Bactéria Bacillus velezensis aumenta absorção de fósforo e nutrientes em cana-de-açúcar

Uma bactéria substitui dois terços do fertilizante químico e ainda melhora a saúde da cana.

A bactéria Bacillus velezensis aumenta a disponibilidade de fósforo no solo para a cana-de-açúcar, reduzindo a necessidade de adubação química.

Em 3 pontos

  • A bactéria solubiliza formas de fósforo inacessíveis para as plantas no solo.
  • A inoculação promove um maior crescimento e volume do sistema radicular da cana.
  • A tecnologia permite manter a produtividade usando apenas um terço da dose padrão de fertilizante fosfatado.
Foto: Marinka Pavlova / Pexels
Bactéria Bacillus velezensis aumenta absorção de fósforo e nutrientes em cana-de-açúcar

Pesquisadores descobriram que a bactéria Bacillus velezensis UFV 3918 melhora significativamente a disponibilidade de fósforo no solo e a absorção de nutrientes pela cana-de-açúcar. Quando combinada com apenas um terço da dose recomendada de fertilizante fosfatado, a bactéria promoveu aumentos de 22% no fósforo do solo e 9,9% no volume de raízes, igualando resultados obtidos com doses completas de fertilizante. Essa descoberta é importante porque permite reduzir o uso de fertilizantes químicos mantendo a produtividade, diminuindo custos para agricultores e impactos ambientais da agricultura.

Hariane Luiz Santos 🤖 Traduzido por IA 23 de abril às 02:44

🧭 O que isso muda para você

  • Inoculação de mudas ou sulco de plantio com a estirpe UFV 3918 para redução de custos com fertilizantes.
  • Uso em áreas com solos de baixa fertilidade ou com histórico de fixação de fósforo para aumentar a eficiência da adubação.
  • Integração em sistemas de cultivo de cana visando a agricultura de baixo carbono e menor impacto ambiental.
Atualizado em 23/04/2026

Contexto e Relevância A disponibilidade de fósforo é um dos maiores limitantes para a produtividade agrícola global. Este nutriente, essencial para o crescimento das plantas, frequentemente fica retido no solo em formas químicas que as raízes não conseguem absorver, exigindo altas e custosas aplicações de fertilizantes solúveis, cuja produção é energeticamente cara e cujo uso excessivo causa poluição ambiental. Na botânica e na ecologia, entender e manipular os microrganismos do solo que medeiam a nutrição mineral é uma fronteira crucial para uma agricultura mais sustentável.

Mecanismos e Descobertas A pesquisa com a estirpe *Bacillus velezensis* UFV 3918 revelou seu duplo mecanismo de ação. Primeiro, a bactéria atua como um solubilizador de fósforo: ela secreta ácidos orgânicos e enzimas (como fosfatases) que 'quebram' os compostos insolúveis de fósforo (fixados a íons de ferro, alumínio ou cálcio), transformando-os em formas que a planta pode assimilar. Segundo, ela atua como um promotor de crescimento de raízes, provavelmente através da produção de fitormônios, resultando em um aumento de 9,9% no volume radicular. Uma raiz maior e mais ativa explora um volume maior de solo, capturando mais nutrientes e água. O resultado prático é impressionante: com apenas 33% da dose padrão de fertilizante fosfatado mais a bactéria, os níveis de fósforo disponível no solo aumentaram 22%, equiparando-se ao tratamento com 100% do fertilizante químico.

Implicações Práticas e Espécies Envolvidas As implicações são vastas. Para a agricultura, significa redução direta nos custos de produção e menor dependência de insumos importados. Para o meio ambiente, reduz a lixiviação de nutrientes para corpos d'água e a eutrofização, além de diminuir a pegada de carbono da produção de fertilizantes. Para a saúde do ecossistema do solo, promove a microbiota benéfica. A planta modelo do estudo foi a cana-de-açúcar (*Saccharum spp.*), uma das culturas mais importantes do Brasil, mas o mecanismo sugere potencial aplicação em outras gramíneas como milho, sorgo e pastagens.

Aplicação no Brasil e Regiões Tropicais Esta descoberta tem especial relevância para o Brasil, maior produtor mundial de cana-de-açúcar. Muitos solos tropicais, como os Latossolos e Argissolos brasileiros, são naturalmente ácidos e ricos em óxidos de ferro e alumínio, que fixam fortemente o fósforo. Aplicar a bactéria como um bioinoculante é uma estratégia perfeita para esta realidade, aumentando a eficiência do fertilizante aplicado em condições onde ele normalmente seria perdido. Isso pode revolucionar o manejo nutricional em vastas áreas do Cerrado e outras regiões canavieiras.

Próximos Passos da Pesquisa Os próximos passos incluem testar a eficácia da estirpe UFV 3918 em diferentes variedades de cana, tipos de solo e condições climáticas em escala de campo. É necessário também desenvolver uma formulação comercial estável (um bioproduto) que garanta a viabilidade das bactérias desde a produção até a aplicação no campo. Estudos de longo prazo devem avaliar os efeitos da inoculação contínua na microbiota nativa do solo e na produtividade ao longo de vários ciclos de cultivo.

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