Frei Betto critica programa de biocombustíveis

Uma das idéias mais caras ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o projeto de biocombustíveis, é o mais novo alvo do Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea). Com sede no Planalto e usando um e-mail ‘planalto.gov.br’, o Consea distribuiu, ontem, para os correspondentes, um artigo de Frei Betto, que foi assessor especial da Presidência e um dos conselheiros, chamando o programa de “necrocombustíveis” – necro é o prefixo de origem grega para morte.

O artigo de Frei Betto não foi nem mesmo escrito para o Conselho ou para avaliação de seus integrantes. Foi publicado na sexta-feira, 20, pela Agência de Notícias da América Latina e Caribe. A assessoria do Consea o distribuiu por considerar que trata de tema que pode ser analisado pelos conselheiros.

O texto é duro com a política de biocombustíveis. Frei Betto usa os argumentos dos presidentes de Cuba, Fidel Castro, e da Venezuela, Hugo Chávez, que acusam os interessados de transferir para combustíveis a produção de comida. “Vamos alimentar carros e desnutrir pessoas. Há 800 milhões de veículos automotores no mundo. O mesmo número de pessoas sobrevive em desnutrição crônica.

O entusiasmo de Bush e Lula pelo etanol faz com que usineiros alagoanos e paulistas disputem cada pedaço de terra do Triângulo Mineiro”. Frei Betto foi assessor especial de Lula até dezembro de 2004. Saiu dizendo que não tinha vocação para o serviço público. (das agências)

Fonte: [ O Povo ]

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N.E.: Sabemos, por diversas pesquisas recentes, que o problema de falta de alimentos está, evidencialmente, em dois fatores principais: distribuição e desperdício. Devemos nós acreditar que faltará terra e água para plantar? Ou tudo não passa de uma jogada mercadológica, para aumentar os preços dos combustíveis?

Petrobrás recebe adesões na produção de biocombustíveis

As empresas Toyota Tsusho, Odebrechet e Queiroz Galvão assinaram nesta sexta-feira (20), na sede da Petrobras, documento de adesão ao Memorando de Entendimento firmado pela empresa no mês passado. O objetivo do documento é avaliar o potencial de produção de biocombustíveis bioetanol, biodiesel e bioeletricidade na região denominada Canal do Sertão Pernambucano, situada nos estados da Bahia e Pernambuco.

A adesão das empresas deve trazer benefícios do crescente mercado internacional dos biocombustíveis para a região do semi-árido brasileiro, com ganhos sociais, econômicos e ambientais.

O memorando foi assinado no dia 8 de junho de 2007, objetivando avaliar o potencial de produção de bioetanol, biodiesel e bioeletricidade, a partir da cana-de-açúcar e oleaginosas diversas, naquela área do nordeste.

O Canal do Sertão Pernambucano é uma região lque abrange 16 municípios do Estado de Pernambuco, entre os quais Petrolina, Ouricuri, Trindade, Araripina, além do Município de Casa Nova, no Estado da Bahia.

Os estudos contemplarão a produção de biocombustíveis, como o etanol a partir da cana-de-açúcar e o biodiesel a partir de pinhão manso, mamona e dendê, utilizando a irrigação como principal fonte de fornecimento de água para a garantia de produção dos biocombustíveis, evitando a sazonalidade climática que se tem em outras regiões do país.

Será avaliada, também, a melhor logística de escoamento da futura produção, para atender, de forma segura e competitiva, tanto o mercado japonês como os demais mercados potenciais em outras partes do mundo.

Fonte: [ DM Online ]

1º Seminário Científico, Industrial e Político sobre Biocombustíveis

Agência FAPESP – A primeira edição do Seminário Científico, Industrial e Político sobre Biocombustíveis ocorrerá nos dias 1º e 2 de setembro, em Jaboticabal, interior de São Paulo, com o tema “Visões conjuntas, desenvolvimento sustentável”.

Segundo os organizadores, o objetivo do encontro é permitir a veiculação de pesquisas, idéias e opiniões para o desenvolvimento dos biocombustíveis no país.

A promoção é da Universidade Estadual Paulista, da Fundação de Apoio a Pesquisa, Ensino e Extensão e do Instituto Brasileiro de Apoio às Pesquisas Ambientais.

“Probiodiesel: Programa energético ou social?”, “Tecnologias para produção de diesel de fontes renováveis”, “Perspectivas da agroenergia no século 21” e “Caracterização e controle da qualidade do biodiesel” serão alguns dos assuntos em pauta.

Mais informações: www.funep.fcav.unesp.br/eventos

Fonte: [ Agência FAPESP ]

Governo da China anuncia proibição do etanol de milho

Marina Wentzel
de Hong Kong

A China anunciou nesta terça-feira que vai parar de produzir etanol à base de milho. Raízes como a batata doce, mandioca e sorgo substituirão o grão.

[img:20070717105904070717corn203.jpg,full,alinhar_esq_caixa]As usinas produtoras do combustível terão um prazo de cinco anos para se adaptar.

A decisão de banir o etanol de milho foi tomada há poucas semanas, porque o uso do grão na produção do combustível fez a demanda e o preço do milho aumentar muito.

Apesar das safras recordes, o preço do milho sobe. Em 2006, o valor médio do quilo de milho cultivado na China chegou a 1,2 yuan (R$ 0,30), um aumento de 3% em relação ao ano anterior.

O milho ainda é a principal matéria prima do etanol. Até recentemente, 100% da produção o etanol vinha sendo feita de milho, segundo a agência de notícias estatal Xinhua. Mas a província central de Henan já mudou 20% da sua produção para mandioca.

Por ter uma capacidade agrícola limitada e uma grande população, de 1,3 bilhão de pessoas, a China optou por dar prioridade ao uso do milho para a produção de alimentos.

Xiong Bilin, vice-diretor da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (CNDR), disse à imprensa estatal que a mudança de matéria prima na fabricação do álcool não vai ser cara nem complicada.

Atualmente, a China é o terceiro maior produtor mundial de etanol, atrás apenas do Brasil e dos Estados Unidos.

Mais etanol

A China quer dobrar a sua capacidade de processar etanol dentro dos próximos três anos. O país espera pular de 1 milhão de toneladas para 2 milhões de toneladas ao ano até 2010.

“Atingir nossa meta para 2010 não vai ser um problema”, acredita Xiong.

Segundo agências internacionais, a meta de dois milhões de toneladas foi revisada. Originalmente, a China ambicionava chegar a produzir 5 milhões de toneladas.

Xiong ressaltou que ainda assim o país está determinado a diminuir o consumo de combustíveis fósseis para economizar energia e combater o aquecimento global.

Em nove províncias a gasolina e o óleo diesel já são vendidos com uma mistura de 10% de álcool. No ano passado, esse consumo correspondeu a 1,3 milhões de toneladas de etanol.

“O país vai gradualmente substituir petróleo por etanol como principal combustível de sua indústria química”, explicou Xiong.

O governo está considerando oferecer 5% de reembolso fiscal para os produtores de etanol. Além de dar mais de mil yuans (R$ 250) em subsídios por tonelada processada.

De acordo com o jornal China Daily, a demanda anual de combustíveis da China é de mais de 50 milhões de litros. A maior parte dela ainda é suprida pelo petróleo.

Fonte: [ BBCBrasil.com ]

Uso do etanol não prejudica alimentos, diz EUA

O uso mais intensivo do etanol não vai prejudicar a produção de alimentos nem levar à destruição da Amazônia. A avaliação foi feita ontem por representantes do governo norte-americano.

Ela está em sintonia com a pregação que vem sendo feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em foros internacionais onde os biocombustíveis já começam a enfrentar resistências.

Para o diretor do Laboratório Nacional de Energia Renovável do Departamento de Energia dos EUA, Dan Arvizu, há no mundo inteiro uma visão errônea de que os biocombustíveis são uma ameaça à Amazônia. “Não acredito nisso”, afirmou. Gregory Manuel, assessor especial do secretário de Estado dos EUA, foi mais enfático, ao explicar que o clima não favorece o cultivo de cana na região: “A economia não recomenda a produção do etanol na Amazônia e ponto final.” Eles também trataram de minimizar o risco de o cultivo e a crescente demanda por etanol levar a uma redução na produção mundial de alimentos.

O diretor da área de Energia Renovável do Departamento de Energia, Brad Barton, afirmou que os esforços dos EUA estão concentrados em produzir etanol a partir de não-alimentos. A prioridade é extrair o álcool da celulose, que pode ser obtida de todas as partes da planta do milho exceto os grãos. O etanol de celulose, chamado de segunda geração, deverá ser produzido também no Brasil, a partir do bagaço da cana.

A pesquisa conjunta para a o etanol de segunda geração é uma das possibilidades que está em análise nos dois países. Brasil e Estados Unidos, que juntos produzem 74% de todo o etanol do mundo, assinaram no início deste ano um memorando de entendimentos que prevê a cooperação em diversas áreas, entre elas a de pesquisa.

Outro trabalho que já vem sendo feito em conjunto é a criação de normas internacionais para a classificação dos biocombustíveis, uma medida que facilitará o comércio internacional do produto e seu uso pela indústria automobilística. Segundo Gregory Manuel, a iniciativa caminha rápido. “Estamos em sexta marcha”, afirmou.

Inovação A liderança do Brasil nos biocombustíveis foi destaque da 1ª reunião de cúpula Brasil-EUA sobre inovação, uma iniciativa do Movimento Brasil Competitivo (MBC) e do Comitê de Competitividade dos EUA (CoC). Os participantes divulgam hoje um documento conjunto intitulado “Chamada à ação”.

Fonte: [ Último Segundo ]

China: Ministro da Agricultura faz alerta contra biocombustíveis

[img:biocombustiveis.jpg,full,alinhar_esq_caixa]O ministro da Agricultura da China, Sun Zhengcai,
fez um alerta contra a produção em larga escala de biocombustíveis, argumentando que poderiam levar a um aumento dos produtos agrícolas e afectar a segurança alimentar do país, informou o jornal Diário do Povo.

Na semana passada, o ministro criticou alguns departamentos do governo e empresas pela falta de coordenação e planeamento para a produção de biocombustíveis, particularmente os produzidos a partir de cereais.

Sun disse que desde o segundo semestre do ano passado a redução na oferta de alguns produtos agrícolas levou a um aumento dos preços dos cereais, óleos vegetais e carnes.

Os preços dos alimentos, que respondem por cerca de um terço do índice de preços ao consumidor, ajudaram a elevar a inflação em maio para a maior alta em 27 meses.

Os preços de suínos na China tiveram uma escalada para um recorde no início deste ano, em parte devido à alta nos preços do milho e a surtos de doenças suínas.

A China enfrenta dificuldades, como a redução na área semeada e fontes de água, para atingir a meta de produção de 500 milhões de toneladas de cereais em 2010, disse Sun.

A produção de cereais em 2006 foi estimada em 497,46 milhões de toneladas, aumento de 2,8 por cento em relação a 2005.

O ministro afirmou que a China deveria elevar o apoio à produção de oleaginosas, incluindo soja, uma vez que o país tem um grande deficit no abastecimento de óleos vegetais.

A China tem que importar toda a sua necessidade de óleo de palma e é o maior importador de soja, tendo o Brasil como o seu principal fornecedor.

Fonte: [ AgroPortal ]

Óleo de cozinha pode virar sabão ou biodiesel

O óleo vegetal de cozinha, um dos produtos mais comuns da cozinha, pode causar sérios danos ao meio ambiente se não for jogado fora de forma correta. Colocá-lo em recipientes bem fechados ou doá-lo para instituições que o destinam para reciclagem pode ser uma boa saída, sugere o engenheiro químico consultor da organização não governamental Vale Verde, Edson Fujita.

“A transformação dele em sabão é algo bastante recomendável. Se as pessoas fizerem isso vai haver uma diminuição significativa desse poluente ao meio ambiente. É um processo simples que exige algum cuidado, porque tem que lidar com produtos químicos. Além do que, existe também a intenção da transformação do óleo de cozinha em biodiesel”.

A cooperativa carioca Disque Óleo, por exemplo, recolhe o produto utilizado por donas de casa e restaurantes para vender para fábricas de sabão e biodiesel.

O coordenador da cooperativa, Lucinaldo Francisco da Silva, o Caio, explicou que o trabalho é feito de forma simples. “A idéia surgiu baseada no fato de preservação ambiental e geração de emprego para pessoas de baixa renda. É um trabalho simples a gente recolhe o óleo em domicílio”.

“Óleo que recebemos passa por um processo de limpeza e reciclagem. Depois ele é enviado para uma fábrica de sabão ou de biodiesel. O que sobra nós enviamos para uma usina de tratamento para voltar ao meio ambiente sem poluir”, acrescenta.

Jogar diretamente no solo é a pior das opções, diz Fujita. “Existe uma dificuldade do óleo ser absorvido pelas plantas, animais ou pelo sistema. Ele forma uma película na água e isso impede a entrada de oxigênio e luz. Com isso, diminui a capacidade dos seres metabolizarem bem esses poluentes”, explica.

Fujita ainda diz que, nos solos, o óleo vegetal pode afetar as plantas. “Ele impede um bom processo do metabolismo das bactérias e outros tipos de microorganismos que fazem a deterioração das substâncias orgânicas que viram nutrientes para o solo. Se o óleo for jogado na terra, ele vai ser consumido pelas plantas como se fosse uma matéria orgânica, como um adubo”.

Jogá-lo pela privada ou no ralo também pode não ser uma boa idéia. “O óleo pode entupir tubulação. Quando se usa soda cáustica para tentar desobstruir, ele saponifica e gera uma série de transtornos”, acrescenta.

Da Agência Brasil

Fonte: [ Pernambuco.com ]

Combustíveis “verdes” na Inglaterra

Texto: José Luiz Vieira

(02-07-07) – Os combustíveis “verdes”, ou biocombustíveis, estão na moda no mundo inteiro – e estão sendo propostos a partir de uma gama sempre maior de plantas. No Reino Unido, eles não apenas reduzem as emissões de carbono, mas o próprio fato de plantar e cuidar dessas plantas cria novos, inesperados e imensos mercados para os donos de terra.

Quase um quarto de todas as emissões de carbono na Inglaterra vem dos meios de transporte terrestre – bicicletas motorizadas, motos, automóveis, caminhões, ônibus, trens e outros veículos motorizados. Comparados aos combustíveis fósseis, os de origem biológica reduzem as emissões totais em cerca de 70%. A queima desses combustíveis também libera dióxido de carbono, mas o cultivo das plantas absorve praticamente a mesma quantidade de gás que está na atmosfera.

A Ford é a montadora que fez o primeiro carro europeu a bioetanol, o Focus Flexi Fuel, FFV. A Somerset Biofuels, de Somerset, no sudoeste da Inglaterra, comprou 40 Focus FFV para funcionar 85% em bioetanol, gerado a partir de grãos processados na primeira fábrica de biocombustíveis do país. Junto com eles estão a Green Spirit Fuels, o conselho do condado de Somerset, a polícia de Avon e Somerset, a agência ambiental local e a supridora de água de Wessex.

Inicialmente, os FFV estão queimando etanol importado da Espanha, mas assim que a fábrica local estiver pronta, passarão a queimar o produto próprio. A planta, que deverá entrar em produção no outono (nosso) de 2008, converterá 340 mil toneladas de grãos por ano em 131 milhões de litros de bioetanol. Uma segunda planta já está planejada para Grimsby, no leste da ilha, utilizará 650 mil toneladas de trigo por ano para gerar 200 mil toneladas de etanol.

O Reino Unido precisará de 10 plantas de produção deste tipo para atender às exigências do governo, que em 2010 espera que pelo menos 5% de todos os combustíveis vendidos no país sejam oriundos de fontes renováveis. Isso significará uma redução de um milhão de toneladas de carbono por ano – o equivalente a tirar das ruas um milhão de automóveis.

Em Norfolk, leste da Inglaterra, onde são produzidos os ótimos Lotus, a British Sugar breve estará produzindo 70 milhões de litros de bioetanol por ano numa fábrica em construção em Wissington. O executivo-chefe da empresa, Mark Carr, garante: “Nossa fábrica de bioetanol será um passo significativo no desenvolvimento de combustíveis renováveis no Reino Unido. Esses combustíveis são uma parte essencial de nosso futuro e do futuro de nossos filhos, que contribuirão com significativos benefícios ao ambiente.”

Já a produção de biodiesel poderá usar semente de colza, que é cultivada em um sem-número de fazendas inglesas. A primeira grande fábrica de biodiesel, a Argent Energy, perto de Motherwell, na Escócia, está produzindo 50 milhões de litros por ano, misturados a 5% no diesel mineral. A empresa faz o biodiesel a partir de sebo e de óleo de cozinha usado – ambos hoje sub-produtos de outras indústrias, e que têm pouquíssimos usos alternativos. A fábrica da Argent pode utilizar também uma variedade de outras matérias primas, tipo óleos virgens de colza.

Jim Walker, vice-chairman da Argent Energy, diz: “À medida que o fluxo de biodiesel continua a crescer, pessoas comuns podem contribuir para a luta contra a mudança climática simplesmente através da escolha que elas fazem no posto de combustível.”

Muitos supermercados britânicos estão liderando a distribuição de biodiesel com seus próprios postos de reabastecimento. A cadeia Tesco, por exemplo, já vende biodiesel em mais de 200 de seus postos – e recentemente passou a abastecer sua frota de caminhões com uma mistura B50.

Com Rob Richley, London Press Service

Fonte: [ WebMotors ]

Opep está apreensiva com avanço dos biocombustíveis

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) revelou em Viena que o aumento dos biocombustíveis e do gás natural, bem como o incremento do número de produtores que não integram a organização, vão afetar a procura de petróleo.

No relatório “Perspectiva mundial do petróleo 2007”, citado pela agência de notícias portuguesa Lusa, a Opep calcula que produzirá 30,2 milhões de barris por dia (bpd) em 2010, ou seja, um volume menor do que os 31,1 milhões de bpd que produzía em 2005. A Opep se mostrou ainda preocupada com fontes de energia denominadas “não convencionais”.

Aparentemente insegura quanto ao futuro da sua quota de mercado, a organização criticou sobretudo os biocombustíveis, que colocam em risco a sustentabilidade ecológica e social. Para os membros da Opep, a utilização generalizada dos biocombustíveis terá efeitos na qualidade do ar em ambientes urbanos, o que ainda não foi devidamente estudado.

As informações são do jornal português Diário Econômico.

Fonte: [ JB Online ]

Biocombustível de frutose, uma doce notícia para os críticos do petróleo

Químicos dos Estados Unidos garantem ter feito um importante avanço no campo dos biocombustíveis: a frutose pode se transformar num combustível líquido com 40% mais energia que o etanol e com menos desvantagens que ele, segundo artigo publicado na edição de quinta-feira da revista científica britânica Nature.

O etanol (álcool etílico) é atualmente o único combustível para automóveis produzido em grandes quantidades a partir da biomassa e as iniciativas se multiplicam para que as economias industrializadas possam, enfim, dizer adeus ao sujo e caro petróleo.

As fontes de biomassa, como o milho, a cana-de-açúcar e outras plantas, são ricas em energia potencial.

Muitas das usinas de etanol aproveitam a biologia, usando enzimas para decompor o amido e a celulose em glicose, a qual é então fermentada por uma levedura comum, a Saccharomyces cerevisiae, para produzir etanol e dióxido de carbono.

Mas o processo leva dois dias e o combustível ainda tem níveis relativamente altos de oxigênio, o que reduz sua densidade energética, faz com que se evapore rapidamente e o torna propenso à contaminação do ar ao absorver a umidade atmosférica.

É necessária, então, a destilação para separar o combustível da água, e este processo exige o uso intensivo de energia.

Engenheiros da Universidade do Wisconsin (norte dos Estados Unidos), acreditam ter encontrado a resposta num processo que resulta em 2,5-dimetilfurano (DMF), o qual gera 40% mais energia que o etanol.

Além disso, não se dissolve na água e é estável quando armazenado.

Com este processo, descrito na revista Nature, as enzimas reorganizam os carboidratos da planta num açúcar altamente oxigenado: a frutose.

O passo seguinte é transformar a frutose num elemento químico intermediário, o hidrometilfurfural (HMF), usando um catalisador ácido e um solvente com um ponto de ebulição baixo. Isto expele três átomos de oxigênio.

Nesta fase final, o HMF se transforma em DMF ao expô-lo a um catalisador de cobre-rutênio que expulsa dois átomos mais e transforma o gás num líquido a temperatura mais baixa, facilitando, portanto, seu uso como combustível geral para transporte.

É preciso que haja mais pesquisas antes que esta tecnologia possa ser comercializada, segundo James Dumesic, um professor de engenharia química e biológica e principal autor do estudo.

“Há alguns desafios que temos que atender, mas este trabalho mostra que podemos produzir um combustível líquido para transporte a partir da biomassa, que tem uma densidade de energia comparável ao petróleo”, disse.

Os biocombustíveis são promovidos como uma alternativa “verde” aos combustíveis de transporte derivados do petróleo e do gás.

Tanto os biocombustíveis quanto os combustíveis fósseis emitem dióxido de carbono (CO2), o principal gás de efeito estufa ao qual se atribui a mudança climática.

O CO2 emitido pelos combustíveis fósseis é extraído da Terra, onde esteve armazenado por milhões de anos, contribuindo assim para a contaminação da atmosfera.

Mas com os biocombustíveis, as plantas capturam CO2 da atmosfera para crescer e ele retorna quando o combustível é utilizado.

O processo é renovável e mais ecologicamente amigável que o dos combustíveis fósseis, mas não completamente limpo. A energia tem que ser usada para a colheita e o processamento da biomassa, e isto faz com que os biocombustíveis sejam positivos com relação ao carbono, mas não neutros.

Outra preocupação crescente com a biomassa é o impacto ambiental dos cultivos, especialmente na Amazônia. Além disso, o ‘boom’ em torno dos biocombustíveis afeta os preços dos alimentos, já que os campos de milho estão sendo destinados à produção do etanol.

ri/gh/mvv

Fonte: [ Último Segundo ]