Bunias orientalis: a couve-verrucosa-turca e sua invasão de 250 anos

Conheça a Bunias orientalis, brássica perene invasora de flores amarelas, raiz de 2 m e néctar de glicose e frutose. Veja a ficha completa no portal.

A Bunias orientalis L., conhecida popularmente como couve-verrucosa-turca e agrião-das-rochas-turco, é uma erva da família das brássicas (Brassicaceae) cuja história de invasão na Europa e em regiões temperadas do mundo já dura cerca de 250 anos. Originária dos planaltos da Armênia e das estepes da Europa Oriental, da Sibéria e do Cáucaso, ela se tornou uma presença marcante — e muitas vezes indesejada — em paisagens de toda a Europa temperada.

O que chama atenção nessa planta é a combinação de robustez e estratégias de dispersão muito eficientes: caules grossos com protuberâncias verrucosas que dão nome ao seu apelido popular, raiz principal que pode alcançar 2 metros de profundidade e uma produção de sementes que ultrapassa mil unidades por planta. Não à toa, a espécie é considerada invasora na Alemanha, onde há programas de controle em áreas protegidas.

Neste artigo, reunimos os principais dados científicos documentados sobre a Bunias orientalis — de sua morfologia ao néctar que produz, de sua produtividade em cultivo ao papel como hospedeira de vírus. Para ver fotografias, mapas de distribuição e as referências científicas completas, acesse a ficha da espécie no portal Tudo Sobre Plantas.

De onde vem e onde chegou a couve-verrucosa-turca

A Bunias orientalis tem origem nos planaltos da Armênia e nas estepes e estepes florestais da Hungria, Ucrânia e Armênia, além de ocorrer naturalmente na Europa Oriental, Sibéria, Cáucaso e Ásia Ocidental. De acordo com um estudo de 2017 sobre a diferenciação genética da espécie, o Cáucaso teria sido uma região-chave para sua expansão, e a planta se espalhou rapidamente por toda a Europa Central e Escandinávia, atravessou a Ásia em direção à China e chegou aos Estados Unidos e ao Canadá há várias décadas.

Hoje, a espécie é encontrada em grande parte da Europa temperada — da Sibéria Ocidental até a Alemanha, dos Bálcãs até o centro da Suécia e sul da Finlândia —, além do leste da França (Alsácia e Lorena) e do sudeste da Inglaterra. Na Lituânia, o primeiro registro data de 1885, no distrito de Klaipėda. Uma curiosidade histórica: a planta se espalhou pela Europa acompanhando o exército russo, que a utilizava para alimentar cavalos. Na Alemanha, os primeiros registros remontam ao século XVII, na Turíngia.

Essa capacidade de ocupar territórios tão distintos tem relação direta com a tolerância da espécie a diferentes condições. Ela prefere bordas de estradas, campos secos, prados frescos, parques, margens de rios, terrenos baldios, encostas e campos de calcário. Em um estudo de caso realizado a cerca de 280 metros de altitude, a planta apareceu em solo argiloso, com pH neutro a muito levemente alcalino, teor de fósforo muito baixo, potássio alto e presença de calcário.

Morfologia: raízes profundas e verrugas marcantes

Estamos diante de uma planta herbácea perene — às vezes bienal — que pode viver até 12 anos e atingir 180 centímetros de altura, embora outro estudo mencione plantas de até 1,2 metro. Os caules são verticais e grossos, e tanto eles quanto as folhas e os frutos apresentam as típicas protuberâncias verrucosas que renderam à espécie seu nome popular.

O sistema radicular é igualmente impressionante: a raiz principal pode ser muito longa, chegando a 2 metros de profundidade. Um detalhe crucial para quem lida com a espécie é que pequenos fragmentos de raiz são capazes de gerar novas mudas — ou seja, a reprodução vegetativa é uma realidade. A propagação por sementes, no entanto, é a forma predominante nas populações estudadas.

As flores são amarelas, em formato de cruz, e muito abundantes durante a floração, que começa em maio. Elas exalam um perfume forte. O período de floração se estende do final de maio a agosto, com uma segunda floração no final do verão ou início do outono. A polinização é cruzada, mas a autopolinização também pode ocorrer.

Sementes, germinação e um banco duradouro no solo

A produção de sementes da Bunias orientalis é notável: mais de 1000 sementes (nozes) por planta, grandes em comparação com outras ervas. Essas sementes possuem longa viabilidade e formam um banco no solo que pode chegar a 1000 sementes por metro quadrado. O pico de germinação ocorre na primavera, seguido por uma segunda fase principal no outono. Após germinar, a planta investe em crescimento radicular — estratégia que explica a profundidade das raízes e a resistência da espécie.

Essa dinâmica de germinação e a longevidade das sementes ajudam a entender por que a espécie é tão difícil de controlar. Mesmo que a parte aérea seja removida, o banco de sementes no solo garante novas gerações. A espécie depende de perturbação para se espalhar e não tolera alagamento, mas as sementes no solo germinam após a recessão da água.

Néctar: pouco volume, mas muita estratégia

Um estudo de 2016 sobre a produção de néctar e a estrutura dos nectários receptaculares da Bunias orientalis revelou dados interessantes. As quantidades de néctar produzido pelas flores e a massa total de açúcar no néctar foram relativamente baixas: a produção total de carboidratos por 10 flores foi, em média, de 0,3 mg. O néctar continha exclusivamente glicose (G) e frutose (F), com uma razão G/F geral maior que 1.

Apesar da baixa produção individual, a exibição floral extremamente alta da espécie faz com que ela possa ser uma fonte valiosa de alimento para insetos visitantes. Segundo os autores, isso pode gerar competição por polinizadores com a flora nativa, diminuindo as visitas a outras plantas. Acredita-se que a espécie represente uma ameaça à flora nativa justamente por suas altas taxas de colonização e capacidade de formar aglomerados dominantes.

Cultivo, produtividade e manejo

Embora seja mais conhecida como invasora, a Bunias orientalis também tem sido estudada como planta forrageira. Um estudo de 2018 sobre o potencial da espécie no Norte registrou produtividade média de 5,2 kg por metro quadrado, medida do período de floração ao início da frutificação, em plantações de 2 a 5 anos. Com uso intensivo e prolongado, esse valor pode cair para 0,2 kg por metro quadrado — uma diferença enorme que reforça a necessidade de manejo cuidadoso.

Para quem deseja cultivá-la ou controlá-la, o primeiro corte deve ser feito durante o período de brotação e floração, e o segundo corte entre julho e agosto, após a rebrota. Na Alemanha, onde a espécie é considerada invasora, o programa de ação para controle em áreas protegidas inclui medidas mecânicas, pastoreio e corte repetido.

Em experimentos controlados, plantas cultivadas em câmara de crescimento a 22°C ou 24°C, com ciclo claro:escuro de 16:8 horas e umidade relativa de 75% ou 70%, receberam fertilização com nitrato em baixo e alto nível. Os resultados de 2022 mostraram que, sob alta fertilização, a B. orientalis direciona mais recursos para o crescimento e defesas morfológicas do que para defesas químicas. As respostas induzidas ao ataque de inimigos naturais em curto prazo parecem independentes da disponibilidade de nitrato nessa população.

Relação com vírus e outros organismos

Um dado relevante para a fitossanidade é que a Bunias orientalis serve como hospedeiro natural durante o inverno para o vírus do mosaico do nabo (TuMV). Isso significa que a planta pode funcionar como reservatório do vírus entre estações, o que interessa diretamente a produtores de brássicas cultivadas.

Além disso, a espécie é alvo de estudos sobre infecções fúngicas e herbivoria. A pesquisa de 2022 investigou como a planta responde a esses ataques em curto prazo, e os resultados indicam que as respostas são independentes do suprimento de nutrientes — um achado que ajuda a entender a plasticidade da espécie em diferentes condições de solo.

Por que a Bunias orientalis é tão bem-sucedida?

Somando todas as características, fica claro por que a couve-verrucosa-turca é uma invasora tão eficiente. Ela combina:

  • Longevidade: indivíduos que podem viver mais de 10 anos, segundo observações de campo.
  • Sistema radicular profundo: raízes de até 2 metros, com capacidade de rebrotar a partir de fragmentos.
  • Produção massiva de sementes: mais de 1000 por planta, com longa viabilidade e banco no solo.
  • Duas janelas de germinação: primavera e outono, ampliando as chances de estabelecimento.
  • Floração prolongada e atrativa: de maio a agosto, com segunda floração no final do verão, oferecendo recursos a polinizadores.
  • Tolerância a diferentes solos: de argilosos a calcários, com pH neutro a levemente alcalino.

Essa combinação faz da espécie uma competidora formidável, capaz de formar aglomerados dominantes e reduzir a diversidade nativa. Ao mesmo tempo, seu potencial forrageiro e sua biologia intrigante a tornam objeto de estudo em várias frentes.

A Bunias orientalis, a couve-verrucosa-turca, é muito mais do que uma simples invasora: é um exemplo fascinante de adaptação e resiliência no mundo vegetal. De suas raízes de 2 metros ao néctar com glicose e frutose, cada detalhe revela estratégias que lhe permitiram atravessar continentes e se estabelecer por mais de dois séculos na Europa.

Se você quer se aprofundar no conhecimento dessa espécie — ver fotografias, consultar as referências científicas completas e entender melhor sua distribuição —, visite a ficha completa no portal Tudo Sobre Plantas. E lembre-se: o portal é colaborativo. Você pode contribuir com observações, fotos e relatos de cultivo, ajudando a comunidade SiSTSP a mapear e compreender melhor essa e outras plantas.

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Todas as informações deste artigo foram extraídas diretamente da base de dados científica do portal Tudo Sobre Plantas. Acesse a ficha completa de Bunias orientalis para ver fotografias, referências bibliográficas disponíveis para download, discussões da comunidade e muito mais.

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Mosquito da dengue sobrevive comendo somente planta

por Anahi Zurutuza

Foto: [ Portal do Seridó ]
Foto: [ Portal do Seridó ]

Ter a planta conhecida como Coroa de Cristo [Euphorbia milii] em casa significa risco à saúde dos moradores e da vizinhança. O arbusto espinhoso, muito usado em residências como cerca viva, serve de alimento para o mosquito transmissor da dengue, que pode passar a vida toda alimentando-se apenas do néctar contido nas flores da planta.

A descoberta é do biólogo e pesquisador da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Antônio Pancrácio de Souza e da orientanda dele no curso de Biologia da universidade, Nathalia Cavichiolli de Oliveira, que há 12 meses estudam os hábitos alimentares do Aedes aegypti.

Segundo o professor, que é doutor em Entomologia (ciência que estuda os insetos), já se sabe que o Aedes aegypti macho não se alimenta de sangue humano, mas que a fêmea depende do sangue para a maturação os ovos antes de botar e é no momento da picada que ela transmite o vírus da dengue para as pessoas. Contudo, de acordo com Pancrácio, tanto o mosquito macho, quando a fêmea são capazes de completar o ciclo de vida, que dura em média 30 dias, alimentando-se apenas das flores da Coroa de Cristo.

O pesquisador explica que a planta, portanto, “contribui para a manutenção da população do mosquito transmissor da dengue”. Segundo Pancrácio, não se pode dizer que a Coroa de Cristo necessariamente funciona como atrativo para o inseto, mas a fêmea pode manter-se viva e nutrida nas proximidades do arbusto até encontrar o humano para alimentar-se do sangue, amadurecer os ovos e, então, procriar. “Ter esta planta em casa facilita a sobrevivência da população de Aedes aegypti e mantém o mosquito perto de quem ele não deveria estar”.

Motivação

Antônio Pancrácio afirma que há alguns anos pesquisa plantas que serviriam como inseticida contra o mosquito e que teve a ideia de estudar os hábitos alimentares do inseto para poder contribuir com mais informações sobre o transmissor da dengue para que autoridades em Saúde Pública tenha subsídios para combater o vetor. “Já se sabe que as orquídeas e as bromélias são planta propícias para a sobrevivência dos ovos e larvas do mosquito da dengue[*], mas nosso objetivo era estudar o adulto. E a nossa descoberta só mostrou que alguns pontos da ecologia e da biologia básica do inseto ainda precisam ser estudadas”.

Segundo o biólogo, o primeiro passo da pesquisa foi perguntar em diversas floriculturas de Campo Grande quais eram as plantas mais vendidas para uso em residências. Foram elencadas sete plantas. Os mosquitos foram mantidos confinados com cada planta e apenas os que estavam alimentando-se do néctar da Coroa de Cristo sobreviveram.

Última fase

A pesquisa caminha para a reta final. Segundo o professor, ainda este semestre serão feitos mais estudos que servirão como prova definitiva de que o Aedes aegypti pode alimentar-se apenas da Coroa de Cristo. “Vamos verificar se os açucares existentes no néctar da planta estão no organismo do mosquito. Se estiverem, ficará provado que ele realmente estava alimentando-se destas flores”.

De um modo geral, Pancrário afirma que ficou constatado que as plantas ornamentais presentes em nossos quintais podem favorecer a sobrevivência dos mosquitos adultos e isso deve servir de alerta para a população. “Estamos padronizando os experimentos nesta planta, de modo a servir como modelo para testes com outras espécies”, justifica.

No final do ano, o biólogo pretende publicar artigo científico para divulgar a descoberta. A pesquisa desenvolvida pelo professor e a aluna foi financiada pela Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado do Mato Grosso do Sul (Fundect).

Fonte: [ Correio do Estado ]
imagem: [ Portal do Seridó ]


[*] Bromélias não constituem focos preferenciais do mosquito do dengue

Flores – Aparecimento e Evolução

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Flores – Aparecimento e Evolução
Dra. Alexandra Gobatto[1]

Quem nunca se encantou com a perfeição de formas e cores de uma orquídea, tulipa, dália, agapanto, rosas e violetas? Azáleas…

Flores… das mais sofisticadas e vistosas às mais simples e pequeninas, não importa, sempre enfeitam e alegram qualquer paisagem. Porém, não foi para os olhos humanos que a natureza desenvolveu e aprimorou esta fonte de inspiração.

Na verdade, as primeiras flores (parecidas com as magnólias) surgiram bem antes do aparecimento do homem na Terra e depois do desaparecimento dos dinossauros, os quais nunca, em tempo algum, correram atrás de suas presas em campos floridos… tampouco comeram margaridas…

Segundo uma das teorias evolutivas existentes, a flores surgiram no Cretáceo, há 135 – 65 milhões de anos, em um período em que insetos primitivos, como os besouros, comiam e/ou danificavam os óvulos (gametas femininos) que ficavam expostos nos cones hermafroditos de extintas gimnospermas.

Dessa forma, ocorreram diversas pressões seletivas sobre essas plantas, que levaram ao aparecimento de estrutura com a função de encerrar os gametas no seu interior.

Essa nova estrutura, chamada de ovário, protege os gametas femininos e não impede, no momento propício, que ocorra a fertilização (união dos gametas masculino e feminino).

A partir da fertilização ocorre o desenvolvimento da semente contendo o embrião da futura planta e conseqüente perpertuação da espécie.

A flor é, portanto, o órgão de reprodução vegetal.

Mas e a polinização?

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A polinização, ou seja, a transferência do pólen para a parte feminina era feita pelo vento, o grande disseminador das gimnospermas.

Esse pólen não encontrava barreiras para atingir o óvulo, pois este ficava exposto ao ambiente.

Acontece que a partir do seu encerramento no ovário houve a necessidade da intervenção de outros agentes, que não somente o vento, para efetuarem o transporte de forma efetiva: os agentes polinizadores.

Mas… como chamar a atenção desses agentes? Quem seriam esses polinizadores?

Como vencer as competições entre si e garantir a constância de suas visitas?

Tornava-se necessário, então, oferecer ao animal (insetos inicialmente) recursos energéticos, ou seja, alimento, mantendo assim suas visitas freqüentes e, da mesma forma, criar uma interdependência.

Dessa maneira, a diversidade que observamos nas cores das pétalas (amarelas, azuis, vermelhas, brancas…), o odor (suave, fortemente adocicado ou acre), a produção de grandes quantidades de pólen e néctar (que são os alimentos procurados pelos agentes polinizadores), a forma da flor (radial, tubular, afunilada), o período do dia ou da noite em que ocorre a abertura da flor, constituem um conjunto de atrativos florais e adaptações que são reconhecidos pelos polinizadores, oriundos de um processo de coevolução gradual, ao longo do tempo, entre plantas e animais.

Considerando que muitas espécies vegetais podem apresentar especificidades quanto ao polinizador, tornam-se fascinantes e de grande importância científica as pesquisas no campo da ecologia da polinização, cujo número de trabalhos vem aumentando significativamente nas últimas décadas.

foto: Daise Vasconcelos
foto: Daise Vasconcelos

Eles nos revelam esse notável mundo da reprodução vegetal e nos torna conscientes dessa rede de interdependência que existe e que deve ser preservada, pela própria manutenção da biodiversidade e qualidade de vida de todos nós.

De qualquer maneira, mesmo não sendo nós os responsáveis pelo aparecimento das flores na Terra, seremos seus eternos admiradores, com o compromisso de garantirmos sua conservação em nosso meio e de todas as inter-relações que as acompanham.


Notas & Créditos

[1] Alexandra Gobatto – Bióloga, Mestre e Doutora em Botânica pela Universidade Estadual Paulista “Julio de Mesquita Filho”(UNESP, Rio Claro), área de biologia reprodutiva vegetal. Atualmente trabalha no Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, no Núcleo de Educação Ambiental.
E-mail: agobatto@jbrj.gov.br

Onde está a fruta?

Pesquisa do Idec mostra que apesar de usarem e abusarem de imagens e de outras referências a frutas nas embalagens, os alimentos industrializados não contêm quantidades significativas desse ingrediente. Mas isso não fica claro para o consumidor.

Não é preciso ir ao setor de hortifrúti do supermercado para ver frutas. Elas estão na seção de iogurtes, na de sucos de caixinha e refrescos, entre outras com produtos industrializados, estampando as embalagens. Mas quando se trata do conteúdo, não espere encontrá-las de fato nesses alimentos.

Um levantamento realizado pelo Idec com 18 produtos, entre iogurtes, pós para refresco, néctares, gelatinas, sorvetes e isotônicos (veja quais na tabela às páginas 18 e 19), mostra que oito deles não têm nem vestígio de frutas. Os demais apresentam quantidades bem pequenas – na melhor das hipóteses, não passa de 10% do conteúdo, mas há vários deles em que gira em torno de 1%.

Apesar disso, em boa parte dos produtos as referências à fruta têm grande destaque: além de imagens reais ou estilizadas, as frases são em letra maior que a das demais informações do rótulo e ocupam grande parte da embalagem, enquanto a lista de ingredientes fica quase escondida. E o pior é que as empresas não informam claramente no rótulo que o alimento não contém fruta e, quando contém, qual o seu percentual em relação ao restante dos ingredientes.

“As figuras e frases que fazem alusão à fruta são o grande chamariz do produto, mas não correspondem à sua real composição. E como o consumidor não é adequadamente informado disso, pode ser induzido a erro”, aponta Mariana Ferraz, advogada do Idec responsável pela pesquisa.

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