A recomendação da CTNBio, de destruir totalmente a produção, pode parecer um tanto radical, mas visa preservar o banco genético do algodão, que é uma espécie nativa da América Latina.
De acordo com o fiscal agropecuário da SFA/MS, Ricardo Hilman, a espécie de algodão transgênico encontrada nas lavouras de MS e nos demais Estados brasileiros é do tipo RR, resistente a um herbicida conhecido como glifosato. “O plantio desta espécie não está permitido no País. Atualmente somente o algodão BT está liberado, mas apenas em zonas de exclusão”, frisou.
O motivo de tanto cuidado é que ao contrário da soja, que tem autofecundação e é uma espécie importada, o algodão é nativo da América Latina e tem fecundação cruzada. Ou seja, a polinização acontece de uma flor para a outra. “Deste modo, se tivermos uma planta tradicional ao lado de uma transgênica haverá um cruzamento das plantas, e sendo que o produto final terá mais genes transgênicos do que os convencionais”, explicou.
Futuramente isto representaria um problema do ponto de vista genético, que poderia acarretar o desaparecimento das espécies nativas, e uma grande perda de material genético. “Imagine como ficaria o melhoramento genético no futuro se estiver tudo modificado. Caso apareça uma doença não haveria maneira de combatê-la, porque não teríamos a base genética da planta”, enfatizou.
Medidas
A determinação da CTNbio é de que as sementes das plantações ilegais que não atingiram maturidade fisiológica sejam destruídas por meio da aplicação de agrotóxico dessecante e que as plantas maiores sejam trituradas. Os restos vegetais e as sementes devem ser enterrados após aração profunda. Isso é o que deve ocorrer no Estado, caso a Justiça decida pela destruição da produção de algodão.
Além disso é recomendado que os equipamentos utilizados para operação e transporte sejam cuidadosamente limpos. Todas as ações devem contar com a presença de um fiscal do Mapa. As áreas de onde foram retiradas as sementes e as plantas ficarão sob monitoramento durante período de seis meses para evitar que apareçam exemplares transgênicos. Para a safra seguinte, o cultivo do algodão torna-se proibido também. Contudo, outros tipos de cultura, como a soja ou o milho, podem ser plantados nesses locais. (RS)
Fonte: [ Correio do Estado ]
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