CTNBio aprova plantio de eucalipto para pesquisa

Agencia Estado

A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou hoje o plantio de eucalipto transgênico (Eucalyptus GM) para pesquisa. Segundo informações do Ministério da Ciência e Tecnologia, a CTNBio definiu que as áreas experimentais cercadas por plantios comerciais de Eucalyptus não necessitarão de bordaduras, desde que uma zona mínima de amortecimento (100 metros) seja garantida, com ou sem árvores nesta zona. A empresa ou instituição proponente deverá garantir a eliminação das árvores comerciais do entorno conforme procedimentos silviculturais e industriais, não coletando ou armazenando sementes das mesmas.

As organizações que desejarem realizar os experimentos também deverão garantir a distância mínima de hum quilômetro (1 km) em relação a pomares abertos de sementes ou árvores de Eucalyptus sexualmente compatíveis e sem valor comercial. Além disso, deverá ser garantida a distância mínima de três quilômetros em relação a áreas (colméias) de apicultura comercial ou doméstica reconhecidamente preexistentes à época da instalação do experimento.

Fonte: [ A Tarde Online ]

Comissão adia julgamento de pedidos para comercialização de transgênicos

José Carlos Mattedi
Repórter da Agência Brasil

Brasília – A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) adiou para o próximo encontro, em julho, o julgamento dos dez pedidos de liberação comercial de organismos geneticamente modificados (OGMs) que estavam em pauta na 103ª reunião plenária, encerrada hoje (21).

Desses dez pedidos de liberação comercial, seis tratavam de variedades de milho; três, de algodão; e um, de arroz. Dois pedidos referentes a milho – um da Monsanto do Brasil e outro da Syngenta Seeds – tiveram a decisão adiada após solicitação de vistas dos processos.

De acordo com as normas da Comissão, essa solicitação de vistas só pode ocorrer uma vez e na próxima reunião haverá uma decisão sobre a comercialização do produto, caso não haja medida judicial impeditiva.
Em relação ao algodão, o presidente da CTNBio, Walter Colli, informou que no dia 14 de agosto será realizada audiência pública no Ministério de Ciência e Tecnologia, reunindo a comunidade científica e entidades ambientalistas. “É um passo para discutir a aprovação do algodão transgênico. Poderemos ter até duas audiências para esgotar as preocupações dos envolvidos”, disse Colli.

Fonte: [ Agência Brasil ]

Estudo aponta impactos causados por transgênicos em seres vivos

Por Adital [19/6/2007]

A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTBio) deve votar, ainda nesta semana, a liberação de um milho transgênico da multinacional Monsanto, o milho MON810. Na semana passada, foi divulgado um segundo estudo que aponta os impactos dos milhos modificados da Monsanto em seres vivos. Os movimentos sociais e ecológicos se manifestam contra essas liberações.

O estudo, desenvolvido pelo instituto de pesquisa Criigen, da França, apontou que as cobaias alimentadas com o produto apresentaram 60 diferenças em relação às cobaias alimentadas com milho convencional em seus órgãos internos. Houve alteração nos tamanhos de rins, cérebro, fígado e coração, além de mudança de peso, de ratos alimentados com milho transgênico por 90 dias, o que poderia significar sinais de intoxicação. O milho transgênico da Monsanto estudado, conhecido como NK603, tolerante a um herbicida produzido pela própria empresa, já é comercializado na Europa.

Um outro estudo, publicado em março pela Archives of Environmental Contamination and Toxicology (Arquivos de Contaminação Ambiental e Toxicologia), encontrou evidências similares de danos hepáticos causados pelo milho MON863, também liberado na Europa. Foi a primeira vez que um produto geneticamente modificado, liberado para o consumo humano e de animais, apresentou sinais de ter provocado efeitos tóxicos em órgãos internos de seres vivos.

Nenhuma dessas duas variedades estão liberadas para comercialização no Brasil. A Monsanto já pediu a liberação da variedade NK603 à CTNBio, que ainda não aprovou. As deliberações da CTNBio freqüentemente causam discórdias, não só entre os movimentos sociais mas também entre seus membros. Em maio, uma das integrantes titulares da Comissão, Lia Giraldo da Silva Augusto, pediu afastamento do conselho por não concordar com os procedimentos do órgão. O caso da aprovação da comercialização do milho transgênico da Bayer foi o estopim.

Na carta de desligamento da especialista, que é pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e docente do Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães, a insatisfação fica evidente. Uma das críticas à comissão é sobre sua formação: “A CTNBio está constituída por pessoas com título de doutorado, a maioria especialistas em biotecnologia e interessados diretamente no seu desenvolvimento. Há poucos especialistas em biossegurança, capazes de avaliar riscos para a saúde e para o meio ambiente”.

Segundo a pesquisadora, na prática cotidiana da CTNBio, os votos são pré-concebidos e são realizadas “artimanhas obscurantistas” para as questões de biossegurança serem consideradas como dificuldades ao avanço da biotecnologia. “A razão colocada em jogo na CTNBio é a racionalidade do mercado e que está protegida por uma racionalidade científica da certeza cartesiana, onde a fragmentação do conhecimento dominado por diversos técnicos com título de doutor, impede a priorização da biossegurança e a perspectiva da tecnologia em favor da qualidade da vida, da saúde e do meio ambiente”, denuncia.

Um dos princípios da carta divulgada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), na ocasião do término do 5° Congresso do MST, engrossa o coro dos que criticam a liberalização de transgênicos no Brasil. O MST participou de um abaixo-assinado contra a aprovação do cultivo e comercialização de sementes de milho transgênico pela CNTBio, O documento integra assinaturas de ambientalistas e deputados e será entregue à ministra da Casa Civil, Dilma Roussef. O conselho ministerial presidido por Dilma ainda pode vetar o uso das sementes transgênicas.

(com informações do Greenpeace)

Fonte: [ Revista Fórum ]

Uma coexistência impossível

Pesquisa inglesa demonstra que a contaminação de culturas naturais pelo pólen de transgênicos pode ocorrer a taxas e distâncias muito maiores do que se pensava. É inevitável.

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Porto Alegre, RS – Novas pesquisas desenvolvidas pela Universidade de Exeter, no Reino Unido, demonstram que os campos experimentais conduzidos para determinar as distâncias mínimas que devem separar lavouras transgênicas de não transgênicas a fim de evitar a contaminação genética têm levado a resultados subestimados.

O estudo foi financiado pelo Conselho de Pesquisa em Ambiente Natural (NERC, em inglês) e publicado na revista Ecological Applications (1).

Os pesquisadores usaram dados sobre a velocidade e a direção dos ventos obtidos em estações climáticas em diferentes pontos da Europa para prever o movimento do pólen no ar. A análise dos dados monstrou que o pólen poderia contaminar campos vizinhos em taxas duas a três vezes maiores do que se pensava originalmente.

Os estudos mostraram que a polinização pelo vento em milho, canola, beterraba açucareira e arroz varia enormemente de acordo com a orientação relativa entre as lavouras transgênicas e não transgênicas, ou seja, em função de a lavoura transgênica estar localizada “vento acima” ou “vento abaixo” da lavoura não transgênica, considerando a direção predominante do vento no período de florescimento da cultura.

Além disso, para os mesmos locais e orientação relativa, as taxas de polinização cruzada podem variar significativamente de um ano para o outro.

Consequentemente, mesmo campos experimentais replicados podem estimar níveis de polinização de forma imprecisa e assim distorcer a percepção sobre as distâncias de separação necessárias para alcançar um determinado limite de contaminação por transgênicos.

O pólen vai muito longe

O estudo ainda revela pesquisas que já demonstraram que o pólen transgênico pode fertilizar lavouras convencionais num raio de mais de 16 km. O governo inglês atualmente planeja determinar a distância mínima de 110 metros para separar milho transgênico de não transgênico.

Mas as pesquisas demonstram que esta distância deveria ser sete ou oito vezes maior para manter a contaminação no limite de 0,9% (contaminação máxima permitida na Europa para produtos não transgênicos).

Segundo Martin Hoyle, pesquisador chefe do estudo, “uma vez que existam lavouras transgênicas crescendo, a contaminação de outras lavouras ocorrerá nevitavelmente”.

Contaminação no transporte e armazenamento

É preciso ainda dizer que a dispersão do pólen pelo vento é apenas um dos fatores que provocam a contaminação genética. Agricultores convencionais e orgânicos em vários países estão sofrendo os efeitos da contaminação que acontece no transporte e no armazenamento da produção, além da própria contaminação das sementes.

Outra fonte recorrente de contaminação são as plantas transgênicas que persistem e crescem em campos não transgênicos onde, em ciclos anteriores, existiram lavouras transgênicas.

Ou seja, a cada dia aparecem novas evidências mostrando que a questão da contaminação genética é muito mais complexa do que qualquer norma de coexistência existente no mundo pôde até hoje prever.

Podemos também citar inúmeros relatos de agricultores brasileiros que estão tendo suas produções de soja não transgênica certificada ou orgânica inviabilizadas devido à contaminação. É evidente que no caso do milho, que ao contrário da soja, é uma planta de polinização predominantemente aberta e feita pelo vento, o problema será muito maior, incontrolável.

CTNBio ignora evidências

Infelizmente, todas estas evidências científicas e empíricas têm sido solenemente desconsideradas pela CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança), que acaba de autorizar o plantio comercial de uma variedade de milho transgênico e já planeja autorizar uma lista de várias outras.

Estas autorizações estão sendo feitas dispensando-se a realização de estudos para a avaliação de riscos à saúde e ao meio ambiente e sem dar a mínima importância para o problema da contaminação.

No caso da liberação do milho da Bayer, órgãos como Ibama e Anvisa podem contestar a liberação e apresentar recursos ao CNBS – Conselho Nacional de Biossegurança, que reúne 11 ministros e é presidido pela Casa Civil.

Outra opção é que este conselho chame para si a decisão final. Não está garantido que isso acontecerá. Mais do que nunca, a pressão da sociedade civil sobre os ministros é fundamental, exigindo uma postura responsável para com a sociedade e o meio ambiente no Brasil.

(1) Ecological Applications – Volume 17, Issue 4 (June 2007)
Article: pp. 1234-1243
The Effect of Wind Direction on Cross-Pollination in Wind-Pollinated GM Crops
Martin Hoyle and James E. Cresswell
School of Biosciences, University of Exeter, Exeter EX4, 4PS UK

Mais informações sobre o estudo da Universidade de Exeter:
University of Exeter Press Release:
http://www.exeter.ac.uk/news/newscrop.shtml

The Daily Mail, UK:
http://www.dailymail.co.uk/pages/live/articles/news/news.html?in_article_id=459067&in_page_id=1770

Da redação da EcoAgência, com informações da ASPTA – Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa.
E-mail: livredetransgenicos@aspta.org.br
Ilustração: Greenpeace

Fonte: [ EcoAgência ]

Procon recolhe produtos transgênicos para análise

Órgão municipal recolheu 16 produtos derivados de milho e de soja para analisar o conteúdo de organismo geneticamente modificado, conforme o Decreto Federal 4.680

O Núcleo Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) de Londrina realizou ontem (dia 31), o recolhimento de 16 produtos derivados de soja e de milho transgênicos que serão encaminhados para análise técnica. A operação atendeu à solicitação do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor, órgão do Ministério da Saúde, e envolveu Procons em todos os estados brasileiros e vai verificar se os produtos estão dentro dos parâmetros estabelecidos pelo Decreto Federal nº 4.680, de abril de 2003.

De acordo com Flávio Henrique Caetano de Paula, coordenador do Procon de Londrina, foram recolhidos, de um único estabelecimento comercial local, produtos como cereais, chocolate, mistura para bolo, óleo, leite e farinha de milho. “A legislação federal determina que o uso de até 1% de produto transgênico em algum alimento não é necessária a informação na embalagem. Acima desse número, é preciso conter o símbolo que indica que o produto pode conter ingrediente produzido a partir de transgênicos”, destacou.

Ela informou que a análise vai verificar a quantidade de organismos geneticamente modificados do produto e, em caso de confirmação de superioridade do índice de 1%, as empresas terão de pagar multa e o produto será recolhido dos estabelecimentos comerciais. “Não podemos afirmar nada a partir do recolhimento do material. Mas já posso garantir que nenhum produto recolhido continha o triângulo, símbolo indicativo de elementos transgênicos”, disse. Flávio Caetano afirmou que não há prazo para que o Ministério da Justiça informe o resultado do exame.

O Decreto Federal nº 4.680, de 24 de Abril de 2003, que entrou em vigor no final daquele ano, regulamenta o direito à informação quanto aos alimentos e ingredientes alimentares destinados ao consumo humano ou animal que tenham ou sejam produzidos a partir de organismos geneticamente modificados, sem prejuízo do cumprimento das demais normas aplicáveis. O símbolo empregado para representar produto com transgênico é formado por um triângulo eqüilátero, com uma letra T. A letra e as bordas são em preto e o fundo interno amarelo ou branco, quando a embalagem é em preto e branco.

Desde a promulgação do decreto, o Ministério da Justiça realiza esse tipo de operação e, pela primeira vez, no Paraná. No estado, foi escolhida a cidade de Londrina para o recolhimento dos produtos. “Sentimos bastante prestígio pela escolha do Ministério da Justiça para uma tarefa de tamanha responsabilidade. Isso mostra que o Procon Londrina está desempenhando bem o seu trabalho”, apontou Flavio Caetano.

Na opinião dele, é necessário que as empresas estabeleçam com clareza para o consumidor se é usado elemento transgênico. “A legislação brasileira é clara. O consumidor tem o direito de saber como é feito determinado produto. Se os organismos geneticamente modificados não fazem mal então que coloquem as informações com clareza na embalagem”, declarou Flávio Caetano.

Fonte: [ Bem Paraná ]

Uso de transgênicos em produtos tem que ser avisado aos consumidores

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Os estabelecimentos que industrializam e comercializam insumos agrícolas geneticamente modificados têm, a partir desta quarta-feira (30/5), a obrigação de informar o uso de transgênicos aos consumidores. É o que determina a Lei 5.033/07, sancionada pelo governador Sérgio Cabral, e publicada no Diário Oficial do Poder Executivo.

O texto baseia-se no projeto de lei 941/03, de autoria do deputado Édino Fonseca (Prona), que determina três tipos diferentes de avisos:

  • nos produtos (atenção – produto geneticamente modificado – transgênico);
  • bares e restaurantes (atenção – este estabelecimento utiliza insumos agrícolas geneticamente modificados – transgênicos – na elaboração de itens que fornece ou comercializa);
  • indústrias (atenção – este produto contém componentes geneticamente modificados, classificados como transgênicos).

“Os produtos transgênicos têm sido motivo de muitas polêmicas. Esta proposta refere-se, portanto, especificamente ao direito de informação”, afirmou o parlamentar.

O descumprimento da lei acarretará aos estabelecimentos multas que irão variar de 1.000 Ufirs, na primeira ocorrência, a 3.000 Ufirs, em caso de reincidência. A lei já está em vigor, mas os locais que comercializem ou industrializem produtos geneticamente modificados terão um prazo de 60 dias para se adequarem aos dispositivos do documento. “Em alguns países da Europa já existem feiras de alimentos que destinam local específico para produtos que não são geneticamente modificáveis, pois o maior número de produtos é geneticamente modificável”, comentou Fonseca.

Departamento de Comunicação Social da Alerj
Fernanda Pedrosa (diretora)
(21) 2588-1404 / 2588-1627
(21) 9981-5119

Fonte: [ Jornal do Meio Ambiente ]

Transgênicos: CIB defende liberdade de atuação da CTNBio

SAFRAS (14) – A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) voltou hoje a analisar os pedidos para liberação comercial de variedades de milho geneticamente modificado (GM), resistentes a insetos e tolerantes a herbicidas. Diante de novas manifestações contrárias ao desenvolvimento da ciência, o Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB) defende que a entidade governamental tenha liberdade para atuar conforme as ferramentas da legislação brasileira.

Na manhã desta quarta-feira, representantes de uma organização ambientalista internacional divulgaram informações alarmistas sobre o milho GM “É lamentável que esse tipo de ação de cunho ideológico ainda ocorra no Brasil, pressionando negativamente a Comissão”, afirma a Diretora-Executiva do CIB, Alda Lerayer.

“Os membros da CTNBio não estão lá por acaso, pelo contrário, são doutores nomeados por sua preparação técnica e científica e estão amplamente capacitados a exercer suas funções na avaliação de cada evento geneticamente modificado, garantindo, assim, a segurança necessária à sociedade e ao meio ambiente”, enfatiza.

Desta forma, o CIB esclarece que:

1) a coexistência entre variedades convencionais e transgênicas é possível.

O professor Ernesto Paterniani, especialista em genética do milho da Escola Superior de Agronomia Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP) e um dos maiores nomes do agronegócio brasileiro, afirma que os dois tipos de cultivo podem coexistir sem que ocorra polinização cruzada. Basta, segundo ele, utilizar técnicas rotineiramente aplicadas em lavouras com sementes híbridas ou com melhoramento genético convencional.

No caso do isolamento temporal, por exemplo, as plantas são cultivadas de forma que o seu florescimento seja alternado com o da outra lavoura. Isso impede que o pólen da primeira plantação fecunde a segunda. No caso do isolamento espacial, estudos realizados em vários países comprovaram a eficiência do método que estabelece distâncias entre lavouras geneticamente modificadas e convencionais, respeitando fatores como distância da fonte de pólen, direção do vento e sincronização do florescimento das plantas.

2) não é verdade que o milho GM causa prejuízos ao meio ambiente. Pelo contrário, a adoção de variedades transgênicas tem se revelado benéfica ao permitir ao agricultor a redução do uso de defensivos agrícolas, beneficiando também a própria saúde do trabalhador rural. Ao se reduzir a necessidade de aplicação de agentes químicos, uma vez que a planta GM tem capacidade de se defender contra pragas e resistir a herbicidas, reduz-se também a emissão de gás carbônico que seriam emitidos pelos tratores utilizados nas pulverizações.

Segundo o professor Paterniani, que há cinco décadas estuda variedades de milho, pesquisas britânicas comprovaram por meios científicos que, só na Inglaterra, a redução do gás carbônico equivale a retirada de circulação de 5 milhões de automóveis. Ainda segundo o estudo, a redução do uso de agrotóxicos entre 1996 a 2005 foi de 172 milhões de quilos. “É exatamente aquilo que todo ambientalista autêntico deseja”, diz.

Benefícios Econômicos

O milho GM garante benefícios econômicos aos agricultores de pequeno e médio porte. No início de fevereiro, o CIB trouxe ao Brasil o produtor rural espanhol Andrés Delpueyo. Em uma série de palestras aos seus colegas brasileiros, durante o Show Rural, evento de agronegócios realizado entre os dias 5 e 9, em Cascavel (PR), ele contou que cultiva 80% da sua lavoura de 350 hectares com milho GM, há seis anos. Ao comparar o rendimento bruto com a variedade convencional, ele concluiu que a opção transgênica rende R$ 1.980,00/ha, enquanto a outra garante apenas R$ 1.160,00/ha.

A diferença entre as duas alternativas, segundo ele, é conseqüência direta da redução dos custos de produção e da maior qualidade dos grãos, que, por resistirem às pragas, impedem a produção de micotoxinas. Esta característica é o ponto decisivo na escolha do seu principal comprador, a indústria de ração animal. A Espanha cultivou, em 2006, 60 mil hectares de milho GM.

O agricultor francês Claude Menara também veio ao Brasil contar as suas experiências. Ele adotou o milho Bt pela primeira vez em 1998, mas teve de interromper o plantio em razão da moratória aplicada na França de 1999 a 2003.

Em 2005, ele retomou o cultivo de apenas 7 hectares do produto no Programa de Acompanhamento de Culturas em Biotecnologia (PACB), desenvolvido pela Associação dos Produtores de Milho e Sorgo da França e outras instituições de pesquisa locais. Ano passado, ele cultivou 100 hectares. Atualmente, o PACB realiza um monitoramento que avalia os parâmetros estabelecidos para coexistência de variedades GM e convencionais. “A coexistência é possível, pois a zona tampão de 10 metros de distância já permite diminuir para 0,3% a 0,4% de presença adventícia”, afirma Menara. Hoje a França planta cerca de 1.700 hectares de milho GM.

Variedades de milho transgênico em aprovação na CTNBio já são cultivadas e consumidas em outros países há muito tempo. Hoje, há milho GM legalmente aprovado em 13 países. De acordo com informações do Serviço Internacional de Aplicações em Agrobiotecnologia (ISAAA), somente em 2006 foram cultivados 25,2 milhões de hectares de milho GM no mundo.

Até hoje, não foi identificado nos produtos aprovados dano algum à saúde humana, animal ou ao meio ambiente. Esses produtos só chegaram ao campo e à mesa dos consumidores após diversas e rigorosas avaliações científicas definidas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) que comprovaram a sua segurança ambiental e alimentar para humanos e ração animal. Levantamentos do estudo “Benefícios econômicos e ambientais da biotecnologia no Brasil”, encomendado pelo CIB e desenvolvido pela consultoria Céleres, indicam que os agricultores brasileiros deixarão de acumular US$ 6,9 bilhões na próxima década, caso o milho GM continue travado.

No final do ano passado, com o intuito de reforçar o embasamento técnico e científico necessário à avaliação e à aprovação dos produtos geneticamente modificados no País, o CIB protocolou, na secretaria da CTNBio, em Brasília, dezenas de estudos internacionais e teses brasileiras de doutorado sobre a segurança do milho GM. Os documentos podem ser acessados pelo site http://www.cib.org.br/ctnbio.php.

Sobre o CIB

O CIB Conselho de Informações Sobre Biotecnologia é uma organização não-governamental, cujo objetivo básico é divulgar informações técnico-científicas sobre biotecnologia e seus benefícios, aumentando a familiaridade de todos os setores da sociedade com o tema. Para estabelecer-se como fonte segura de informações para jornalistas, pesquisadores, empresas e instituições interessadas em biotecnologia, o CIB dispõe de um grupo de conselheiros formado por 75 especialistas cientistas e profissionais liberais, em sua maioria ligados a instituições que estudam as diferentes áreas dessa ciência e têm como missão esclarecer para o público em geral as principais questões relacionadas ao tema. As informações partem da Assessoria de Imprensa do CIB.

(CBL)

+ infomações:

Brasil: grupo de estudos de transgênicos elogia resistência à liberação do milho modificado

O coordenador do Grupo de Estudos de Transgênicos do Governo do Paraná, Álvaro Rychuv, parabenizou a procuradora representante do Ministério Público Federal na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), Maria Soares Cordioli, pelo seu questionamento em relação ao parecer favorável à liberação comercial do milho transgênico, na semana passada

Para Cordioli não está claro se a sessão de votação cumpriu o artigo 34 da Lei de Biossegurança, que obriga a consideração de dados discutidos em audiência pública antes de qualquer aprovação.

“Nós apoiamos a posição da procuradora e qualquer ação que obedeça ao princípio da precaução, já estabelecido em protocolos internacionais”, disse Rychuv ao lembrar o Protocolo de Cartagena. Firmado no âmbito da Convenção sobre Diversidade Biológica da Organização das Nações Unidas (ONU), o protocolo é o primeiro acordo para assegurar um nível adequado de proteção na manipulação e no uso seguro dos organismos vivos modificados (OGM), através da biotecnologia.

Para Rychuv, a primeira aprovação de um OGM após a entrada em vigor da Lei de Biossegurança de 2005 foi, nessas circunstâncias, um péssimo começo. O parecer da comissão depende ainda da aprovação da Comissão Nacional de Biotecnologia para que seja liberado o comércio do milho transgênico.

Em ofício enviado à procuradora, o coordenador destacou o decreto de 2006, que cria grupo de trabalho para cumprimento da legislação relacionada a organismos geneticamente modificados, sobretudo à correta rotulagem que protege o direito de escolha do consumidor entre esta variedade e a convencional.

“Nós consideramos estranho que dados discutidos em audiência pública sejam ignorados ou que exista resistência, até pelos defensores dos transgênicos, à identificação de alimentos que contenham OGMs. Se aqueles que defendem a liberação destacam tantos benefícios [dos transgênicos], porque não identificá-los? E, afinal, a quem interessa essa pressa na liberação comercial?”, indagou.

Segundo o coordenador, a liberação de qualquer OGM sem o estabelecimento de critérios de identificação fere também o Código de Defesa do Consumidor, que garante ao cidadão o direito de acesso às informações sobre aquilo que consome.

Fonte: [ AEN ]

Cientistas russos apontam efeitos nocivos dos transgênicos na saúde humana

A soja transgénica neles utilizada produziu mutilações sérias nos órgãos internos dos ratos e na arquitetura celular e histológica

“Os resultados das nossas pesquisas sobre a influência dos organismos geneticamente modificados (OGM) nos organismos vivos tornam duvidosa a sua inocuidade”, afirmou Alaxander Baranov, presidente da Associação Nacional para a Segurança Genética, numa conferência de imprensa no Centro REGNUM em Moscovo.

“Isto deve tornar-se motivo para uma reflexão séria nas instituições oficiais governamentais”, disse ainda Baranov. Membros desta Associação apresentaram resultados da pesquisa conduzida na Universidade Agrícola de Vavilov (Saratov). A pesquisa registrou desvios patológicos nos animais que comeram OGM.

A biotecnóloga Maria Konovalova, que conduziu pessoalmente os testes, disse que a soja transgénica neles utilizada produziu mutilações sérias nos órgãos internos dos ratos (fígado, rins e testículos) e na arquitetura celular e histológica. Além disso também influenciou o número de nascimentos por ninhada, alterou a taxa de mortalidade dos descendentes, e ainda resultou num aumento da agressividade e perda do instinto maternal.

Alexander Baranov acrescentou que tinha sido enviada uma carta aberta a Gennady Onishchenko, responsável máximo pela Inspecção Sanitária Russa, salientando a necessidade de uma moratória tanto à utilização dos OGM já autorizados na Rússia como à aprovação de novos OGM até que a sua influência no organismo humano esteja completamente estudada.

Baranov aponta que neste momento se atingiu uma situação terrível “Alimentamos as nossas crianças com alimentos cuja segurança ninguém pode garantir”. E ainda “Não andamos à procura de um culpado. Na nossa carta a Gennady Onishchenko propomos algumas medidas para uma rápida resolução do problema”.

Como anteriormente noticiado via Regnum, em Outubro de 2005 a investigadora russa Irina Ermakova tornou públicos os resultados de experiências onde se mostrava que a soja transgénica afecta a descendência.

Fonte: [ Agência Estadual de Notícias ]

Cientistas criam nova geração de plantas transgénicas

Investigadores norte-americanos estão a desenvolver a próxima geração de plantas transgénicas, através da manipulação genética, resistentes a um novo herbicida, refere a revista cientifica “Nature”.

A descoberta não é totalmente nova – já existem campos de cultivo resistentes ao herbicida glifosfato. A diferença reside na capacidade destas novas plantas resistirem ao dicamba, um dos herbicidas mais usado pelos agricultores.

A equipa de investigadores da Universidade do Nebrasca, nos Estados Unidos, criou os primeiros tomates e rebentos de soja transgénicos, que toleram o dicamba, um herbicida, usado há mais de 40 anos na agricultura, que mata as ervas daninhas mais resistentes.

Esta inovação poderá ser uma alternativa às áreas de cultivo onde também as ervas indesejáveis se tornaram resistentes ao glifosfato.

O estudo, publicado na revista científica “Science”, baseou-se na manipulação do gene da Pseudomonas maltophilia, bactéria com a capacidade de resistir ao dicamba.

Os cientistas inseriram este gene no tabaco, na soja, nos tomates e na planta herbácea, Arabidopsis thalia. Em todos os casos as plantas tornaram-se resistentes ao dicamba, refere a “Nature”.

A Monsanto, empresa norte-americana pioneira na área da biotecnologia, que lidera a produção de milho geneticamente modificado resistente ao herbicida glifosfato, já detém a licença de produção desta nova tecnologia.

Nos Estados Unidos 90 por cento dos campos de soja e 60 por cento dos campos de algodão são transgénicos, com a capacidade de resistirem ao glifosfato.

A empresa espera produzir e comercializar rebentos de soja, resistentes ao herbicida dicamba, no prazo de três a sete anos.

Fonte: [ PUBLICO.PT ]