Estiagem é a pior dos últimos sete anos

A chuva acumulada em agosto e setembro foi de apenas três milímetros, índice bem abaixo do mesmo período desde 2001

Tisa Moraes

Todos os dias, o agricultor aposentado Filomeno Antônio de Castro, 93 anos, atravessa a rua e vai cuidar das árvores e plantas que cultiva há mais de 15 anos em uma praça em frente à sua casa, na Vila Independência. Com a estiagem dos últimos dois meses, ele seleciona as plantas mais sensíveis para receber um revigorante jato d’água. “Não dá para regar todas porque é preciso economizar água. Com isso, as folhas das árvores ficam murchas e alguns galhos secam”, observa ele entre os ipês, jaqueiras, mangueiras, amoreiras e goiabeiras que plantou.

A seca dos meses de agosto e setembro, sentida não somente pelas plantas, mas por todos os bauruenses, foi a pior registrada no mesmo período nos últimos sete anos pelo Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet), desde que o órgão passou a processar os dados climatológicos mês a mês para disponibilizá-los ao público.

A precipitação acumulada nos últimos dois meses foi de apenas 3mm, índice bem abaixo do registrado no mesmo período do ano passado, que foi de 78mm. Estiagem semelhante a que ocorreu neste ano só foi registrada em 2004, com média de 4,1mm de chuvas entre agosto e setembro, índice ainda superior em relação à mesma época do ano de 2007.

De acordo com o meteorologista Mateus da Silva Teixeira, do IPMet, ainda não há estudos que expliquem as causas da diminuição das chuvas na região, que vem sendo acompanhada de baixa umidade e altas temperaturas. “O inverno e início da primavera são caracterizados pela falta de chuva e altas temperaturas na região Sudeste. Temos a presença de uma intensa massa de ar seco na região que impede a passagem das frentes frias e as desvia para o oceano”, explica. No entanto, de acordo com o meteorologista, uma das causas que poderiam justificar esta mudança seriam fenômenos como El Ninõ e La Ninã que, habitualmente, nunca foram apontados com responsáveis diretos por efeitos climáticos específicos da região.

Perspectivas

As perspectivas, segundo o IPMet, não são animadoras para a região. Os radares do instituto não indicam possibilidade de chuvas nos próximos três dias e, de acordo com dados do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTec), a previsão para o País é de que a primavera tenha menos chuvas e temperaturas mais altas em relação a anos anteriores.

Segundo Teixeira, a perspectiva é que somente a partir de novembro o quadro comece a mudar. “Deve começar a haver alternações entre tempo seco e períodos de chuva. Em meados de novembro, deve aumentar a freqüência de chuva na região, com ápice nos meses de janeiro e fevereiro”, acredita.

Enquanto a estação chuvosa não chega, a população se vira como pode. Além do tempo quente, o bauruense precisa enfrentar a baixa umidade relativa do ar. Ontem, depois da garoa que caiu sobre algumas regiões da cidade, a média registrada alcançou os 28%, segundo o IPMet. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), quando a umidade é inferior a 20%, o estado é de alerta e o indicado é suprimir atividades físicas em ambientes ao ar livre entre 10h e 18h.

Agropecuária

A falta de chuvas também está incidindo sobre a economia da região, principalmente em setores como a agricultura e a pecuária, que dependem das precipitações pluviométricas para se desenvolver. A leve chuva de anteontem foi irrisória para resolver as dificuldades dos setores, que precisariam de uma chuva de mais de 50mm para começar a se recuperar, segundo informou Maurício Lima Verde, presidente do Sindicato Rural de Bauru. “Esta seca veio associada a altíssimas temperaturas e pouca umidade, o que gerou um grande dano às plantações. As chuvas estão atrasadas e as perspectivas não são boas”, destaca.

A seca que se estende está atrasando o plantio de alguns tipos de grãos, como milho, algodão e soja, que deveria ter sido iniciado em meados de setembro. Já culturas semi-perenes, como café, cana-de-açúcar e laranja, já estão comprometidas e a previsão é que o prejuízo chegue a 35% da safra.

O setor mais prejudicado com a falta de chuvas, no entanto, é o da pecuária, segundo Lima Verde. Com as pastagens secas, o gado não pode ser devidamente alimentado e tanto a pecuária de corte quanto a leiteira foram prejudicadas. “Começou a faltar boi para os frigoríficos e houve elevação no preço da carne. Do mesmo modo, a produção de leite também foi afetada e, no último mês, o consumidor chegou a pagar 25% mais caro pelo produto”, observa.

Fonte: [ Jornal da Cidade de Bauru ]


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Autor: Anderson Porto

Desenvolvedor do projeto Tudo Sobre Plantas

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