Chicória e Tanchagem: como o intervalo de corte afeta produção e qualidade nos Andes
Cortar na hora errada pode destruir o valor nutritivo da sua forragem.
O intervalo entre cortes define a qualidade e a produtividade de chicória e tanchagem nos Andes.
Em 3 pontos
- Intervalos de corte alteram altura, tamanho de folhas e produção de biomassa.
- Cortes mais frequentes aumentam proteína bruta e digestibilidade das forrageiras.
- Cortes mais espaçados elevam a produção de matéria seca, mas reduzem o valor nutricional.
Pesquisadores avaliaram como diferentes intervalos de corte influenciam características morfológicas, produtividade e valor nutricional de chicória e tanchagem cultivadas nos Andes peruanos. O estudo mediu altura das plantas, dimensões de folhas, produção de matéria fresca e seca, além de proteína bruta, fibras e digestibilidade dos alimentos. Essas plantas forrageiras são fundamentais para a sustentabilidade dos sistemas agrícolas locais em regiões de altitude. Os resultados ajudam produtores a otimizar o manejo de corte, melhorando a qualidade nutricional do alimento para animais e aumentando a resiliência das propriedades frente às mudanças climáticas constantes que afetam os Andes.
🧭 O que isso muda para você
- Ajuste o intervalo de corte para 30-40 dias para maximizar proteína em dietas de ruminantes.
- Use cortes mais longos (60 dias) para produção de feno ou silagem com maior volume de fibra.
- Combine chicória e tanchagem em pastagens mistas para equilibrar oferta de nutrientes ao longo do ano.
- Monitore a altura das plantas (20-30 cm) como indicador prático do momento ideal de corte.
Contexto e Relevância
A chicória (*Cichorium intybus*) e a tanchagem (*Plantago lanceolata*) são forrageiras perenes de alto valor nutritivo, amplamente utilizadas em sistemas pastoris de regiões temperadas e de altitude. Nos Andes peruanos, essas espécies ganham destaque por sua adaptação a solos pobres e climas frios, oferecendo alternativa sustentável para alimentação animal em áreas onde gramíneas convencionais têm baixo desempenho. O manejo do corte é um dos fatores críticos que determinam tanto a produtividade quanto a qualidade da forragem, influenciando diretamente a rentabilidade e a resiliência das propriedades rurais.
Mecanismos e Descobertas
O estudo avaliou intervalos de corte de 30, 45 e 60 dias em cultivos experimentais nos Andes peruanos. Foram medidas características morfológicas (altura, comprimento e largura de folhas), produtividade (matéria fresca e seca) e parâmetros nutricionais (proteína bruta, fibra em detergente neutro e ácido, digestibilidade *in vitro*). Os resultados mostraram que intervalos mais curtos (30 dias) produzem folhas menores e mais tenras, com maior teor de proteína bruta (até 22% em chicória) e digestibilidade (acima de 80%). Já intervalos de 60 dias resultam em maior acúmulo de biomassa seca (até 4 t/ha/corte), porém com aumento de fibras e redução de proteína, tornando a forragem menos palatável e nutritiva. A tanchagem apresentou comportamento similar, mas com menor variação de qualidade entre os tratamentos.
Implicações Práticas
• Agricultura: produtores podem ajustar o intervalo de corte conforme o objetivo – pastoreio direto (cortes frequentes) ou produção de feno/silagem (cortes espaçados).
• Meio ambiente: o manejo adequado reduz a necessidade de fertilizantes nitrogenados, já que a alta proteína das forrageiras melhora a eficiência alimentar.
• Saúde animal: dietas com maior digestibilidade diminuem emissões de metano entérico e melhoram ganho de peso em ovinos e bovinos.
• Ecossistemas: sistemas baseados em chicória e tanchagem aumentam a biodiversidade funcional das pastagens e a resiliência a estresses hídricos e térmicos.
Aplicação no Brasil e Trópicos
No Brasil, especialmente na região Sul (Campos de Cima da Serra, Planalto Catarinense) e em áreas de altitude da Região Sudeste (Serra da Mantiqueira), a chicória e a tanchagem já são usadas em pastagens de inverno. Os resultados do estudo andino podem ser diretamente transferidos para essas regiões, onde o manejo de corte ainda é empírico. A adoção de intervalos baseados em dados científicos pode aumentar a produtividade animal e reduzir custos com suplementação.
Próximos Passos
Pesquisas futuras devem investigar a interação entre intervalos de corte e adubação nitrogenada, bem como o efeito de diferentes altitudes (2.500-4.000 m) na resposta das forrageiras. Estudos de longa duração (>3 anos) são necessários para avaliar a persistência das espécies sob cortes frequentes. No Brasil, recomenda-se a validação dos intervalos em sistemas integrados lavoura-pecuária-floresta (ILPF) e a inclusão de análise econômica para subsidiar decisões de manejo.