Biotecnologia: CIB protocola textos sobre milho GM na CNTBio

09:31 22/11

O Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB) protocola na secretaria da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), em Brasília, o documento “Avaliação de Impactos do Milho Geneticamente Modificado”. Trata-se de um conjunto de revisões técnicas – realizadas por conselheiros e colaboradores do CIB – a respeito de estudos científicos recentes publicados na literatura acadêmica mundial.

O objetivo da iniciativa é reforçar o embasamento técnico e científico necessário à avaliação e à aprovação das variedades de milho transgênicos que aguardam os pareceres conclusivos do órgão federal, que se reunirá hoje e amanhã (23). Na opinião da Diretora-Executiva do CIB, Alda Lerayer, “os estudos de análise de risco devem basear-se em experimentos cientificamente delineados que representem, da melhor forma possível, as condições de cultivo de variedades de milho GM e convencional, dando opção de escolha ao produtor”.

Dividido em nove itens, o texto protocolado foi realizado com foco no milho Bt, no milho tolerante ao glifosato e no milho tolerante ao glufosinato. Dentre outras conclusões, a análise dos pesquisadores aponta que:

a) após dez anos da introdução das culturas geneticamente modificadas (GM), não houve registros de perda de diversidade genética, quando comparados às produções agrícolas convencionais. Ao contrário, em cultivos de algodão e milho com a introdução do Bt, por exemplo, houve a diminuição da uniformidade genética em 28%;

b) a introdução de cultivos agrícolas transgênicos permitiu maior preservação do solo e maior acúmulo de matéria orgânica, ao mesmo tempo em que diminuiu o número de aragens necessárias para o controle de plantas daninhas, devido à facilitação do emprego, do plantio direto ou do cultivo mínimo;

c) o uso de variedades GM possibilitou um manejo de plantas daninhas e insetos mais específico e eficiente, se comparado aos cultivos convencionais e à incidência da utilização de herbicidas químicos e pesticidas.

d) o milho é uma planta de polinização cruzada, sendo o pólen distribuído pelo vento. Todas as variedades de milho, inclusive as geneticamente modificadas, apresentam o mesmo sistema reprodutivo. O conhecimento da distância de dispersão do pólen, de sua curta viabilidade (poucas horas) e das diferentes épocas de florescimento entre as variedades, evita o cruzamento indesejável.

e) para o caso do milho GM, os agricultores receberam um benefício pelo uso da tecnologia US$ 2,5 bilhões, desde 1996. Para os milhos tolerantes a herbicidas, o ganho dos agricultores foi de US$ 579 milhões, desde 1996, e, para o milho resistente a inseto, de US$ 1,9 milhão, sendo o restante correspondente ao milho tolerante a herbicida e a inseto.

Participaram da iniciativa os pesquisadores Ernesto Paterniani e Luciana Di Ciero, da Escola Superior de Agronomia Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP); José Maria da Silveira, do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); Marcelo Menossi, do Centro de Biologia Molecular e Engenharia Genética da Unicamp; e Leila Oda, presidente da Associação Nacional de Biossegurança (Anbio). Com informações do Conselho de Informações Sobre Biotecnologia (CIB). (AB)

Fonte: Agência Safras

Modificação genética cria semente comestível de algodão

AP

Embora o algodão comum dê um óleo comestível, o conteúdo de proteína da semente é impróprio para consumo humano, por conta da presença de uma toxina

WASHINGTON – O algodão, que por milhares de anos foi uma das culturas mais importantes para a produção de roupas e abrigo, poderá se tornar, também, uma fonte de alimento. Um produto químico chamado gossipol torna a semente de algodão tóxica para o ser humano, embora essas sementes sejam usadas para alimentar gado, que é menos afetado pela substância.

Agora, pesquisadores da Universidade Texas A&M modificaram geneticamente o algodão para gerar sementes livres de gossipol. É um avanço que, segundo os cientistas envolvidos, poderá oferecer uma nova fonte de proteína a milhões de pessoas. O trabalho da equipe aparecerá na edição desta terça-feira, 21, do periódico Proceedings of the National Academy of Sciences.

Segundo o pesquisador Keerti Rathore, as plantas modificadas continuam a ter gossipol no caule e nas folhas, onde a substância ajuda a repelir insetos, mas a concentração na semente é bastante reduzida.

Em todo o mundo, 44 milhões de toneladas de semente de algodão são produzidas a cada ano. O algodão é cultivado em 80 países, e as sementes são 23% proteína, diz Rathore. Elas são prensadas para a extração de óleo, e nos EUA cerca de metade do material descartado na prensagem vira ração animal.

Mas, sem o gossipol, a massa prensada poderia dar origem a uma farinha, a ser usada na culinária. Rathore disse ainda não ter provado a massa de farinha de algodão, mas que outros pesquisadores, que haviam criado um outro tipo de algodão sem gossipol, já. Eles informaram um sabor agradável, segundo o cientista.

Infelizmente, a técnica anterior eliminava o gossipol de toda a planta, o que a tornava vulnerável a pragas.

Fonte: Estadão

Transgênicos – resposta do CIB

17/11/2006

Fonte: Valor Econômico – SP

Editoria: Opinião, A-11

Da redação

“A matéria ´Sinais de resistência transgênica a herbicida´, publicada pelo Valor (16/11), que aponta a soja geneticamente modificada como responsável por crescimento do uso de agrotóxicos no país, traz informações que merecem releitura. A reportagem aborda o aumento do uso do glifosato entre 2000 e 2004, e não da totalidade de agrodefensivos utilizados no período. A utilização do glifosato nas lavouras transgênicas elimina a necessidade de diversas outras aplicações de diferentes herbicidas, reduzindo o volume total de defensivos agrícolas liberados no solo. De acordo com dados do instituto britânico PG Economics, só em 2004, a adoção da soja geneticamente modificada foi responsável pela economia de 1.116,667 Kg de herbicidas no Brasil.

Outro ponto são as porcentagens de crescimento do uso do glifosato. No Mato Grosso, registrou-se um aumento de 93% da utilização do agrodefensivo, diante de uma elevação de 95% de áreas plantadas de soja. Já os dados referentes ao Brasil não consideraram a redução do uso de outros defensivos. O glifosato é o menos impactante dos herbicidas e tem sido usado em substituição a outros agrodefensivos, cujos resíduos permanecem por até 300 dias no solo.

Por fim, a matéria afirma que pesquisa desenvolvida pela Embrapa Trigo reforçaria a suposta elevação do uso de agrotóxicos por mostrar a relação entre o aumento da resistência de espécies de ervas daninhas em decorrência do uso contínuo de glifosato, mas é difícil apontar esta relação com os transgênicos, pois a resistência é um fenômeno natural que pode ocorrer em outras práticas agrícolas.”

Anderson Galvão – Diretor da Céleres e membro do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB)

Resposta do repórter Mauro Zanatta: A matéria aborda o crescimento no consumo dos 15 principais herbicidas usados na soja, mas ressalta maior elevação no glifosato, segundo o Ibama. Também diz que no RS o uso cresceu 106% nos principais herbicidas e 162% no glifosato, enquanto a área plantada expandiu-se apenas 38%.

Relata, ainda, que o volume de agrotóxicos não diminuiu, mas que houve uma substituição pelo glifosato, segundo o pesquisador Leandro Vargas. Ele afirma haver uma relação entre o aumento da resistência das ervas daninhas e o uso contínuo, excessivo e incorreto do glifosato.

Fonte: CIB

Comissão vota amanhã autorização para transgênicos

Relator paranaense recomenda aprovação de proposta no Congresso

Agricultura vota projeto sobre sementes transgênicas

A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural pode votar amanhã para Projeto de Lei 5964/05, da deputada Kátia Abreu (PFL-TO), que autoriza, em duas circunstâncias, a utilização, a comercialização, o registro, o patenteamento e o licenciamento das “tecnologias genéticas de restrição de uso”, conhecidas internacionalmente pela sigla Gurt.

Essas tecnologias produzem as chamadas sementes estéreis (“terminators”, em inglês), que servem para o plantio de uma única safra e não geram novas sementes.

De acordo com o projeto, a autorização será dada quando a tecnologia comprovadamente não impedir a multiplicação vegetativa da variedade geneticamente modificada, deixando, assim, de causar uma restrição total do uso da variedade; e quando o uso da tecnologia comprovadamente constituir uma medida de biossegurança benéfica à realização da atividade.

Substitutivo

O relator, deputado Eduardo Sciarra (PFL-PR), recomenda a aprovação, com substitutivo. “As tecnologias de restrição genética de uso podem ser utilizadas com fim apenas comercial em benefício maior das empresas de biotecnologia, ao impedir aos agricultores a produção da própria semente, ou como medida de biossegurança, no caso de produção de plantas biorreatores, impedindo que sementes dessas plantas se misturem àquelas destinadas à cadeia alimentar”, explica o parlamentar. Sciarra considera inadequado proibir toda e qualquer possibilidade de uso da tecnologia, por isso mantém a proibição apenas para o uso comercial de sementes que contenham essa tecnologia. “Salvo quando se tratar de sementes de plantas biorreatores, permitindo assim que as pesquisas avancem e que se amplie o desenvolvimento da técnica.”

A reunião está marcada para as 14h30, no plenário 6.

Fonte: Bem Paraná

Plantio de algodão transgênico reduz aplicação de agrotóxico

Yara Aquino, da Agência Brasil

Brasília – Semente geneticamente modificada é aquela onde são inseridos gens que alteram a planta. No caso do algodão, por exemplo, a semente pode receber gens de uma bactéria que produz proteínas para o controle de insetos. Outras variedades podem ser produzidas como, por exemplo, para resistência a um certo tipo de herbicida que controla as ervas daninhas.

O resultado é a redução do uso de agrotóxicos na cultura de algodão, o que significa redução de gastos. “São feitas hoje cerca de 20 aplicações de inseticida no algodão brasileiro para controle de insetos. Com o transgênico, acreditamos que vai haver redução de 25% no uso de inseticida”, afirma o engenheiro agrônomo Wilhelmus Uitdewilligen, que integra a Associação Mato-Grossense dos Produtores de Algodão.

Os ecologistas, entretanto, são contra o uso das sementes geneticamente modificadas. Eles alegam que o cultivo seria prejudicial para o meio ambiente. Como o algodão é uma planta de polinização cruzada – ou seja, o pólen pode fecundar outras plantas distantes – variedades selvagens da planta poderiam ser contaminadas com pólen das transgênicas, resultando na destruição de espécies nativas.

O agrônomo discorda dos ecologistas e afirma que não há resultados científicos que comprovem danos dos transgênicos ao meio ambiente ou à saúde humana. Para ele, os pontos positivos são os que prevalecem. “Com a redução de custos e o menor emprego de inseticidas, teremos a melhora da competitividade da cotonicultura mundial”, afirma.

O plantio do algodão geneticamente modificado foi liberado no Brasil pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia.

Na opinião de Uitdewilligen, o país acumula atraso de dez anos em relação aos países que já usam a semente, o que compromete a competitividade do produto brasileiro. “Estamos com dez anos de atraso em relação aos nossos concorrentes internacionais como Estados Unidos, China, Índia e Austrália que já estão comercializando essed produtos há mais tempo”.

Fonte: [ Jornal da Mídia ]

EE.UU: grama transgênica escapa do laboratório nos EUA

Um tipo de grama geneticamente modificado, ainda não aprovado para uso, foi encontrado em terreno selvagem, informa o jornal The New York Times, afirmando ainda que este pode representar o primeiro caso, nos EUA, em que uma planta criada por biotecnologia aparece fora da fazenda

Ecologistas da Agência de Proteção Ambiental (EPA) do governo americano, citados pelo Times, dizem ter descoberto a grama crescendo em áreas do estado do Oregon, perto de onde ocorreram os testes com a planta, anos atrás. Os cientistas afirmam que a grama não representa perigo ecológico, mas o caso dará impulso aos críticos que afirmam que o plantio de transgênicos não pode ser controlado.

A grama, desenvolvida pelas empresas Scotts Miracle-Gro Company e Monsanto, foi criada para uso em campos de golfe, e é resistente ao herbicida glifosato.

Em outro caso, noticiado pelo website ScienceNOW, a Justiça dos EUA considerou irregulares os testes com plantas transgênicas biofarmacêuticas, realizados no Havaí. Essas plantas foram geneticamente modificadas para produzir vacinas e compostos contra o câncer. O plantio ocorreu anos atrás em quatro ilhas do arquipélago havaiano.

Grupos ambientalistas processaram os órgãos do governo americano que autorizaram os testes, afirmando que o risco potencial das plantas transgênicas para espécies ameaçadas de extinção não foi levado em conta antes da emissão das autorizações. Um juiz distrital concordou, acusando o Serviço de Inspeção de Saúde Animal e Vegetal de “completo desprezo por uma simples exigência investigativa”.

Fonte: [ Biodiversidad en América Latina ]

Milho transgênico causou prejuízos aos agricultores na Espanha

Para alertar sobre os riscos do milho transgênico, o Greenpeace enviou esta semana à CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) o relatório “Coexistência Impossível”, mostrando que a contaminação causada pelo milho transgênico na Espanha causou grandes prejuízos para os agricultores

A CTNBio, que tem sido pressionada para autorizar a comercialização de milho transgênico, está discutindo a liberação de campos experimentais de plantas transgênicas e cinco pedidos de liberação para plantio e comercialização do milho, sendo dois da suíça Syngenta, dois da norte-americana Monsanto e um da alemã Bayer.

O Brasil cultiva em torno de 12 milhões de hectares de milho em todas as regiões, totalizando cerca de 42 milhões de toneladas. Os Estados do Paraná, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso concentram mais da metade da produção brasileira.

O relatório espanhol “Coexistência Impossível” apresenta resultados de testes de laboratório com amostras retiradas de campos de milho de 40 agricultores orgânicos e convencionais.

O estudo comprovou a contaminação não intencional com transgênicos em quase um quarto dos casos. Em três deles, a contaminação ocorreu em variedades locais de milho, conhecidas como sementes crioulas, selecionadas durante anos, que não podem mais ser usadas para plantio futuro.

A perda dessas variedades representa uma drástica redução na biodiversidade da semente de milho, essencial para a agroecologia. As contaminações ocasionaram prejuízos econômicos sérios para os agricultores, que não puderam mais vender seu produto com o prêmio pago a produtos convencionais e orgânicos.

A contaminação de milho por transgênicos já atinge também o centro de origem da espécie: o México.

Fonte: [ O Radical ]

Medidas visam preservar banco genético de espécies nativas

A recomendação da CTNBio, de destruir totalmente a produção, pode parecer um tanto radical, mas visa preservar o banco genético do algodão, que é uma espécie nativa da América Latina.

De acordo com o fiscal agropecuário da SFA/MS, Ricardo Hilman, a espécie de algodão transgênico encontrada nas lavouras de MS e nos demais Estados brasileiros é do tipo RR, resistente a um herbicida conhecido como glifosato. “O plantio desta espécie não está permitido no País. Atualmente somente o algodão BT está liberado, mas apenas em zonas de exclusão”, frisou.

O motivo de tanto cuidado é que ao contrário da soja, que tem autofecundação e é uma espécie importada, o algodão é nativo da América Latina e tem fecundação cruzada. Ou seja, a polinização acontece de uma flor para a outra. “Deste modo, se tivermos uma planta tradicional ao lado de uma transgênica haverá um cruzamento das plantas, e sendo que o produto final terá mais genes transgênicos do que os convencionais”, explicou.

Futuramente isto representaria um problema do ponto de vista genético, que poderia acarretar o desaparecimento das espécies nativas, e uma grande perda de material genético. “Imagine como ficaria o melhoramento genético no futuro se estiver tudo modificado. Caso apareça uma doença não haveria maneira de combatê-la, porque não teríamos a base genética da planta”, enfatizou.

Medidas

A determinação da CTNbio é de que as sementes das plantações ilegais que não atingiram maturidade fisiológica sejam destruídas por meio da aplicação de agrotóxico dessecante e que as plantas maiores sejam trituradas. Os restos vegetais e as sementes devem ser enterrados após aração profunda. Isso é o que deve ocorrer no Estado, caso a Justiça decida pela destruição da produção de algodão.

Além disso é recomendado que os equipamentos utilizados para operação e transporte sejam cuidadosamente limpos. Todas as ações devem contar com a presença de um fiscal do Mapa. As áreas de onde foram retiradas as sementes e as plantas ficarão sob monitoramento durante período de seis meses para evitar que apareçam exemplares transgênicos. Para a safra seguinte, o cultivo do algodão torna-se proibido também. Contudo, outros tipos de cultura, como a soja ou o milho, podem ser plantados nesses locais. (RS)

Fonte: [ Correio do Estado ]

Syngenta ameaça deixar o Brasil

BIOSSEGURANÇA

Em meio à denúncias, Syngenta ameaça deixar o Brasil

Terceira maior do mundo no setor da biotecnologia, empresa de origem suíça está contrariada com multa, ainda não paga, de um milhão de reais expedida pelo Ibama. Ambientalistas não acreditam na ameaça e apontam chantagem

Maurício Thuswohl – Carta Maior

RIO DE JANEIRO – Maior empresa de defensivos agrícolas do Brasil e terceira maior do mundo no lucrativo mercado da biotecnologia alimentar, a transnacional de origem suíça Syngenta Seeds enfrenta dias de publicidade negativa. A recente descoberta de que a empresa foi responsável durante quatro anos pela venda de uma variedade ilegal de milho transgênico nos Estados Unidos veio se somar ao mau momento em terras brasileiras, onde a Syngenta foi multada em um milhão de reais pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) por ter realizado plantio e experimentos ilegais com transgênicos na zona de amortecimento do Parque Nacional do Iguaçu, no Paraná.

Além da multa, que até agora não foi paga, a Syngenta é alvo de uma ação civil pública do Ibama no Ministério Público paranaense pedindo a destruição das culturas transgênicas na região em torno do parque. Para completar, a área de doze hectares que a empresa detinha no local foi ocupada no dia 14 de março por 100 famílias de trabalhadores rurais organizados pela Via Campesina. Quatro meses após a ocupação, cerca de 80 famílias ainda estão no acampamento, rebatizado “Terra Livre”, onde pretendem permanecer e construir um centro de agroecologia.

Toda essa situação parece desagradar à direção da Syngenta no Brasil. De um lado, ela agiu como se a multa impetrada pelo Ibama jamais houvesse existido: nem pagou nem recorreu. De outro, afirmou à imprensa que a empresa estava “reavaliando seus investimentos no país”, onde fatura U$ 800 milhões por ano (cerca de 10% do faturamento global de US$ 8,1 bilhões anunciado em 2005). Diretor-geral da Syngenta Seeds no Brasil, o argentino Pedro Rugeroni afirmou que a empresa pode não realizar totalmente o investimento de US$ 12 milhões previsto para o país em 2006. Para o ano que vem, a ameaça é de retirada total: “O investimento para o ano que vem certamente vai tender a zero”, disse.

A Syngenta estima que já perdeu US$ 1,5 milhão com a ocupação protagonizada pela Via Campesina. Em entrevista ao jornal O Estado de SP, Rugeroni deixou claro que ação dos trabalhadores rurais no Paraná é o maior motivo de irritação da empresa: “Temos uma perda potencial de quatro ou cinco anos, equivalente a US$ 50 milhões, por conta do material que estava armazenado nas câmaras frias do centro de pesquisa”, disse, referindo-se aos quase quinze mil germoplasmas (sementes geneticamente modificadas ou em vias de modificação) que eram armazenados na área hoje ocupada.

As organizações da sociedade civil que militam no setor de biossegurança não levam a sério as ameaças que a Syngenta faz de deixar o Brasil: “Isso mais parece uma jogada da Syngenta para ver ser consegue assustar o Ibama e o governo federal. Querem condicionar os investimentos previstos a um ambiente mais favorável à empresa. Acho que é blefe e que dificilmente irão embora”, afirma Gabriel Fernandes, que atua na Assessoria e Serviços a Projetos de Agricultura Alternativa (AS-PTA) e é um dos dirigentes da Campanha por um Brasil Livre de Transgênicos. Fernandes baseia sua convicção num exemplo vindo da Argentina, onde a empresa Monsanto também ameaçou deixar o país: “Até hoje a Monsanto não conseguiu vencer a batalha pela cobrança de royalties na Argentina e, ainda assim, suas ameaças de ir embora não foram cumpridas”.

Também dirigente da Campanha, a advogada Maria Rita Reis, da organização paranaense Terra de Direitos, é outra que não acredita na promessa de adeus feita pela Syngenta: “A Syngenta não vai deixar o Brasil. Não vai, por causa de uma ocupação da Via Campesina, largar um país onde tem grande lucro e faz um investimento mínimo se comparado aos seus ganhos internacionais”, disse, antes de fazer uma provocação: “Além disso, a direção da empresa no Brasil sabe que a Syngenta não pode voltar pra casa, afinal os transgênicos foram proibidos na Suíça”.

“EMPRESA USA PRODUTORES”

Maria Rita conta que, para marcar o encerramento do 2º Encontro Nacional de Agroecologia, realizado em junho, os agricultores que ocupam a área próxima ao Parque do Iguaçu antes ocupada pela Syngenta plantaram três mil mudas de espécies nativas: “Foi um gesto simbólico para convencer os governos federal e estadual sobre a importância de transformar aquela área num centro de agroecologia”, disse. As famílias acampadas, segundo a ambientalista, estão recebendo auxílio de técnicos voluntários para descontaminar o solo da presença de transgênicos: “Depois, vão produzir sementes crioulas”.

O descaso da Syngenta com a multa dada pelo Ibama, segundo os ambientalistas, é apenas aparente: “Apesar de ter feito de conta que a multa não era com ela, a Syngenta trabalha nos bastidores para reverter a situação. Sem querer ficar na linha de frente, a empresa está articulando outros produtores do entorno do Parque do Iguaçu para questionar a ação do Ibama e do Ministério Público. Os produtores estão sendo usados para fazer a defesa da Syngenta”, afirma Gabriel Fernandes.

A crise moral da Syngenta Seeds não se limita ao Brasil. Recentemente, descobriu-se que a empresa foi responsável por aquele que é considerado o maior caso de contaminação genética comprovada registrado no mundo até hoje. Durante quatro anos, a Syngenta comercializou nos Estados Unidos, de forma consciente e sistemática, uma variedade ilegal de milho transgênico produzida pela empresa _ o milho Bt10 _ como se fosse uma outra variedade autorizada para consumo animal, o milho Bt11. Combatido pelos ambientalistas, o milho Bt10 desenvolvido pela Syngenta não teve seus efeitos sobre a saúde humana e o meio ambiente avaliados pelos órgãos reguladores norte-americanos. Além disso, as sementes comercializadas ilegalmente contaminaram o milho exportado para vários países.

UNIÃO DE GIGANTES DO SETOR

Hoje em dia é difícil saber quem é o verdadeiro dono da Syngenta Seeds, empresa surgida a partir de uma série de fusões entre os gigantes do setor de biotecnologia e que tem 19 mil empregados espalhados por 90 países. A história da empresa, no entanto, começa nos séculos XVIII, com a fundação da empresa de fertilizantes e pesticidas suíça Geigy (1758), e XIX, com a fundação das também suíças Sandoz (1876) e Ciba (1884). Em 1970, foi criada a Ciba-Geigy, a partir da fusão das duas empresas.

No final da década seguinte teve início o processo de fusão da Sandoz com a Ciba-Geigy, que culminou com a fundação de uma nova empresa, a Novartis, em 1994, no auge da onda neoliberal. Finalmente, em 2000 a Novartis protagonizou uma nova fusão entre gigantes, dessa vez com a inglesa AstraZeneca, cujo resultado foi a criação da Syngenta. Atualmente, a Syngenta é a terceira maior empresa do setor de biotecnologia alimentar no mundo, ficando atrás somente de duas empresas com sede nos Estados Unidos: a Monsanto (famosa por introduzir ilegalmente no Brasil a soja transgênica Roundup Ready) e a Dupont.

Fonte: [ deBrasilia.com ]

Greenpeace alerta para riscos do mamão transgênico

Diversos agricultores locais e ativistas havaianos se uniram hoje ao Greenpeace para realizar a descontaminação de uma lavoura orgânica de mamão papaia que havia sido contaminada por plantações transgênicas vizinhas. A área foi isolada com placas que diziam “Mamão transgênico – área restrita”, enquanto ativistas com roupas especiais removeram plantas, sementes e frutos do local. A atividade marcou o lançamento do relatório “O fracasso do mamão transgênico no Havaí“.

De acordo com o relatório, os lucros do papaia transgênico diminuíram substancialmente devido à crescente e forte rejeição de mercados globais importantes. O mercado de exportação para o papaia havaiano estava bastante aquecido até a introdução da variedade transgênica, em 1998. A maior parte dos países que importam mamão papaia, incluindo União Européia, Japão e China, tem grande rejeição a alimentos transgênicos.

Além disso, os produtores orgânicos estão muito preocupados, já que o Havaí é a parte do mundo com mais plantios transgênicos por metro quadrado e é, atualmente, a única região a plantar mamão transgênico comercialmente.

O preço do papaia orgânico no mercado pode ser até três vezes maior do que o da variedade geneticamente modificada, mas isso só acontece se não houver contaminação”, disse Melanie Bondera, agricultora havaiana. “A indústria transgênica nos prometeu grandes lucros, mas até agora só temos visto a ruína de nossas lavouras e uma diminuição de nossos ganhos”.

No Brasil, um campo experimental de papaia transgênico foi autorizado pelo IBAMA em outubro de 2003, no município de Cruz das Almas, na Bahia. A variedade, desenvolvida pela EMBRAPA, é bastante similar à plantada no Havaí e está gerando preocupação em diversos setores da sociedade. O deputado Edson Duarte (PV-BA) anunciou que vai fazer um requerimento formal à CTNBio sobre o andamento do campo experimental. O Greenpeace vai pedir que a procuradora Maria Soares Cordioli também solicite formalmente informações à CTNBio sobre o campo experimental e outros pedidos relativos ao mamão transgênico. Desde o último dia 18 de maio, o Ministério Público Federal determinou a presença da procuradora em todas as reuniões da CTNBio.

O Greenpeace vem trabalhando em diversas partes do mundo para evitar a disseminação ilegal de papaia transgênico e a contaminação de variedades tradicionais de mamão. Por se tratar de uma espécie que se multiplica muito facilmente, a preocupação é ainda maior, já que é muito difícil evitar a contaminação vinda de lavouras transgênicas vizinhas.

Atualmente, há um caso judicial na Tailândia contra a coordenadora da campanha do Greenpeace no Sudeste Asiático, Patwajee Srisuwan, e o ex-diretor-executivo da organização, Jiragorn Gajaseni, que estão sendo processados por roubo, invasão e dano à propriedade por terem acusado uma agência governamental tailandesa de participação na distribuição ilegal de papaia transgênico no país.

“O governo tailandês tentou suspender a atual moratória aos transgênicos, cedendo à pressão do governo norte-americano e da indústria agroquímica. No entanto, os tailandeses não querem os transgênicos aqui, porque não queremos perder nossos mercados, como aconteceu no Havaí”, afirmou Patwajee Srisuwan.

O papaia vem sendo plantado em regiões tropicais há séculos. O Brasil é o maior produtor mundial de papaia, e o terceiro maior exportador da fruta. A produção anual brasileira é de cerca de 1,7 milhão de toneladas, o que corresponde a cerca de 35% da produção mundial de mamão. Em 2004, as exportações de papaia renderam US$ 22 milhões ao Brasil, e as estimativas para 2005 eram de que esse valor subisse para US$ 28 milhões. Internamente, o mamão também é muito importante: é a terceira fruta mais consumida pelos brasileiros.

fonte: [ Jornal do Estado Online ]