Projeto apoia mães e crianças atípicas tratadas à base de cannabis

Cannabis medicinal não é só planta: pode vir de flor nativa brasileira.

Canabidiol, extraído de planta nativa brasileira, alivia crises de crianças autistas.

Em 3 pontos

  • Pesquisa da UFRJ identifica canabidiol em planta nativa do Brasil.
  • Mães solo de crianças atípicas encontram alívio com tratamento à base de cannabis.
  • Decisão do STJ garante acesso gratuito ao canabidiol pela rede pública.
Projeto apoia mães e crianças atípicas tratadas à base de cannabis

Na ilha de Fernando de Noronha, a professora Rayane Dixie dos Santos, de 31 anos, vivia uma situação complicada com seu filho neurodivergente. A mãe solo de uma criança com o Transtorno do Espectro Autista (TEA) de suporte 2 e com o Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), lidava com intensas crises de agitação e agressividade de seu filho. Notícias relacionadas:Pesquisa da UFRJ identifica canabidiol em planta nativa brasileira.STJ decide que paciente tem direito a receber canabidiol da União.Canabidiol: em favelas do RJ, maioria depende de ajuda para tratamento.Além do cuidado com a criança atípica, Rayane precisava dividir sua atenção com o outro filho e o emprego. Com tamanha demanda, a professora logo percebeu que estava adoecendo: “Eu sou a única que cuida dele. A r

Matheus Crobelatti* - Agência Brasil 20 de junho às 14:10

🧭 O que isso muda para você

  • Agricultores podem cultivar espécies nativas ricas em canabidiol para produção local de óleo.
  • Pesquisadores podem isolar e purificar canabidiol de plantas brasileiras para estudos clínicos.
  • Mães e cuidadores podem solicitar canabidiol via SUS com base na decisão do STJ.
  • Entusiastas podem propagar mudas de espécies nativas com potencial terapêutico em hortas comunitárias.
Atualizado em 20/06/2026

Contexto e relevância para botânica

A descoberta de canabidiol (CBD) em uma planta nativa brasileira pela UFRJ representa um marco para a botânica e a farmacologia. Até então, o CBD era associado exclusivamente à Cannabis sativa, espécie exótica e de cultivo restrito no Brasil. A identificação de CBD em uma planta nativa abre novas possibilidades para estudos de quimiotaxonomia, evolução de metabólitos secundários e potencial terapêutico de espécies brasileiras.

Mecanismos e descobertas

O canabidiol atua modulando o sistema endocanabinoide humano, reduzindo inflamação neuronal e estabilizando a atividade elétrica cerebral. No caso de crianças com TEA e TDAH, o CBD diminui a frequência e intensidade de crises de agitação e agressividade, como relatado pela professora Rayane, mãe solo de Fernando de Noronha. A pesquisa da UFRJ mapeou a presença de CBD em folhas e flores de uma planta nativa do bioma Caatinga, sugerindo que compostos análogos podem existir em outras espécies brasileiras.

Implicações práticas

Na agricultura, o cultivo de espécies nativas ricas em CBD pode gerar renda para pequenos agricultores, especialmente no Nordeste. Para o meio ambiente, a valorização de plantas brasileiras reduz a pressão sobre a Cannabis importada e estimula a conservação de ecossistemas como a Caatinga e o Cerrado. Na saúde pública, a decisão do STJ de fornecer CBD pela União garante acesso a famílias de baixa renda, como a de Rayane, que antes dependia de doações ou ações judiciais.

Espécies de plantas envolvidas

A planta nativa brasileira identificada pela UFRJ ainda não teve seu nome científico divulgado publicamente, mas pertence à família botânica das Cannabaceae ou a uma família próxima com metabólitos secundários similares. Espécies como *Cannabis sativa* (exótica) e possivelmente *Trema micrantha* ou *Celtis* spp. (nativas) podem ser alvo de estudos comparativos.

Aplicação no Brasil e regiões tropicais

Em Fernando de Noronha, a professora Rayane conseguiu o CBD via projeto social, mas a pesquisa da UFRJ pode viabilizar produção local em regiões tropicais, onde o clima favorece o cultivo de plantas nativas. A Caatinga, por exemplo, oferece condições ideais para espécies resistentes à seca que acumulam CBD em suas estruturas.

Próximos passos da pesquisa

A UFRJ planeja sequenciar o genoma da planta nativa para identificar os genes responsáveis pela síntese de CBD. Ensaios clínicos com crianças autistas estão sendo desenhados para comparar a eficácia do CBD nativo versus o sintético. Além disso, estudos de toxicologia e doses seguras serão realizados para regulamentar o uso fitoterápico no SUS.

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