Maria José das ervas

As cores, cheiros e sabores das ervas que temperam nossos pratos, perfumam e curam os males do corpo e da alma

Juracy Xangai

Folhas roxas, grandes ou pequenas, em vários tons de verde; flores amarelas, laranja, aveludadas ou lisas, cada uma delas com seus cheiros, cores e sabores característicos das ervas medicinais ou aromáticas. Consumidas na forma de chás, banhos e temperos, fazem parte da tradição regional prometendo curar todos os males, desde uma simples dor de cabeça ou quebranto até ajudar na conquista de um coração desejado.

Ervas. Esse é o principal atrativo da banquinha de Maria José Campos da Silva, 45, mãe de cinco filhos, que a ajudam a cultivar em sua chácara localizada no pólo Geraldo Mesquita, na Vila Calafate, verduras e ervas que vende há 11 anos no mercado Elias Mansour.

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Espinheira Santa tem efeito comprovado na cura da gastrite

A planta, usada na produção da tintura, é uma espécie típica do sul do país

[img:espinheira_santa.jpeg,full,alinhar_esq_caixa]Maria da Conceição Silva recorreu aos medicamentos fitoterápicos para acabar com uma inflamação no estômago (gastrite), que havia desenvolvido há dois anos. Após uma consulta com a coordenadora do Programa de Fitoterapia, Terezinha Rêgo, ela iniciou um tratamento de três etapas com a Espinheira Santa, nas fórmulas de cápsulas, tintura e chá.

Após o tratamento, Maria da Conceição não sentiu mais dores no estômago. “Posso dizer que foi muito bom, houve resultado”, afirma. Durante aproximadamente um mês ela usou somente a tintura da Maytenus ilicifolium, nome científico da espinheira santa, geralmente recomendada no tratamento de úlceras e gastrite.

Segundo Terezinha Rêgo, a planta usada na produção da tintura é uma espécie típica do sul do país. Antes de a tintura ser desenvolvida no Herbário Ático Seabra da UFMA, ela já havia sido estudada e patenteada pela Central de Medicamentos do Brasil, órgão que foi transferido para o Ministério da Saúde em 1985.

A farmacêutica entrou em contato com o fitoterápico durante o período em que foi consultora da Central, em Brasília. Em 1996, quando retornou ao Maranhão, tentou trazer a tintura, mas ela não se adaptou. “O teor de álcool vegetal utilizado no preparo era maior que o recomendado para o nosso clima, que é mais quente”, revela a professora.

A espinheira santa é uma planta medicinal reconhecida no tratamento de úlcera e gastrite e, desde 2007, o Sistema Único de Saúde (SUS) fornece medicamentos à base desta planta. No entanto, há uma diferença entre a tintura produzida pelo Programa de Fitoterapia e a oferecida no comércio. “Só usamos álcool de cereais e as folhas da planta na manipulação da nossa tintura, enquanto, em outras, costumam-se associar outras plantas à solução”, esclarece Terezinha.

Esta tintura é comercializada, assim como outros fitoterápicos, no Herbário Ático Seabra no Campus do Bacanga, onde a farmacêutica possui um consultório para o atendimento da comunidade.

Lugar: UFMA / Ascom
Fonte: Seanne Melo

disponível online em: [ UFMA ]

Extrato de planta pode prevenir a gripe

[img:tsp_17388_VG.jpg,full,alinhar_esq_caixa]O extrato da equinácea, uma planta originária da América do Norte, costuma ser utilizado como tratamento complementar para reduzir sintomas da gripe e de outras infecções respiratórias. Agora, pode também ser usado para prevenir as infecções.

Um estudo realizado pela Escola de Farmácia da Universidade de Connecticut (EUA) e publicado no periódico “Lancet Infectious Diseases” mostrou que pessoas que consomem o extrato têm 58% menos chance de pegar uma gripe. E indicou que, entre os que contraíram a infecção, o uso da equinácea reduziu o tempo da doença em 1,4 dia.

Os resultados foram obtidos a partir da análise de 14 estudos diferentes, um método chamado meta-análise, envolvendo um total de 1.600 pessoas e diferentes produtos à base de equinácea.

Também foi estudado o uso de equinácea aliado à suplementação de vitamina C, popularmente usada na prevenção da gripe, e observou-se uma redução de 86% nos casos de gripe.

Os autores da pesquisa afirmam que, apesar dos resultados positivos e do fato de a equinácea ser considerada segura, ela ainda não passou por pesquisas controladas de longo prazo. Cuidados especiais devem ser tomados por pacientes com doenças auto-imunes, como lúpus ou esclerose múltipla. A equinácea também pode causar interações medicamentosas com certas drogas farmacêuticas.

Fonte: [ Folha Online ]

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Notas do editor:

Para localizar a notícia, o blog [ Homeopatia Veterinária ] me ajudou.

Para mais informações, acesse a ficha da espécie no Portal Tudo Sobre Plantas, em: [ Echinacea angustifolia ]

Esalq expõe plantas medicinais e aromáticas

Evento mostrará aspectos morfo-botânicos e incentivará o resgate do conhecimento tradicional de uso de plantas

Os aspectos morfo-botânicos das plantas medicinais e aromáticas, bem como a percepção dos aromas e gostos, diversidade na forma e cores, serão apresentados, diferenciados e depois sentidos pelo público que participar da exposição “Plantas medicinais e aromáticas – Uma viagem de conhecimento botânico e interativo”, evento didático cultural que será realizado no período de 30 de março a 30 de abril, no Museu e Centro de Ciências, Educação e Artes “Luiz de Queiroz”, da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (USP/ESALQ).

A exposição, que conta com dois momentos distintos, o de contemplação e o de interação, certamente despertará o interesse dos aficcionados no tema. Com apoio do conhecimento científico, o público conhecerá as maneiras de identificar e reconhecer a importância das plantas e de órgãos vegetais para utilizá-las, além de noções da toxidade de algumas delas. Por outro lado, o público em geral será estimulado a respeitar as plantas e a natureza e, ainda, incentivado quanto ao resgate do conhecimento tradicional de uso de plantas aromáticas e medicinais.

O horário para visitação é de segunda a sexta-feira, das 8h às 11h30 e das 13h30 às 17h.

A realização é da Seção de Atividades Culturais (SCAC) da ESALQ.

Informações pelos telefones (19) 3429-4410, (19) 3429-4320 ou pelo e-mail scac@esalq.usp.br .

Fonte: [ Cosmo ]

Morales mastiga folha de coca na ONU ao defender planta

[img:260000.jpeg,full,alinhar_esq_caixa]O Presidente boliviano, Evo Morales, pediu hoje às Nações Unidas a despenalização da folha de coca, dizendo que mastigá-la não é ser um drogado.

Com uma folha na mão, que depois mastigou perante a Comissão de Estupefacientes da ONU, reunida em Viena, Morales argumentou que estas folhas deveriam ser retiradas da lista de estupefacientes proibidos pelos convénios internacionais.

“Isto é uma folha de coca, não é cocaína. Não é possível estar na lista da ONU”, declarou o Presidente, que foi aplaudido por algumas das delegações. O seu país é um dos maiores produtores mundiais de folha de coca, com quase 30.000 hectares cultivados, mas mesmo assim consegue ser ultrapassado pelos 50.000 hectares do Peru e pelos quase 100.000 da Colômbia.

“Isto é mastigar. Eu não sou nenhum drogado. Se o fosse, Antonio Maria Costa (responsável nas Nações Unidas pela luta contra a droga) deveria levar-me para a cadeia”, acrescentou Morales. “Esta folha de coca é um medicamento para os povos. Não é prejudicial para a saúde humana, no seu estado natural.”

Um estudo efectuado em 1995 pela Organização Mundial de Saúde concluiu, com efeito, que “o uso de folhas de coca não parece ter efeitos físicos negativos, podendo ser até que tenha valor terapéutico”.

Os habitantes dos Andes, na América do Sul, descobriram há mais de 7000 anos as propriedades estimulantes da coca, tendo o seu uso sido considerado sagrado nas culturas quechua e aymara. O Império Inca controlava a distribuição e a produção desta planta, utilizada em rituais e como estimulante para o trabalho nas minas. Mas só em 1860 é que o principal alcalóide da folha de coca, a cocaína, foi isolado e passou a ser utilizado em medicamentos; muito em especial na Europa e nos Estados Unidos.

Fonte: [ Público PT ]

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EUA criticam plano de Morales de expandir cultivo de coca

LA PAZ (Reuters) – O embaixador dos Estados Unidos na Bolívia criticou na quarta-feira o plano do país sul-americano de expandir significativamente a área legal para plantação de folhas de coca, matéria-prima da cocaína. A Bolívia é a terceira maior produtora mundial da droga depois da Colômbia e do Peru. Os EUA são o maior mercado mundial para a cocaína.

‘O simples fato é que o excedente da coca sempre vai se tornar cocaína. Os traficantes de droga sempre poderão pagar um melhor preço… os Estados Unidos continuam a pedir que o governo boliviano trabalhe para reduzir, em vez de aumentar, as plantações de coca’, disse o embaixador dos EUA Philip Goldberg.

Os comentários do diplomata foram feitos dois dias depois do presidente boliviano, Evo Morales, um ex-plantador de coca, anunciar que a Bolívia vai aumentar a área legal para plantação da folha dos atuais 12.000 hectares para 20.000 hectares no ano que vem, desconsiderando os limites estabelecidos em uma lei patrocinada por Washington.

A lei de 1988 estipula que a região boliviana de Yungan é a única onde o cultivo da folha de coca é permitido, numa área máxima de 20.000 hectares e para usos tradicionais, como para ser mastigada e para fazer chá. Um decreto posterior também permitiu o cultivo na região de Chapare.

(Por Mario Roque)

Fonte: [ Último Segundo ]

Programa vai ampliar lista de fitoterápicos oferecidos pelo SUS

São Paulo – O ministério da Saúde e mais nove pastas do governo assinaram uma portaria que criou o Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos dentro do Sistema Único de Saúde (SUS). O programa, segundo informações do próprio ministério, vai ampliar a lista de fitoterápicos oferecidos pelo SUS com base em uma relação que será definida por especialistas que vão compor um comitê específico.

Desde 2007, a rede pública fornece medicamentos fitoterápicos feitos à base de espinheira santa e guaco, que integram as listas de distribuição de medicamentos em 12 Estados. Com a implementação da legislação, o objetivo é difundir o uso da terapia. Os medicamentos fitoterápicos utilizados pelo SUS são aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A portaria também cria o Comitê Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, coordenado pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde. Esse grupo é formado por membros da sociedade civil, além de entidades vinculadas, como representantes da agricultura familiar e do setor de manipulação. Ele vai monitorar e avaliar o Programa Nacional, assim como de verificar a ampliação das opções terapêuticas aos usuários.

AE

Fonte: [ ABRIL ]

Maconha pode preservar memória na velhice, sugere estudo

[img:5nov00.jpg,full,alinhar_esq_caixa]

Cientistas americanos dizem que substâncias presentes na maconha podem ser benéficas para o cérebro à medida que as pessoas envelhecem, reduzindo índices de inflamação e estimulando a formação de novos neurônios.

A equipe, da Ohio State University, em Ohio, nos Estados Unidos, apresentou seu estudo durante uma reunião da Society for Neuroscience na capital americana, Washington.

O trabalho indica que a criação de uma droga legal que contenha certas propriedades similares às da maconha poderia ajudar a prevenir ou retardar a chegada de doenças como o Mal de Alzheimer.

Embora a causa exata desta doença seja desconhecida, acredita-se que uma inflamação crônica no cérebro contribua para a perda da memória.

A intenção dos cientistas é criar uma nova droga cujas propriedades seriam semelhantes às da tetrahidrocanabinol, ou THC, a principal substância psicoativa da planta da maconha – mas sem o efeito inebriante da droga.

Ao lado de nicotina, álcool e cafeína, a THC, quando consumida em moderação, tem demonstrado uma certa eficácia em proteger o cérebro contra inflamações, o que pode se traduzir em uma melhor memória na velhice.

“Não é que tudo o que é imoral seja bom para o cérebro”, disse o responsável pela pesquisa, Gary Wenk, da Ohio State University. “Simplesmente, existem algumas substâncias que milhões de pessoas, durante milhares de anos, vêm usando em bilhões de doses, e você está notando que existe um pouco de sinal no meio de todo o ruído”.

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Hortas caseiras são úteis e ainda dão charme à decoração

Luciana Ackermann – O Globo

Hortas caseiras podem ser feitas em vasos médios e pequenos

[img:29_MHG_2709_Mor1.jpg,thumb,alinhar_esq_caixa]RIO – Que tal dar aquele toque especial ao seu molho com manjericão, louro e cebolinha? Ou então um chazinho de hortelã? Até parece que tudo fica ainda mais prazeroso se essas ervas aromáticas são cultivadas na sua própria casa. Engana-se quem pensa que é complicado cultivar os jardins de ervas dentro de casa. Até mesmo em apartamentos, é possível manter uma bela jardineira com suas ervas preferidas.

O paisagista Oney Barroso diz que é preciso tirar da cabeça idéia errada de que é trabalhoso cuidar de ervas aromáticas e medicinais. Também explica que não são necessários grandes espaços e vasos volumosos para obter uma horta bacana.

– Dá para cultivar as hortinhas mesmo em vasos pequenos, que podem ficar sobre os aparadores entre a cozinha e a área de serviço. Além de garantirem um toque especial aos pratos, elas também dão vida e embelezam os ambientes. Muitas ainda exalam um agradável aroma – afirma Barroso.

[img:29_MHG_2709_Mor2.jpg,thumb,alinhar_dir_caixa]O primeiro passo, segundo o paisagista, é colocar cerca de dois centímetros de pedra brita ao fundo do vaso ou da jardineira, com pequena abertura para escoar a água. As pedras garantem uma boa drenagem, evitando que as raízes apodreçam. Ele recomenda o uso de substrato orgânico, feito à base de folhas secas e cascas de verdura. Deve-se encher o recipiente até a metade com o substrato, colocar a muda ou as sementes e depois cobri-las com mais substrato. Os vasos devem ser regados três vezes por semana nos períodos mais quentes ou duas vezes na semana em dias chuvosos. As plantas também precisam de boa ventilação e iluminação. Entre 30 e 40 dias é possível colher e usar seus temperos preferidos.

A dona-de-casa Catarina Cardoso diz que cultiva, há cerca de cinco anos, seus temperos em duas jardineiras. E garante que não tem mistério.

– Costumo regá-los quatro dias por semana. Já virou rotina eu sair da cozinha durante preparação do almoço para pegar minhas folhinhas, especialmente o manjericão e o alecrim para colocá-los na comida. – afirma Catarina.

[img:29_MVG_2909_Horta.jpg,thumb,alinhar_esq_caixa]As hortas caseiras estão presentes também nas mostras de decoração. No Casa Cor Rio, por exemplo, a arquiteta Ângela Leite Barbosa investiu na horta orgânica caseira e num minipomar no Estúdio Verde. No evento Casa Boa Mesa, em São Paulo, as arquitetas Betina Barcelos, Karina Salgado e Andrea Bugarib criaram A Cozinha da Família, onde foi projetada uma horta vertical de dois metros de altura por dois de largura, que pode ser adaptada conforme a área disponível.

– Fizemos um painel de madeira com nichos, onde foram colocados os vasos com temperos e ervas aromáticas. Partimos da idéia de que cada vez mais as pessoas estão se preocupando em ter uma alimentação mais saudável e caseira. Quisemos mostrar que essas plantas além de decorativas, são úteis – afirma Betina.

Fonte: [ O Globo ]

Capacidade dos laboratórios oficiais é ociosa

A Farmácia Escola da UFC é uma das unidades oficiais cuja produção de medicamentos poderia ser bem maior

[img:lab_1.jpg,full,alinhar_dir_caixa]Em tempos de medicamentos caros, dificuldades de acesso, avanço das pesquisas e domínio estrangeiro, os laboratórios farmacêuticos que compõem a rede governamental de produção e que foram criados para fornecer medicamentos de qualidade e de baixo custo para o Sistema Único de Saúde (SUS) estão com quase 60% da capacidade de produção ociosa. Os dados são da Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Oficiais do Brasil (Alfob), que reúne os 18 laboratórios do País, e revela a falta de uma política de produção nacional de remédios que inclua o setor.

[img:lab2.jpg,full,alinhar_dir_caixa]O único laboratório da rede oficial no Ceará é o da Farmácia Escola da Universidade Federal do Ceará (UFC), que, por falta de condições estruturais, restringe-se a produzir medicamentos fitoterápicos em pequena escala, para atender à demanda das unidades do Complexo Hospitalar da Universidade, formado pela Maternidade Escola Assis Chateaubriand (Meac) e pelo Hospital Universitário Walter Cantídio, e também da sociedade.

“Poderíamos seguramente estar produzindo pelo menos dois medicamentos que compõem a lista básica do SUS, como, por exemplo, um medicamento para hipertensão e outro para diabetes. Temos equipamentos modernos, temos profissionais qualificados, mas não temos paredes”, aponta o diretor da Farmácia Escola da UFC, professor Carlos Couto de Castelo Branco, sobre a falta de espaços adequados para a ampliação da produção.

Conforme ele, entre 2002 e 2003, o Governo Federal, através do Ministério da Saúde, anunciou investimentos para que a Farmácia Escola passasse a realizar a produção de medicamentos para o SUS, com a construção de um novo espaço físico. Além disso, investiu R$ 600 mil na compra de equipamentos modernos, que, no momento, segundo Carlos Couto, estão sendo subutilizados. “A UFC se preparou e cedeu até um espaço no Campus do Pici, onde seria construído o novo laboratório. O reitor da época chegou a assinar um convênio de R$ 4 milhões com o Ministério da Saúde para viabilizar a criação do novo espaço. No entanto, o Ministério da Saúde voltou atrás e o convênio foi desfeito”, lamenta.

Parte dos equipamentos adquiridos, como uma moderna máquina envasadora e encapsuladora, segundo o diretor da Farmácia Escola, não estão sendo aproveitados.

Essa situação, conforme Carlos Couto, não é restrita à UFC. Conforme ele, cinco dos 18 laboratórios oficiais do País são ligados à universidades estaduais ou federais e também sofrem com a falta de investimentos. “Juntos, os laboratórios das Universidades Federais do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Piauí e da Estadual de Maringá têm capacidade ativa de produzir mais de 411 milhões de unidades de medicamentos sólidos, líquidos ou semi-sólidos por ano”, destaca ele, informando que a produção atual é muito pequena e não chega perto disso.

Insatisfeitos com a situação, os laboratórios oficiais universitários elaboraram uma carta, em encontro, no último mês de agosto, em Natal, em que reafirmam a sua disposição e vocação para produção de medicamentos e não só para atividades relativas ao controle de qualidade. Os laboratórios universitários, conforme Carlos Couto, querem participar do sistema produtivo, viabilizando medicamentos a baixo custo, com qualidade, segurança e eficiência terapêutica.

O vice-diretor da Farmácia Escola, Sócrates Gondim, destaca que as farmácia escolas têm um papel estratégico, uma vez que detêm tanto o conhecimento como a formação dos profissionais que atuarão no mercado. “Fazer medicamento no Brasil é complicado porque existe a descontinuidade. Nas universidades é diferente porque a produção não sofre interferência política”, destaca.

FARMÁCIA ESCOLA
Remédios baratos e qualidade certa

Os pacientes do Hospital Universitário Walter Cantídio e da Maternidade Escola Assis Chateaubriand, além das inúmeras pessoas de Fortaleza que se deslocam até o Campus do Porangabussu conhecem bem a importância da Farmácia Escola da UFC e da Farmácia Universitária, que fica no Benfica.

Remédios muito mais baratos do que nas farmácias comuns, atenção farmacêutica, manipulação de medicamentos e fórmulas, além dos famosos fitoterápicos prescritos pelos médicos que compõem o complexo hospitalar da universidade, como o xarope broncodilatador de cumaru e o creme vaginal de aroeira, são exemplos da produção das duas unidades da que fazem sucesso.

A própria reportagem apurou que os medicamentos vendidos na Farmácia Escola da UFC são bem mais baratos do que os das farmácias comuns. Um remédio antigripal bastante procurado pela população chega a apresentar uma diferença de até R$ 4,00.

“A nossa maior demanda é do público do Hospital Universitário, mas vem gente de toda a cidade comprar aqui porque tem a certeza da qualidade e também do melhor preço”, destaca a farmacêutica Ana Paula Leitão. Conforme ela, cremes dermatológicos e medicamentos para osteoporose são os mais procurados.

É o caso da funcionária pública Maria José da Silva, que trabalha próximo à Farmácia e só compra os medicamentos que sua mãe toma após verificar os preços lá. “Pesquiso antes de comprar, mas aqui sempre é mais barato”, disse.

O espaço é também um importante instrumento de formação e aplicação do conhecimento para os alunos do Curso de Farmácia da universidade. Lá, cerca de 50 alunos por ano conhecem e exercem as etapas da produção, além de atuar na atenção farmacêutica.

ALERTA AO PAÍS
Produtos importados custam R$ 4 bilhões

A falta de produtividade dos laboratórios farmacêuticos oficiais voltará a ser discutidas na Câmara dos Deputados, em audiência pública. Conforme o deputado federal Raimundo Gomes de Matos (PSDB), autor do requerimento, o Brasil gastava, em 2002, R$ 1,9 bilhão com importações de medicamentos. Dois anos depois, em 2006, esse número passara para R$ 4 bilhões.

Para Matos, é preciso saber os motivos que causam a subutilização dos laboratórios farmacêuticos da rede oficial. “Essas unidades foram criadas para produzir medicamentos para o SUS e não é isso que está acontecendo. A Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Oficiais (Alfob) diz que 60% da capacidade dos 18 laboratórios está ociosa”, disse.

A inexistência de uma política nacional para o setor, conforme Raimundo Gomes de Matos, é preocupante, já que, cada vez mais esses laboratórios, que são responsáveis pela formação de recursos humanos, pesquisas e tecnologias para a produção de medicamentos, não estão recebendo os investimentos que deveriam para se desenvolver.

“Trata-se de um setor estratégico da economia brasileira. A produtividade desses laboratórios significa o barateamento dos medicamentos para a população e diminuição dos custos para o Sistema Único de Saúde (SUS)”, considera.

O deputado federal aponta, ainda, que grande parte das recomendações da CPI dos Medicamentos não foi seguida pelo Governo Federal. “A audiência, com a presença de representantes dos Ministérios da Saúde e da Ciência e Tecnologia, além do BNDES e Alfob, vai esclarecer os fatos”, disse.

Regulação do mercado

Os laboratórios oficiais têm grande importância para o setor produtivo. Conforme o vice-diretor da Farmácia Escola da Universidade Federal do Ceará (UFC), Sócrates Gondim, os laboratórios oficiais exercem o papel de regulação do mercado, evitando uma alta indiscriminada nos preços dos medicamentos.

Ele explica que o País tem um potencial grande que precisa ser aproveitado, uma vez que pesquisas já constataram que 45% do consumo de medicamentos é de genéricos. No entanto, aponta que cerca de 80% a 90% dos fármacos – componentes químicos para fabricação dos medicamentos – são importados.

“Precisamos de mais pesquisas para desenvolver a produção nacional”, disse. Conforme ele, um novo medicamento leva cerca de 12 anos para ficar pronto e requer gastos em torno de R$ 2,4 bilhões.

FIQUE POR DENTRO
CPI dos Medicamentos abordou a questão

A ociosidade dos laboratórios oficiais foi abordada durante as investigações da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Medicamentos, instaurada pela Câmara Federal em 2000.

A CPI dos Medicamentos estudou vários aspectos da política de medicamentos e da assistência farmacêutica vigente, identificando e caracterizando os problemas, vícios, direta ou indiretamente ligados a preço, qualidade e segurança de medicamentos e também à assistência farmacêutica.

No relatório da comissão, os laboratórios oficiais constavam como elementos importantes no contexto de políticas de produção, regulação e controle de preços de medicamentos e de assistência farmacêutica. Na época, os parlamentares que faziam parte da comissão chegaram a visitar várias unidades dos laboratórios oficiais, entre elas, a Farmácia Escola, e também de pesquisas, como a Unidade de Farmacologia Clínica da UFC, constatando a necessidade de mais investimentos e suporte governamental para o desenvolvimento do potencial do setor no Estado.

Entre as recomendações constavam necessidade de fortalecimento das políticas e ações específicas pelo Poder Executivo e financiamento pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico para que os laboratórios oficiais produzissem a baixo custo para a saúde pública.

PAOLA VASCONCELOS
Repórter

Fonte: [ Diário do Nordeste ]