Apresentação
Introdução
A planta Cannabis sativa, popularmente chamada de maconha, contém substâncias que alteram a mente, modificando a forma como a pessoa sente, age e pensa. Atualmente, é uma das drogas recreativas mais usadas no Brasil, apesar de seu consumo ser proibido. A planta é cultivada e utilizada por diferentes povos há muitos séculos. [1]
A planta Cannabis sativa, que antigamente era usada principalmente para fazer tecidos, hoje desperta grande interesse por suas possíveis propriedades medicinais e nutricionais. [3]
Variedades
Algumas variedades da planta podem apresentar características monóicas, ou seja, ter tanto flores masculinas quanto femininas se desenvolvendo na mesma planta individual. [4]
tipo fibra (cânhamo) e tipo droga [1]
Existem variedades que produzem mais THC (tetrahidrocanabinol) e outras que produzem mais CBD (canabidiol). [5]
Sinonímia
Cannabis americana, Cannabis chinensis, Cannabis erratica, Cannabis generalis, Cannabis gigantea, Cannabis indica, Cannabis indica var. afghanica, Cannabis indica var. kafiristanica, Cannabis intersita, Cannabis kafiristanica, Cannabis lupulus, Cannabis macrosperma, Cannabis ruderalis, Cannabis sativa subsp. indica, Cannabis sativa subsp. intersita, Cannabis sativa var. afghanica, Cannabis sativa var. gigantea, Cannabis sativa var. indica, Cannabis sativa var. kafiristanica, Cannabis sativa var. kif, Cannabis sativa var. macrosperma, Cannabis sativa var. monoica, Cannabis sativa var. praecox, Cannabis sativa var. ruderalis, Cannabis sativa var. spontanea, Cannabis sativa var. vulgaris
História
Os primeiros registros do uso da Cannabis sativa são de cerca de 2.500 anos antes de Cristo, na Ásia. Provavelmente, era cultivada e usada como remédio por curandeiros antigos. Além do uso medicinal, suas fibras serviam para fazer papel e cordas, e seu óleo era extraído para várias aplicações, como na fabricação de roupas e lubrificação de máquinas. Como remédio, começou a ser usada na China há 3.000 anos para tratar prisão de ventre, malária, dores nas articulações e problemas de saúde femininos. Por seus efeitos na mente, era recomendada para melhorar o sono e abrir o apetite. A planta chegou à Europa na época das Cruzadas, onde passou a ser usada como medicamento. Embora tenha se tornado uma droga ilegal no século passado, a maconha já foi legal e teve grande valor econômico na Europa. Johannes Gutenberg usou papel feito de cânhamo para imprimir as primeiras bíblias. Durante o Renascimento, a maconha foi um produto agrícola muito importante na Europa, não só para livros, mas também para telas de pintura feitas de suas fibras. Na China, há quatro mil anos, o imperador Shen-Nung receitava a planta para tratar doenças como malária, gota, reumatismo, prisão de ventre e cansaço. Os chineses alertavam que, se usada em excesso, poderia causar visões de demônios e, com o tempo, permitir comunicação com espíritos. Na Índia, por volta de 2.000 anos antes de Cristo, a maconha já não era só remédio, mas também usada de forma recreativa em rituais religiosos, sendo considerada uma planta sagrada. Médicos indianos a usavam para tratar dezenas de problemas, como diarreia, epilepsia, confusão mental, reumatismo, gastrite, diabetes, resfriado e anemia. Desde a antiguidade, gregos e romanos usavam velas e cordas de cânhamo em navios. No século XV, era cultivada na França, Portugal e África para fazer cordas, cabos, velas e material para vedar barcos, que costumavam tomar água em longas viagens. As fibras, rígidas e elásticas, davam grande velocidade às caravelas. Em Portugal, o cultivo de cânhamo cresceu muito na época das Grandes Navegações, fornecendo material para as embarcações. Um decreto do rei D. João V, de 1656, mostra que incentivar a produção de maconha era uma política de Estado. A Cannabis sativa chegou ao Brasil com os escravos africanos por volta de 1500, e seu uso era apenas recreativo, pois seu potencial terapêutico era desconhecido. A planta era chamada pelos escravos de 'cânhamo da Índia'. O nome 'maconha' veio de um rearranjo das letras da palavra 'cânhamo'. Em meados do século XIX, chegou ao Brasil a notícia do uso medicinal da maconha. No entanto, na década de 1930, começou a repressão, e a planta foi proibida desde o plantio até o consumo pelo Decreto-Lei N° 891, de 25 / 11 / 1938. Um documento oficial do governo brasileiro sugere que a planta foi introduzida no Brasil após 1549 por escravos negros, e as sementes teriam sido trazidas em bonecas de pano. Com o tempo, o uso não medicinal cresceu entre os escravos e também entre os indígenas, que passaram a cultivá-la para uso recreativo. Com sua popularização no século XVII, o vice-rei de Portugal passou a enviar sementes de maconha para cultivo em larga escala, devido à importância de suas fibras. [1]
Ao longo do tempo e em diferentes regiões, a planta recebeu vários nomes. Iniciou-se não apenas um debate sobre os efeitos de substâncias que alteram a consciência, mas também um processo de controle social que, como consequência, tornou a substância e seus usuários em diferentes contextos, algo criminalizado. A primeira lei sobre drogas no Brasil foi criada em 1921. Em 1932, uma nova lei brasileira estabeleceu o monopólio médico sobre a maconha, que a partir de então só poderia ser obtida com receita médica. Nos Estados Unidos, a primeira lei aprovada no Congresso proibindo o uso da maconha foi o 'Marihuana Tax Act', em 1937. Em 1960, o uso medicinal da maconha foi aprovado no estado da Califórnia. O pesquisador Raphael Mechoulam, que sobreviveu ao Holocausto, foi pioneiro nas pesquisas sobre os princípios bioquímicos da maconha, o CBD e o THC. [6]
A planta tem uma longa história. A variedade conhecida como cânhamo é cultivada há milênios, com registros que remontam a 10.000 a.C. na Ásia Central, onde era usada para produzir fibras. Na medicina tradicional chinesa, o imperador Sheng Nung, uma figura importante, já destacava a importância da maconha para tratar doenças. Textos antigos, como o Papiro Ebers do Egito, também mencionam seu uso medicinal. [3]
Ocorrência e Ecologia
Distribuição geográfica
Atualmente, os maiores produtores são Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Itália e Uruguai. [3]
Originária e cultivada na Tailândia. [8]
Origem
É cultivada em todo o mundo. Na Nigéria, seu cultivo é especialmente comum no estado de Ondo. [9]
Cannabis sativa L. [5]
A planta é originária da Ásia Central. [3]
Clima
As condições climáticas foram controladas. Inicialmente, a luz ficava acesa 24 horas por dia, a temperatura do ar era de 22°C e a umidade relativa do ar era de 40%. Posteriormente, a temperatura do ar foi ajustada para 26,5°C. [10]
cultivada sob condições controladas de estufa [5]
Ela se desenvolve melhor em temperaturas amenas, entre 20 °C e 25 °C. [3]
Fenologia
A floração pode ser atrasada em até três semanas se a umidade do ar estiver muito alta. O início da floração é controlado por mecanismos internos da planta, como hormônios, o relógio biológico (ritmo circadiano) e a ativação de genes específicos, e é influenciado por fatores externos como nutrientes disponíveis, formato da planta e temperatura do ambiente. [11]
As amostras foram coletadas desde o início da floração (semana 0) até a semana 5. [12]
Conservação
A preservação da diversidade genética é um dos objetivos dos estudos sobre a planta, utilizando estratégias como bancos de sementes para guardar variedades genéticas únicas. [13]
Morfologia
Características
A planta é dividida em dois tipos principais, de acordo com sua composição química e uso. É classificada como cânhamo quando possui baixo teor de THC (abaixo de 0,3%), sendo cultivada principalmente para fins agrícolas e medicinais. Já a maconha possui teor mais alto de THC e é cultivada tipicamente para consumo pessoal. O cânhamo é conhecido como uma cultura versátil e produtiva, que requer poucos recursos para seu cultivo. [7]
Quando enfrenta falta de água no começo da floração, a cannabis parece resistir mais por manter sua capacidade de fazer fotossíntese, produzir compostos secundários e distribuir bem a biomassa, do que por questões relacionadas ao sistema de condução de água. [5]
A forma como a planta é cultivada influencia muito sua composição química, especialmente a quantidade de substâncias como terpenos, canabinoides e flavonoides. O método de plantio, o tipo de solo e as condições do ambiente são decisivos para a produção desses compostos importantes. [3]
Caule
Os caules têm um nível muito alto de fibras (45,76%). [9]
Casca
Os caules são frequentemente vistos como sobras ou descartes. [15]
Folhas
As folhas são usadas para extrair fibras, que servem para produzir papel, tecidos, bioplásticos e materiais de construção. [3]
As folhas são a parte da planta com a maior quantidade de proteína (19,63%) e também a maior concentração de flavonoides (8,25 mg por 100 g). [9]
Flores
As flores são a parte da planta com mais aplicações. São usadas para fazer extratos medicinais e na fabricação de cigarros. Delas também se obtêm soluções com propriedades farmacológicas importantes, como ação anti-inflamatória, antidepressiva, broncodilatadora e analgésica. [3]
conjunto de flores (inflorescências) [5]
Sementes
As sementes são famosas por seu alto valor nutritivo. São consideradas uma fonte completa de proteína, pois contêm todos os aminoácidos essenciais. Também são ricas em gorduras boas, como os ácidos graxos ômega-3 e ômega-6, na proporção ideal para a saúde. Elas têm o maior teor de óleo (36,44%). [9]
As sementes são da espécie Cannabis sativa. [16]
Raízes
As raízes também são muito ricas em fibras (47,13%) e contêm os maiores níveis de alcaloides (6,92%). [9]
É conhecida por desenvolver um sistema de raízes que cresce profundamente no solo. [17]
Exsudatos
As raízes da Cannabis sativa L. possuem apenas vestígios de canabinoides, mas são ricas em triterpenoides e compostos fenólicos. [18]
A planta produz uma grande diversidade de substâncias químicas próprias, muitas das quais não causam efeitos psicoativos e apresentam grande potencial para uso medicinal e terapêutico. [19]
Aroma
A Cannabis sativa contém dois compostos principais: o THC (tetrahidrocanabinol), que causa os efeitos psicoativos e pode ser tóxico para o sistema nervoso, e o CBD (canabidiol), que oferece várias possibilidades terapêuticas e protege contra os danos causados pelo próprio THC, incluindo efeitos antipsicóticos. [6]
A planta possui compostos naturais chamados terpenoides, que são responsáveis pelo seu cheiro característico. [9]
Os terpenos, além de darem o aroma característico da cannabis, têm potenciais usos medicinais e interagem com os canabinoides. [20]
Cultivo e Reprodução
Umidade do ar
A umidade do ar é crucial para controlar a transpiração da planta, sua forma e a produção de substâncias como os canabinoides. Umidade muito alta ao redor das folhas, fora da faixa ideal de pressão de vapor, pode atrasar a floração em semanas, reduzir o crescimento e prejudicar a concentração de canabinoides. Cultivar com umidade alta resultou em condições fora do ideal para a planta durante a fase de floração. [11]
Prefere uma umidade do ar moderada, entre 60% e 70%. [3]
A umidade relativa do ar começou em 40%. O déficit de pressão de vapor (uma medida que relaciona temperatura e umidade) variou durante o experimento, ficando na maior parte do tempo entre 1,2 e 1,6 kPa. [10]
Tipos de solo
No local do estudo, o solo era bem drenado, com uma composição de aproximadamente 74% de areia, 5% de silte e 21% de argila na camada superficial (até 20 cm de profundidade), sendo classificado como um solo franco-argilo-arenoso. [7]
pH do solo
O pH da solução ou do meio de cultivo foi ajustado para 6,0, que é ligeiramente ácido. [10]
Produtividade
Em um estudo, a quantidade de plantas invasoras (ervas daninhas) secas foi reduzida em 93,2% com o uso do gotejamento enterrado. Ao mesmo tempo, a produção de flores aumentou 5% e a concentração de CBD (um dos compostos ativos da cannabis) subiu 9%. No geral, a eficiência no uso da água para a produção de flores e de CBD foi significativamente maior com o gotejamento enterrado do que com o superficial. Os resultados mostram que usar o gotejamento enterrado, em vez do superficial, pode reduzir drasticamente o consumo de água de irrigação, diminuir a infestação de ervas daninhas e, ainda, aumentar a produção de flores e a concentração de CBD. [21]
A falta de água (seca) é um dos principais fatores que reduz a produtividade da planta e a quantidade de canabinoides que ela produz. [5]
A eficiência no uso da água foi de 0,96 kg de flores frescas para cada metro cúbico de água utilizado. [7]
Germinação
Tratamentos com plasma podem ajudar as sementes a germinarem melhor. Um tratamento específico, usando plasma de oxigênio com alta potência e aplicado por pouco tempo, mostrou os melhores resultados. Isso provavelmente acontece porque o tratamento deixa a semente mais receptiva à água, ajudando-a a absorver o líquido necessário. Esse processo age como um 'estímulo', preparando a semente para começar a crescer. Por outro lado, se o tratamento for aplicado por muito tempo, ele passa a prejudicar a semente, possivelmente porque ela absorve água em excesso e produz substâncias que causam danos às suas células. [22]
Forma de plantio
O plantio foi feito manualmente. A irrigação foi feita por gotejamento, com os gotejadores posicionados a 5 cm de distância do caule de cada planta para evitar apodrecimento. Os fertilizantes foram aplicados junto com a água de irrigação. [7]
Plantio em vasos
cultivada em vasos dentro de estufa [5]
Mudas
Para preparar as mudas (estacas), foi feito um corte diagonal na ponta que iria para o solo. As folhas da parte de baixo foram removidas, deixando apenas dois nós (pontos de onde saem folhas ou ramos). Em seguida, a ponta do corte foi mergulhada em um gel para enraizamento contendo hormônio (ácido indol-3-butírico a 3,3 g / L) e, por fim, cada estaca foi colocada em um cubo de lã de rocha para desenvolver as raízes. [10]
As mudas, provenientes de sementes ou clones, foram preparadas em estufa e transplantadas para os três campos de estudo em novembro de 2022. [7]
Espaçamento
Cultivo
O cultivo de cannabis, principalmente em ambientes fechados, consome muitos recursos. Ele gera uma quantidade significativa de gases que contribuem para o efeito estufa, devido ao controle constante de temperatura e umidade e ao uso intensivo de iluminação artificial. Além disso, o consumo de água pode ser alto, ultrapassando dois litros por planta por dia, dependendo do método de cultivo e da variedade da planta. Para o cultivo ao ar livre, os chamados 'túneis de plástico' representam um grande avanço. Eles criam um ambiente parcialmente controlado, com variações de temperatura mais suaves e menor risco de aparecimento de mofo, pois protegem as flores da chuva direta e do frio úmido, comum no outono. Ao modificar o clima ao redor das plantas, esses túneis permitem uma estação de crescimento mais longa e maior flexibilidade no plantio e na colheita. A proteção contra a chuva também ajuda a evitar problemas como apodrecimento das raízes e formação de mofo. [21]
Nos Estados Unidos, durante o governo de Thomas Jefferson (1801-1809), a maconha era cultivada em pequenas propriedades. Atualmente, muitos cultivadores de maconha no norte da Califórnia seguem um estilo de vida semelhante, baseado em pequenas propriedades. A escolha por propriedades menores se deve ao fato de que plantações maiores chamariam mais atenção. [6]
cultivada em vasos dentro de estufa [5]
Poda
No campo Sul, depois que as plantas ultrapassaram 1 metro de altura, foi feita uma poda chamada 'topping', que consiste em cortar a ponta do caule principal para reduzir o crescimento vertical e estimular a formação de galhos laterais. [7]
As mudas foram cultivadas em blocos de lã de rocha e, após quatro semanas de enraizamento, foram podadas para manter cinco nós. [14]
Foram testados quatro tamanhos de estaca (5, 10, 15 e 20 cm) e o enraizamento foi avaliado após 21 dias. [23]
Tratos culturais
Quando as plantas atingiram mais de 1 metro de altura, foi realizada a poda da ponta do caule principal. Esta prática, chamada de 'topping', reduz o crescimento em altura e estimula a planta a produzir mais ramos laterais, o que favorece a formação de um maior número de flores para a colheita. [7]
Iluminação
A quantidade de luz afeta diferentes tipos (genótipos) de cannabis de maneiras distintas. O tipo de luz (espectro) também é muito importante. A duração do dia (fotoperíodo) influencia fortemente o crescimento, o funcionamento da planta e a produção de canabinoides. Sendo uma planta que geralmente floresce melhor em dias mais curtos, a cannabis precisa de dias com 9 a 15 horas de luz para começar a floração. [11]
Necessita de boa iluminação, dentro de uma faixa específica de luz visível (entre 400 e 700 nanômetros). [3]
A iluminação suplementar foi ajustada para 18 horas de luz e 6 horas de escuridão, seguindo padrões comuns para a fase de crescimento vegetativo. A intensidade da luz para a fotossíntese foi mantida em 340 μmol·m⁻²·s⁻¹. [10]
Irrigação
A irrigação por gotejamento superficial é um dos métodos mais comuns para regar plantações. Nessa técnica, são usados tubos de plástico com pequenos furos em intervalos regulares, equipados com dispositivos que liberam gotas de água diretamente na base de cada planta, sobre a superfície do solo. Já a irrigação por gotejamento enterrado é uma técnica que leva a água diretamente às raízes, a uma profundidade entre 10 e 50 centímetros abaixo da superfície, usando tubos subterrâneos. Esse método aumenta a eficiência no uso da água de irrigação, pois reduz a perda por evaporação da superfície do solo. Em um estudo, o gotejamento enterrado reduziu o consumo de água de irrigação em 18,6% em comparação com o gotejamento superficial. [21]
pode ser cultivada com rega completa, com falta de água controlada ou com seca, sendo que a falta de água pode ser aplicada no início da floração. [5]
Adubação
A falta de nitrogênio, essencial para o crescimento, é corrigida com a aplicação de fertilizantes adequados. [7]
A adubação foi feita de forma eficiente, usando estratégias que entregam os nutrientes de maneira otimizada e economizam recursos. [10]
Reprodução
A Cannabis sativa se reproduz principalmente por meio de plantas separadas, uma com flores masculinas e outra com flores femininas, o que favorece a troca de material genético entre plantas diferentes. O sexo da planta é determinado por um sistema genético específico (XY). Ela é uma planta de 'dia curto', o que significa que precisa de noites longas e ininterruptas para começar a produzir flores. Os primeiros sinais de floração aparecem de uma a duas semanas após a exposição a esses dias curtos. No entanto, o surgimento das primeiras flores individuais, que nascem aos pares ao longo do caule, é controlado por sinais internos da própria planta, relacionados à sua idade, e não depende diretamente da quantidade de luz diária. [4]
A planta pode ser propagada a partir de sementes ou clones, que são primeiro germinados em estufa antes de serem transplantados para o campo. [7]
Colheita
As flores são colhidas quando atingem um nível de umidade específico, em torno de 10,2%. [20]
índice que mede a eficiência da colheita (proporção da parte útil em relação à planta toda) [5]
As flores (botões) foram colhidas em abril de 2023. [7]
Usos e Propriedades
Doenças
A presença de organismos causadores de doenças, como o fungo Botrytis cinerea (um tipo de mofo que se desenvolve bem em ambientes úmidos), torna o cultivo de cannabis ao ar livre mais desafiador. Esse patógeno pode se espalhar rapidamente pela plantação, reduzindo a quantidade e a qualidade da colheita. [21]
Pode ser afetada por uma doença fúngica chamada mancha foliar de Septoria, causada por um fungo específico. [24]
Propriedades
Altera a mente (psicotrópica), combate inflamações, alivia dores, estimula o apetite, dilata os brônquios, reduz a pressão dentro dos olhos, reduz a ansiedade, combate náuseas e vômitos, pode ajudar em alguns transtornos mentais, modula o sistema imunológico e relaxa os músculos. [1]
O óleo extraído das sementes da Cannabis sativa é uma fonte vegetal única de vitamina D. Além de ser nutritivo, seus ácidos graxos essenciais ajudam a combater inflamações, podem proteger contra alguns tipos de câncer e auxiliar na proteção do sistema nervoso. É importante destacar que este óleo de semente não causa efeitos psicoativos, pois não age nos receptores cerebrais associados a esses efeitos. Em vez disso, ele oferece uma forte ação antioxidante e ajuda a regular o sistema imunológico, graças à sua vitamina E e à sua interação com outros receptores do corpo. [26]
Toxicidade
Em quantidades moderadas, a planta parece ser segura. Estudos em animais indicam que uma dose muito alta seria necessária para causar danos graves. [27]
Estudos recentes sugerem que o uso muito frequente ou em altas quantidades desses compostos da planta pode prejudicar a fertilidade nos homens. [28]
Princípios ativos
Os principais compostos ativos são os canabinoides, especialmente o THC e o CBD. A planta contém mais de 60 tipos de canabinoides, sendo o THC e o CBD os mais comuns. Essas substâncias têm se mostrado úteis para reduzir ansiedade, controlar náuseas, aumentar o apetite e tratar diversos problemas de saúde mental. Elas possuem potencial terapêutico como analgésicos, anticonvulsivantes, relaxantes musculares, calmantes, protetores do sistema nervoso, anti-inflamatórios, antioxidantes e podem auxiliar no cuidado de pacientes com câncer. [3]
Δ9-tetrahidrocanabinol (THC), canabidiol (CBD) [1]
O óleo de semente de Cannabis sativa se destaca por ter uma concentração muito alta de gorduras boas e poliinsaturadas (cerca de 80 a 90%), um teor considerável de vitamina E (entre 800 e 1100 mg por kg) e uma proporção equilibrada de 3 partes de Ômega-6 para 1 parte de Ômega-3. Seu poder anti-inflamatório vem principalmente de componentes como o ALA e o GLA, que ajudam a desativar processos inflamatórios no organismo. Além disso, a vitamina E presente no óleo atua diretamente neutralizando moléculas instáveis (radicais livres) que podem danificar as células. [26]
Utilização
Fabricação de papel e cordas, extração de óleo para fazer roupas e lubrificar máquinas, confecção de cordas, cabos, velas e material para vedar barcos, e fabricação de telas para pintura. [1]
Esta planta é tradicionalmente cultivada para a obtenção de fibras, sementes, óleo e para uso medicinal. [11]
É usada para vários fins industriais, principalmente na fabricação de fibras e óleos. [29]
Partes utilizadas
Cada parte da planta (raízes, caules, folhas e flores) tem uma composição química única, permitindo a produção de diferentes extratos e pós. As sementes são usadas principalmente para fazer óleos (para vernizes e lubrificantes), biocombustível e biomassa. As folhas fornecem fibras para fazer papel, tecidos, bioplásticos e materiais de construção. As flores são a parte com mais usos, sendo empregadas na produção de extratos medicinais e na fabricação de cigarros. [3]
conjunto de flores (inflorescências), folhas e caule [5]
São aproveitadas as folhas, os caules, as raízes, as sementes e também a planta inteira misturada. [9]
Farmacologia
produção de canabinoides e outros compostos do metabolismo secundário da planta [5]
Uso medicinal
Tratamento de dor crônica, dor nos nervos, dor causada por câncer, prisão de ventre, malária, dores nas articulações, problemas de saúde femininos, melhora do sono, estimula o apetite, tratamento de diarreia, epilepsia, estado de confusão mental, reumatismo, gastrite, diabetes, resfriado e anemia. [1]
A planta Cannabis sativa L. é usada para fins medicinais há milhares de anos em várias culturas. Registros antigos da medicina tradicional chinesa, de cerca de 2700 a.C., mostram seu uso para tratar problemas menstruais, reumatismo e falta de concentração. Na medicina ocidental, a cannabis foi muito usada durante o século XIX como remédio para aliviar dores e controlar convulsões, antes do surgimento das regulamentações farmacêuticas atuais. [25]
Uso culinário
As sementes são usadas na cozinha como uma fonte completa de proteína e como ingrediente para a criação de alimentos funcionais, que trazem benefícios extras à saúde. [9]
As formas tradicionais de uso da planta também têm aplicação na indústria de alimentos. [3]
Uso em perfumaria
Apresenta potencial para uso em perfumaria, bem como em aplicações farmacêuticas e industriais, especialmente como componente em formulações antimicrobianas de origem natural. [30]
Uso em cosméticos
As formas tradicionais de uso da planta também têm aplicação na indústria de cosméticos. [3]
Usos em rituais mágicos
Era considerada uma planta sagrada e usada em rituais religiosos na Índia. [1]
Uso madeireiro
Suas fibras eram usadas para fazer papel e cordas, e seu óleo era extraído por ter várias aplicações comerciais, sendo usado principalmente na fabricação de roupas e na lubrificação de máquinas. [1]
Comercial
Comercialização
O cultivo, processamento e venda da cannabis são regulados por leis específicas de cada país. [3]
Produção Nacional
A produção mundial de Cannabis sativa cresceu 28% entre 2016 e 2020, com uma média anual de cerca de 4.325 toneladas de flores secas. [3]
Dinâmico
Descobertas científicas
A pesquisa mapeou os principais temas estudados, as diferenças entre as regiões do mundo e como os interesses mudaram ao longo do tempo, oferecendo um panorama completo da evolução dos estudos sobre a Cannabis sativa. Os achados mostram um interesse cada vez maior nos usos medicinais da planta, especialmente na América do Norte e Europa, ao mesmo tempo que apontam para uma menor quantidade de pesquisas em regiões em desenvolvimento, como a África e a América do Sul. [32]
Estudos recentes indicam que o composto cis-Δ⁹-THCA pode não ser produzido a partir de outros canabinoides, o que levanta novas questões sobre como a planta o fabrica. Observou-se também que os níveis de cis-Δ⁹-THCA e de outro composto, o CBCA, aumentam de forma semelhante durante o crescimento da planta. Isso sugere que uma enzima chamada CBCA sintase pode estar envolvida na criação do cis-Δ⁹-THCA. Essas descobertas trazem novas informações sobre como esse composto se distribui na planta, sua variação e como pode ser produzido, ampliando nosso conhecimento sobre a diversidade de substâncias na Cannabis sativa. [33]
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Para citar esta ficha:
SiSTSP — Banco de Plantas Notáveis. Cannabis sativa.
Disponível em: https://tudosobreplantas.com.br/Cannabis_sativa/.
Acesso em: .
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