descreve Elizabeth.
A eficácia do fitoterápico é garantida desde que acompanhada e utilizada de forma padronizada. “Quando eu faço o tratamento com um produto padronizado, elaborado sob a responsabilidade do farmacêutico, tenho uma resposta clínica comprovada. É a diferença do chá. Muitas vezes, o chá não tem uma resposta garantida, porque as plantas têm efeito farmacológico diversificado, de acordo com a sua composição química, que varia”.
Segundo a farmacêutica, a desconfiança dos fitoterápicos deriva do uso feito como um remédio, e não como um medicamento. “Eu acredito que esse descrédito existe porque muitas vezes a planta medicinal é utilizada no tratamento na forma de remédio, que é algo que todos podem fabricar. Já um medicamento é um produto que foi tecnicamente elaborado de forma padronizada e que tem eficácia, segurança e qualidade”, explica. “Muitas vezes, o próprio médico não acredita no fitoterápico porque a resposta que ele tem do paciente que usa o medicamento não é a mesma daquele que usa a planta em um chá. O desafio da fitoterapia é a padronização da resposta farmacológica. É por isso que o trabalho deve ser feito por profissionais da área da saúde, e não apenas com base no controle químico do fitoterápico”.
Fonte: [ Jornal da Manhã ]
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