Bromélias do Centro de Convivência divide opiniões

Delma Medeiros / Agência Anhangüera

A polêmica sobre a manutenção do canteiro de bromélias da Praça Antonio Carlos Jobim, onde fica o Centro de Convivência Cultural, continua dividindo opiniões. As autoridades sanitárias afirmam que as plantas representam risco para dengue, por acumularem água e servirem como criadouro do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença. Já o Departamento de Parques e Jardins (DPJ), rebate que segue as orientações e toma os cuidados necessários para evitar a proliferação do mosquito nas bromélias.

“As bromélias representam risco para dengue. A Vigilância em Saúde (Visa), assim como vistoria outros locais que podem representar risco, verifica também as bromélias, e já encaminhou demanda neste sentido para o DPJ” , diz o secretário de Saúde, José Francisco Kerr Saraiva. Técnicos da Vigilância já encontraram larvas do Aedes em amostra de água coletada nas bromélias do Centro de Convivência. A questão preocupa particularmente este ano, quando a explosão de casos já mostra que esta será a pior epidemia de dengue da história de Campinas, com mais de 3 mil casos confirmados.

O diretor do DPJ, Ronaldo de Souza, informa que nos últimos anos os cuidados e monitoramento do canteiro de bromélias foram redobrados. “Os dois jardineiros encarregados da praça estão orientados a jogar muita água com esguicho nas bromélias, três vezes por semana, para retirar a água que fica acumulada, impedindo o ciclo de reprodução do mosquito”, afirma. Ele cita ainda que especialistas consideram mínimo, “quase inexistente”, o risco de reprodução do mosquito nestas plantas. Segundo ele, a Praça Tom Jobim é a única da cidade a ter um canteiro de bromélias. “Têm algumas espécies isoladas em área de bosque, mas nos interiores da mata, sem oferecer risco”.

O biólogo Ovando Provatti, da Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa) e especializado no combate à dengue, confirma que o jateamento com água é uma das medidas indicadas para o controle do mosquito em bromélias. O jato de água, bem direcionado, retira a larva e o ovo do mosquito. “Mas tem que ser feito pelo menos três vezes por semana. Apenas uma vez por semana dá tempo de concluir o ciclo de reprodução do mosquito”. Provatti destaca também que não basta regar a bromélia para substituir a água. “É preciso dirigir o jato para dentro do copo da planta, para trocar a água e também eliminar as larvas e ovos”.

No caso das plantas caseiras, colocar duas colheres de sobremesa de água sanitária, pelo menos duas vezes por semana, no copo da bromélia, também é uma medida eficaz para combater o Aedes. “Mas essa alternativa é inviável em locais com muitas bromélias. Neste caso é melhor o jateamento”. Provatti acrescenta que, se a pessoa for construir um jardim, o ideal é não colocar bromélias, mas optar por outras plantas. “Não se trata de preconceito com a bromélia, como pensam alguns paisagistas. Mas é fato que sem esses cuidados elas se transformam em criadouros”, frisa, citando que a questão não é destruir as plantas, mas “ter um cuidado mínimo”.

Ações preventivas continuam pela cidade

As ações de combate à dengue desencadeadas pela Secretaria de Saúde esta semana incluíram nebulização na área do Jardim Novo Campos Elíseos, na região Sudoeste, arrastão para remoção de criadouros no Jardim Campineiro, na Norte, e no Parque Floresta e Jardim Novo Maracanã, na Noroeste. Ontem as medidas preventivas tiveram início na área do Centro de Saúde Balão do Laranja, também na Noroeste. As ações prosseguem nesta região até o dia 18 de maio, com a expectativa de abranger 6 mil residências, com remoção de criadouros, busca ativa de novos casos suspeitos, orientação e educação em saúde, entre outros.

“As ações são contínuas o ano todo e estão intensificadas neste momento. No entanto, a eficácia é reduzida se a população não colaborar. As pessoas precisam receber as equipes de saúde e, além disso, incorporar hábitos diários para inviabilizar criadouros, mantendo quintais limpos, eliminando pratos de vasos de planta e desentupindo calhas entre outras iniciativas” resume o técnico ambiental da Visa Noroeste, Rodrigo Antônio Araújo Pires.

Dengue em Campinas

Campinas tem 3.110 casos confirmados de dengue este ano. Desses, 2.420 são de moradores da cidade, 540 de outras cidades e 150 ainda em investigação quanto ao local de moradia. A cidade tem ainda 21 casos notificados de dengue hemorrágica, dos quais dois foram confirmados; cinco têm sorologia positiva, mas ainda não foram reconhecidos pelo Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) e 14 são prováveis, entre eles de um paciente que foi a óbito.

Fonte: Cosmo On Line


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Autor: Anderson Porto

Desenvolvedor do projeto Tudo Sobre Plantas

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