Resposta ao Fantástico

por Roberto L. Boorhem

Realmente vergonhosa essa investida orquestrada da Revista Época e do Fantástico contra as plantas medicinais, os fitoterápicos e a fitoterapia.

A entrevista do Dr. Drauzio a Época em 22/8/10 já antecipava as barbaridades que estavam por vir no Fantástico na série É Bom Pra Que, uma montagem orquestrada, pejorativa, tendenciosa e antiética, que se preocupou mais em mostrar as deficiências crônicas do SUS, através do caso da paciente com problema ortopédico, que sequer estava em tratamento com fitoterapia, num ataque frontal às políticas públicas de saúde do atual governo com finalidades claramente eleitoreiras, como já havia sido denunciado na semana passada através de mais de 240 mensagens de repúdio ao site da Revista Época, curiosamente da Editora Globo.

Foram tantas as críticas à entrevista do Dr Drauzio a Época, que essa revista resolveu fazer matéria sobre o assunto, que foi às bancas esse fim de semana, e que em vez de considerar a opinião de verdadeiros especialistas e esclarecer a opinião publica, distorceu e omitiu as informações fornecidas pelos profissionais entrevistados, mesma estratégia utilizada no Fantástico, confirmando a postura tendenciosa e preconceituosa dessas mídias, confundindo a opinião publica e desrespeitando mais uma vez os profissionais que trabalham seriamente pela implantação da fitoterapia no SUS.

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Você confia nas ervas medicinais?

Drauzio Varella, o médico mais popular do Brasil, questiona a eficácia das plantas e dos fitoterápicos e cria uma enorme polêmica

Cristiane Segatto e Aline Ribeiro

O uso de plantas medicinais é um dos traços da cultura brasileira. Todo mundo já ouviu falar sobre os benefícios de determinado chá ou de medicamentos à base de plantas, os fitoterápicos. E não só no Brasil. Os fitoterápicos movimentam no mundo US$ 14 bilhões por ano. São obtidos de plantas e vendidos em forma de extrato, tintura, óleo etc. Estima-se que no Brasil esse mercado gire em torno de US$ 400 milhões por ano e empregue 100 mil pessoas. De todos os remédios colocados nas prateleiras das farmácias brasileiras, 2,8% são feitos de vegetais. E as vendas crescem em torno de 12% ao ano, segundo a consultoria do setor farmacêutico IMS Health. No setor dos medicamentos sintéticos, chamados de alopáticos, o crescimento é menor, de 5%.

Os consumidores de ervas medicinais e fitoterápicos acreditam que eles são tão seguros e eficazes quanto as drogas convencionais vendidas nas farmácias ou distribuídas nos postos de saúde. Mas talvez não sejam. É o que Drauzio Varella, o médico mais popular do Brasil, promete discutir na série “É bom pra quê?”, que estreia neste domingo no Fantástico.

Há duas semanas, Drauzio falou sobre o assunto a ÉPOCA On-line. Criticou a falta de sólidas evidências científicas que poderiam justificar o uso de fitoterápicos. Condenou a política do Ministério da Saúde de distribuição de medicamentos fitoterápicos no SUS e a lista de 66 plantas medicinais preparada pela Anvisa para orientar o uso de chás. A reação foi imediata. Drauzio foi acusado de ser mal-intencionado, de estar a serviço da indústria farmacêutica, de tentar atrapalhar a candidatura de Dilma Rousseff. A polêmica explodiu, envolvendo médicos, consumidores e até o Ministério da Saúde.

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1º episódio do programa "É bom pra quê?"

Primeiro episódio do programa “É bom pra quê?”, do Dr. Drauzio Varella, apresentado no Fantástico do dia 29/08/2010:

Usar chás para tratar doenças pode ser um perigo

Fonte: [ Globo vídeos ]

ALANAC rebate declarações de Drauzio Varella sobre fitoterápicos

Os fitoterápicos e plantas medicinais são hoje as classes de produtos que possuem maior potencialidade de crescimento no Brasil devido a sua biodiversidade que, associada a uma rica diversidade étnica e cultural que detém um valioso conhecimento tradicional associado ao uso de plantas medicinais, tem o potencial necessário para desenvolvimento de pesquisas com resultados em tecnologias e terapêuticas apropriadas.

O uso desses medicamentos pelo mundo é muito antigo e está cada vez maior, e como exemplo temos a Alemanha, cujo mercado de fitoterápicos é enorme. Cerca de 60% dos médicos alemães prescrevem fitoterápicos à população, produtos estes registrados no EMEA, órgão regulador europeu que tem as exigências mais rigorosas para o registro, semelhantes às brasileiras.

Sobre esse assunto, o coordenador técnico da ALANAC, Douglas Duarte é categórico: “Como podemos criticar a política alemã de medicamentos, uma vez que o poder aquisitivo da grande maioria da população é muito superior à dos brasileiros?”. Segundo ele, não existe esta imagem de que a fitoterapia é para pobres. É apenas uma terapia alternativa à alopatia sintética.

A questão do preconceito com relação aos fitoterápicos – por falta de informação, mas principalmente por má informação – ainda é um fator limitante para a utilização maciça pela população brasileira, pois a classe médica ainda tem algumas restrições ao uso desses medicamentos devido à complexidade de atuação destes produtos quando administrados.

Dizemos isso, fazendo referência à matéria “Ervas medicinais: os conselhos de Drauzio Varella” (http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI162899-15230,00.html), publicada na revista época e também, na série “É bom para quê?”, que estréia neste domingo, dia 29 de agosto, no Fantástico, que a Rede Globo exibe às 20h50, e que terá quatro episódios, gostaríamos de deixar registrada nossa discordância com relação às colocações do médico sobre os medicamentos fitoterápicos.

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Pesquisa de professor da Uema sobre ervas medicinais será abordada no Fantástico

No próximo domingo, 29, a revista eletrônica semanal da Rede Globo de Televisão, Fantástico, lançará o quadro “É bom pra quê?”, que vai abordar o uso de ervas e medicamentos fitoterápicos no Brasil.

Já no programa de estréia será destaque o trabalho do professor Antonio Augusto Brandão Frazão, do Centro de Estudos Superiores de Imperatriz (Cesi) da Universidade Estadual do Maranhão (Uema).

O professor irá apresentar uma pomada cuja fórmula, descoberta por ele, é baseada em graviola (Annona muricata), uma planta muito cultivada nos estados do Nordeste e comum no cerrado maranhense. O remédio é usado como cicatrizando em feridas difíceis de tratar, como as decorrentes de diabetes, câncer de pele, leishmaniose ou queimaduras diversas.

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A polêmica das plantas

Drauzio Varella investiga os riscos dos fitoterápicos e das ervas medicinais

Em nova série de TV, Drauzio Varella investiga os riscos dos fitoterápicos e das ervas medicinais

EM CAMPO
Drauzio examina a vegetação existente nas margens do Rio Cuieiras. Há 15 anos, ele estuda as plantas da Amazônia

Nos últimos anos, milhões de brasileiros aprenderam a se interessar por temas de saúde assistindo às séries apresentadas pelo médico Drauzio Varella no Fantástico, da TV Globo. A principal característica dos programas é o didatismo, uma marca pessoal de Drauzio desde os tempos em que era professor de cursinho. A segunda característica sempre foi a ausência de controvérsias. Quem discorda de que é preciso combater a obesidade ou melhorar a coleta de órgãos para transplante Ao falar aquilo que o telespectador precisa ouvir mas sem contrariá-lo , Drauzio saiu de cada programa mais popular do que entrou. Agora, porém, o saldo de sua próxima experiência pode ser outro. A série É bom pra quê? , que estreia no dia 22 e dura quatro semanas, investiga os riscos do uso de ervas medicinais e fitoterápicos, um tipo de terapia alternativa muito difundida no Brasil.

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Vários comentários selecionados sobre a reportagem da Época

A verdade sobre os medicamentos fitoterápicos no Brasil – Equipe Única Suporte Científico e Regulatório – RS / Porto Alegre

É realmente lamentável ler esta entrevista e saber que em breve esta reportagem estará no Fantástico, confundindo o entendimento dos brasileiros acerca do assunto.

Ao contrário do que o respeitável Dr. Dráuzio Varella afirma, os medicamentos fitoterápicos no Brasil passam por uma rigorosa análise da ANVISA antes de serem disponibilizados ao público, através de legislações que estabelecem critérios rígidos de controle de qualidade, produção e comprovação de segurança e eficácia. Inclusive neste ano foi atualizada e republicada a legislação que dispõe sobre o registro desta categoria de medicamentos na ANVISA.

São inúmeros os equívocos cometidos pelo Doutor, a começar pela afirmação de que os fitoterápicos no país são classificados como suplementos alimentares. Os fitoterápicos hoje registrados no Brasil são medicamentos que passaram por aprovações baseadas em critérios muito semelhantes aos medicamentos alopáticos, salvo algumas diferenças inerentes da própria origem do produto.

Surpreende-nos o fato de uma pessoa tão conhecida no país, e por isso com um elevado poder de convencimento, seja capaz de explanar sobre um tema tão importante, porém sem o domínio do assunto.

O Dr. Dráuzio Varella erroneamente vincula um parecer único para conceitos distintos (chás, drogas vegetais e medicamentos fitoterápicos). Entendemos que o tema a ser abordado deveria ser a automedicação possivelmente praticada nas farmácias vivas e não a inexistência de qualidade e eficácia dos medicamentos fitoterápicos registrados pela ANVISA.

Sugerimos, por questão de justiça, que seja entrevistada a Dra. Ana Cecília Bezerra Carvalho, COFID/ANVISA, para que haja um contraponto.

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Manisfesto a favor da Fitoterapia

Meu nome é Degmar Ferro, sou médico há 25 anos, cardiologista e intensivista, acupunturista e homeopata, formado pela UNESP-Botucatu e com residência médica na USP-Ribeirão Preto, autor de livro sobre fitoterapia pela editora Atheneu, e estou muito perplexo, como muitos, pelo quadro que se iniciará no Fantástico sob a responsabilidade do dr. Drauzio Varella, médico de renome e muito respeito que, segundo entrevista publicada recentemente na revista Época, e agora em rede aberta, tentará “destruir” (ao nosso ver) todo esforço de décadas que vem se fazendo para que a fitoterapia possa ser utilizada em escala pública (tanto para ricos como pobres) com grandes benefícios para todos (exceto para indústria farmacêutica que não seja ética), quando forem dadas as melhores condições possíveis de aplicabilidade ética.

Um espaço se abriu no governo, no esforço de muitos, até por recomendação da OMS (Organização Mundial de Saúde ), focando os países pobres e em desenvolvimento, para que um sistema de utilização da fitoterapia se inicie na saúde pública, com correções e ajustes subsequentes, na medida da necessidade de adequação e segurança, com ampla discussão por classes especializadas.

A pretexto das distorções que se apresentam no Brasil como um todo, assim como em todos os sistemas terapêuticos, e em todos países, tentará o médico de renome em questão, se for mantida a coerência da entrevista recente na revista Época, desmerecer esta área terapêutica maravilhosa, culturalmente nata no nosso país pobre, que tem a maior biodiversidade do planeta.

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Fitoterápicos – Presidente do CFF questiona Drauzio Varella. Médico responde

por Comunicação | 20/08/2010

O Presidente do Conselho Federal de Farmácia, Jaldo de Souza Santos, enviou, hoje (19.08.10), uma carta ao médico Drauzio Varella, questionando-o sobre suas opiniões acerca de plantas medicinais e fitoterápicos manifestadas em entrevistas que concedeu à revista “Época”. O Dr. Drauzio Varella estrea, nesta domingo, um quadro no programa “Fantástico”, da “Rede Globo”, abordando plantas e fitos. Varella respondeu, no fim da tarde, a carta de Souza Santos. Ele diz condenar “a falta de estudos clínicos” relacionados a esses produtos. Veja a carta do Presidente do CFF a Drauzio Varella e a resposta do médico.

CARTA DO PRESIDENTE DO CFF, JALDO DE SOUZA SANTOS, AO MÉDICO DRAUZIO VARELLA

Brasília, 19 de agosto de 2010.

Dr. Drauzio Varella,

Tomamos conhecimento, com preocupação, sobre a sua opinião sobre plantas medicinais e fitoterápicos manifestada em matérias publicadas na revista “Época”. Plantas e fitoterápicos são, sim, objetos de estudos técnicos e científicos, inclusive por farmacêuticos. Neste sentido, temos a enorme satisfação de informar-lhe que o Conselho Federal de Farmácia (CFF), por meio de uma Comissão integrada por excelências em plantas, fitos e suas respectivas terapêuticas, vem estudando os mecanismos de ação, efeitos, reações adversas, interações entre os mesmos, alimentos e medicamentos alopáticos. As conclusões apontam para a eficácia do tratamento à base desses produtos.

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Grupo quer incentivar cultivo de plantas medicinais e fitoterápicos

Uso no Sistema Único de Saúde faz demanda crescer no Brasil

Um grupo interministerial está realizando ações para incentivar os agricultores a cultivar plantas medicinais e fitoterápicos. Nesta semana, em Brasília, foi constituída uma rede de Assistência Técnica e Extensão Rural para fomentar o plantio em todo o país.

Segundo o coordenador de implementação de projetos da Secretaria de Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário, o mercado ainda é pequeno, mas mostra expansão. José Adelmar Batista ressalta, principalmente, o reconhecimento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária e o uso no Sistema Único de Saúde como fatos que impulsionam a produção.

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