Por Anderson Porto

5 de Junho de 2006, Dia Mundial do Meio Ambiente.
Na manhã de segunda-feira, acordei disposto a fazer umas fotos da ressaca que está produzindo ondas imensas aqui na praia de Icaraí/RJ.
Ao chegar no calçadão da praia avistei uma cena pra lá de triste: a areia da praia estava tomada de lixo em um trecho bem grande. Trazida pela maré, o mar regurgitou nas areias, fruto de sua ressaca, parte do lixo que é atirado todos os dias em suas águas.
A foto vale mais que mil palavras.
Encontrei uma cidadã indignada com aquilo. Me contou que anda todo dia pelo calçadão e não acreditou quando avistou de longe aquele amontoado de lixo. Teve que chegar perto para conferir.
Conversando com os garis que tentavam fazer a limpeza antes da maré subir, todos me davam indignados o mesmo motivo: o povo é muito mal educado. “– O povo joga o lixo nas águas, e acaba que o mar depois trás tudo de volta”, dizia um. “Tudo que os favelados jogam nos rios e encostas acaba indo parar no mar. O resultado é esse aí, uma porcaria que dá desgosto de ver”, tentava explicar outro.
Dia Mundial do Meio Ambiente, o mar revoltado ao mesmo tempo que provia ondas perfeitas para os surfistas, tentava chamar a atenção da população para o descaso, para a falta de educação, para o despreparo de uma sociedade organizada em lidar com os restos de seu excesso de consumo?
Existem sim milhares de soluções como a reciclagem do lixo, a coleta seletiva, a utilização de plásticos biodegradáveis, sacos de papel, a compostagem orgânica com restos de alimentos, o reaproveitamento de materiais… As soluções existem, por que será que não são colocadas em prática?
Por causa da falta de educação? Falta de dinheiro? Falta de vontade?
Voltei pra casa triste. Triste porque este mar, que nos fornece alimentos e diversão está sendo castigado de tal forma que as próximas gerações que vierem a habitar o planeta entenderão bem o dito popular “o mar não está para peixes“, só que por outros motivos.
Você precisa fazer login para comentar.