Jardim orgânico das delícias

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Alice Waters foi atendida. A chef e ativista em prol da alimentação orgânica lançou durante a campanha presidencial dos Estados Unidos um desafio para o novo presidente: plantar um jardim orgânico na Casa Branca. Dois meses após a eleição de Barack Obama, a primeira-dama Michelle Obama anunciou que irá atender ao pedido de Alice. A família do presidente vai passar a se alimentar de alimentos sem agrotóxicos, cultivados no jardim de casa.

Michelle afirmou que o mais importante desta iniciativa é educar as crianças sobre comida saudável e fresca, numa época em que doenças crônicas como obesidade e diabetes afetam a população. Mas a primeira-dama enfatizou que nem todos os americanos teriam condições de plantar uma horta para consumo próprio. Então, o exemplo é uma estratégia para incentivar a redução de alimentos processados, o ato de cozinhar com mais frequência para a família e incorporar mais frutas e vegetais na dieta.

A decisão de Michelle provocou um questionamento sobre o investimento pesado no marketing da palavra “orgânico”. Mark Bittman, jornalista do New York Times e autor do livro “Food Matters: A Guide to Conscious Eatin”, destaca que orgânico não é, necessariamente, sinônimo de seguro, saudável, justo, bom e étnico. Ele aponta que o mercado de orgânicos é um grande negócio que não para de se expandir. Dados recentes da Organic Trade Association estimam que o comércio de alimentos e bebidas movimentou US$ 16,7 bilhões de dólares, em 2006.

Bittman indaga que para muitas pessoas, bombardeadas pelo marketing e publicidade alimentar, comer bem significa incluir orgânico no prato. Ele cita uma afirmação da nutricionista e professora da Universidade de Nova York, Marion Nestlé, que chama atenção para os industrializados “naturais”: “junk food orgânico continua a ser junk food”.

Para Carlos Braghini, autor do livro Ecologia Celular – que aborda o papel da alimentação e do meio ambiente para a longevidade –, o tema orgânicos deve ser uma discussão ampliada. “Há uma corrente de pensamento que defende a seguinte reflexão: um salmão orgânico, alimentado com ração orgânica não é o mesmo alimento que um salmão selvagem, pescado em alto mar. O mesmo vale para uma galinha alimentada com ração de soja orgânica e uma galinha criada solta que cisca minhocas e come milho (algo que ela foi projetada pela evolução a fazer). Um cookie orgânico nunca terá o mesmo valor nutricional que uma maçã, mesmo que a fruta não seja orgânica”, explica.

Os ativistas dos orgânicos estão entusiasmados com a decisão da primeira-dama. Eles esperam que a medida seja a maior precursora de mudanças políticas em relação ao sistema alimentar americano, hoje baseado em subsídios para grãos como milho e soja. A ambição deste grupo é que aumente a demanda por alimentos frescos, locais e orgânicos. Alice Waters, considerada a mãe americana do movimento Slow Food, quer mais do que um jardim. O próximo pedido já foi feito: introduzir alimentação saudável nas escolas. Já o jornalista Michael Pollan propôs para o presidente Obama uma reforma no sistema alimentar. A prioridade, segundo o jornalista, é a diversidade e comida regional.

A notícia também agradou entusiastas brasileiros. Para a diretora do site Planeta Orgânico, Maria Beatriz Martins, a iniciativa de plantar uma horta orgânica na Casa Branca terá um efeito multiplicador. “Tenho certeza que a medida será uma motivação para inúmeras famílias. Afinal, não é qualquer setor que tem o presidente da república dos Estados Unidos como formador de opinião. Parabéns ao casal Obama”, declarou.

Carlos Braghini aponta que os governos são os principais responsáveis por permitir que comida ruim seja mais barata que comida saudável. “Qualquer iniciativa de governo que vá na direção de uma alimentação saudável é louvável e merece nosso aplauso”, justifica. Na opinião do autor, o caminho mais seguro para o Brasil seria avançar nas práticas de agricultura familiar. Nessa direção, o Ministério de Agricultura e Desenvolvimento Agrícola (MDA) promove há cinco anos a Feira Nacional de Agricultura Familiar, que estimula a produção e a cultura local. Talvez a Granja do Torto possa ter seu jardim com frutas e hortaliças cultivadas sem agrotóxicos.

A chef e consultora Ana Pedrosa, que atua há mais de 25 anos com alimentação natural, também comemora a iniciativa da família Obama. “Essa ação nos reporta ao passado, quando podíamos plantar, colher e comer. Hoje, já não temos esse privilégio. É uma oportunidade para consumir alimentos de pequenos produtores, valorizando a economia local e a sustentabilidade”, diz.

Da mesma forma que a primeira-dama está preocupada com a alimentação infantil foi esse o motivo que levou Ana a descobrir o universo da comida saudável, integral, fresca e orgânica. “Assim que tive filhos comecei a me preocupar com a alimentação deles. Venho de uma família de exímias cozinheiras e queria transmitir o valor da comida bem feita e com qualidade, sem gorduras e processados para eles. Daí, comecei a pesquisar sobre o assunto e acabei me envolvendo profissionalmente”, conta a chef, formada pelo Natural Gourmet Institute e uma das primeiras no Rio de Janeiro a comercializar salgados e quentinhas integrais.

Os entusiastas dos orgânicos nos Estados Unidos têm consciência dos entraves políticos e econômicos para implantar uma dieta baseada na redução de alimentos industrializados. “Não há infra-estrutura jurídica para implantar um modelo sustentável”, defende Pollan. Há também questões como o abastecimento da população com comida barata e em abundância e os subsídios agrícolas do governo americano para grãos como soja e milho.

Comer uma comida autêntica com qualidade, conectada ao meio ambiente e aos agricultores é uma tendência observada com destaque na mídia, na fala de chefs, acadêmicos, pesquisadores e escritores. Se é orgânico ou não, se é local ou global, se é saudável ou prazeroso; o cidadão que se alimenta precisa responder a uma série de questões. Entretanto, o que é fresco, local e variado é uma oportunidade de comer melhor. E isso não é uma lição atual, faz parte das tradições alimentares. O desafio é aplicar essa prática à vida urbana, cotidiana e frenética.

Para a chef Ana, existem alimentos do dia a dia ricos em sabor e nurtrientes que não são valorizados na dieta. “Você pode comer melhor e reeducar sua família com vegetais preparados de maneira diferenciada”, indica. É o caso da batata-doce, das abóboras e do inhame. Ana ensina duas receitas deliciosas para estimular o paladar e o interesse em buscar uma alimentação prazerosa e saudável. | Por: Juliana Dias/Malagueta Comunicação [Crédito/foto:Carolina Amorim].

FOnte: [ Portal Revista Fator ]

“Leite de maconha” ganha consumidores na América do Norte

MAURÍCIO HORTA
colaboração para a Folha de S.Paulo

“O ‘hemp milk’ tem saído tão bem quanto o leite de soja, e pais me dizem que o sabor baunilha é perfeito para as crianças”, diz Marcus Amies, gerente da loja de produtos naturais Jimbo’s, num subúrbio de San Diego, Califórnia (EUA). O produto – um leite vegetal orgânico com leve sabor de nozes e rico em aminoácidos essenciais e ômega 3 e 6– teria tudo para atingir mercados mundiais de orgânicos, não fosse um detalhe: é feito a partir de Cannabis sativa L., a planta da maconha.

Após seis décadas de proibição no Canadá por seu uso recreativo, o cultivo comercial do cânhamo reiniciou-se em 1998.

Os EUA, que forçaram o vizinho à criminalização nos anos 1930, abocanham hoje 59% das exportações. Lá, o litro do leite de cânhamo custa US$ 4,99; a garrafa de 457 g de azeite, US$ 14,99; e barrinhas energéticas, US$ 2,29. No Brasil, os produtos não estão disponíveis.

Leite feito com óleo de sementes de Cannabis

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Arroz orgânico brasileiro chega ao mercado externo

A Associação da Agricultura Biodinâmica do Sul já exporta arroz orgânico para Alemanha e Inglaterra e acaba de fazer contato com importadores dos Emirados Árabes Unidos e Líbano

Um grupo de 300 pequenos produtores dos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul formam um núcleo de desenvolvimento sustentado e orgânico. Há oito anos eles integram a Associação da Agricultura Biodinâmica do Sul (Abdsul), por meio da qual comercializam diversos produtos orgânicos como arroz, doces, geléias, polpas de frutas, mel e lã de carneiro.

No ano passado, o grupo realizou a primeira exportação de arroz orgânico para a Alemanha, após participar da Biofach, a maior feira de negócios do setor, na cidade de Nuremberg, na Alemanha. Em fevereiro deste ano eles participaram novamente da Biofach e desta vez fecharam negócios com importadores da Inglaterra e iniciaram contatos com compradores do Líbano e de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

“Até agora o produto que mais chamou atenção dos compradores internacionais foi o arroz. Eles compram da gente a granel e lá transformam o cereal em flocos e colocam no mercado como cereal matinal”, explica Marcelo Barbosa, vice-presidente da Abdsul.

De acordo com Barbosa, essa foi a segunda participação da entidade na feira e o primeiro contato com importadores do Oriente Médio. “Esperamos que os contatos, mais de trinta realizados na Biofach, rendam negócios futuros para todos os nossos produtos”, destaca. “Ao longo de 2009 vamos receber a visita de importadores da Inglaterra, Bélgica e Itália. Todos que conheceram nossos produtos na Alemanha”, afirma.

No mercado interno, a associação já comercializa os produtos dos associados em diversos estados e mantém representantes em capitais importantes como São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Brasília (DF), Porto Alegre (RS), Florianópolis e Belo Horizonte (MG).

A Abdsul faz parte do Organics Brasil, que é resultado de uma ação conjunta do Instituto de Promoção do Desenvolvimento, da Federação das Indústrias do Paraná e da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex). O projeto surgiu para promover os produtos orgânicos brasileiros no mercado internacional, reunindo empresas e produtores em torno de uma marca única, atendendo aos mais exigentes padrões de adequação sócio-ambiental. A participação em feiras internacionais como a Biofach é parte da estratégia do programa.

Fonte: [ ExporNews ]

Alimentos orgânicos: prós e contras

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Alimentos orgânicos são especiais tanto pelo ciclo de cultivo quanto pela ausência de fertilizantes químicos e agrotóxicos. Isso sem falar da harmonização e respeito aos demais elementos da natureza. Graças a um sistema de produção que busca o equilíbrio entre o solo e outros recursos naturais, como água e luz, há diferenciais importantes e benéficos para o consumo.

Usualmente são cultivados sem aditivos e conservantes sintéticos, livres de adoçantes, corantes, flavorizantes – que conferem o sabor ao produto. Tem uma durabilidade maior em relação aos convencionais, uma vez que o menor teor de água em sua composição reduz a proliferação de bactérias.

Um alimento orgânico fresco, aliás, possui 20% menos de água em sua composição, tornando os nutrientes mais concentrados; além de trazer quantidade maior de açúcar. Com níveis superiores de vitamina C, o tomate orgânico, por exemplo, apresenta 23% mais vitamina A do que os convencionais.

“Estudos recentes atestam que a diferença é acentuada em minerais. Têm teores maiores de vários deles: 63% a mais de cálcio, 73% a mais de ferro, 118% de magnésio, 178% de molibdênio, 91% de fósforo, 125% de potássio e 60% de zinco. Por outro lado, possuem 29% a menos de mercúrio, o que é excelente”, explica Patrícia Realino Guaitoli, nutricionista parceira do Ganep Nutrição Humana para o desenvolvimento de projetos especiais.

Em todo o país, são cerca de 15 mil produtores de alimentos orgânicos. De acordo com o Ministério da Agricultura, houve um crescimento de 114% no número de agricultores – 7 mil em 2000 para 15 mil em 2008 – além de um aumento de 196% na área de plantio – de 270 mil hectares para 800 mil, neste mesmo período.

Orgânicos são apenas 1% de todo o alimento que é vendido no Brasil. Apesar do aumento da cadeia produtiva, a dificuldade com transporte e pontos-de-venda, além das condições de produção, fazem com que a queda no preço seja lenta e difícil. Em média, o custo é de 10% a 30% superior ao dos convencionais, variação que depende do tipo de produto e da época. Em hortaliças e frutas, a diferença tem caído. Quanto aos laticínios, o preço pode ser mais do que o dobro.

Nos últimos anos, o mercado de produtos orgânicos se ampliou e ganhou novos itens, além dos in natura. Entre eles, sucos, laticínios, óleos, doces, palmito, pães, biscoitos, molhos, cerveja, vinho, cachaça, mel, pratos prontos congelados, frutas desidratadas, açúcar branco e mascavo, café, guaraná em pó, barra de cereais, hortaliças processadas, camarão, frango e carnes.

Os produtores de alimentos orgânicos precisam seguir um critério rigoroso para garantir o selo de certificação. A regulamentação, em vigor desde o fim de 2007, indica os procedimentos básicos de cultivo, colheita e armazenamento. Estabelece ainda um prazo de dois anos para os produtores que vendem em feiras se organizarem em associações, com direito a registro no ministério e um documento (espécie de alvará).

Ao vender direto para o consumidor, deve-se exibir esse registro para provar que está de acordo com as normas. Já os produtores maiores, que atuam direto com redes de distribuição, levaram o selo único das certificadoras. No Brasil, são mais de 20 empresas de certificação, credenciadas na International Federation of Organic Agriculture Movements (IFOAM), federação internacional que congrega os diversos movimentos relacionados com a agricultura orgânica.

Estes critérios para regulamentar os orgânicos protegem a população dos riscos que os alimentos comuns conferem à sua saúde. O relatório do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) divulgado em 2008 mostra que, de cada dez pés de alface à venda em feiras e supermercados, quatro estão contaminados por resíduos de agrotóxicos. Cerca de 40% do tomate e do morango consumidos pelos brasileiros contêm vestígios de uso pouco criterioso de agrotóxicos.

Outros seis alimentos que fazem parte do cardápio regular do brasileiro também foram analisados em 2007 e registraram resíduos irregulares de defensivos agrícolas: banana (4,3%), batata (1,36%), cenoura (9,9%), laranja (6%), maça (2,9%) e mamão (17,2%). As amostras analisadas são de 16 estados de todas as regiões do país, além dos municípios de Belo Horizonte, Curitiba e São Paulo. Nos orgânicos, desde que sejam de procedência, não existe esse tipo de contaminação.

Patrícia Realino alerta que o ideal é adquirir o alimento orgânico certificado, o que é uma garantia sobre os adequados processos de produção, desde a desintoxicação do solo até o envolvimento com projetos sociais e de preservação do meio ambiente.

Dicas de compras e armazenamento

– Nos pontos de venda, verifique se os orgânicos estão separados dos convencionais, o que evita a contaminação por produtos químicos ou resíduos de agrotóxicos;

– Em algumas cidades, existem feiras exclusivas administradas e fiscalizadas por associações de agricultura orgânica, onde os produtos são mais baratos, já que o produtor vende diretamente ao consumidor;

– Sempre verifique o selo da certificadora na embalagem. Para resguardar o consumidor, as grandes redes de supermercados e os importadores não adquirem produtos sem esta procedência;

– Ao escolher apenas alguns alimentos para levar, prefira tomate, morango, batata e alface, os mais contaminados por agrotóxicos no cultivo de maneira convencional;

– Ao armazenar na geladeira, guarde os alimentos em saquinhos, para não ressecar. Faça furos pequenos no plástico, para que a fruta, o legume ou a verdura possam respirar e não estraguem mais rapidamente.

Fonte: [ Farol Comunitário ]

Curitiba receberá o primeiro Mercado de Orgânicos do Brasil

Vejam como Curitiba é notoriamente um exemplo para todo o Brasil, digno de destaque e modelo de desenvolvimento para o país (editor do blog TSP).

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Prefeitura deve entregar obras na próxima semana

SMCS

[img:Frutas_ok.JPG,full,centralizado]A Prefeitura de Curitiba está fazendo os últimos retoques no Mercado Municipal Orgânico, que será entregue à população no próximo dia 12, quinta-feira. O primeiro Mercado Orgânico do Brasil oferecerá mais de mil tipos de produtos certificados com selo de produto sem agrotóxicos e aditivos químicos. Além dos produtos, o prédio e as lojas também contam com certificação que garantem aos consumidores qualidade e segurança da comercialização orgânica.

O novo Mercado fica ao lado e integrado a um ícone gastronômico de Curitiba, o Mercado Municipal, por onde circulam mais de 50 mil pessoas por semana. “A localização é estratégica e facilita o acesso da população à alimentação saudável, beneficiando comerciantes e, principalmente, a agricultura familiar paranaense que vive da produção orgânica”, diz o prefeito Beto Richa.

O prédio, de arquitetura moderna, é conectado ao antigo Mercado Municipal de Curitiba, para que o público possa circular nos dois ambientes. A integração entre o tradicional Mercado Municipal e o novo Mercado Orgânico será pela praça de alimentação, ao lado do Box Curitiba.

Nesta semana, equipes contratadas pela Prefeitura estão fazendo a limpeza geral do prédio de 3.700 metros quadrados e instalando as placas de sinalização. Os comerciantes que ocuparão as 22 lojas e bancas também estão terminando de organizar os espaços. O Mercado Orgânico vai gerar mais de 40 empregos diretos e 160 indiretos.

No Mercado Orgânico, os consumidores encontrão açougue, restaurante, lanchonete, artesanato, confecção, cosméticos, hortifrutigranjeiros e alimentos industrializados com certificação de produção livre de agrotóxico e com responsabilidade social. Duas cooperativas paranaenses de agricultores orgânicos ocuparão as bancas de hortifrutigranjeiros.

A obra é uma parceria da Prefeitura de Curitiba com o Ministério do Desenvolvimento Agrário. São 3.700 metros quadrados, dois pisos e estacionamento. Os comerciantes foram selecionados por meio de pregão eletrônico.

Na parte de cima do Mercado foi construído um anfiteatro que servirá para cursos de empreendedorismo. A Prefeitura firmou parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), com Sistema Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e com Sebrae, para oferecer cursos a agricultores e comerciantes.

fonte: [ Bem Paraná ]

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Na boa? Eu quero ir morar em Curitiba. A única cidade do Brasil, ao meu ver, que é gerida por gente séria e comprometida com o bem estar de sua população.

Fertilizantes orgânicos reduzirão dependência brasileira de nutrientes

Alana Gandra

14/01/2009 Em parceria com empresas do setor privado, a Embrapa Solos está desenvolvendo fertilizantes orgânicos à base de resíduos industriais. Com isso, o Brasil poderá reduzir a importação de nutrientes, que representa atualmente 75% do total de 30 milhões de toneladas consumidas por ano.

Dependência nacional de fertilizantes

Segundo o pesquisador José Carlos Polidoro, um dos coordenadores do projeto, atualmente o país importa 75% dos nutrientes que consome na agricultura, seja em resíduos orgânicos ou minerais, o que corresponde a um total de 22 milhões a 24 milhões de toneladas por ano. Quanto ao potássio, o país importa anualmente 92% do volume consumido. “E a tendência é aumentar.”

A Roda d’Água, de Minas Gerais, foi a primeira empresa privada que procurou a Embrapa, interessada em criar produtos inéditos no mercado de agricultura orgânica, desenvolvendo fertilizantes próprios para a agricultura tropical, para maior aproveitamento dos nutrientes.

Polidoro disse que o objetivo da Embrapa Solos é estimular empresas nacionais que já produzem fertilizantes orgânicos por processos não-tecnológicos, baseados na simples compostagem de resíduos orgânicos, oferecendo apoio tecnológico para que seus produtos tenham garantias técnicas mínimas que substituam o produto importado.

Aprimoramento de tecnologia

Inicialmente, a Embrapa Solos aproveitará resíduos usados pelo grupo Roda d’Água como matéria-prima – resíduos de cervejaria, como bagaço da cevada, fornecido pela Ambev, e do restaurante industrial da montadora de automóveis Fiat, para transformar em fertilizante orgânico. “O que queremos agora é aprimorar esse fertilizante.”

De acordo com Polidoro, o produto atende as exigências para registro no Ministério da Agricultura. “Só que não compete com o fertilizante mineral importado, porque tem teor muito baixo de nutrientes.” Com esse serviço, a Embrapa busca usar sua tecnologia para colocar no mercado um fertilizante em condições de competir com o importado.

Reaproveitamento de resíduos

Outro aspecto positivo é a proteção do meio ambiente por intermédio do reaproveitamento de resíduos na produção do fertilizante. Para Polidoro, o uso de fertilizantes adequados é um dos fatores necessários para a agricultura orgânica brasileira alcançar alta produtividade com baixo impacto ambiental. “Aí, torna-se uma atividade profissional, que sempre se deve procurar na agricultura.”

A terra preta, fertilizante encontrado comumente em supermercados, não é um insumo adequado para sustentar uma agricultura de alto padrão, disse o pesquisador, em entrevista à Agência Brasil.

Fertilizantes orgânicos

Oito pesquisadores trabalham no projeto de fertilizantes orgânicos, que usa também resíduos como aparas de grama, carvão, biofortificação e dejetos de cavalos. “Além de ser uma alternativa viável para diminuir a dependência externa de insumos, evita~se o impacto ambiental desses resíduos todos”, afirmou Polidoro.

Ele ressaltou que mesmo os produtos importados têm de ser bem aproveitados na agricultura: “Não podemos jogar fertilizante fora, nem deixar que resíduos como potássio sejam destinados a lixões e aterros sanitários, ou que fiquem acumulados em pátios de indústrias. Isso tem de se tornar fertilizante.”

Para ele, as empresas precisam começar a produzir fertilizante orgânico competitivo a partir de resíduos industriais, com adição de tecnologia. Para a agricultura brasileira, que depende de 75% de fertilizantes importados, trata-se de uma questão de “segurança nacional”, uma vez que o país precisa do agronegócio para manter a balança comercial positiva, disse.

Dependência de nutrientes

“É um perigo depender tanto de uma importação dessa, porque são poucos os países que exportam nutrientes”. Os principais exportadores de potássio são Rússia, Canadá, China e Estados Unidos. Polidoro informou que o único nutriente para fertilizantes produzido atualmente no Brasil é o fosfato, que equivale a 50% do consumo. Em 1993, o país produzia 100% de fosfato. “Tinha até excedente, que exportávamos para a América Latina. Hoje, importamos metade do fosfato”. Com elevada reserva de fosfato, Marrocos é o principal fornecedor desse mineral ao Brasil.

As empresas interessadas na parceria para produção de fertilizante orgânico tecnológico devem procurar a Rede Nacional de Fertilizantes, recém-aprovada no Sistema Embrapa de Gestão de Projeto. A rede é liderada pela Embrapa Solos e integrada por indústrias em geral, fábricas de fertilizantes, órgãos de fomento e universidades, além de agricultores. Seu foco central é a diminuição da dependência externa de nutrientes do Brasil.

Fonte: [ Inovação Tecnológica ]

Saiba como fabricar fertilizantes orgânicos

A TARDE

Veja como fazer para preparar composto orgânico, fertilizante orgânico líquido e inseticidas caseiros e naturais com receitas testadas pela equipe do Grupo Ambientalista da Bahia (Gambá) que ministrou a Oficina de Capacitação em Produção de Mudas Nativas para Reflorestamento nos dias 17 a 19 de março, na Reserva Jequitibá, no município de Elísio Medrado.

Ingredientes: esterco bovino fresco e água não clorada.

Como preparar:

1. Em um recipiente de 500 litros, colocar partes iguais de esterco bovino fresco e água não clorada, deixando um espaço vazio de 15 a 20 cm.

2. Adaptar uma mangueira à tampa do tambor, cuja extremidade externa deverá ser imersa em uma vasilha com água, para que ocorra um processo de fermentação anaeróbico (sem a presença de ar). Deve-se tomar cuidado para a mangueira não ficar imersa no líquido em fermentação ou entupir, pois os gases produzidos pelo processo de fermentação poderão estourar o tambor.

3. Deixar o líquido fermentar por aproximadamente 90 dias, quando estará pronto para ser usado. O armazenamento do produto final não deve exceder a 30 dias depois de pronto, pois com o tempo ele diminui sua eficiência fitossanitária.

Como usar:

1. O produto fermentado pode ser utilizado de várias maneiras, porém o método mais eficiente é em pulverização foliar, que promove um efeito mais rápido. Neste caso, ele deve ser coado antes do uso e diluído em água na proporção de 01 litro de biofertilizante para 100 litros de água, e pulverizado nas plantas, chegando a ponto de escorrimento, para que cubra totalmente suas folhas e ramos.

2. Pode ser usado também no tratamento de sementes, as quais são mergulhadas na solução do biofertilizante puro por um período de 1 a 10 minutos, devendo secá-las á sombra por duas horas e plantá-las em seguida. As sementes tratadas não devem ser armazenadas, pois perdem muito rapidamente sua capacidade germinativa.

3. No caso de estacas, bulbos e tubérculos, pode-se utilizar o mesmo tratamento acima e se fazer o plantio imediato, o que aumenta o enraizamento das plantas.

4. Na produção de mudas, pode ser utilizado na rega de canteiros ou de sacos de plantio, e quando aplicado puro tem um excelente efeito bactericida. A parte sólida resultante da coagem pode ser usada nas covas de plantio, na compostagem, ou ainda na alimentação de peixes e suínos. No caso dos suínos, deve ser devidamente desidratada e adicionada à ração, na proporção máxima de 20%.

Para que serve:

1. Os testes com fertilizante orgânico comprovaram seu efeito na redução de incidência de pragas e doenças, além do aumento da produção e da produtividade das culturas onde foi utilizado.

2. Quando aplicado em pulverizações foliares, em diluições de 10 a 30% tem efeito fertilizante, contribuindo para o aumento da produtividade e dando mais resistência às plantas.

3. Em plantas frutíferas dever ser aplicado mensalmente nos períodos pós-colheita, quando apresentam deficiência ou desequilíbrio nutricional.

4. Para a fixação de flores e frutos deve ser aplicado o produto nas mesmas concentrações do período pós-colheita, prática que contribui para a elevação da produtividade.

5. Em plantas olerícolas (soja, mamona) as pulverizações devem ser semanais.

6. Com o uso do fertilizante orgânico observou-se que as plantas frutíferas têm uma florada mais intensa e uma ramagem mais abundante, ocorrendo um prolongamento do período de colheita.

7. No tratamento de estacas, rizomas e manivas ocorre uma grande emissão de raízes, favorecendo seu pegamento e seu vigor vegetativo.

8. Em plantas ornamentais estimula a emissão de flores fora de época, principalmente em violetas, roseiras e hortênsias.

9. No caso das olerícolas e folhosas, as plantas ficam mais sensíveis à falta de água, havendo a necessidade de maiores cuidados com a irrigação.

10. Em relação ás doenças fúngicas, o fertilizante orgânico reduziu a incidência da antracnose no jiló, da podridão do abacaxi, do mofo verde da laranja, das manchas deprimidas do maracujá, dentre outras.

Fonte: [ A TARDE ]

Ministro da Agricultura e produtores discutem normas para alimentos orgânicos

Lúcia Nórcio
Repórter da Agência Brasil

Curitiba – O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes, participou hoje (3), em Curitiba, da abertura da reunião da Câmara Setorial de Agricultura Orgânica. Nos próximos dois dias estará sendo discutida a estruturação do setor após a regulamentação da lei sobre produtos orgânicos, divulgada no último dia 28 de dezembro. A idéia é que seja definido um calendário para que, a partir do segundo semestre, as primeiras instruções normativas possam ser publicadas após consultas públicas.

Stephanes se declarou um consumidor de produtos orgânicos, afirmando que as refeições do Ministério da Agricultura são preparadas com esse tipo de produto. “A lei vai garantir a todos os brasileiros que o produto comprado no supermercado, certificado, é de boa qualidade. O produtor também saberá que métodos e garantias têm à sua disposição para colocar esse produto no mercado”, disse.

O ministro demonstrou preocupação com a presença de poucos produtores na reunião, segundo ele, os principais interessados na regulamentação de normas para o setor.

A instrução normativa que trata dos Sistemas Participativos da Garantia da Qualidade Orgânica será um dos principais itens a serem discutidos pela câmara setorial. Atualmente, são reconhecidas apenas as certificações auditadas, nas quais os auditores vão à propriedade e verificam os processos de produção.

Outro assunto em pauta será a participação da agricultura orgânica na Conferência Regional da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação para a América Latina e Caribe (FAO/RLC), que ocorrerá em Brasília entre 14 e 18 de abril. A câmara setorial definirá os temas que o governo brasileiro levará para o encontro, que contará com a presença de 30 ministros da Agricultura do continente.

De acordo com o coordenador de Agroecologia, do Ministério da Agricultura, Rogério Dias, é muito difícil saber quanto o Brasil produz de orgânicos, porque não existe ainda um sistema de credenciamento, o que será implantado com a regulamentação da lei.

“Todas as certificadoras terão de informar o número de produtores e total de área produzida. Boa parte da produção atualmente é vendida em feiras ou entregues em domicílio, o que dificulta esse levantamento. Temos uma estimativa que devem existir em torno de 15 mil produtores no Brasil, trabalhando numa área de 800 mil hectares, mas não vamos nos surpreender se este número for bem maior”, afirmou Dias.

O secretário da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, Valter Bianchini, explicou que é possível uma propriedade manter a produção de alimentos orgânicos e convencionais, desde que sejam adotadas barreiras como distância, separação por matas e outras técnicas. Segundo ele, no caso de a propriedade manter sistemas de produção orgânico e convencional, as normas para certificação são rígidas para impedir qualquer contaminação.

Fonte: [ Agência Brasil ]

Embrapa lança livro sobre produção orgânica de hortaliças

Pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Hortaliças), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em comemoração à 3ª Semana dos Alimentos Orgânicos, lançaram nesta sexta-feira (09), em Brasília, a publicação Produção Orgânica de Hortaliças – o produtor pergunta e a Embrapa responde.

O livro, escrito por mais de 40 pesquisadores, contou também com a colaboração de pesquisadores de outras unidades da empresa, além de cientistas, professores e técnicos de outras instituições de pesquisa, ensino e extensão, além de produtores rurais que atuam no setor.

Editado pela Embrapa Informação Tecnológica, o livro Produção Orgânica de Hortaliças integra a coleção 500 Perguntas e 500 Respostas, onde apresenta informações técnicas sobre a produção orgânica de hortaliças e aborda assuntos como a legislação, mercado de comercialização, passando por manejo da água e do solo, adubação, controle de insetos-praga e doenças, procedimentos pós-colheita entre outros temas relacionados à produção orgânica.

O livro estará disponível aos interessados na sede da Embrapa, em Brasília e também na sua livraria virtual (www.embrapa.br) ao preço de R$ 30.

Fonte: [ Bonde News ]

Agricultor orgânico já processa a produção

Geléias, vinagre, molhos, frutas desidratadas e laticínios são os itens já disponíveis no mercado interno e para exportação

Niza Souza – O Estado de S.Paulo

– Há dez anos, o fruticultor paranaense Mauro Passos percebeu que precisava agregar valor à sua produção de caqui orgânico. Começou a fazer uma classificação mais rígida das frutas, para comercialização in natura. Passou a oferecer produtos com mais qualidade, principalmente no visual. Com uma seleção mais rígida, aumentou, porém, a quantidade de frutos descartados. ””Chegava a ter 40% de refugo””, conta. Decidiu, então, dar mais um passo na cadeia produtiva, passando não só a produzir, como a processar o caqui.

Contando apenas com mão-de-obra familiar, o primeiro produto que saiu da cozinha montada para o processamento foi o caqui desidratado. ””Mas percebemos que a cozinha ficaria ociosa e aumentamos a variedade de produtos.””

Além dos 4 hectares de caqui, a família passou a cultivar meio hectare de uva e meio hectare de amora no sítio, em Campina Grande do Sul (PR).

Com isso, a linha de produtos, que ganhou a marca Quina Amarela, foi incrementada com geléias, hoje o principal produto da marca, e novos sabores. ””Agora estamos finalizando o processo de industrialização do vinagre de caqui””, revelou Passos, durante a Biofach América Latina, que terminou na quinta-feira, em São Paulo (SP).

Os produtos orgânicos industrializados dominaram a Biofach. E chama atenção o grande números de produtores, inclusive familiares, como Passos, que processam a produção como alternativa para melhorar a renda. ””O Brasil é conhecido internacionalmente como produtor de produtos primários. Temos de mudar isso. Valorizar nossa produção””, defende o gestor do projeto Organics Brasil, Ming Liu.

Para o agrônomo José Pedro Santiago, do Instituto Biodinâmico (IBD), certificadora nacional de orgânicos, a verticalização – ou seja, a produção e o processamento da matéria-prima na propriedade rural – da produção orgânica é uma tendência. ””Isso é bom e necessário. Além de agregar valor, o agricultor amplia mercados.”” Outra vantagem é que o produtor pode programar as vendas.

Passos sabe bem disso. ””Colhemos as frutas, que passam por um tratamento sanitário e depois as congelamos, para ter matéria-prima o ano inteiro para produzir as geléias.”” E, nos últimos quatro anos, a proporção de vendas se inverteu. Hoje, 30% da produção do caqui é vendida fresca e o restante vira geléia. ””A rentabilidade do processado é melhor. Para cada R$ 1 investido, ganhamos R$ 3 com a venda in natura e em torno de R$ 4 com as geléias.””

CONCORRÊNCIA

A agrônoma Araci Kamiyama, da Associação de Agricultura Orgânica (AAO), diz que, ao contrário dos produtos convencionais, os orgânicos já começam a agregar valor no campo. ””Mas é claro que compensa processar, principalmente pelo ganho de tempo de prateleira.”” Segundo ela, há uma tendência não só dos agricultores, mas também de grandes grupos, de entrar no ramo dos orgânicos. ””O lado bom é que o consumidor terá mais opções no mercado. O lado ruim é que, talvez, a competitividade do pequeno produtor fique prejudicada.””

Por isso, ela alerta que é preciso tomar alguns cuidados antes de começar a processar. ””O produtor precisa ver se há mercado. E, se precisar comprar matéria-prima, procurar antes os fornecedores.”” Vale lembrar que, para ser considerado orgânico, a legislação exige que 95% dos ingredientes que compõem o produto sejam orgânicos e certificados.

É para não depender de fornecedores que o agricultor Fulgêncio Torres, de Porto Morretes (PR), quando decidiu produzir cachaça orgânica, há quatro anos, optou por ter sua própria plantação de cana-de-açúcar. ””É uma forma de garantir o padrão de qualidade da bebida””, justifica. Apesar das dificuldades na produção, Torres diz que compensa investir no produto orgânico. ””É um mercado que está crescendo e estou apostando no setor.””

INFORMAÇÕES: AAO, tel. (0–11) 3875-2625

Fonte: [ Estadão ]