Nutrição foliar contribui para o desenvolvimento e para a rentabilidade do milho

Dr. Valter Casarin
MSc. Fernanda Forli
Departamento de Suporte Técnico
Produquímica Indústria e Comércio Ltda.

A boa produtividade das grandes culturas, como de milho, depende da sucessão de etapas bem executadas no campo. Desde a escolha das sementes, passando pelo correto plantio até a colheita e o armazenamento, tudo deve ser planejado e bem feito. Nesse longo processo, um dos pontos cruciais é a adubação equilibrada, fornecendo os nutrientes essenciais para a planta (N, P, K, Ca, Mg, S, B, Cl, Co, Cu, Fe, Mn, Zn, Mo, Ni), em função da dinâmica no solo e da demanda pela cultura.

A agricultura moderna dispõe de técnicas eficientes para corrigir eventuais deficiências de nutrientes do solo, mesmo considerando os desafios, como condições de clima e do ambiente. Por exemplo: nem sempre, a adubação convencional executada no plantio é suficiente para fornecer à planta todos os nutrientes requeridos. Além disso, é comum ocorrer deficiências de certos nutrientes, em função de uma série de fatores naturais.

Assim, para evitar carências e, conseqüentemente perdas de produtividade e de rentabilidade, é fundamental que o engenheiro agrônomo disponha de ferramentas adequadas para fazer a recomendação da adubação. O principal instrumento para uma correta recomendação de adubação é a análise de solo. A análise foliar é uma ferramenta complementar, que serve para verificar o estado nutricional da planta. Dispondo das informações necessárias, pode-se fazer o planejamento da adubação, reduzindo, com isso, a probabilidade de ocorrência de deficiências minerais ao longo do ciclo da cultura.

Contudo, caso alguma deficiência seja detectada, a nutrição foliar pode ser utilizada com o objetivo de correção. A técnica da adubação foliar consiste em pulverizar nutrientes em formas 100% solúveis em água diretamente na parte aérea das plantas. É um método especialmente eficiente para o fornecimento de micronutrientes (B, Cl, Co, Cu, Fe, Mn, Zn, Mo e Ni) às plantas. Com a adubação foliar, a absorção desses elementos é muito mais rápida e eficiente que as tradicionais aplicações via solo.

O sucesso da adubação foliar esta relacionado a vários fatores relativos à própria planta. Neste caso, deve-se considerar a idade da folha, o estádio fenológico do vegetal e a permeabilidade da cutícula foliar. Há outros fatores que também influenciam a eficiência da adubação foliar, tais como a fonte do nutriente (sulfato, cloreto e nitrato), o pH da solução e a composição e a concentração da solução. É importante ressaltar que o sucesso da adubação foliar também depende da utilização de equipamentos adequados, que permitam a cobertura ou o molhamento uniforme das folhas, evitando as perdas de nutrientes. Além disso, deve ser dada atenção especial à umidade relativa do ar, à temperatura local e à intensidade dos ventos.

Na maioria dos casos, a adubação foliar pode ser realizada conjuntamente com a aplicação de defensivos agrícolas, o que proporciona uma vantagem adicional: a racionalização do número de operações, com conseqüente redução de custos para o agricultor. Porém, é preciso ficar atento à compatibilidade destes insumos, para evitar reações químicas que prejudiquem a eficiência dos produtos aplicados.

Ao equilibrar o fornecimento de nutrientes, garante-se o bom desenvolvimento das culturas de grãos. Mas é preciso seguir algumas recomendações. No milho, por exemplo, zinco, boro, manganês e cobre devem ser fornecidos obrigatoriamente no programa regular de adubação foliar. Em função da grande demanda da cultura do milho pelo zinco, a adubação foliar representa a vantagem de complementar a nutrição da planta em quantidade e qualidade em relação ao que o solo fornece.

Assim como a deficiência, o excesso de nutrientes também é prejudicial às plantações, podendo acarretar problemas de toxidez e prejudicar a produtividade. Além da nutrição foliar, cuidados fitossanitários – como controle de pragas, doenças e plantas daninhas – devem ser tomados, pois podem limitar o desempenho das lavouras.

Em resumo, para que altas produtividades de milho sejam obtidas, o produtor, com auxílio do engenheiro agrônomo, deve planejar e executar um programa de adubação que propicie equilíbrio nutricional. A adubação foliar é um método altamente eficiente para o fornecimento de micronutrientes, que contribui para a obtenção de uma produção rentável de milho.

Texto Assessoria de Comunicações (telefone 11 3037-7288)
Jornalista Responsável: Altair Albuquerque (MTb 17.291)

Fonte: Agora MS

Álcool de restos de vegetais

Empresa brasileira anuncia descoberta na fabricação de álcool de restos vegetais

Da Redação

A empresa brasileira Dedini anunciou na segunda-feira (14) ter encontrado uma forma de produzir etanol em escala industrial a partir de restos vegetais, o que pode revolucionar o setor por ampliar a produção de combustíveis sem prejuízo de culturas alimentícias, como milho ou cana-de-açúcar.

A Dedini, que é fabricante de equipamentos para usinas de açúcar e álcool, afirmou ter desenvolvido uma tecnologia de produção economicamente viável com base no material celulósico. “É competitivo com o petróleo a partir de US$ 42 por barril”, explicou o vice-presidente de operações da Dedini, José Luiz Olivério.

A Usina São Luiz (SP), que pertence à empresa, começou a produzir em 2002 etanol de material celulósico extraído do bagaço da cana, a um custo de cerca de US$ 0,40 por litro. Mas os custos de produção caíram desde então, graças a melhorias tecnológicas, e agora o produto sai a menos de US$ 0,27 por litro.

O bagaço normalmente é queimado para alimentar os geradores das próprias usinas, ou então o excesso é vendido como matéria-prima para ração.

“Isso poderá ampliar a produção de etanol de uma usina em 30% sem que se plante um só pé de cana adicional”, disse Olivério. Segundo ele, a tecnologia se baseia em um banho químico com ácido que quebra as fibras protetoras de lignina na cana, permitindo que um tipo de célula de açúcar seja retirada.

Muitos pesquisadores da área acreditam que as enzimas, ou proteínas naturais que aceleram o rompimento das fibras de lignina, serão usadas na futura produção de etanol de celulose. Estudioso, porém, apontaram dois desafios: reduzir o custo exorbitante da produção industrial de enzimas e diminuir o tempo necessário para que as enzimas atuem na lignina.

Fonte: Macaé Jornal

Primeiro foi o carbono e o aquecimento global. Agora é o nitrogênio…

Fábio de Castro

Agência FAPESP

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Primeiro foi o carbono e o aquecimento global. Agora é o nitrogênio…

O aquecimento global não é a única bomba-relógio ambiental armada pela ação humana no planeta.

A comunidade científica internacional começa a alertar para as graves conseqüências da radical modificação no ciclo do nitrogênio nos últimos 40 anos, após o advento dos fertilizantes sintéticos

Quando está presente em excesso, como nos países industrializados, o nitrogênio contamina os ecossistemas. Em falta, as conseqüências são a fome e a desnutrição. “O mundo precisa acordar para o problema do nitrogênio”, disse Luiz Antonio Martinelli, pesquisador do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP), à Agência FAPESP.

Martinelli coordena o comitê internacional responsável pela Conferência Internacional do Nitrogênio – N2007, que será realizada em outubro na Costa do Sauípe (BA). O evento reunirá especialistas de diversos países com o objetivo de definir uma agenda para o uso sustentável do nitrogênio no planeta.

“Enquanto tem se falado bastante da questão do carbono, o problema do nitrogênio é pouco discutido. A gravidade da situação, no entanto, pode ser até maior que a do carbono. Trata-se de um problema complexo que envolve vertentes econômicas, sociais, ambientais e agrícolas”, afirmou Martinelli.

Segundo o professor, até 1960 a disponibilidade de nitrogênio na Terra era controlada exclusivamente por processos naturais, por meio da fixação do elemento pelas plantas. Hoje, a produção sintética do nitrogênio ultrapassa toda a produção natural em até 30%. “O mais grave é que, além de produzirmos muito nitrogênio, sua distribuição é tão ruim quanto a distribuição de riquezas”, comparou.

Sem nitrogênio, sem comida

O nitrogênio, explica Martinelli, é fundamental na produção de alimentos por se tratar de um nutriente limitante. Quando não está presente, não se consegue produzir alimentos nos níveis da demanda atual. “Os países em desenvolvimento sofrem com isso. O continente africano é um caso crônico. Os fertilizantes são caros, a distribuição é ruim, o transporte é insuficiente e a logística não existe. Esse é um dos motivos da fome na África.”

Por outro lado, quando há uso excessivo de fertilizantes, o excesso de nitrogênio não é absorvido pelas plantas e se torna um poluente. “O nitrogênio tem extrema mobilidade, muda rapidamente de estado e vai da terra para o ar e dali para a água com muita facilidade, contaminando os ecossistemas agrícolas e penetrando nos lençóis freáticos”, explicou.

De acordo com Martinelli, todos os países industrializados, sem exceção, têm problemas sérios de poluição com nitrogênio. O pior deles é o excesso do elemento químico em corpos d?água, que leva ao fenômeno conhecido como eutrofização.

“Há um crescimento acelerado de algas e outros organismos que, quando morrem, são decompostos utilizando o oxigênio da água. A taxa de oxigênio cai, causando mortandade de peixes. São as zonas mortas, que se estendem pela maioria dos estuários dos países desenvolvidos”, disse.

No Brasil, segundo o pesquisador, há tanto zonas carentes em nitrogênio no Nordeste quanto áreas que já manifestam excesso do elemento em São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. “O nitrogênio é como alguns remédios: na dose certa é cura, na dose exagerada é veneno. Algumas áreas estão padecendo da falta do remédio, outras estão sendo envenenadas.”

Em busca do equilíbrio

Para agravar o problema, os países que sofrem com a carência de fertilizantes podem ter excesso de nitrogênio em alguns ecossistemas por conta do despejo de esgoto não tratado em rios e lagos. “As fezes e a urina são riquíssimas em nitrogênio. Se o esgoto não for tratado, o elemento vai parar em um corpo d’água e causa eutrofização, funcionando como se fosse um fertilizante orgânico”, disse Martinelli.

Principal componente da “revolução verde”, os fertilizantes sintéticos tornaram a humanidade dependente do nitrogênio. De acordo com o professor da Esalq, em média 70% das proteínas consumidas por cada habitante do planeta são compostas pelo nitrogênio fornecido pelos fertilizantes sintéticos.

“A revolução verde teve um grande papel na redução da fome no planeta, particularmente na Ásia. Mas em países como a China, o governo produz e distribui nitrogênio à vontade. O resultado é que os ecossistemas chineses estão altamente comprometidos e a maioria de seus corpos d’água estão eutrofizados”, disse Martinelli.

Para o cientista, o desafio que o mundo tem pela frente é encontrar um meio sustentável para o uso do nitrogênio. “Há extrema necessidade de se conseguir balancear a quantidade de nitrogênio de maneira a suprir as necessidades das plantas para produção de alimentos, sem causar danos ambientais”, disse.

Fonte: Agência FAPESP

Vinhos do Nordeste ‘desafiam dogmas e ganham espaço’, diz NYT

Com tecnologia e irrigação, o vale do São Francisco, no nordeste brasileiro, está se transformando em um “improvável” centro de produção de vinhos fora do eixo tradicional dos produtores, segundo relata reportagem publicada nesta terça-feira pelo diário americano The New York Times.

Segundo o jornal, vinicultores tradicionais vêm cada vez mais investindo na produção de vinhos de “nova latitude” em países em desenvolvimento, apostando principalmente no crescimento dos mercados consumidores internos.

“Ao fazer isso, essas companhias estão desafiando o dogma de séculos de que a vinicultura está relacionada ao ‘terroir’, a crença de que um vinho reflete a área onde as uvas são cultivadas, e a climas temperados”, diz a reportagem.

O New York Times observa que “os vinicultores de nova latitude ainda são relativamente desconhecidos comparados com as tradicionais forças européias como França, Alemanha, Itália, Espanha e Portugal, e ficam para trás até mesmo entre os chamados produtores do ‘Novo Mundo’, como Argentina, Austrália, Chile, Nova Zelândia, África do Sul e Estados Unidos”.

“Ainda assim, o vinho está se tornando mais popular em países como Brasil, China e Índia por causa de uma crescente classe média e da publicidade sobre seus benefícios à saúde”, afirma o jornal.

A reportagem cita como exemplo os investimentos no Brasil feitos pela vinícola portuguesa Dão Sul, que comprou 5 mil acres no vale do São Francisco em 2003 e investiu US$ 4 milhões em maquinário ultra-moderno.

“Os 25 diferentes tipos de vinhos tintos, brancos e espumantes que a companhia produz já representam 15% de toda a produção da companhia”, relata o texto.

Segundo o jornal, “a decisão de investir no Brasil foi baseada em diversos fatores, incluindo a terra e a mão de obra baratas e técnicas avançadas de refrigeração”.

“Uma vantagem que a região compartilha com muitas das nações produtoras de vinhos de nova latitude é o sol por todo o ano. A região tem 12 horas de sol por dia, e em contraste com Bordeaux, que tem 12 horas de sol somente no verão, os céus estão sem nuvens 300 dias ao ano. Os vinicultores podem colher o ano todo, reduzindo assim consideravelmente seus custos de produção”, explica a reportagem.

Fonte: BBC Brasil

Vinhos do Terceiro Mundo ganham espaço no mercado mundial

NOVA YORK, 15 MAI (ANSA) – O planeta está passando por uma revolução geográfica no mundo dos vinhos:o Terceiro Mundo está ganhando espaço no filão que era antes dominado por Europa e Estados Unidos.

“Os vinhos franceses, italianos, espanhóis não vêm das palmeiras”, espanta-se João Santos, enólogo da casa portuguesa Dão Sul, após adquirir novas vinícolas no semi-árido brasileiro.

Quatro anos depois que novas tecnologias e sistemas de irrigação aportaram no Nordeste brasileiro, um milagre aconteceu: a Dão Sul distribui hoje no mercado um dos melhores vinhos tropicais do mundo, fabricado no sertão do Brasil.

Outra novidade no mundo dos vinhos é o conceito do “vinho das novas latitudes”, que surgiu na Tailândia, onde a Siam Winery engarrafa uvas cultivadas em vinícolas flutuantes no delta do rio Chao Phraya, e se baseia no pressuposto de que as plantas são muito mais “maleáveis” do que se pensava antes. Quando colocadas em um novo ambiente, as plantas crescem com muito mais velocidade e eficácia.

Os vinhos tailandeses ainda são meros desconhecidos se comparados com os europeus (que dominam 62% da produção mundial) e os seus outros concorrentes (Argentina, Austrália, Chile, Nova Zelândia e África do Sul), mas estão ganhando mercado rapidamente.

China e Brasil, dois países de primeira linha entre os novos vinicultores, produzem hoje apenas 6,7 milhões de litros de vinho por ano, 2,4% do total mundial, segundo o centro de pesquisas britânico International Wine and Spirit Record, mas a tendência é que o aumento da produção se desenvolva paralelamente ao crescimento do consumo de vinho por parte da classe média.

Ainda de acordo com o centro, em 2011, o consumo de vinho na China aumentará 12%, no Brasil, 39%, e 82% na Índia. Esses dados chamaram a atenção dos investidores.

A LVMH adquiriu cotas importantes do Chandon, o champanhe brasileiro; Pernod Ricard virou proprietária de marcas da Índia, Brasil e Geórgia, enquanto Veuve Clicquot está há onze anos com um acordo com as Grover Vineyards de Bangalore, Índia.

Fonte: ANSA

Empresa não tem previsão para limpeza do Rio Paraguai

Sandra Luz

A Ahipar (Administração da Hidrovia do Paraguai) ainda não tem previsão para iniciar a limpeza do Canal do Tamengo, que deságua no Rio Paraguai na fronteira entre a Bolívia e Corumbá. O canal está bloqueado por cerca de 600 metros de vegetação desde o fim de abril.

Inicialmente, a limpeza começaria na segunda quinzena de maio, mas a empresa ainda não concluiu trabalho na região do Castelo, onde a vegetação deixou fazendeiros ilhados. Nessa área, porém, a limpeza está atrasada e não há previsão para conclusão, segundo a assessoria de imprensa da Ahipar.

Como os camalotes fecham a passagem pelo canal, a Bolívia fica impedida de exportar e receber mercadorias através do canal. O Canal do Tamengo é o único acesso aos portos de Puerto Aguirre e as plantas prejudicam a movimentação de cargas do outro lado da fronteira, onde chegam containers e combustível (procedente da Argentina) e sai farelo e óleo de soja.

Na primeira quinzena de março a vegetação formou várias ilhas no canal. A obstrução é feita por camalotes e baceiro (plantas aquáticas e capim) que flutuam e vedam a passagem em um raio de 600 metros. Para remover as plantas, a Ahipar utiliza um navio-empurrador que possui uma esteira na proa e movimenta a vegetação posteriormente jogada rio abaixo.

Além do Canal do Tamengo, os camalotes fecharam as bombas de abastecimento de água potável da cidade. No domingo, a população ficou sem água e a Sanesul colocou mergulhadores para efetuar a limpeza do canal.

Fonte: Campo Grande News

Plantas antiestresse

No Brasil, vegetais como guaraná, mate e catuaba são utilizados em tratamentos para combater cansaço físico e mental

Da Redação

A natureza é inquestionável. Diversas plantas têm mesmo expressivo poder curativo. O cansaço físico e mental, vivido intensamente pela vida contemporânea, pode ser aliviado por esses “milagrosos” vegetais, que são grandes aliados na hora de enfrentar o estresse diário. “A planta mais utilizada no mundo para esta finalidade é o ginseng coreano – nome científico Panax ginseng –, mas que não cresce no Brasil”, afirma Fúlvio Rieli Mendes, da Universidade Federal de São Paulo, a Unifesp.

Quem escolher o tratamento à base das verdinhas deve entender que os efeitos fortificantes não aparecem de uma hora para outra. “Nota-se a diferença de ânimo só depois de alguns dias de tratamento”, afirma Fúlvio. Isso porque o princípio ativo das plantas precisa modificar funções fisiológicas, o que não ocorre da noite para o dia. A recomendação é que o uso do fitoterápico se prolongue por três meses. Depois, é preciso dar uma pausa de um mês para eliminar os excessos do corpo e, então, se for indicado, retomar o tratamento.

No Brasil, várias plantas são utilizadas para combater o estresse, resultando em energia e disposição. “Como é o caso do guaraná, fáfia, mate, cacau, catuaba e tantas outras”, explica. A maioria dessas plantas é encontrada para venda em mercados e ervanários, segundo o especialista. “Porém, sem garantia de qualidade e autenticidade”, alerta.

Habitat natural

Na natureza, elas são encontradas no habitat característico e algumas vezes cultivadas em outros biomas. “Por exemplo, o guaraná é típico do Amazonas, o cacau pode ser encontrado tanto nativo na floresta amazônica como cultivado na Bahia e outros Estados. A catuaba está no Cerrado, em toda região Centro-Oeste do Brasil e também em Minas Gerais. O mate, com o qual se prepara o chimarrão e o tereré, é típico do Sul do Brasil”, detalha.

Fúlvio conta que uma pesquisa realizada em livros brasileiros, publicados desde a década de 1930, mostra que o Brasil é rico em plantas usadas para combater o estresse e melhorar o desempenho físico e cognitivo, relativo à memória e à percepção. “Algumas plantas possuem uso regionalizado, mas muitas outras são conhecidas e utilizadas no País todo.” Ele explica ainda que os estudos científicos com estas plantas, potencialmente úteis contra o estresse, ainda são insuficientes. “Mas dados já publicados apontam efeitos animadores para o guaraná, a fáfia, o nó-de-cachorro e a muirapuama.”

Fonte: Diário da Manhã

Descoberto mecanismo que torna possível rega com água salgada

Vai ser possível a rega de campos de golf com água salgada?

As plantas são capazes de detectar o grau de salinidade do solo e defender-se dele, uma descoberta que poderá, por exemplo, traduzir-se na criação de relva transgénica, que se poderia regar com água salgada. Segundo um trabalho dirigido pelo espanhol Armand Albert, publicado na Revista “Molecular Cell”, as plantas são capazes de desenvolver mecanismos de defesa contra as agressões externas como o excesso de sal, a seca ou a falta de nutrientes no solo.

Armand Albert, investigador do Instituto de Química e Física Rocasolano do Centro Superior de Investigações Científicas, e a sua equipa entendem que a sua descoberta poderá permitir, por exemplo, a utilização água salgada para regar os campos de golfe em zonas com escassez de água doce. As plantas detectam e defendem-se dos estímulos externos mediante um mecanismo celular, no qual actuam as proteínas quinasas e fosfatasas, que se organizam para perceber os estímulos ambientais e transformá-los num sinal químico que desencadeia a resposta.

O excesso de sódio no solo é tóxico para as plantas e desajusta o equilíbrio entre os distintos sais necessários para um crescimento normal e, em situações de stress salino, devem manter baixas as concentrações intracelulares de sódio. Para o obter, a quinasa e a fosfatasa desenvolvem um transportador na membrana celular que bombeia o excesso de sódio para fora da célula, restabelecendo assim o equilíbrio salino da planta.

Esta descoberta radica, basicamente, no conhecimento da estrutura atómica das proteínas e na identificação dos determinantes celulares que afectam o processo. Graças a esta descoberta será mais fácil a procura sistemática de espécies naturais que apresentem alterações nestas proteínas, ou preparar modelos vegetais transgénicos que sejam hiper resistentes ao sal. Segundo o estudo, a investigação foi efectuada com a planta modelo Arabidopsis Thaliana, mas é aplicável a outras plantas, como o arroz ou a soja.

Fonte: Ciência Hoje Pt

ETAPs e Piscinas Biológicas: o mesmo conceito mas aplicações tão diferentes

A utilização de plantas aquáticas em estações de tratamento de águas residuais e piscinas privadas é técnica e ecologicamente muito interessante. Estas plantas filtram, assimilam e depuram a água dos poluentes com que está carregada.

Maria João Carvalho

…É por estes motivos que se justifica a salvaguarda deste recurso como direito fundamental do Homem. O mundo simbólico e real da água deve ser pautado pelo saber objectivo, científico e instrumental, mas também por algo de sagrado, onde se mantenha a união que a água desde sempre representou entre o corpo e a natureza, entre as gerações, entre o exterior e o interior, entre o visível e o invisível…

In “OKEÁGUA – Piscinas Eco-Sustentáveis”, Maria João Melo

Desde que o mundo é mundo que o Homem tenta regressar às origens e à água de onde saiu há alguns milhões de anos. São muito poucas as pessoas que não têm um enorme prazer no contacto com a água, seja ela a que está na banheira ou as vagas frias e agitadas do nosso Oceano Atlântico. Numa escala intermédia estão as piscinas, que qualquer vivente um pouco mais endinheirado almeja ter na sua propriedade. Podem ser exteriores ou interiores, de água aquecida ou à temperatura ambiente, doce ou salgada, podem até ter já incluídos alguns sistemas que simulam a agitação marinha que começam a surgir cada vez mais em parques aquáticos.

O que nem todos os viventes sabem é que as piscinas convencionais acarretam alguns problemas de índole ambiental, para a saúde das pessoas que as frequentam e de cariz económico, nomeadamente: águas com excesso de cloro e outros produtos químicos usados na desinfecção, que além de irritantes para a pele, olhos, cabelo e nariz, provocam desequilíbrios nos ecossistemas vizinhos e dificuldades acrescidas no tratamento dos efluentes; a depuração conseguida obriga mesmo assim à substituição total da água com uma certa periodicidade; o impacto visual é sempre artificial e desenquadrado da natureza; a construção é cara e a manutenção trabalhosa e cara; os assentamentos de terreno após a construção provocam muitas vezes problemas como rachas, fissuras, falta de impermeabilidade, azulejos descolados, roturas nas canalizações, etc.; prevê-se que num futuro próximo este tipo de construção seja onerado com impostos e taxas que o classificam como artigo de luxo e visam responsabilizar os cidadãos e a sua relação com a água.

Dado que o ser humano tende a resolver primeiro os problemas que o afectam em maior escala e com mais premência e, dado que o problema do tratamento de efluentes líquidos domésticos e industriais acarreta sérios problemas ambientais, surgiu recentemente o conceito de Fito-ETAR ou ETAP (Estação de Tratamento de Águas com Plantas), que é, como o próprio nome indica, uma ETAR, ou seja, uma Estação de Tratamento de Águas Residuais, onde esse tratamento, em vez de ser efectuado pelos métodos tradicionais, é feito utilizando plantas aquáticas, que pelas suas características, filtram, assimilam e depuram em geral a água, dos diversos poluentes com que está carregada, depois de esta ter passado por tanques de decantação para separação de sólidos que poderiam danificar o sistema.

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As plantas desempenham um papel eficaz no tratamento das águas residuais, pelo facto destas disporem de uma capacidade de criar em torno das suas raízes e rizomas um meio rico em oxigénio, onde se geram condições de oxidação que estimulam a decomposição aeróbia da matéria orgânica e o crescimento das bactérias nitrificantes.

O tratamento de efluentes líquidos tendo como base os leitos de macrófitas constitui uma tecnologia fiável, robusta, de baixos custos energéticos, eficiente e estética, capaz de constituir uma alternativa aos sistemas convencionais no tratamento de efluentes. Esta tecnologia pode ser utilizada quer em efluentes domésticos, quer em outro tipo de efluentes como industriais, agro-pecuários e águas lixiviantes.

Tanto as ETAPs como as Piscinas Biológicas recriam de forma optimizada a estrutura e dinâmica funcional de uma zona húmida natural, ou seja, recriam sistemas lagunares.

O tratamento da água por sistemas de macrófitas é feito de diversas formas: por absorção de substâncias pelas plantas, pelo fornecimento de condições propícias ao desenvolvimento de microrganismos e, indirectamente, por interacção com partículas do solo que é o substrato das plantas.

– Captação de nutrientes e compostos químicos específicos – Além de elementos como o fósforo, o azoto ou o potássio, que constituem nutrientes para as plantas, outros elementos e compostos químicos são incorporados ou acumulados por algumas macrófitas, que são, por isso, utilizadas na depuração de efluentes de indústrias específicas.

– Libertação de oxigénio pelas raízes – A libertação de oxigénio pelas raízes regista-se nas plantas que possuem parte aérea e parte aquática, tais como as macrófitas emergentes, as fixas de folhas flutuantes e algumas flutuantes; estas plantas possuem aerênquima que permite o desenvolvimento de plantas em terrenos encharcados, sem sofrerem asfixia radicular. A libertação do oxigénio faz-se essencialmente através da ponta das raízes. As espécies com aerênquima possuem maiores concentrações internas de oxigénio e, consequentemente, um potencial maior para libertar uma maior quantidade desta molécula. O oxigénio libertado pelas raízes possibilita o desenvolvimento de microrganismos em aerobiose na rizosfera e promove a oxidação de substâncias químicas.

– Filtração e decantação – A trama formada pelas macrófitas, num sistema com águas paradas ou com fluxo lento, favorece a eliminação de sólidos em suspensão pelos processos de filtração e decantação.

– Suporte de microrganismos e de invertebrados – As macrófitas servem de suporte a uma infinidade de organismos que eliminam microrganismos patogênicos e que, pelos processos de fermentação e de respiração, degradam a matéria orgânica.

– Adsorção pelo solo – O substrato das macrófitas emergentes pode também ter um papel importante na retenção de formas químicas de fósforo e de azoto, quer por precipitação e deposição, quer por adsorção pelas partículas do solo.

Existem 3 tipos fundamentais de ETAPs e podem ser executados sistemas intermédios que utilizam mais que um destes tipos:

1. Sistemas baseados em macrófitas aquáticas flutuantes (enraizadas ou livres) – utiliza os géneros Nymphaea, Nuphar, Potamogeton e Hydricotyle (enraizadas) e os géneros Lemna e Spirodela (livres). Neste grupo podem ainda referir-se o conhecido Jacinto de água e a Alface de água (Pistia stratiotes).

2. Sistemas baseados em macrófitas submersas – usa espécies como Elodea canadensis, Elodea nutalli, Elodea densa, Ceratophyllum demersum, Hydrilla verticillata, Cabomba caroliniana, Miriophyllum hetrophyllum, Paramogeton spp. O facto das macrófitas utilizadas neste tipo de sistema serem aquáticas submersas, origina elevadas taxas de absorção das formas inorgânicas de carbono dissolvidas na água, particularmente CO2 e, simultaneamente, elevada capacidade de libertação de O2 fotossintético.

3. Sistemas baseados em macrófitas aquáticas emergentes – é o tipo de sistema mais utilizado e compreende 3 subtipos:

– Sistemas de Fluxo Superficial: Profundidade: 0,2 – 0,4 m; Declive do Fundo: 0,5%; Solo/Substrato: 20-30cm para suportar o crescimento de vegetação, sem exigências especiais de permeabilidade (normalmente usam-se solos locais); Vegetação mais frequente: especialmente Scirpus spp e Typha spp nos Estados Unidos da América, enquanto que na Europa a espécie mais frequente é a Phragmites australis.
– Sistemas de Fluxo Sub Superficial: quando o escoamento sub-superficial é horizontal, a água residual é distribuída à entrada do sistema e sujeita-se a um atravessamento (translação) mais ou menos prolongado ao longo da zona rizosférica (em redor das raízes) onde coexistem áreas aeróbias, anóxicas e anaeróbicas.
– Sistemas hídricos ou mistos: pretendem maximizar as vantagens dos dois tipos de sistema – escoamento sub-superficial horizontal e vertical.

Algumas plantas têm uma capacidade muito significativa de bioacumulação de metais. O efeito depurativo que estes vegetais levam a cabo nas massas de água poluídas, onde se podem desenvolver, depende da luz solar disponível e da sua capacidade de penetração na massa de água considerada. Essas espécies são mais ou menos resistentes à presença de poluentes em solução e/ou suspensão, em contraste com o que se verifica com outras macrófitas e algas, sensíveis à poluição aquática. Assim, desde que os efeitos tóxicos não se sobreponham ao processo de crescimento vegetativo, pode verificar-se uma bioacumulação significativa de metais presentes na solução em causa, os quais é possível, mais tarde, recuperar. Como exemplos surgem os casos do Jacinto de água que permite a recuperação de Cádmio, a Eichhornia crassipes para a Prata e a Pistia stratiotes que permite a recuperação de Crómio. Também os nitratos e fosfatos são bioacumuláveis e por isso retirados da água, produzindo biomassa rica nestes compostos para fins agrícolas ou nutricionais.

A biomassa produzida neste tipo de sistemas de tratamento pode ser reutilizada em produção de energia por digestão anaeróbia, alimentação animal, produção de alimentos levedurizados e ensilagem.

Nestes sistemas as taxas de remoção de poluentes são idênticas aos sistemas convencionais, há baixos consumos energéticos, utiliza-se mão-de-obra não especializada, a área de ocupação é proporcional à população e, não é necessária a manutenção de caudais constantes. O único inconveniente prende-se com o facto de as ETAP’s requererem sensivelmente mais área que os sistemas convencionais devido ao facto de ser necessária a implantação de lagoas sucessivas.

As piscinas biológicas assentam na tecnologia das ETAP’s e classificam-se normalmente em função de 3 critérios fundamentais:
– tipo de escoamento;
– tipo de substrato;
– tipo de plantas utilizadas.

As piscinas mais frequentes têm escoamento horizontal superficial com substrato de areia e com macrófitas aquáticas fixas emergentes e submersas e, flutuantes emergentes e submersas, ou seja, derivam do tipo mais frequente de escoamento das ETAP’s, com mistura de vários tipos de macrófitas com o intuito de optimizar a sua actuação na depuração da água da piscina. Algumas das espécies mais utilizadas são: Aucuba, Bambus sp, Calycantus floridos, Cornus alba, Cornus floridos, Phragmites communis, Phragmites australis, Scirpus sp.,Rhamus frangola, Juncus inflexus, Juncus effusus, Íris pseudocorus, Íris kaempferi, Lithum officinalis, Petacites officinalis, Auruncus sylvester, etc..

No que respeita ao substrato destas piscinas, combina-se areia lavada com seixo, para que não exista matéria orgânica disponível, para que as plantas retirem a maior parte dos nutrientes apenas da água e ainda, por questões sanitárias. O seixo por razões de permeabilidade, assegura o escoamento sub-superficial da água e ao aquecer esteriliza as partículas que escoam à superfície.

Para além da função de remoção de diversas substâncias do meio aquático e sua acumulação nos tecidos, as plantas contribuem também para: evapotranspiração, atenuação da absorção luminosa pelos substratos, redução do transporte eólico de substâncias para a água, diminuição dos riscos de ressuspensão, transporte convectivo de gases e produção de antibióticos, entre outros.

A água a utilizar numa Piscina Biológica pode ser da rede pública ou qualquer outra, que contenha baixos níveis de matéria orgânica e resíduos. No Verão uma parte da água evapora e deve ser reposta para não expor demasiado as plantas, e no Inverno a chuva provoca excesso de água pelo que deve incluir-se na piscina um dreno horizontal para escoar o mesmo.

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Os requisitos gerais para a implementação de uma Piscina Biológica são os seguintes:
1. Área disponível não inferior a 100 m2.
2. Boa exposição solar e preferencialmente virada a Sul.
3. Inexistência de árvores que provoquem sombra ou que libertem folhas, pólens, etc., em quantidade. Além disso as raízes, ao detectar a presença de água podem danificar a tela.
4. Capacidade de vedar o acesso à piscina a animais domésticos por questões de higiene, segurança e manutenção, visto que destroem as macrófitas e libertam substâncias poluentes em grande quantidade.
5. Ter as zonas declivosas para a piscina livres de pesticidas, adubos, fertilizantes, etc.. Para tal, estabelece-se normalmente um dreno à volta da piscina para evitar e entrada de águas alheias ao sistema.
6. Pretender a piscina para uso doméstico e não público, pois embora algumas plantas produzam substâncias com propriedades antibióticas, estas não são suficientes para garantir o não contágio de certas doenças através da água.
7. Possibilidade de instalar uma estrutura de acesso à piscina que evite que a tela onde esta assenta seja pisada por pessoas ou animais, para aumentar a sua durabilidade.
8. Se houver a possibilidade de congelamento da água no Inverno deve-se instalar uma bomba de lago.
9. A utilização por crianças deve ser vigiada.
10. A fonte de luz é a solar e sendo a tela usada de cor negra, a água tende a aquecer a cerca de 20º no Verão na zona centro do País.
11. Não se devem adicionar quaiquer produtos químicos sob pena de desequilibrar o ecossistema criado.
12. Os preços variam entre cerca de 6000 e 7500 Euros para piscinas com entre 100 e 300 m2.

À guisa de conclusão, se as ETAP’s representam uma tecnologia limpa para o tratamento de águas residuais, com evidentes vantagens sobre os sistemas convencionais, no que se refere aos problemas ambientais decorrentes desse tratamento, as Piscinas Biológicas representam também uma tecnologia limpa mas agora com funções lúdicas, estéticas, paisagísticas e de contributo para a saúde mental dos utilizadores, bastante evidentes. Para além disso são inofensivas para a pele, olhos e cabelos, contribuem para a manutenção de biodiversidade ao criar um micro-ecossistema utilizável por avifauna palustre, anfíbios e répteis, contribuem para a diminuição de melgas e mosquitos porque a água tem demasiado oxigénio e devido à presença de predadores, têm baixo custo energético, são silenciosas, não emitem cheiro e têm manutenção irrelevante (corte das plantes secas nas margens, remoção de folhas mortas, reposição da água evapo-transpirada e limpeza do fundo no compartimento de natação com um aspirador de 2 em 2 meses a partir da Primavera ou por queda se o declive o permitir).

Com base em tudo isto, torna-se evidente que a opção pela construção de uma Piscina Biológica afinal não passa por grandes dificuldades ou grandes custos, bastando para isso um pouco de informação e alguma vontade por parte de quem quer e pode construir uma piscina. Já as ETAP’s dependem das vontades políticas na grande maioria dos casos, ou por vezes, da disponibilidade de terrenos, razões pelas quais já não me parece tão viável vê-las proliferar pelo menos num futuro próximo. No entanto, há que ter a esperança de que um dia se privilegiem estes sistemas em detrimento dos convencionais.

Bibliografia

– Melo, M.J., “Ókeágua – Piscinas Eco-Sustentáveis”
– Soares, A. L., Ferreira, A. P., “Fito-ETAR’s: Alternativa Tecnológica”, Mestrado Luso-Brasileiro em Gestão e Políticas Ambientais, Módulo de Gestão e Tecnologias Ambientais, Universidade de Évora, 2001.
http://www.mundo.iol.pt/okedesigner/ambiente.ecologia
http://www.terrasdemouros.pt/tratamento_aguas.asp

Fonte: NaturLink

Bromélias do Centro de Convivência divide opiniões

Delma Medeiros / Agência Anhangüera

A polêmica sobre a manutenção do canteiro de bromélias da Praça Antonio Carlos Jobim, onde fica o Centro de Convivência Cultural, continua dividindo opiniões. As autoridades sanitárias afirmam que as plantas representam risco para dengue, por acumularem água e servirem como criadouro do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença. Já o Departamento de Parques e Jardins (DPJ), rebate que segue as orientações e toma os cuidados necessários para evitar a proliferação do mosquito nas bromélias.

“As bromélias representam risco para dengue. A Vigilância em Saúde (Visa), assim como vistoria outros locais que podem representar risco, verifica também as bromélias, e já encaminhou demanda neste sentido para o DPJ” , diz o secretário de Saúde, José Francisco Kerr Saraiva. Técnicos da Vigilância já encontraram larvas do Aedes em amostra de água coletada nas bromélias do Centro de Convivência. A questão preocupa particularmente este ano, quando a explosão de casos já mostra que esta será a pior epidemia de dengue da história de Campinas, com mais de 3 mil casos confirmados.

O diretor do DPJ, Ronaldo de Souza, informa que nos últimos anos os cuidados e monitoramento do canteiro de bromélias foram redobrados. “Os dois jardineiros encarregados da praça estão orientados a jogar muita água com esguicho nas bromélias, três vezes por semana, para retirar a água que fica acumulada, impedindo o ciclo de reprodução do mosquito”, afirma. Ele cita ainda que especialistas consideram mínimo, “quase inexistente”, o risco de reprodução do mosquito nestas plantas. Segundo ele, a Praça Tom Jobim é a única da cidade a ter um canteiro de bromélias. “Têm algumas espécies isoladas em área de bosque, mas nos interiores da mata, sem oferecer risco”.

O biólogo Ovando Provatti, da Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa) e especializado no combate à dengue, confirma que o jateamento com água é uma das medidas indicadas para o controle do mosquito em bromélias. O jato de água, bem direcionado, retira a larva e o ovo do mosquito. “Mas tem que ser feito pelo menos três vezes por semana. Apenas uma vez por semana dá tempo de concluir o ciclo de reprodução do mosquito”. Provatti destaca também que não basta regar a bromélia para substituir a água. “É preciso dirigir o jato para dentro do copo da planta, para trocar a água e também eliminar as larvas e ovos”.

No caso das plantas caseiras, colocar duas colheres de sobremesa de água sanitária, pelo menos duas vezes por semana, no copo da bromélia, também é uma medida eficaz para combater o Aedes. “Mas essa alternativa é inviável em locais com muitas bromélias. Neste caso é melhor o jateamento”. Provatti acrescenta que, se a pessoa for construir um jardim, o ideal é não colocar bromélias, mas optar por outras plantas. “Não se trata de preconceito com a bromélia, como pensam alguns paisagistas. Mas é fato que sem esses cuidados elas se transformam em criadouros”, frisa, citando que a questão não é destruir as plantas, mas “ter um cuidado mínimo”.

Ações preventivas continuam pela cidade

As ações de combate à dengue desencadeadas pela Secretaria de Saúde esta semana incluíram nebulização na área do Jardim Novo Campos Elíseos, na região Sudoeste, arrastão para remoção de criadouros no Jardim Campineiro, na Norte, e no Parque Floresta e Jardim Novo Maracanã, na Noroeste. Ontem as medidas preventivas tiveram início na área do Centro de Saúde Balão do Laranja, também na Noroeste. As ações prosseguem nesta região até o dia 18 de maio, com a expectativa de abranger 6 mil residências, com remoção de criadouros, busca ativa de novos casos suspeitos, orientação e educação em saúde, entre outros.

“As ações são contínuas o ano todo e estão intensificadas neste momento. No entanto, a eficácia é reduzida se a população não colaborar. As pessoas precisam receber as equipes de saúde e, além disso, incorporar hábitos diários para inviabilizar criadouros, mantendo quintais limpos, eliminando pratos de vasos de planta e desentupindo calhas entre outras iniciativas” resume o técnico ambiental da Visa Noroeste, Rodrigo Antônio Araújo Pires.

Dengue em Campinas

Campinas tem 3.110 casos confirmados de dengue este ano. Desses, 2.420 são de moradores da cidade, 540 de outras cidades e 150 ainda em investigação quanto ao local de moradia. A cidade tem ainda 21 casos notificados de dengue hemorrágica, dos quais dois foram confirmados; cinco têm sorologia positiva, mas ainda não foram reconhecidos pelo Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) e 14 são prováveis, entre eles de um paciente que foi a óbito.

Fonte: Cosmo On Line