A História da Água Engarrafada

Depois do sucesso do vídeo [ A História das Coisas ], Annie Leonard produziu um novo vídeo de conscientização ecológica: The Story of Bottled Water, no bom português se traduz como A História da Água Engarrafada.

A proposta de Annie, com este vídeo de oito minutos, é de estimular o consumo de água da torneira.

Seu argumento baseia-se em pesquisas científicas que comprovaram que a água de garrafa muitas vezes tem menor qualidade do que a filtrada; testes de opinião pública mostram a água tratada como de “gosto mais puro” que a mineral; água armazenada em garrafas plásticas podem custar até 2 mil vezes mais que a água de torneira. Annie defende que a água é um bem de todos e não deveria ser comercializada. “O que eles vão vender depois, ar?”, ela se pergunta.

Dentre outros problemas com relação à água engarrafada está o lixo gerado pelo plástico das embalagens, já que 80% destas garrafas não são recicladas e acabam parando em lixões de países subdesenvolvidos. Só nos Estados Unidos mais de 500 milhões de garrafas de água são consumidas toda semana, o que permitiria dar mais de 5 voltas em torno do nosso planeta.

A ativista finaliza o vídeo dizendo que a solução é cobrar de políticos e órgãos públicos mais investimentos de infraestrutura para o tratamento da água e prevenção da poluição de rios e lagos, que segundo ela são poluídos pelas próprias indústrias que fabricam as águas engarrafadas. Confira aí:

httpv://youtu.be/KdVIsEUXIUM

O mar não está para peixes

Por Anderson Porto

Foto: Anderson Porto
Foto: Lixo nas areias da praia de Icaraí (Anderson Porto)
5 de Junho de 2006, Dia Mundial do Meio Ambiente.

Na manhã de segunda-feira, acordei disposto a fazer umas fotos da ressaca que está produzindo ondas imensas aqui na praia de Icaraí/RJ.

Ao chegar no calçadão da praia avistei uma cena pra lá de triste: a areia da praia estava tomada de lixo em um trecho bem grande. Trazida pela maré, o mar regurgitou nas areias, fruto de sua ressaca, parte do lixo que é atirado todos os dias em suas águas.

A foto vale mais que mil palavras.

Encontrei uma cidadã indignada com aquilo. Me contou que anda todo dia pelo calçadão e não acreditou quando avistou de longe aquele amontoado de lixo. Teve que chegar perto para conferir.

Conversando com os garis que tentavam fazer a limpeza antes da maré subir, todos me davam indignados o mesmo motivo: o povo é muito mal educado. “– O povo joga o lixo nas águas, e acaba que o mar depois trás tudo de volta”, dizia um. “Tudo que os favelados jogam nos rios e encostas acaba indo parar no mar. O resultado é esse aí, uma porcaria que dá desgosto de ver”, tentava explicar outro.

Dia Mundial do Meio Ambiente, o mar revoltado ao mesmo tempo que provia ondas perfeitas para os surfistas, tentava chamar a atenção da população para o descaso, para a falta de educação, para o despreparo de uma sociedade organizada em lidar com os restos de seu excesso de consumo?

Existem sim milhares de soluções como a reciclagem do lixo, a coleta seletiva, a utilização de plásticos biodegradáveis, sacos de papel, a compostagem orgânica com restos de alimentos, o reaproveitamento de materiais… As soluções existem, por que será que não são colocadas em prática?

Por causa da falta de educação? Falta de dinheiro? Falta de vontade?

Voltei pra casa triste. Triste porque este mar, que nos fornece alimentos e diversão está sendo castigado de tal forma que as próximas gerações que vierem a habitar o planeta entenderão bem o dito popular “o mar não está para peixes“, só que por outros motivos.