Fertilizantes orgânicos reduzirão dependência brasileira de nutrientes

Alana Gandra

14/01/2009 Em parceria com empresas do setor privado, a Embrapa Solos está desenvolvendo fertilizantes orgânicos à base de resíduos industriais. Com isso, o Brasil poderá reduzir a importação de nutrientes, que representa atualmente 75% do total de 30 milhões de toneladas consumidas por ano.

Dependência nacional de fertilizantes

Segundo o pesquisador José Carlos Polidoro, um dos coordenadores do projeto, atualmente o país importa 75% dos nutrientes que consome na agricultura, seja em resíduos orgânicos ou minerais, o que corresponde a um total de 22 milhões a 24 milhões de toneladas por ano. Quanto ao potássio, o país importa anualmente 92% do volume consumido. “E a tendência é aumentar.”

A Roda d’Água, de Minas Gerais, foi a primeira empresa privada que procurou a Embrapa, interessada em criar produtos inéditos no mercado de agricultura orgânica, desenvolvendo fertilizantes próprios para a agricultura tropical, para maior aproveitamento dos nutrientes.

Polidoro disse que o objetivo da Embrapa Solos é estimular empresas nacionais que já produzem fertilizantes orgânicos por processos não-tecnológicos, baseados na simples compostagem de resíduos orgânicos, oferecendo apoio tecnológico para que seus produtos tenham garantias técnicas mínimas que substituam o produto importado.

Aprimoramento de tecnologia

Inicialmente, a Embrapa Solos aproveitará resíduos usados pelo grupo Roda d’Água como matéria-prima – resíduos de cervejaria, como bagaço da cevada, fornecido pela Ambev, e do restaurante industrial da montadora de automóveis Fiat, para transformar em fertilizante orgânico. “O que queremos agora é aprimorar esse fertilizante.”

De acordo com Polidoro, o produto atende as exigências para registro no Ministério da Agricultura. “Só que não compete com o fertilizante mineral importado, porque tem teor muito baixo de nutrientes.” Com esse serviço, a Embrapa busca usar sua tecnologia para colocar no mercado um fertilizante em condições de competir com o importado.

Reaproveitamento de resíduos

Outro aspecto positivo é a proteção do meio ambiente por intermédio do reaproveitamento de resíduos na produção do fertilizante. Para Polidoro, o uso de fertilizantes adequados é um dos fatores necessários para a agricultura orgânica brasileira alcançar alta produtividade com baixo impacto ambiental. “Aí, torna-se uma atividade profissional, que sempre se deve procurar na agricultura.”

A terra preta, fertilizante encontrado comumente em supermercados, não é um insumo adequado para sustentar uma agricultura de alto padrão, disse o pesquisador, em entrevista à Agência Brasil.

Fertilizantes orgânicos

Oito pesquisadores trabalham no projeto de fertilizantes orgânicos, que usa também resíduos como aparas de grama, carvão, biofortificação e dejetos de cavalos. “Além de ser uma alternativa viável para diminuir a dependência externa de insumos, evita~se o impacto ambiental desses resíduos todos”, afirmou Polidoro.

Ele ressaltou que mesmo os produtos importados têm de ser bem aproveitados na agricultura: “Não podemos jogar fertilizante fora, nem deixar que resíduos como potássio sejam destinados a lixões e aterros sanitários, ou que fiquem acumulados em pátios de indústrias. Isso tem de se tornar fertilizante.”

Para ele, as empresas precisam começar a produzir fertilizante orgânico competitivo a partir de resíduos industriais, com adição de tecnologia. Para a agricultura brasileira, que depende de 75% de fertilizantes importados, trata-se de uma questão de “segurança nacional”, uma vez que o país precisa do agronegócio para manter a balança comercial positiva, disse.

Dependência de nutrientes

“É um perigo depender tanto de uma importação dessa, porque são poucos os países que exportam nutrientes”. Os principais exportadores de potássio são Rússia, Canadá, China e Estados Unidos. Polidoro informou que o único nutriente para fertilizantes produzido atualmente no Brasil é o fosfato, que equivale a 50% do consumo. Em 1993, o país produzia 100% de fosfato. “Tinha até excedente, que exportávamos para a América Latina. Hoje, importamos metade do fosfato”. Com elevada reserva de fosfato, Marrocos é o principal fornecedor desse mineral ao Brasil.

As empresas interessadas na parceria para produção de fertilizante orgânico tecnológico devem procurar a Rede Nacional de Fertilizantes, recém-aprovada no Sistema Embrapa de Gestão de Projeto. A rede é liderada pela Embrapa Solos e integrada por indústrias em geral, fábricas de fertilizantes, órgãos de fomento e universidades, além de agricultores. Seu foco central é a diminuição da dependência externa de nutrientes do Brasil.

Fonte: [ Inovação Tecnológica ]

Saiba como fabricar fertilizantes orgânicos

A TARDE

Veja como fazer para preparar composto orgânico, fertilizante orgânico líquido e inseticidas caseiros e naturais com receitas testadas pela equipe do Grupo Ambientalista da Bahia (Gambá) que ministrou a Oficina de Capacitação em Produção de Mudas Nativas para Reflorestamento nos dias 17 a 19 de março, na Reserva Jequitibá, no município de Elísio Medrado.

Ingredientes: esterco bovino fresco e água não clorada.

Como preparar:

1. Em um recipiente de 500 litros, colocar partes iguais de esterco bovino fresco e água não clorada, deixando um espaço vazio de 15 a 20 cm.

2. Adaptar uma mangueira à tampa do tambor, cuja extremidade externa deverá ser imersa em uma vasilha com água, para que ocorra um processo de fermentação anaeróbico (sem a presença de ar). Deve-se tomar cuidado para a mangueira não ficar imersa no líquido em fermentação ou entupir, pois os gases produzidos pelo processo de fermentação poderão estourar o tambor.

3. Deixar o líquido fermentar por aproximadamente 90 dias, quando estará pronto para ser usado. O armazenamento do produto final não deve exceder a 30 dias depois de pronto, pois com o tempo ele diminui sua eficiência fitossanitária.

Como usar:

1. O produto fermentado pode ser utilizado de várias maneiras, porém o método mais eficiente é em pulverização foliar, que promove um efeito mais rápido. Neste caso, ele deve ser coado antes do uso e diluído em água na proporção de 01 litro de biofertilizante para 100 litros de água, e pulverizado nas plantas, chegando a ponto de escorrimento, para que cubra totalmente suas folhas e ramos.

2. Pode ser usado também no tratamento de sementes, as quais são mergulhadas na solução do biofertilizante puro por um período de 1 a 10 minutos, devendo secá-las á sombra por duas horas e plantá-las em seguida. As sementes tratadas não devem ser armazenadas, pois perdem muito rapidamente sua capacidade germinativa.

3. No caso de estacas, bulbos e tubérculos, pode-se utilizar o mesmo tratamento acima e se fazer o plantio imediato, o que aumenta o enraizamento das plantas.

4. Na produção de mudas, pode ser utilizado na rega de canteiros ou de sacos de plantio, e quando aplicado puro tem um excelente efeito bactericida. A parte sólida resultante da coagem pode ser usada nas covas de plantio, na compostagem, ou ainda na alimentação de peixes e suínos. No caso dos suínos, deve ser devidamente desidratada e adicionada à ração, na proporção máxima de 20%.

Para que serve:

1. Os testes com fertilizante orgânico comprovaram seu efeito na redução de incidência de pragas e doenças, além do aumento da produção e da produtividade das culturas onde foi utilizado.

2. Quando aplicado em pulverizações foliares, em diluições de 10 a 30% tem efeito fertilizante, contribuindo para o aumento da produtividade e dando mais resistência às plantas.

3. Em plantas frutíferas dever ser aplicado mensalmente nos períodos pós-colheita, quando apresentam deficiência ou desequilíbrio nutricional.

4. Para a fixação de flores e frutos deve ser aplicado o produto nas mesmas concentrações do período pós-colheita, prática que contribui para a elevação da produtividade.

5. Em plantas olerícolas (soja, mamona) as pulverizações devem ser semanais.

6. Com o uso do fertilizante orgânico observou-se que as plantas frutíferas têm uma florada mais intensa e uma ramagem mais abundante, ocorrendo um prolongamento do período de colheita.

7. No tratamento de estacas, rizomas e manivas ocorre uma grande emissão de raízes, favorecendo seu pegamento e seu vigor vegetativo.

8. Em plantas ornamentais estimula a emissão de flores fora de época, principalmente em violetas, roseiras e hortênsias.

9. No caso das olerícolas e folhosas, as plantas ficam mais sensíveis à falta de água, havendo a necessidade de maiores cuidados com a irrigação.

10. Em relação ás doenças fúngicas, o fertilizante orgânico reduziu a incidência da antracnose no jiló, da podridão do abacaxi, do mofo verde da laranja, das manchas deprimidas do maracujá, dentre outras.

Fonte: [ A TARDE ]

Ministro da Agricultura e produtores discutem normas para alimentos orgânicos

Lúcia Nórcio
Repórter da Agência Brasil

Curitiba – O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes, participou hoje (3), em Curitiba, da abertura da reunião da Câmara Setorial de Agricultura Orgânica. Nos próximos dois dias estará sendo discutida a estruturação do setor após a regulamentação da lei sobre produtos orgânicos, divulgada no último dia 28 de dezembro. A idéia é que seja definido um calendário para que, a partir do segundo semestre, as primeiras instruções normativas possam ser publicadas após consultas públicas.

Stephanes se declarou um consumidor de produtos orgânicos, afirmando que as refeições do Ministério da Agricultura são preparadas com esse tipo de produto. “A lei vai garantir a todos os brasileiros que o produto comprado no supermercado, certificado, é de boa qualidade. O produtor também saberá que métodos e garantias têm à sua disposição para colocar esse produto no mercado”, disse.

O ministro demonstrou preocupação com a presença de poucos produtores na reunião, segundo ele, os principais interessados na regulamentação de normas para o setor.

A instrução normativa que trata dos Sistemas Participativos da Garantia da Qualidade Orgânica será um dos principais itens a serem discutidos pela câmara setorial. Atualmente, são reconhecidas apenas as certificações auditadas, nas quais os auditores vão à propriedade e verificam os processos de produção.

Outro assunto em pauta será a participação da agricultura orgânica na Conferência Regional da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação para a América Latina e Caribe (FAO/RLC), que ocorrerá em Brasília entre 14 e 18 de abril. A câmara setorial definirá os temas que o governo brasileiro levará para o encontro, que contará com a presença de 30 ministros da Agricultura do continente.

De acordo com o coordenador de Agroecologia, do Ministério da Agricultura, Rogério Dias, é muito difícil saber quanto o Brasil produz de orgânicos, porque não existe ainda um sistema de credenciamento, o que será implantado com a regulamentação da lei.

“Todas as certificadoras terão de informar o número de produtores e total de área produzida. Boa parte da produção atualmente é vendida em feiras ou entregues em domicílio, o que dificulta esse levantamento. Temos uma estimativa que devem existir em torno de 15 mil produtores no Brasil, trabalhando numa área de 800 mil hectares, mas não vamos nos surpreender se este número for bem maior”, afirmou Dias.

O secretário da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, Valter Bianchini, explicou que é possível uma propriedade manter a produção de alimentos orgânicos e convencionais, desde que sejam adotadas barreiras como distância, separação por matas e outras técnicas. Segundo ele, no caso de a propriedade manter sistemas de produção orgânico e convencional, as normas para certificação são rígidas para impedir qualquer contaminação.

Fonte: [ Agência Brasil ]

Embrapa lança livro sobre produção orgânica de hortaliças

Pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Hortaliças), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em comemoração à 3ª Semana dos Alimentos Orgânicos, lançaram nesta sexta-feira (09), em Brasília, a publicação Produção Orgânica de Hortaliças – o produtor pergunta e a Embrapa responde.

O livro, escrito por mais de 40 pesquisadores, contou também com a colaboração de pesquisadores de outras unidades da empresa, além de cientistas, professores e técnicos de outras instituições de pesquisa, ensino e extensão, além de produtores rurais que atuam no setor.

Editado pela Embrapa Informação Tecnológica, o livro Produção Orgânica de Hortaliças integra a coleção 500 Perguntas e 500 Respostas, onde apresenta informações técnicas sobre a produção orgânica de hortaliças e aborda assuntos como a legislação, mercado de comercialização, passando por manejo da água e do solo, adubação, controle de insetos-praga e doenças, procedimentos pós-colheita entre outros temas relacionados à produção orgânica.

O livro estará disponível aos interessados na sede da Embrapa, em Brasília e também na sua livraria virtual (www.embrapa.br) ao preço de R$ 30.

Fonte: [ Bonde News ]

Agricultor orgânico já processa a produção

Geléias, vinagre, molhos, frutas desidratadas e laticínios são os itens já disponíveis no mercado interno e para exportação

Niza Souza – O Estado de S.Paulo

– Há dez anos, o fruticultor paranaense Mauro Passos percebeu que precisava agregar valor à sua produção de caqui orgânico. Começou a fazer uma classificação mais rígida das frutas, para comercialização in natura. Passou a oferecer produtos com mais qualidade, principalmente no visual. Com uma seleção mais rígida, aumentou, porém, a quantidade de frutos descartados. ””Chegava a ter 40% de refugo””, conta. Decidiu, então, dar mais um passo na cadeia produtiva, passando não só a produzir, como a processar o caqui.

Contando apenas com mão-de-obra familiar, o primeiro produto que saiu da cozinha montada para o processamento foi o caqui desidratado. ””Mas percebemos que a cozinha ficaria ociosa e aumentamos a variedade de produtos.””

Além dos 4 hectares de caqui, a família passou a cultivar meio hectare de uva e meio hectare de amora no sítio, em Campina Grande do Sul (PR).

Com isso, a linha de produtos, que ganhou a marca Quina Amarela, foi incrementada com geléias, hoje o principal produto da marca, e novos sabores. ””Agora estamos finalizando o processo de industrialização do vinagre de caqui””, revelou Passos, durante a Biofach América Latina, que terminou na quinta-feira, em São Paulo (SP).

Os produtos orgânicos industrializados dominaram a Biofach. E chama atenção o grande números de produtores, inclusive familiares, como Passos, que processam a produção como alternativa para melhorar a renda. ””O Brasil é conhecido internacionalmente como produtor de produtos primários. Temos de mudar isso. Valorizar nossa produção””, defende o gestor do projeto Organics Brasil, Ming Liu.

Para o agrônomo José Pedro Santiago, do Instituto Biodinâmico (IBD), certificadora nacional de orgânicos, a verticalização – ou seja, a produção e o processamento da matéria-prima na propriedade rural – da produção orgânica é uma tendência. ””Isso é bom e necessário. Além de agregar valor, o agricultor amplia mercados.”” Outra vantagem é que o produtor pode programar as vendas.

Passos sabe bem disso. ””Colhemos as frutas, que passam por um tratamento sanitário e depois as congelamos, para ter matéria-prima o ano inteiro para produzir as geléias.”” E, nos últimos quatro anos, a proporção de vendas se inverteu. Hoje, 30% da produção do caqui é vendida fresca e o restante vira geléia. ””A rentabilidade do processado é melhor. Para cada R$ 1 investido, ganhamos R$ 3 com a venda in natura e em torno de R$ 4 com as geléias.””

CONCORRÊNCIA

A agrônoma Araci Kamiyama, da Associação de Agricultura Orgânica (AAO), diz que, ao contrário dos produtos convencionais, os orgânicos já começam a agregar valor no campo. ””Mas é claro que compensa processar, principalmente pelo ganho de tempo de prateleira.”” Segundo ela, há uma tendência não só dos agricultores, mas também de grandes grupos, de entrar no ramo dos orgânicos. ””O lado bom é que o consumidor terá mais opções no mercado. O lado ruim é que, talvez, a competitividade do pequeno produtor fique prejudicada.””

Por isso, ela alerta que é preciso tomar alguns cuidados antes de começar a processar. ””O produtor precisa ver se há mercado. E, se precisar comprar matéria-prima, procurar antes os fornecedores.”” Vale lembrar que, para ser considerado orgânico, a legislação exige que 95% dos ingredientes que compõem o produto sejam orgânicos e certificados.

É para não depender de fornecedores que o agricultor Fulgêncio Torres, de Porto Morretes (PR), quando decidiu produzir cachaça orgânica, há quatro anos, optou por ter sua própria plantação de cana-de-açúcar. ””É uma forma de garantir o padrão de qualidade da bebida””, justifica. Apesar das dificuldades na produção, Torres diz que compensa investir no produto orgânico. ””É um mercado que está crescendo e estou apostando no setor.””

INFORMAÇÕES: AAO, tel. (0–11) 3875-2625

Fonte: [ Estadão ]

Biofach vai exibir produtos orgânicos do PAA

A Conab é um dos 83 expositores da Biofach, feira de produtos orgânicos que ocorre entre os dias 16 e 18 de outubro, na Transamérica Expo Center, em São Paulo. Essa é a quinta edição do evento, considerado o maior da América Latina. A mostra exibirá neste ano o mercado interno de alimentos e cosméticos naturais. Paralelamente estará ocorrendo a Expo Sustentável, Feira Internacional de Bens e Serviços Sustentáveis.

A Companhia vai divulgar o trabalho realizado nesta área e fortalecer os contatos com os parceiros e clientes. No estande, técnicos estarão informando sobre os produtos orgânicos cultivados e comercializados por pequenos agricultores do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). O visitante vai poder degustar produtos desse segmento, como mel, castanha-do-Brasil, baru, geléias e banana-passa. A estatal vai lançar na Biofach uma cartilha sobre o trabalho.

Fonte: [ Cosmo Online ]

A Produção Orgânica vai Alimentar o Mundo

por George Monbiot

O conselho não poderia vir de fonte mais surpreendente. “Se alguém lhe disser que os transgênicos vão alimentar o mundo”, disse Steve Smith, diretor da maior companhia de biotecnologia do mundo, a Novartis, “responda que não é bem assim…, para alimentar o mundo é preciso vontade política e financeira, não é apenas uma questão de produção e distribuição.”

Smith exprimiu uma verdade que seus colegas de empresas de biotecnologia vêm tentando desmentir veementemente. Num planeta de grande fartura, as pessoas passam fome porque não têm terra onde plantar e obter seu próprio sustento,nem dinheiro para comprá-la. Não há dúvida de que, à medida em que a população aumentar, o mundo terá que produzir mais, mas se essa tarefa ficar nas mãos dos ricos e poderosos ­ grande fazendeiros e grandes empresas ­ independente do quanto for produzido, a fome vai aumentar.

Em um aspecto, Smith está errado. A questão também diz respeito à produção. Uma série de resultados experimentais notáveis mostrou que as técnicas de cultivo que a Novartis e muitas outras têm tentado impor ao mundo são, ao contrário de tudo que nos fizeram crer, realmente menos produtivas que alguns métodos desenvolvidos por agricultores tradicionais nos últimos 10.000 anos.

Semana passada, a revista Nature divulgou os resultados de uma das maiores experiências agrícolas já realizadas. Uma equipe de cientistas chineses testou o princípio-chave do cultivo moderno de arroz, ou seja, a plantação de alta tecnologia de uma única variedade de arroz, contra uma técnica mista mais antiga: plantar diferentes variedades num mesmo campo. Descobriram, para espanto dos agricultores que há anos vinham sendo levados a crer nos benefícios da monocultura, que a volta ao método antigo resultou num aumento espetacular da produção. A praga do arroz, causada por um fungo devastador que exige repetidas aplicações de veneno para ser controlada, reduziu em 94%. Ao plantar mais de uma variedade, os agricultores puderam abandonar o uso de agrotóxicos ao mesmo tempo em que produziram 18% de arroz a mais por acre.

Dois anos antes, outro artigo publicado na revista Nature mostrou que os rendimentos do milho orgânico são idênticos aos do milho cultivado com fertilizantes e pesticidas, enquanto que a qualidade do solo nas plantações orgânicas melhora de forma notável. Em testes realizados em Hertdfordshire, nos últimos 150 anos, o trigo cultivado com adubo orgânico tem mostrado um rendimento consistentemente maior do que o trigo cultivado com nutrientes artificiais.

O professor Jules Pretty, da Universidade de Essex, mostrou que agricultores na Índia, Quênia, Brasil, Guatemala e Honduras dobraram ou triplicaram suas produções mudando para técnicas orgânicas ou semi-orgânicas. Um estudo feito nos Estados unidos revela que pequenos agricultores, cultivando plantações variadas, podem produzir dez vezes mais por acre do que grandes agricultores cultivando um único produto. Cuba, forçada pelo bloqueio econômico a praticar a agricultura orgânica, agora a adotou como uma política, tendo descoberto que ela melhora não só a produtividade como a qualidade das plantações.

A agricultura de alta-tecnologia, ao contrário, está enfrentando graves problemas. Este ano, a produção de alimentos em Punjab e em Haryana, estados indianos há muito conhecidos por sua história de grande sucesso no cultivo intensivo e moderno, simplesmente entrou em colapso. As novas plantações, que os agricultores foram estimulados a plantar, demandam mais água e nutrientes do que as antigas, com o agravante que, em muitos lugares, os lençóis de água subterrânea e os solos se esgotaram. Em outras palavras, estamos sendo enganados.

A agricultura tradicional foi reprimida em todo o mundo, não porque seja menos produtiva do que a monocultura, mas porque é, em alguns aspectos mais produtiva. O cultivo orgânico tem sido caracterizado como um inimigo do progresso pelo simples fato de que ele não pode ser monopolizado, ou seja, ele pode ser adotado por qualquer agricultor em qualquer lugar da terra, sem a “ajuda” das companhias multinacionais.

Além de ser mais produtivo plantar várias espécies ou vários tipos de plantação em um campo, as corporações de biotecnologia precisam reduzir a diversidade a fim de gerar lucro, deixando os agricultores sem escolha a não ser comprar suas sementes gerando-lhes alta lucratividade. É por isso que, nos últimos dez anos, essas companhias vêm comprando os institutos de produção de sementes e vêm fazendo lobbies para que os governos façam o mesmo que o nosso (Reino Unido), ou seja, proibir a venda de qualquer semente que não tenha sido oficialmente registrada e aprovada a um custo altíssimo.

Tudo isso requer uma guerra contínua da propaganda contra as técnicas de agricultura tradicional experimentadas e testadas, enquanto as grandes companhias e seus cientistas venais rejeitam-nas como improdutivas, pouco sofisticadas ou duvidosas. A verdade, tenazmente obstruída, e quase impossível de acreditar, é que a produção orgânica é a saída para alimentar o mundo.

“Organic Food will feed the World” de George Monbiot (cientista político e jornalista britânico) traduzido por Éda Heloisa Pilla (pillasea@cpovo.net)

Fonte: [ Grupo de Estudos sobre Plantas – GEP-TSP público ]

Insumos orgânicos: à espera da lei

26/09 – 11:57 – Agência Estado

À espera da aprovação do decreto que regulamenta a Lei 10.831/2003 – a “Lei dos Orgânicos”, há quase dois anos em análise no Ministério da Agricultura e na Casa Civil -, fabricantes de insumos naturais também aguardam modificações na legislação no que diz respeito ao registro desses produtos.

Segundo o pesquisador Marcelo Augusto Boechat Morandi, da Embrapa Meio Ambiente, a dificuldade e o custo para obter o registro tornam inviável a produção de extratos vegetais, caldas, fertilizantes e condicionadores de solo, organismos vivos e material propagativo.

“Quem produz deve ter registro no Ministério da Agricultura, mas o processo é lento e caro, pois não há na lei diferenciação para insumos orgânicos”, diz. Isso significa que o registro de uma calda natural segue os mesmos critérios de um defensivo químico. “O custo é alto por causa dos testes toxicológicos, nem sempre apropriados”, diz. “Se houver uma lei que regule o setor, o processo ficará mais simples e ágil.”

Respaldo legal

Para o presidente da Associação das Indústrias de Substratos, Fertilizantes Orgânicos e Condicionadores de Solo (Abisolo), Carlos Augusto Mendes, falta respaldo legal para a produção desses insumos. Ele, assim como a Associação dos Produtores de Agricultura Natural (Apan), acredita que, com a aprovação da lei dos orgânicos, serão definidos critérios de produção, comércio e fiscalização. “Isso padronizará o setor e representará um ganho imenso em qualidade.” A cadeia produtiva reuniu-se semana passada, em Jaguariúna (SP), e o próximo passo, diz Morandi, é promover, em dezembro, um encontro em Brasília (DF), com a participação de representantes dos Ministérios da Agricultura, da Saúde e do Meio Ambiente.

Fonte: [ Último Segundo ]

Os prazeres da mesa

Conceito do slow food se espalha por RP pregando espaço para alimentos orgânicos e mais tempo para refeições

ANGELITA BEATRIZ
Especial para a Gazeta de Ribeirão

Sentar-se à mesa em ambiente tranqüilo, ter uma alimentação saudável na companhia de pessoas queridas e redescobrir o sabor e o aroma dos alimentos é a filosofia do movimento slow food (cozinha lenta, em inglês). Uma associação internacional sem fins lucrativos criada na Itália em 1986 para contestar o fast food e a produção de alimentos em massa. O movimento surgiu há pouco tempo e já tem mais de 80 mil membros em 120 países. O Brasil conta com apenas 500 associados e em Ribeirão Preto, o movimento vem ganhando adeptos.

Com a polêmica da inauguração de uma loja McDonald’s na Praça de Espanha, em Roma, berço da boa culinária, um grupo de admiradores da gastronomia, liderado pelo jornalista Carlo Petrini fundou Slow food. O objetivo é se opor à padronização do gosto e a manipulação da comida rápida e industrializada. Para o chefe de cozinha João Roberto, do La Pyramide, o alimento é como uma arte que não tem preço. Deve ser visto e consumido devagar para saborear e valorizar o trabalho de quem o fez. “Slow Food é comer pelo prazer do sabor e perceber a arte do preparo”.

O slow food está ligado ao prazer de comer bem com a responsabilidade de defender a herança culinária, as tradições e culturas que tornam possível esse prazer. Permite que as pessoas possam sentir o sabor dos alimentos como uma experiência gratificante, não apenas para saciar a fome. Requer tempo para buscar e preparar alimentos de qualidade com sabor e aroma natural. Um exemplo é o chefe João Roberto que produz, há 30 anos, os temperos e ervas utilizados na sua cozinha.

A base do movimento é preservar o sabor original dos alimentos e a convivência entre pessoas. A psicóloga Paula Mor acredita que essa reunião durante a refeição permite a troca de idéias e experiência entre as pessoas. “Constitui em trocas afetivas que preservam a boa convivência social”. O professor de gastronomia do Senac e integrante do movimento Ulisses Dias diz que o slow food desperta o interesse por comidas e bebidas, além valorizar uma conversa à mesa sem pressa. “Slow food é parar para comer”, diz. A idéia é sentir o que está comendo, resgatar os sabores e entrar no clima.

Reunir amigos em torno da cozinha compartilhando sentimentos e idéias num ambiente agradável merece uma boa refeição preparada com carinho e dedicação. Formada em turismo, Soraia Rollo comanda a cozinha nos encontros. “É maravilhoso poder compartilhar esses momentos com pessoas que a gente gosta e preza”. Soraia vai à procura de alimentos saudáveis e de qualidade. O brócolis sempre verde e de preferência produtos orgânicos. “Prefiro comprar orgânico, mesmo que seja mais caro, mas o sabor compensa”. A futura chefe de cozinha domina o espaço, organiza a mesa e decora os pratos. “É um prazer poder unir amigos e partilhar com eles o prazer de uma boa comida”, completa. “É uma coisa que vai além do imaginado”.

Hoje em dia, parece cada vez mais rara uma refeição entre pessoas do convívio devido aos compromissos. A maior conseqüência disso está nas práticas alimentares inadequadas. A nutricionista do Hospital São Paulo Ana Carolina Pimenta explica que há uma grande procura pelo fast food devido ao estilo de vida atual, onde as pessoas precisam de refeições fáceis e rápidas. “Os fast foods contêm gorduras, açúcares e sais, nutrientes que em excesso podem desencadear problemas nutricionais”.

O slow food celebra a diferença dos sabores, a produção artesanal de alimentos, os pequenos produtores e propostas sustentáveis para pesca e criação de animais. Devolve a cultural da alimentação através da educação do gosto e luta pela defesa da biodiversidade. Visa preservar o meio ambiente, resgatar receitas culinárias e premiar o paladar. O associados Dias, explica que o movimento tem como característica defender a informação para o consumidor, resgatar alimentos esquecidos, valorizar técnicas de cultivo herdados por tradição e receitas caseiras. “O slow food cuida da biodiversidade e preserva os alimentos de cada região”.

O símbolo do movimento é representado pelo caracol. João Roberto diz que slow food é como o caracol, pois tem movimento lento, mas que cresce bem em vários lugares. O movimento prega o respeito à natureza e a preservação do meio em que vivemos. O slow food segue o conceito de eco-gastronômicos, pois associa o prazer e a alimentação com consciência e responsabilidade com o meio ambiente. A prioridade pelo produto orgânico se dá pela qualidade dos alimentos levados a mesa. “A principal razão para o consumo de produtos orgânicos é uma questão de saúde”, opina a nutricionista Ana Carolina Pimenta.

A associação reúne pessoas comuns apaixonadas por gastronomia, grupos de pequenos produtores de alimento, pesquisadores e chefs profissionais. Realiza diversas ações para preservação da biodiversidade e para promover o consumo consciente. É um movimento que celebra o prazer de se alimentar e valoriza os modos tradicionais de se preparar os alimentos. Luta contra o desaparecimento das tradições culinárias regionais e ao desinteresse das pessoas quanto à alimentação.

Arca do Gosto é um catálogo mundial que identifica, localiza e divulga sabores quase esquecidos de produtos ameaçados de extinção. Felizmente ainda vivos, têm potenciais produtivos. O professor Dias esclarece que o objetivo é documentar produtos gastronômicos especiais, que estão em risco de desaparecer. “É redescobrir, catalogar e cuidar para que as pessoas conheçam alimentos nativos quase extintos”. Desde o início da iniciativa em 1996, mais de 750 produtos de dezenas de países foram integrados à Arca.

Ícaro Araújo é formado em Gastronomia em Águas de São Pedro e teve seu primeiro contato com o movimento Slow Food na Itália, onde trabalhou com o sabor dos alimentos. “É precisar acompanhar o alimento desde a produção até o preparo do prato”. O Slow Food, ao contrário do Fast Food, busca saborear o gosto e o paladar dos alimentos. É apreciar de forma lenta ao lado das pessoas que gosta. “Você come primeiro com os olhos, as cores chamam a atenção”. Araújo preparar alimentos diferentes e é ele que cria suas próprias receitas, mas reclama que Ribeirão não tem espaço. “Gostaria de trabalhar aqui, mas não tem área”. Slow Food não é comer muito, mas sim, comer bem. As porções são pequenas e variadas, com a finalidade de apreciar. “É como um ritual”, opina Araújo.

É preciso redescobrir cores e sabores

O catálogo mundial, Arca do Gosto, identificou onze produtos brasileiros ameaçados de extinção. Entre eles estão o arroz vermelho, babaçu, bergamota Montenegrina, farinha de batata doce Krahô, marmelada de Santa Luzia, pirarucu, umbu, palmito Juçara, guaraná nativo Sateré-Mawé, feijão Canapu e Castanha de Baru.

No Brasil também é feito um catalogo, denominado Arco do Sabor, com produtos, pratos, animais, frutas, legumes e verduras que correm riscos de se perderem na memória da população. O especialista em gastronomia Ulisses Dias explica que a Arca do Sabor tem como finalidade cuidar para que as pessoas conheçam os alimentos e sabores regionais. “É preciso documentar e serem lembrados”.

Os principais objetivos das Arcas são salvar os inúmeros grãos, vegetais, frutas, raças de animais e produtos alimentícios que correm perigo de desaparecer devido ao predomínio das refeições rápidas e ao agronegócio industrial.

Preservar o sabor natural e redescobrir alimentos é fundamentar para uma vida saudável. Dias crítica a sociedade que não conhecem o alimento regional e os pais que não ensinam os filhos a comerem bem. “Hoje as crianças só comem frutos de laboratórios, assim a tendência é desaparecer com as variedades”, conclui.
(Gazeta de Ribeirão)

Orgânico: alimento saudável

Slow food está ligado ao conceito de eco-gastronomia, uma vez que reconhece a importância da relação entre o alimento e o meio em que é produzido. O movimento é contra o uso de agrotóxicos e transgênicos, enquanto a agricultura orgânica é vista com bons olhos. Os alimentos cultivados têm de ser, além de saudáveis, saborosos.

O que era difícil de achar nos supermercados está cada dia mais comum. Segundo produtor e comerciante de orgânico Rodrigo Pastova, o consumo de produtos orgânicos vem aumentando, inclusive em Ribeirão Preto. Pastova planta café, banana e mamão no sítio onde também cria vaca e galinha. “São todos produtos 100% orgânicos, a adubagem fica por conta da decomposição de outros vegetais”, afirma.

A nutricionista do Hospital São Paulo, Ana Carolina Pimenta explica que os produtos orgânicos fazem bem para o organismo e para a terra, já que é isento do uso de agrotóxicos e produtos utilizados para o combate de pragas e insetos. “Esses alimentos não causam efeitos de toxicidade ao organismo ao serem consumidos”.

As vantagens do orgânico são múltiplas: a comida fica mais gostosa, a água é protegida, o pequeno agricultor é beneficiado e a biodiversidade é restaurada. O movimento Slow Food acredita que o alimento deve ter bom sabor, ser cultivado de maneira limpa, sem prejudicar a saúde, o meio ambiente ou os animais, além disso, os produtores devem receber o que é justo pelo seu trabalho.
(Gazeta de Ribeirão)

Fonte: [ Gazeta de Ribeirão ]

Emater/RS-Ascar e Embrapa implantam Quintais Orgânicos e distribuem mudas na região de Erechim

A Emater/RS-Ascar, por meio do Escritório Regional de Erechim, e a Embrapa Clima Temperado de Pelotas, a partir do Programa Quintais Orgânicos de Frutas, instalou na região cinco módulos do projeto Quintais/Pomares , sendo que cada módulo recebeu 65 mudas de frutíferas das variedades araçá, goiaba, pitanga, romã, uvaia, pêssego, laranja, caqui, entre outras. As mudas foram distribuídas em áreas indígenas de Nonoai, Planalto, Charrua, Erebango e Benjamim Constant.

O assistente técnico regional Luiz Antônio Busatta observa que esses módulos servirão de piloto para que, nos próximos anos, a Embrapa possa disponibilizar um número maior de mudas para a região. “Confiamos no programa e acreditamos que os indígenas possam incrementar a área de frutíferas”.

O objetivo do programa é melhorar a qualidade da alimentação e de vida das comunidades indígenas e assentados. Também foram distribuídos adubo fosfatado e potássio e mudas de acácia negra para utilização de quebra ventos.

Fonte: [ Emater ]