Blog TSP de volta

Olá pessoal,

Estamos de volta!

Ainda que parcialmente com problemas, para responder emails, a postagem de novos artigos e notícias no Blog Tudo Sobre Plantas voltou a funcionar de forma plena.

O portal Tudo Sobre Plantas continua sem atualizações, por conta de mudanças que ocorreram. Estejam certos que, assim que for possível (estimamos mais duas a três semanas) estaremos publicando novidades também no portal.

Tudo de bom,

Anderson Porto

A Agricultura Biológica

Depois de muitas décadas de intensificação agrícola, com importantes prejuízos ambientais, a agricultura biológica tenta ser uma aproximação da agricultura à ecologia recuperando técnicas tradicionais.

António Mantas, SATIVA

Seja nosso cuidado conhecer previamente os ventos e o clima de um lugar; as culturas usadas na região e a natureza dos terrenos; que frutos cada região produz e quais cada uma recusa. E não contentes com a autoridade dos agricultores, anteriores ou actuais, desenvolveremos nossos próprios métodos e tentaremos novas experiências

Dos trabalhos do Campo de Lucio Júlio Moderato Columela, Séc. I

A passagem da técnica da recolha itinerante de alimentos para suprimir as necessidades alimentares, para a técnica do cultivo provocou alterações profundas no modo de vida dos povos, pois levou ao sedentarismo, à estruturação social em crescente de complexidade, às trocas e ao comércio, e a novas ocupações fora da agricultura ou da obtenção de alimentos.

A agricultura actua sobre o meio alterando as relações entre os seres vivos e permitindo a obtenção de recursos de natureza diversa, nomeadamente alimentares. Esta alteração, levada a cabo pelo Homem em proveito próprio, pode ser feita de forma mais ou menos intensiva, com maior ou menor respeito pelos equilíbrios naturais, com maior ou menor grau de protecção e melhoria do meio e da qualidade de vida.

Durante muito tempo as técnicas utilizadas respeitaram o solo, a fertilidade, a diversidade e a qualidade das produções, seleccionando e/ou domesticando variedades e raças. Face a novas tecnologias, desde o início do século, mas sobretudo nas últimas décadas, conseguiram-se obter produções muito elevadas com elevadas utilizações de recursos disponíveis, sem limitações nos impactos negativos deste tipo de actuação, algumas vezes irreversíveis ou de difícil recuperação, isto é, actuou-se de forma não sustentável.

Com o objectivo de contrariar esta forma produtivista, surgiu uma forma de agricultura alternativa que tende a aproximar a agronomia da ecologia, recuperando técnicas e práticas tradicionais, mas tendo presente algumas das novas tecnologias. A agricultura biológica é um sistema de produção que visa a manutenção da produtividade do solo e da cultura, para proporcionar nutrientes às plantas e controlar as infestantes, parasitas e doenças, com utilização preferencial de rotações de culturas, adição de sub-produtos agrícolas, estrumes, leguminosas, detritos orgânicos, rochas ou minerais triturados e controlo biológico de pragas, evitando-se assim o uso de fertilizantes e pesticidas de síntese química, reguladores de crescimento e aditivos nas rações.

Num solo sem cultivo a evolução ao longo do tempo faz parte do processo de sucessão ecológica, isto é, do aumento progressivo de organização que se dá nos ecossistemas naturais. Uma vez alcançadas as condições de equilíbrio o solo funciona como reserva nutritiva. O equilíbrio entre os diferentes organismos do solo e a sua interacção com a matéria orgânica e com as partículas minerais, implica a formação de estruturas organo-minerais que estabilizam a humidade e regulam a libertação de nutrientes para as plantas. Quando um solo é utilizado em agricultura de forma mais intensiva, os equilíbrios modificam-se e as estruturas degradam-se, empobrecendo-o.

As técnicas utilizadas em agricultura biológica implicam uma boa percepção do meio envolvente à exploração que se efectua, nomeadamente:

– Construção e manutenção da fertilidade do solo: funcionando o solo como um organismo vivo, pelo que deve ser nutrido de forma a que as plantas que nele se desenvolvem encontrem boas condições e para que não diminua a actividade dos organismos benéficos essenciais à decomposição e mineralização dos detritos orgânicos que originam o húmus. A melhor forma de nutrir o solo é fornecendo-lhe matérias orgânicas que constituem a base da fertilização. Estas incorporações enriquecem o solo em húmus cuja degradação fornece à planta elementos minerais e substâncias fisiologicamente activas. Eventualmente, podem ser fornecidos ao solo alguns outros complementos minerais. Este ciclo faz com que se forme um solo estável, com libertação gradual de compostos para as plantas e enriquecimento de outros, sem perdas por lixiviação, tendo importante papel os organismos vivos do solo.

– Preservação da estrutura do solo: Com a diminuição da fertilidade há degradação da estrutura e favorece-se a erosão. A matéria orgânica possibilita a formação de agregados de partículas minerais e orgânicas, aumentando a estabilidade e a permeabilidade ao ar e à agua, originando-se uma melhor estrutura.

– Utilização de técnicas de cultivo adequadas: O desequilíbrio provocado pela agricultura pode ser compensado por meio de técnicas importantes, como sejam o fornecimento de estrumes, realização de rotações, manutenção de resíduos, sementeira nos limites das parcelas e segundo as curvas de nível, manutenção de um pH correcto e fornecimento de correctivos minerais, realização de mobilizações em épocas correctas e sem inversão de horizontes, utilização de adubos verdes e incorporação de restolhos, etc..

São igualmente técnicas adequadas o controlo biológico de pragas e doenças e a utilização de recursos locais (variedades regionais ou raças autóctones).

Uma exploração agrícola em agricultura biológica deve tentar conciliar a existência de agricultura e pecuária. Os animais têm um importante papel na produção de estrumes e consomem resíduos que de outra forma se perderiam, permitindo ainda a utilização de zonas que não teriam aproveitamento.

Leituras recomendadas:

E. B. Balfour (1986) The Living Soil and the haughley experiment. Universe Books New York. 1986.

Ferreira, J. C. (1999) Manual de Agricultura Biológica – Fertilização e protecção das plantas para uma agricultura sustentável. AGROBIO. Lisboa.

Labrador, J. L. (1996) La Materia Orgânica en los Agrosistemas. Ed. MAPA Mundi- prensa. Madrid.

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Fonte: NaturLink

Enciclopédia na Internet listará todas as espécies conhecidas

Por Alister Doyle

BONN, Alemanha (Reuters) – De maçãs a zebras, todas as 1,8 milhão de espécies de plantas e animais conhecidas pelo homem serão listadas em uma “Enciclopédia da Vida” na Internet, em um projeto de 100 milhões de dólares, anunciaram cientistas.

O projeto de 10 anos de duração, lançado com verba inicial de 12,5 milhões de dólares oferecida por duas fundações sediadas nos Estados Unidos, pode ajudar todo mundo, de crianças pesquisando para suas lições de casa de biologia a governos que estejam planejando como proteger espécies ameaçadas.

“A Enciclopédia da Vida planeja criar um verbete para todas as espécies que tenham nome científico”, disse James Edwards, diretor executivo do projeto, à Reuters. “No momento, o total é de 1,8 milhão”.

A enciclopédia de acesso gratuito se concentrará especialmente em animais, plantas e fungos, e incluirá micróbios em um segundo estágio, combinando textos, fotos, mapas e vídeos em formato comum para cada verbete. A expansão da Internet nos últimos anos tornou possível esse projeto multimídia.

As páginas de demonstração, em http://eol.org, incluem verbetes sobre ursos polares, arroz, cogumelos venenosos e um caranguejo com patas peludas localizado recentemente no Pacífico Sul.

“O projeto trata de fornecer acesso à informação para todos”, disse à Reuters Jesse Ausubel, presidente do projeto e funcionário da Rockfeller University, em Nova York.

A enciclopédia aproveitará bancos de dados existentes sobre mamíferos, peixes, pássaros, anfíbios e plantas. O inglês será utilizado inicialmente, com traduções posteriores para outros idiomas.

Edwards disse que o projeto oferecerá uma vista geral da vida na Terra por meio do que ele chama de “macroscópio” — o oposto de microscópio, em geral, utilizado pelos cientistas.

Novas espécies serão acrescentadas à medida que sejam identificadas. Edwards afirmou que o total de espécies no planeta pode atingir uma marca entre 8 milhões e 10 milhões, acrescentando que as estimativas quanto ao total variavam de cinco milhões a 100 milhões. Espécies fósseis também poderão ser acrescentadas à enciclopédia, no futuro.

Fonte: Reuters

Algodão: germinação voluntária de transgenico é encontrada no norte do PR

08/05 – 15:52 – Agência Safras

SAFRAS (08) – Técnicos da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná localizaram algodão transgênico em germinações voluntárias – plantas que germinam sem que tenham sido plantadas efetivamente – na região Norte do Paraná. Elas foram localizadas durante fiscalização de rotina sobre o uso do solo agrícola, na estrada PR-090, que liga os municípios de Bela Vista do Paraíso e Alvorada do Sul.

O secretário da Agricultura, Valter Bianchini, alertou para o risco do transporte e plantio de lavouras transgênicas ilegais, porque as sementes podem se deslocar de um lugar para o outro de forma involuntária. A preocupação é evitar o plantio e a disseminação de culturas transgênicas não permitidas, que podem ameaçar a sanidade e a qualidade das lavouras paranaenses, disse o secretário.

O caso será comunicado ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e ao Ministério da Agricultura, que vão determinar os procedimentos que devem ser feitos com as plantas.

Segundo o técnico Paulo Eduardo Félix, que localizou o algodão transgênico, ele estava verificando a aplicação de um herbicida em lavoura de milho, numa propriedade em frente à estrada. Mas chamou-lhe a atenção o fato de que, ao longo da estrada, em frente à propriedade com milho, havia vários pés de algodão, germinados, vigorosos e até florindo. São aproximadamente 70 a 80 dessas plantas, disse o técnico. Qualquer herbicida que fosse colocado nas proximidades, como realmente aconteceu nas lavouras de milho, deveria matar o algodão também, o que não ocorreu, contou o técnico.

Félix colheu amostras das plantas e enviou para análise no laboratório da Seab, em Curitiba. O resultado deu positivo para sementes BT e RR juntas, cujo cultivo e comercialização são proibidos, explicou o engenheiro agrônomo fiscal Marcelo Silva, do Departamento de Fiscalização e Defesa Agropecuária (Defis). Ele acredita que a semente tenha caído de um caminhão que fazia um transporte mal acondicionado dessas sementes. Ao caírem na estrada, as sementes germinaram e vingaram, disse.

Esse fato demonstra o risco de proliferação descontrolada de plantas transgênicas não permitidas, afirmou. Na opinião do agrônomo, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNbio) deveria observar essas ocorrências como um exemplo de como uma liberação de plantio de plantas modificadas geneticamente pode provocar contaminações nas lavouras, afirmou Silva. As informações são da Agência Estadual de Notícias do Paraná.

(CBL)

Fonte: Último Segundo

Pouca água, muita água

09/05/2007

Agência FAPESP – Plantas tropicais podem ser mais adaptáveis do que se pensava em relação às mudanças em padrões de precipitação, uma das possíveis conseqüências do aquecimento global. A afirmação é de um estudo realizado nos Estados Unidos que será publicado esta semana no site e em breve na edição impressa da revista Proceedings of the National Academy of Sciences (Pnas).

Os pesquisadores descobriram que plantas no Havaí têm capacidade de se adaptar a grandes mudanças no regime de chuvas em pelo menos um importante aspecto: a maneira de adquirir nutrientes. As plantas necessitam de uma forma específica de nigrogênio em áreas úmidas. Nos terrenos encharcados que caracterizam algumas florestas tropicais, no entanto, elas acabam se voltando para outra forma de nitrogênio mais disponível nessas condições.

O estudo destaca uma importante exceção para a idéia normalmente aceita de que as plantas tropicais são altamente especializadas em seus nichos ambientais específicos e, portanto, muito sensíveis a distúrbios em tais locais.

A troca do alvo de nutrientes pode ser positiva para as plantas, uma vez que mudanças climáticas poderão alterar radicalmente os padrões de chuvas nos trópicos. Mas os pesquisadores apontam um porém: o acesso a nutrientes é apenas um dos ingredientes da vida vegetal. Outras alterações que acompanhem um clima mais quente podem afetar a distribuição e o crescimento das plantas, como as que ocorreriam com polinizadores, insetos, predadores ou plantas invasivas.

“Essas plantas deverão ser capazes de se manter bem em termos de aquisição de nitrogênio, mesmo com a mudança climática”, disse um dos autores do estudo, Ted Schuur, professor de ecologia da Universidade da Flórida. “Mas é importante destacar que só estudamos um grupo de organismos e um mecanismo. As plantas dependem de vários fatores para sobreviver, alguns dos quais podem ser alterados com mudanças no regime de chuvas.

Os cientistas pesquisaram o crecimento de plantas em seis locais nas encostas do monte Haleakalal, um vulcão na ilha de Mauí, no Havaí. Os locais foram considerados ideais para o estudo por compartilhar praticamente as mesmas espécies vegetais, elevações e solos, mas apresentar regimes de chuvas bem diferentes uns dos outros.

O local mais chuvoso tem cerca de 5 metros de precipitação por ano, contra apenas 2 metros da área mais seca. “Essa é a faixa de precipitação encontrada por todos os trópicos, mas geralmente em locais separados por centenas ou milhares de quilômetros. No Havaí, pudemos visitar todas as florestas analisadas em um único dia”, disse Schuur.

Fonte: Agência FAPESP

Guamaré mantém duas unidades

Atualmente, o Rio Grande do Norte conta com duas plantas-piloto de biodiesel da Petrobras localizadas em Guamaré. Uma delas processa sementes de oleaginosas com capacidade de produção de cerca de 3 mil litros diário de combustível. A outra utiliza como matéria-prima o óleo vegetal podendo produzir até 5 mil litros de biodiesel ao dia. Esta última está sendo expandida.

O coordenador do projeto Biodiesel da Unidade de Exploração da Petrobras (UNRN-CE), Ulisses da Costa Soares, estima que a partir do próximo ano as plantas possam sair da condição experimental para trabalhar também com a comercialização do biodiesel. No entanto, ele alerta que tudo vai depender da evolução das pesquisas e do campo. “Estamos aumentando a área produzida e estudando o desenvolvimento de novas culturas, buscando uma oleaginosa que permita um maior valor agregado para o agricultor‘‘.

Uma delas é o girassol que está sendo fomentado pela Petrobras, além da mamona. Porém, o primeiro deve se sobrepor por suas características de maior produtividade e resistência ao clima seco. Segundo Ulisses Costa, a cultura do girassol produz cerca de 1,6 mil quilos de semente por hectare, além da planta permitir outras cadeias produtivas atreladas como uso para ração animal e apicultura. ‘‘Estamos estimulando o agricultor a esse plantio em larga escala’’.

No entanto, ele admite que – com a produção atual – o Rio Grande do Norte está longe de características da comercialização. Para que se concretizasse o projeto, seria necessária uma planta que produzisse cerca de 100 mil toneladas ano. Para o consumo interno, a realidade está um pouco mais próxima sendo necessários 22 mil hectares de cultivo. ‘‘Assim como todos os estados do Nordeste estamos longe desta comercialização. A maior parte do biodiesel produzido no estado hoje é de óleo de soja e a meta da Petrobras é produzir 150 milhões de litros’’.

Saiba mais

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) defende o uso do biodiesel por possuir três vantagens em comparação com o diesel comum.

A primeira é o seu aspecto menos agressivo ao ambiente, que por ser de origem vegetal, estima-se que polua 90% menos.

O segundo ponto é que o óleo extraído das plantas tem índices de lubricidade e cetano um pouco maiores do que os do diesel. Estes parâmetros são utilizados para medir a qualidade do produto quanto à performance do motor, mas a melhoria depende do carro.

A terceira vantagem é que o uso do biodiesel diminui a necessidade de importação de diesel, derivado do petróleo do qual a Petrobras ainda não é auto-suficiente e que pesa na balança comercial brasileira.

O biodiesel substituiria o diesel comum utilizado pelo caminhões que realizam cerca de 80% do transporte nacional de mercadorias, através das rodovias.

Fonte: Diário de Natal

Plantas em vasos

Há sempre boas soluções para quem quer cultivar plantas. Em grandes ou pequenos espaços, e mesmo quando no chão temos concreto puro, acredite: é possível criar um belo jardim ou ter plantas em vasos.

Encontramos uma grande variedade no mercado, que atende aos mais diferentes estilos e orçamentos. Às vezes o vaso é tão decorativo que deve ser utilizado sozinho, embelezando interiores ou mesmo valorizando jardins externos.

Pelo que se sabe, os primeiros vasos eram utilizados para guardar água e alimentos. Depois, passaram a ser utilizados em rituais religiosos. Como tinham desenhos e inscrições, despertaram interesse como elementos decorativos.

É necessário saber como escolher os diferentes tipos de vasos e identificar as funções paisagísticas mais adequadas para o espaço. Afinal, uma composição harmoniosa não surge do acaso.

Barro, cimento, aço, vidro, cerâmica, são muitos os materiais. A variedade de formas, tamanhos e cores de vasos é quase tão grande quanto a de preços. Os de barro são pouco resistentes, porém bonitos e mais baratos. Os mais caros são os esmaltados, bastante sofisticados. Os de aço, de desenho moderno, e os de cimento, com acabamento texturizado, estão numa faixa intermediária. Os de terracota são bonitos, acessíveis e deixam o ambiente muito aconchegante.

Escolhido o vaso, precisamos decidir sobre a planta. Algumas espécies vegetais se adaptam à luz indireta, como as orquídeas, bromélias, filodendros, cactos e suculentas. Ficus, pleomeles e dracenas são muito utilizados, pois sobrevivem mesmo se o dono for displicente. A zamioculca é também muito procurada para interiores, pois mantém o brilho nas folhas dentro da casa.

A montagem adequada de um vaso permite aliar praticidade e bom gosto. O modelo e o tamanho devem ser compatíveis com a planta. É imprescindível que exista um orifício para escoamento da água. Sem ele, o solo fica encharcado, contribuindo para o apodrecimento das raízes. As peças de vidro costumam criar este tipo de problema, porque são, na maioria, completamente vedadas. Muitas vezes, é necessário desmanchar o arranjo, para retirar o excesso de água.

As plantas ficam mais bonitas e duram mais, se tiverem terra e iluminação adequadas. Para facilitar a drenagem, uma camada de argila ou cerâmica deve ser depositada no fundo dos vasos.

Para a terra do vaso não ficar exposta, podemos usar plantas rasteiras, musgos, casca de pinus, barba-de-bode, seixos rolados ou pedriscos, à venda em quase todas as casas de jardinagem.

É interessante também o uso de rodízios sob os vasos. De madeira ou alumínio, eles agregam praticidade e mobilidade ao conjunto.

Plantas comercializadas em floriculturas, em especial aquelas que duram menos, como gérberas e ciclames, podem ser colocadas em cachepôs. São soluções versáteis, pois funcionam como uma embalagem que esconde o vaso plástico. Com eles, não há necessidade de montagem de vasos, basta acomodar o arranjo em seu interior.

Rústicos ou rebuscados, grandes ou pequenos, bojudos ou alongados, os vasos servem não apenas para acomodar plantas, mas também para valorizar o ambiente.

Nancy Ferruzzi Thame é engenheira agrônoma, formada pela Esalq/USP em 1982 e proprietária da empresa Estado de Sítio.

estado.desitio@terra.com.br

Fonte: Gazeta de Piracicaba

As Plantas e a Engenharia Natural ao serviço da Restauração Ecológica e da Conservação da Natureza

O planeamento, construção e gestão de espaços tendencialmente sustentáveis, exigem princípios de orientação baseados na optimização das potencialidades dos sistemas vivos enquanto materiais de construção e a sua modelação às actividades humanas.

Vasco Rocha – Associação Portuguesa de Engenharia Natural

A exigência de proteger os recursos naturais e restaurar as funcionalidades ecológicas do território, constitui actualmente um imperativo para a compatibilização dos usos e das actividades humanas com o equilíbrio dinâmico dos sistemas naturais.

As acções de intervenção no espaço pensadas para melhorar as condições de vida das populações, preconizam frequentemente a introdução abusiva de sistemas artificiais estáticos, quer seja ao nível de tipologias de construção quer ao nível da utilização de espécies exóticas, que contrariam o natural processo contínuo e mutável do espaço.

No sentido de garantir o equilíbrio e a funcionalidade dos espaços naturais, importa promover a articulação entre os objectivos funcionais, ecológicos e paisagísticos das alterações do homem no espaço e a avaliação precisa e rigorosamente fundamentada de todas as componentes ecológicas, clarificando deste modo quais os problemas e as soluções possíveis a implementar.

É neste contexto de sustentabilidade que se afigura a Engenharia Natural, como uma disciplina que conjuga as técnicas e métodos de engenharia tradicionais e as potencialidades da vegetação, em intervenções construtivas de baixo impacte ambiental.

Definição

Por Engenharia Natural (Ingegneria Naturalística-Itália; Ingenieurbiologie-Alemanha, Áustria e Suiça; Ingeniería del Paisaje-Espanha, …) entende-se uma corrente técnico-científica multi (inter-) disciplinar, que utiliza fundamentalmente material vegetal vivo como material de construção, recorrendo às suas características biotécnicas (acções mecânicas do sistema radicular/cobertura vegetal) e fazendo uso dos seus elementos constituintes, como raízes, estacas e rizomas, em intervenções antierosivas e de consolidação, geralmente em combinação com outros materiais (madeira, pedra, palha, redes metálicas, mantas orgânicas, ….).

A Engenharia Natural teve origem como disciplina, no período compreendido entre o final do séc. XIX e início do séc. XX, na Europa central e alpina, sobretudo na Alemanha, Áustria (onde nasceu H. M. Schiechtl, “pai” da Engenharia Natural moderna) e Suiça.

O seu campo de actuação abrange uma temática diversificada como, o revestimento vegetal de uma área degradada, a consolidação de taludes e a estabilização de encostas, a defesa das margens de cursos de água, a protecção dunar, entre outros.

Objectivos

Os objectivos da Engenharia Natural, são fundamentalmente os seguintes:

  1. técnico-funcionais: relativos à eficácia de uma intervenção antierosiva e de consolidação de uma encosta em erosão, margem ou talude estradal;
  2. ecológicos: contraria a vulgar cobertura a verde de uma sementeira, pois pretende-se a reconstrução da cobertura vegetal preconizando a utilização exclusiva de espécies autóctones, correspondentes à faixa fitoclimática do local de intervenção e que apresentem as adequadas características biotécnicas;
  3. paisagísticos: integração da intervenção na paisagem, através do emprego das espécies vegetais locais;
  4. económicos: enquanto estruturas competitivas e alternativas às intervenções clássicas (exemplo: substituição de muro de gravidade em betão por muro de suporte vivo em caixa de troncos);

As intervenções de baixo impacte ambiental diferenciam-se daquelas levadas a cabo pela engenharia clássica, principalmente devido à relevância dada às condições da estação ecológica, sobretudo no que diz respeito aos parâmetros relacionados com o desenvolvimento da vegetação.

Geralmente, adoptam-se os métodos fitossociológicos, tendo como referência as associações vegetais presentes no território nacional. Contudo, dada a ausência frequente das associações autóctones nos locais de intervenção; utiliza-se como base a vegetação potencial e em particular, as séries dinâmicas que mais se adequam à intervenção.

Igualmente se dá importância ao tipo de reprodução das espécies, sendo utilizadas vulgarmente espécies que se reproduzem por propagação vegetativa, como os géneros Salix, Tamarix, Nerium, Atriplex, entre outros.

Interdisciplinaridade

O sucesso actual da Engenharia Natural em vários países da Europa como um instrumento fundamental nos processos de planeamento e ordenamento do espaço, resulta principalmente do seu carácter transversal pois assenta nos conhecimentos de vários sectores técnico-científicos, fazendo uso dos dados técnicos de análise e de cálculo por eles fornecidos (topografia, pedologia, geotecnia, hidráulica, biotecnia da vegetação, …).

Conclusões

Uma vez que constitui uma realidade com uma ténue expressão prática a nível nacional (embora constitua área de estudo de algumas formações académicas, principalmente da Licenciatura em Engenharia Biofísica leccionada na Universidade de Évora), é extremamente relevante a divulgação das potencialidades da Engenharia Natural, como uma tendência alternativa e inovadora de intervir em quaisquer projectos que tenham o espaço como objecto de trabalho.

A sua raíz multi-interdisciplinar estabelece o território como um sistema, impondo a todos os que nele operam, uma visão oposta ao sectarismo e uma convergência das várias correntes científicas, de modo a solucionar as diferentes questões de uma forma competente e sustentada.

Por estas razões, constituiu-se recentemente a Associação Portuguesa de Engenharia Natural (APENA – http://www.apena.pt), vocacionada para a partilha do conhecimento nos diferentes domínios de acção e aberta a um diálogo que se pretende activo e evolutivo.

Referências

Cornelini, P. e Sauli, G. (2001). L’ Ingegneria Naturalistica nelle aree mediterranee. Interventi di Ingegneria Naturalistica nel Parco Nazionale del Vesuvio, Ente Parco Nazionale del Vesuvio, San Sebastiano al Vesuvio, Napoli, Italia.

Fernandes, J.P (1987). O Projecto construtivo em Engenharia Biofísica. Universidade de Évora, DPBP, Évora.

Schiechtl, M.H. & Stern, R. (1992). Ground Bioengineering Techniques for slope protection and erosion control. Blackwell Science Ltd, UK.

Tremoceiro, J. (1999). Projectos de Engenharia Biofísica I e II. Universidade de Évora, DPBP, Évora.

APENA www.apena.pt

Leituras Adicionais

ETAPs e Piscinas Biológicas: o mesmo conceito mas aplicações tão diferentes

Como construir um lago artificial

Ecopistas – o que são?

Como ter uma casa ecológica?

A Natureza em casa

25 dicas para uma casa mais sustentável

Desenvolvimento sustentável

A valoração económica de bens ambientais

Em busca de água

03/05/2007

Agência FAPESP – A tolerância à seca, resultado da disponibilidade de água, afeta diretamente a distribuição de plantas em florestas tropicais. A conclusão está em estudo publicado nesta quinta-feira (3/5), na revista Nature, por um grupo de cientistas que trabalha no Instituto Smithsoniano de Pesquisas Tropicais, no Panamá.

O estudo é importante por destacar que alterações na umidade do solo promovidas por mudanças no clima e pela fragmentação florestal podem alterar a distribuição, a diversidade e a composição de espécies tropicais. Segundo os autores, o mecanismo poderá contribuir significativamente para a formulação de novos modelos de uso do solo e para compreender melhor as mudanças promovidas pelo clima.

A idéia que se tem de florestas tropicais é de paisagens exuberantes, sempre verdes e saturadas de água. Mas, embora as temperaturas se mantenham relativamente constantes nessas regiões, a quantidade de chuvas e a disponibilidade de água variam enormemente mesmo em regiões relativamente próximas umas das outras.

A nova pesquisa avaliou a distribuição local e regional de 48 espécies de árvores e arbustos no istmo do Panamá, o estreito pedaço de terra entre o mar do Caribe e o oceano Pacífico que liga as Américas. Por meio de experimentos e da observação da distribuição de espécies, a tolerância à seca foi o fator que serviu para prever a distribuição de plantas local ou regionalmente.

“O istmo do Panamá é o local ideal para testar a idéia de que a distribuição de espécies de plantas é influenciada pela capacidade dessas em tolerar a falta de água”, disse a coordenadora do estudo, Bettina Engelbrecht, que também é da Universidade de Kaiserlauten, na Alemanha.

Depois de realizarem experimentos para medir a tolerância à seca das espécies selecionadas, os pesquisadores analisaram a distribuição de plantas em 122 blocos de floresta. Os blocos variaram de áreas mais úmidas, próximas ao Caribe, a locais mais secos, ao lado do Pacífico. As plantas encontradas em áreas menos úmidas se mostraram mais tolerantes à seca.

Os cientistas também analisaram as distribuições de brotos e de árvores mais velhas em uma área de 50 hectares na ilha de Barro Colorado, em que o índice pluviométrico se encontra aproximadamente na média dos valores encontrados nos dois lados do istmo. Verificaram que a tolerância à seca se mostrou um fator de distribuição com maior ênfase para as árvores adultas do que para os brotos, o que implicaria um ajuste de acordo com limitadores climáticos.

O grupo responsável pelo estudo analisou ainda diversos fatores que poderiam explicar ou contribuir para a distribuição de plantas, como a tolerância à sombra e a disponibilidade de nutrientes.

De acordo com a pesquisa, identificar a tolerância à seca como causa de padrões de distribuição aumenta a compreensão da diversidade de plantas tropicais e sugere que alterações em padrões de chuva – possível conseqüência para os trópicos das mudanças climáticas no planeta – possam implicar mudanças radicais em comunidades de plantas nessas regiões.

“Nos trópicos, mudanças climáticas não resultam apenas em alterações no clima. Modificações dramáticas em padrões de chuva, por exemplo, também são esperadas, e nosso estudo mostra que isso pode ter grandes conseqüências para as florestas tropicais”, disse Benjamim Turner, do Instituto Smithsoniano de Pesquisas Tropicais, outro autor do estudo.

O artigo Droughr sensitivity shapes species distribution patterns in tropical forest, de Bettina Engelbrecht e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em www.nature.com.

Fonte: Agência FAPESP

Glifosato não elimina ervas daninhas que atacam transgênicos

A organização americana Union of Concerned Scientists (UCS) divulgou em seu boletim deste mês informação sobre o aumento de resistência ao herbicida glifosato em plantas espontâneas, também chamadas de ervas daninhas, invasoras ou simplesmente mato.

As plantas transgênicas tolerantes à aplicação do glifosato (princípio ativo do herbicida Roundup, da Monsanto) representam 68% dos transgênicos cultivados hoje o mundo (como a soja RR – Roundup Ready cultivada no Brasil).

Os herbicidas são os agrotóxicos cuja função é eliminar o mato das lavouras. O glifosato é um herbicida de amplo espectro, capaz de matar todas as plantas – inclusive a soja, o milho, o algodão etc. Usando as sementes RR, o agricultor pulveriza o herbicida sobre a lavoura e todo o mato morre, mas a plantação transgênica permanece intacta.

Esse é o paradigma dos cultivos totalmente “limpos”. As plantas espontâneas são fonte de néctar, pólen e abrigo para insetos benéficos que ajudam na polinização do cultivo ou no controle de outros insetos herbívoros (pragas).

Além disso, a presença da vegetação espontânea, evidentemente sob manejo, aumenta a quantidade de matéria orgânica produzida na área e suas raízes ajudam na estruturação do solo, o que acaba por beneficiar o próprio cultivo. A adoção de sementes transgênicas resistentes a herbicidas elimina a biodiversidade associada aos cultivos agrícolas e todos os benefícios ecológicos que ela proporciona. Os agroecossistemas com sementes RR são mais artificializados e instáveis.

A utilização de plantas tolerantes ao glifosato produz um efeito óbvio e inevitável: repetidas aplicações de um mesmo herbicida em uma mesma área fazem com que as plantas espontâneas acelerem o desenvolvimento de resistência ao produto.

No início da utilização das sementes RR, a eliminação do mato podia ser feita com uma ou duas aplicações do herbicida. Mas agora, graças a uma maior pressão de seleção, mesmo após repetidas aplicações de glifosato plantas invasoras resistentes ao herbicida insistem em crescer.

Segundo informações divulgadas pela UCS, sete espécies de plantas invasoras resistentes ao glifosato já foram documentadas nos Estados Unidos. E como o glifosato não mais produz o efeito esperado, agricultores estão voltando a usar agrotóxicos antigos e mais tóxicos como o Paraquat e o 2,4-D, ambos causadores de sérios problemas de saúde.

Em muitos casos, agricultores americanos estão voltando à prática de eliminar as plantas mecanicamente com o uso de tratores, revertendo todos oS benefícios em termos de conservação do solo alcançados após anos de utilização da técnica do plantio direto (em que o plantio é feito sobre a palhada da lavoura anterior, sem o revolvimento mecânico do solo).

Uma técnica que é vendida como o supra-sumo da tecnologia agrícola, na verdade está causando forte retrocesso. Em um levantamento realizado em 2004, técnicos de extensão rural nos Estados Unidos concluíram que as plantas espontâneas resistentes ao glifosato foram responsáveis pela redução do plantio direto no estado do Tennessee em 18%, e que a porcentagem de agricultores fazendo plantio direto nos maiores distritos produtores de algodão do Tennessee caiu de 80% para 40%.

Cientistas do estado do Arkansas estimam uma redução de 15% na utilização do plantio direto, também em decorrência da resistência do mato ao glifosato. Tendências similares foram relatadas no Mississippi e no Missouri.

Os resultados no Brasil seguem na mesma direção. Aqui já há registro de pelo menos 6 espécies de mato que não são mais controladas pelo Roundup.

Não foram até hoje publicados dados oficiais sobre o consumo de agrotóxicos nas lavouras de soja transgênica no Brasil. O que existe é um levantamento feito pelo Ibama sobre o uso geral do glifosato. Esses dados mostram que entre 2000 e 2004, período de forte expansão da soja transgênica, o uso de glifosato cresceu 95% no País, enquanto o de todos os outros herbicidas somados cresceu 29,8%. No mesmo período, o uso de glifosato no Rio Grande do Sul, maior produtor da soja RR, cresceu 162%.

Mais informações: www.transgenicos.pr.gov.br

Fonte: Agência Estadual de Notícias