por Maria Thereza Lemos de Arruda Camargo
(Palestra proferida no Centro de Estudos do Instituto Fernandes Figueira – Rio de Janeiro – 30/9/2004)
Antes de tratarmos das plantas psicoativas, propriamente ditas, faremos algumas digressões, as quais nos ajudarão a melhor entender e explicar o papel desta categoria de plantas em rituais religiosos voltados para curas de doenças.
Primeiramente, devemos nos deter naquilo a que chamamos de espiritualidade Confere-se a essa expressão humana, seu caráter de intangibilidade. Na medida em que não se pode dar uma explicação concreta relativa a esse estado de espírito, por tratar-se de um bem imaterial, a mente humana vagueia por um universo sacralizado que ela crê existir, herança cultural de seu grupo familiar e social, para nele buscar os significados da vida, e dar-lhe, então, sentido.
Paralelamente, nos deparamos com a religiosidade que, embora congênere em alguns aspectos, difere da espiritualidade, visto que a primeira permite ao homem disciplinar suas idéias sobre o intangível universo de seus pensamentos voltados ao sagrado, obedecendo a doutrinas e regras elaboradas por sistemas de crença que congregam adeptos para, unidos pelos mesmos princípios, desempenharem, também, um papel social.
Os ambientes mais propícios para o emprego de plantas psicoativas capazes de proporcionar estados alterados de consciência em seus usuários, estão nos sistemas de crença, onde a espiritualidade e religiosidade são desenvolvidas, somadas à crença nos poderes da mediunidade, a qual permite aos humanos a comunicação com o sobrenatural.
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