🌳 Raízes Expostas

Sexta-feira passada caí na calçada. Estava passando por um trecho que tinha uma árvore inadequada para aquele local, pois as raízes estavam se espalhando pela superfície.

O tombo foi algo cinematográfico. Meio que em câmera lenta, meio impactante pela dura realidade da verdade: está muito ruim para andar depois que me apareceu o problema na coluna.

É claro que a presença de obstáculos no caminho atrapalha. Tempos atrás, quando resolveram arborizar a cidade, não verificaram quais as espécies mais adequadas para o local. Arvoretas e árvores nas calçadas da cidade precisam de raízes pivotantes, que cresçam em direção ao centro da Terra.

O tempo passou, a árvore de raízes laterais cresceu na calçada e as raízes expostas tomaram parte da calçada. Pior que hoje em dia – diante dos problemas ambientais que nossa sociedade causou – a decisão de suprimir uma árvore torna-se complicada e enfrenta as mais variadas e por vezes justas críticas.

Temos também o fato de que a estética venceu a função das calçadas. É como se a cidade fosse pensada só para quem dirige, e não para quem caminha. Junto a isso, também meu corpo envelhecendo, que já não responde mais como antes. E cada tropeço carrega junto o peso do tempo passado e o perigo de fraturar algum osso nalgum acidente.

Talvez as cidades precisem de mais raízes profundas e menos maquiagem superficial — assim como nós, que seguimos plantando com firmeza em meio ao desequilíbrio.

Passado o susto do tombo, verifiquei se não havia me machucado. Talvez graças às aulas de judô que fiz na infância tive o reflexo para cair sem me machucar. Talvez ter olhado para as raízes tenha criado algum tipo de previsão mental de movimentos… Sei lá!

Só sei que no fim do episódio fiquei sozinho com a vergonha do tombo e o aprendizado de que não basta olhar pra frente: é preciso olhar também para o chão. Porque na cidade, às vezes, tropeçamos na falta de planejamento e na falta de cuidado com a Terceira Idade.

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Anderson Porto, um cidadão que anda à pé na cidade de vez em quando, já tomou muito tombo – muita rasteira na vida – e está ficando idoso.


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Autor: Anderson Porto

Desenvolvedor do projeto Tudo Sobre Plantas

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