Transgênicos: CIB defende liberdade de atuação da CTNBio

SAFRAS (14) – A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) voltou hoje a analisar os pedidos para liberação comercial de variedades de milho geneticamente modificado (GM), resistentes a insetos e tolerantes a herbicidas. Diante de novas manifestações contrárias ao desenvolvimento da ciência, o Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB) defende que a entidade governamental tenha liberdade para atuar conforme as ferramentas da legislação brasileira.

Na manhã desta quarta-feira, representantes de uma organização ambientalista internacional divulgaram informações alarmistas sobre o milho GM “É lamentável que esse tipo de ação de cunho ideológico ainda ocorra no Brasil, pressionando negativamente a Comissão”, afirma a Diretora-Executiva do CIB, Alda Lerayer.

“Os membros da CTNBio não estão lá por acaso, pelo contrário, são doutores nomeados por sua preparação técnica e científica e estão amplamente capacitados a exercer suas funções na avaliação de cada evento geneticamente modificado, garantindo, assim, a segurança necessária à sociedade e ao meio ambiente”, enfatiza.

Desta forma, o CIB esclarece que:

1) a coexistência entre variedades convencionais e transgênicas é possível.

O professor Ernesto Paterniani, especialista em genética do milho da Escola Superior de Agronomia Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP) e um dos maiores nomes do agronegócio brasileiro, afirma que os dois tipos de cultivo podem coexistir sem que ocorra polinização cruzada. Basta, segundo ele, utilizar técnicas rotineiramente aplicadas em lavouras com sementes híbridas ou com melhoramento genético convencional.

No caso do isolamento temporal, por exemplo, as plantas são cultivadas de forma que o seu florescimento seja alternado com o da outra lavoura. Isso impede que o pólen da primeira plantação fecunde a segunda. No caso do isolamento espacial, estudos realizados em vários países comprovaram a eficiência do método que estabelece distâncias entre lavouras geneticamente modificadas e convencionais, respeitando fatores como distância da fonte de pólen, direção do vento e sincronização do florescimento das plantas.

2) não é verdade que o milho GM causa prejuízos ao meio ambiente. Pelo contrário, a adoção de variedades transgênicas tem se revelado benéfica ao permitir ao agricultor a redução do uso de defensivos agrícolas, beneficiando também a própria saúde do trabalhador rural. Ao se reduzir a necessidade de aplicação de agentes químicos, uma vez que a planta GM tem capacidade de se defender contra pragas e resistir a herbicidas, reduz-se também a emissão de gás carbônico que seriam emitidos pelos tratores utilizados nas pulverizações.

Segundo o professor Paterniani, que há cinco décadas estuda variedades de milho, pesquisas britânicas comprovaram por meios científicos que, só na Inglaterra, a redução do gás carbônico equivale a retirada de circulação de 5 milhões de automóveis. Ainda segundo o estudo, a redução do uso de agrotóxicos entre 1996 a 2005 foi de 172 milhões de quilos. “É exatamente aquilo que todo ambientalista autêntico deseja”, diz.

Benefícios Econômicos

O milho GM garante benefícios econômicos aos agricultores de pequeno e médio porte. No início de fevereiro, o CIB trouxe ao Brasil o produtor rural espanhol Andrés Delpueyo. Em uma série de palestras aos seus colegas brasileiros, durante o Show Rural, evento de agronegócios realizado entre os dias 5 e 9, em Cascavel (PR), ele contou que cultiva 80% da sua lavoura de 350 hectares com milho GM, há seis anos. Ao comparar o rendimento bruto com a variedade convencional, ele concluiu que a opção transgênica rende R$ 1.980,00/ha, enquanto a outra garante apenas R$ 1.160,00/ha.

A diferença entre as duas alternativas, segundo ele, é conseqüência direta da redução dos custos de produção e da maior qualidade dos grãos, que, por resistirem às pragas, impedem a produção de micotoxinas. Esta característica é o ponto decisivo na escolha do seu principal comprador, a indústria de ração animal. A Espanha cultivou, em 2006, 60 mil hectares de milho GM.

O agricultor francês Claude Menara também veio ao Brasil contar as suas experiências. Ele adotou o milho Bt pela primeira vez em 1998, mas teve de interromper o plantio em razão da moratória aplicada na França de 1999 a 2003.

Em 2005, ele retomou o cultivo de apenas 7 hectares do produto no Programa de Acompanhamento de Culturas em Biotecnologia (PACB), desenvolvido pela Associação dos Produtores de Milho e Sorgo da França e outras instituições de pesquisa locais. Ano passado, ele cultivou 100 hectares. Atualmente, o PACB realiza um monitoramento que avalia os parâmetros estabelecidos para coexistência de variedades GM e convencionais. “A coexistência é possível, pois a zona tampão de 10 metros de distância já permite diminuir para 0,3% a 0,4% de presença adventícia”, afirma Menara. Hoje a França planta cerca de 1.700 hectares de milho GM.

Variedades de milho transgênico em aprovação na CTNBio já são cultivadas e consumidas em outros países há muito tempo. Hoje, há milho GM legalmente aprovado em 13 países. De acordo com informações do Serviço Internacional de Aplicações em Agrobiotecnologia (ISAAA), somente em 2006 foram cultivados 25,2 milhões de hectares de milho GM no mundo.

Até hoje, não foi identificado nos produtos aprovados dano algum à saúde humana, animal ou ao meio ambiente. Esses produtos só chegaram ao campo e à mesa dos consumidores após diversas e rigorosas avaliações científicas definidas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) que comprovaram a sua segurança ambiental e alimentar para humanos e ração animal. Levantamentos do estudo “Benefícios econômicos e ambientais da biotecnologia no Brasil”, encomendado pelo CIB e desenvolvido pela consultoria Céleres, indicam que os agricultores brasileiros deixarão de acumular US$ 6,9 bilhões na próxima década, caso o milho GM continue travado.

No final do ano passado, com o intuito de reforçar o embasamento técnico e científico necessário à avaliação e à aprovação dos produtos geneticamente modificados no País, o CIB protocolou, na secretaria da CTNBio, em Brasília, dezenas de estudos internacionais e teses brasileiras de doutorado sobre a segurança do milho GM. Os documentos podem ser acessados pelo site http://www.cib.org.br/ctnbio.php.

Sobre o CIB

O CIB Conselho de Informações Sobre Biotecnologia é uma organização não-governamental, cujo objetivo básico é divulgar informações técnico-científicas sobre biotecnologia e seus benefícios, aumentando a familiaridade de todos os setores da sociedade com o tema. Para estabelecer-se como fonte segura de informações para jornalistas, pesquisadores, empresas e instituições interessadas em biotecnologia, o CIB dispõe de um grupo de conselheiros formado por 75 especialistas cientistas e profissionais liberais, em sua maioria ligados a instituições que estudam as diferentes áreas dessa ciência e têm como missão esclarecer para o público em geral as principais questões relacionadas ao tema. As informações partem da Assessoria de Imprensa do CIB.

(CBL)

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Autor: Anderson Porto

Desenvolvedor do projeto Tudo Sobre Plantas

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