Fungos podem restaurar terras degradadas e combater crise climática
Invisíveis, fungos subterrâneos podem ser a chave para reverter a desertificação e o aquecimento global.
Fungos micorrízicos formam redes com raízes que restauram solos degradados e capturam carbono.
Em 3 pontos
- Fungos micorrízicos formam simbiose com raízes de plantas, ampliando a absorção de nutrientes e água.
- Esses fungos criam redes subterrâneas que estabilizam o solo, previnem a erosão e aumentam a matéria orgânica.
- A restauração com fungos pode capturar carbono, mitigando a crise climática e revertendo a desertificação.
Invisíveis a olho nu e espalhados em um sistema subterrâneo complexo, fungos são a aposta de um grupo de cientistas para restaurar terras degradadas, combater a desertificação e a crise climática. A possibilidade foi apresentada pelas pesquisadoras Toby Kiers e Burenjargal Otgonsuren, que lançaram o resultado de estudos recentes, durante encontro na Embaixada da França em Ulaanbaatar, Mongólia, no contexto da 17ª Conferência das Nações Unidas sobre Combate à Desertificação (COP17). Notícias relacionadas:Indígenas cobram participação nas decisões da COP da Desertificação.Sociedade civil rejeita agenda excludente aprovada no início da COP17.Brasileira defende mais influência dos jovens nas decisões da COP17.Conhecidos como fungos micorrízicos, por estabelecerem simbiose com raízes das planta
🧭 O que isso muda para você
- Agricultores podem inocular fungos micorrízicos no solo para melhorar a produtividade com menos fertilizantes.
- Projetos de recuperação de áreas degradadas podem usar fungos nativos para acelerar o reestabelecimento da vegetação.
- Pesquisadores podem mapear redes fúngicas para identificar solos com potencial de restauração.
- Entusiastas de plantas podem usar micorrizas em hortas e jardins para aumentar a resistência a secas e doenças.
Contexto e Relevância
A degradação do solo e a desertificação afetam milhões de hectares no mundo, ameaçando a segurança alimentar e acelerando as mudanças climáticas. Nesse cenário, os fungos micorrízicos emergem como aliados invisíveis, mas poderosos, para restaurar ecossistemas. Esses organismos formam associações simbióticas com as raízes de cerca de 90% das plantas terrestres, criando redes subterrâneas que funcionam como extensões do sistema radicular.
Mecanismos e Descobertas
As pesquisadoras Toby Kiers e Burenjargal Otgunsuren apresentaram na COP17, na Mongólia, evidências de que os fungos micorrízicos podem ser usados para restaurar terras degradadas. Eles atuam de várias formas: aumentam a absorção de água e nutrientes como fósforo e nitrogênio, melhoram a estrutura do solo ao formar agregados estáveis, e promovem a diversidade vegetal ao conectar plantas em uma rede compartilhada. Além disso, os fungos armazenam carbono no solo, retirando-o da atmosfera e contribuindo para a mitigação do clima.
Implicações Práticas
A aplicação desses fungos na agricultura pode reduzir a dependência de fertilizantes químicos, tornando as culturas mais resilientes a secas e SAIs. Na recuperação de áreas degradadas, a inoculação com fungos nativos acelera o estabelecimento da vegetação e previne a erosão. Em escala global, a restauração de solos com micorrizas pode sequestrar grandes quantidades de carbono, ajudando a cumprir metas climáticas.
Espécies e Ecossistemas
Entre as espécies envolvidas estão os fungos micorrízicos arbusculares (como Glomus spp.) e ectomicorrízicos (como Pisolithus tinctorius), associados a plantas como leguminosas, gramíneas e árvores nativas. No Brasil, a recuperação do Cerrado e da Mata Atlântica pode se beneficiar dessas técnicas, especialmente em áreas de pastagens degradadas e solos arenosos.
Aplicação no Brasil e Trópicos
No Brasil, a utilização de fungos micorrízicos já é estudada para a recuperação de áreas de mineração e pastagens. Em regiões tropicais, onde os solos são antigos e pobres em nutrientes, as micorrizas são essenciais para a manutenção da biodiversidade e da produtividade. Iniciativas como a reintrodução de fungos nativos em solos degradados podem ser integradas a políticas públicas de restauração ecológica.
Próximos Passos
A pesquisa ainda precisa avançar na identificação de espécies de fungos mais eficientes para diferentes biomas e nas técnicas de produção em larga escala. Estudos de longo prazo são necessários para avaliar a persistência das redes fúngicas e seu impacto na captura de carbono. A integração com comunidades locais e indígenas, como destacado na COP17, é fundamental para garantir a sustentabilidade e a aceitação dessas práticas. A ciência dos fungos está apenas começando a revelar seu potencial, e o futuro da restauração pode estar literalmente sob nossos pés.
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