Novo biocombustível pode desbancar etanol

Químicos americanos dizem ter conseguido um avanço importante na área dos biocombustíveis, transformando um tipo de açúcar de origem vegetal num líquido que tem 40% mais energia se comparado ao mesmo volume de etanol (álcool de cana). Embora o etanol seja o único combustível automotivo produzido em grandes quantidades a partir da biomassa, há outras fontes potencialmente ricas de energia nas plantas.

São as grandes cadeias de átomos chamadas de carboidratos – nas plantas, compostas por seis átomos de carbono e seis de oxigênio. Mas os motores dos carros gostam de versões menos “gordas” dessas moléculas, carregando entre cinco e 15 átomos de carbono e pouco oxigênio. É por isso que o etanol ainda tem níveis relativamente altas de oxigênios, os quais reduzem sua densidade de energia, fazem-no evaporar com facilidade e o tornam vulnerável à contaminação com água, por meio da umidade atmosférica.

Engenheiros da Universidade de Wisconsin em Madison dizem ter conseguido achar um jeito de contornar o problema com um processo que produz o 2,5 dimetilfurano, ou DMF. Quando comparado com o mesmo volume de etanol, ele produz cerca de 40% mais energia, além de não ser solúvel em água e ser mais estável quando armazenado. No processo de produção, relatado na edição desta semana da revista científica “Nature” (www.nature.com), determinadas enzimas (substâncias que aceleram reações químicas orgânicas) reorganizam os carboidratos das plantas numa forma altamente oxigenada de açúcar, a frutose.

Depois, outras substâncias são usadas para “arrancar” os átomos de oxigênio da frutose original, até completar a produção do DMF. Ainda há muito trabalho a ser feito antes que o novo biocombustível seja uma opção comercial viável, mas os pesquisadores dizem acreditar que ele é uma promessa importante para esse tipo de energia no futuro.

Fonte: [ G1 ]

Senador defende que florestas sejam poupadas na produção de biocombustíveis

Dados do IPCC mostram que o desmatamento e as queimadas ilegais são responsáveis, na Amazônia, por 74% das emissões de gases poluentes.

Brasília, DF – O relator da Comissão Mista Especial do Congresso sobre Mudanças Climáticas, senador Renato Casagrande (PSB-ES), afirmou que o governo brasileiro precisa formular leis que impeçam a utilização de florestas na produção de biocombustíveis.

De acordo com o senador, essa é uma preocupação das comunidades internacionais. “Existe uma preocupação mundial de que o plantio de cana de açúcar ou de soja para a produção de biocombustíveis vá destruir áreas de floresta ou aquelas utilizadas para a produção de alimentos. Não, isso vai ocorrer, desde que o governo brasileiro crie formas de controle”.

O assunto foi um dos temas abordados nesta terça-feira (12) durante o seminário Mudanças Climáticas – Impactos para o Brasil, em que o foco das discussões foi o 4º Relatório do Painel Intergovernamental sobre a Mudança Climática (IPCC). Para Casagrande, o Brasil tem um grande potencial de crescimento com a produção de biocombustíveis e precisa saber aproveitar esse bom momento.

O IPCC mostra que os principais problemas do Brasil, hoje, são o desmatamento e as queimadas ilegais, responsáveis, na Amazônia, por 74% das emissões de gases poluentes. Como pontos positivos, o documento destaca o cenário favorável com um programa de biocombustível bem estruturado, a matriz elétrica dependente basicamente de hidroeletricidade e os 4 milhões de hectares de florestas nativas.

Segundo Paulo Artaxo, do Instituto de Física da Universidade de São Paulo e cientista participante do IPCC, o mais importante para o Brasil nesse momento é ampliar os pontos positivos e tomar cuidado com os negativos. Ele ressaltou, no seminário, que “falta ao governo uma política bem integrada envolvendo os municípios, os estados, além das comunidades, das organizações não-governamentais, do setor produtivo associado à questão das queimadas, como a pecuária, a agricultura intensiva os madeireiros”.

E concluiu: “Cabe ao governo agir como mediador nesse conflito”.

Texto de Grazielle Machado, da Agência Brasil.

Fonte: [ EcoAgência ]

Descoberto mecanismo que faz com que as plantas floresçam

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A agricultura mundial tem batido recordes de produção por área graças a diversas técnicas: irrigação, defensivos agrícolas, fertilizantes, rotações de cultura, entre outras, são responsáveis pelo aumento crescente da produtividade agrícola ao longo da história do homem.

Biocombustíveis versus alimentos

Mas a natureza tem seus limites, e mesmo as várias safras colhidas em um mesmo ano não são suficientes para eliminar uma preocupação que ganha corpo à medida em que avança o processo de produção de biocombustíveis: será que o avanço da agricultura voltada à substituição de combustíveis fósseis não representaria um risco para a produção de alimentos?

Agora, cientistas ingleses fizeram uma descoberta que poderá ajudar a minimizar esse risco. Concluindo uma busca científica que já dura mais de 70 anos, a equipe do Dr. Philip Wigge descobriu o sinal que dispara o processo que faz com que as plantas floresçam.

A descoberta revela a operação de um mecanismo vital do funcionamento das plantas, demonstrando como o sinal que controla o nascimento das flores é enviado para a ponta dos galhos.

Produtividade agrícola

Muito além de ser um conhecimento típico da ciência básica, o entendimento desse mecanismo abre a possibilidade de que se manipule a quantidade de vezes que um planta produz flores. O resultado deverá ser um impacto positivo sobre a produtividade das plantações que é até difícil de se calcular.

“A floração produz as frutas, assim como as sementes, que são o ingrediente básico para todos os alimentos à base de cereais,” diz o Dr. Wigge. “Controlar a floração significa que nós temos o entendimento básico necessário para aumentar a produtividade do arroz, do milho, do trigo ou de qualquer outra planta, aumentando o número ciclos de floração em um ano.”

O oposto também é verdadeiro. Quando o objetivo de uma plantação for a produção de biomassa, seja para a produção de biocombustíveis, seja para a geração de massa verde para alimentação humana e animal, bastará inibir a floração.

O próximo passo do trabalho é aprender a manipular a proteína FT (Flowering Locus T), responsável por disparar o sinal que faz surgirem as flores, de forma que o conhecimento agora adquirido possa se transformar em uma tecnologia prática e fácil de ser aplicada em qualquer plantação.

Bibliografia:
FT Protein Acts as a Long-Range Signal in Arabidopsis
Katja E. Jaeger, Philip A. Wigge
Current Biology
31 May 2007
DOI: 10.1016/j.cub.2007.05.008

Fonte: [ Inovação Tecnológica ]

Governo quer 100% de biodiesel para frota de sojicultores

O Ministério de Minas e Energia estuda incluir no Plano Decenal de Energia que deverá ser divulgado em junho, a possibilidade de uso de 100% de biodiesel (B 100) na frota dos produtores de soja, informou hoje o superintendente de Gás e Biocombustíveis da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Gelson Baptista Serva, em apresentação para executivos do setor na Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan).

Segundo ele, projeção realizada pela EPE indica que se todos os produtores de soja substituíssem o diesel fóssil pelo óleo vegetal, seriam necessários 6 bilhões de litros anuais. “É claro que não estamos falando de 100% de caminhões usando esse componente, mas sim uma alternativa para a redução do uso de óleo diesel fóssil, que hoje é importado pelo país”, disse.

Atualmente, apenas a bistura B2, ou seja, 2% de óleo vegetal na fórmula de óleo diesel, é autorizada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) e a previsão é de elevar esta mistura até 5% a partir de 2013. Apesar disso, a mistura B 100 já vem sendo usada clandestinamente por produtores de soja da região Centro-Oeste. “Apesar do preço do óleo de soja estar alto, acaba compensando para o produtor o seu uso nos caminhões e máquinas agrícolas, porque o combustível acaba saindo sem impostos e muito mais em conta do que o óleo diesel”, afirmou.

Diesel fóssil

Outra possibilidade estudada pelo governo, disse Serva, é de substituição do diesel fóssil por biodiesel nas usinas termelétricas existentes nos sistemas isolados da região Norte. A idéia, explicou, seria incentivar o cultivo da palma, que é propícia para a região amazônica, utilizando apenas as áreas já desmatadas.

Estimativa feita pela EPE aponta que seriam necessários 1 bilhão de litros de biodiesel para abastecer as térmicas do sistema isolado e o custo do combustível sairia por R$ 2,05 o litro, ante o diesel comprado hoje para abastecer as usinas, que é de R$ 2,08. “É claro que esse diesel é compensado pelo pagamento da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) na conta do consumidor nacional. Esse tipo de subsídio teria que ser reestudado”, disse.

Segundo ele, apesar de haver críticas à utilização da área desmatada na Amazônia para essa finalidade, o número de hectares seria mínimo. Segundo cálculos da EPE hoje existem 50 milhões de hectares desmatados possíveis de serem ocupados pelo cultivo, mas para abastecer todo o sistema isolado de geração de energia elétrica da região Norte seriam necessários apenas 200 mil hectares.

“Apenas para se ter uma idéia, mesmo que utilizássemos B100 em toda a frota nacional, poderíamos ocupar com a palma, que tem produtividade acima das outras oleaginosas, um total de 7,35 milhões de hectares dessa floresta”, considerou. (Agencia Estado)

Fonte: [ A Tarde Online ]

Países da OECD não se entusiasmam com Etanol

Nem todas as maneiras de produzir etanol favorecem a preservação do meio ambiente

Folha de S. Paulo/Cenbio

A AIE (Agência Internacional de Energia) não compartilha o entusiasmo do presidente Lula pelo etanol como fonte do que o brasileiro já chamou de “revolução” mundial.

“Cada maneira de produzir etanol tem que ser avaliada”, diz cauteloso Claude Mandil, diretor-executivo da organização, braço para energia da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico, mais conhecida como o clube dos países ricos).

Para Odd Roger Enoksen, ministro norueguês de Petróleo e Energia, disseminar os biocombustíveis é “um tema político quente”. “Os biocombustíveis também têm seus problemas”, diz Enoksen.

Explicita-os John Ryan, subsecretário australiano de Recursos, Energia e Indústria: “O primeiro problema é que a capacidade de produzir etanol depende de inovações tecnológicas, por se tratar de uma indústria nascente. E o investimento em inovação pode não ser sustentável no longo prazo”. Segundo problema: “Nem todas as maneiras de produzir etanol favorecem a preservação do meio ambiente”.

Com maior ou menor entusiasmo pelo etanol, a AIE, que teve reunião nesta semana em Paris, reconhece que no curto ou médio prazo o cenário energético global é insustentável.

No curto prazo, “não vemos como o mercado (de energia) possa se equilibrar sem um aumento da produção dos países da OPEP”, diz Mandil, referindo-se à Organização dos Países Exportadores de Petróleo. Estes, por sua vez, já avisaram que não vão aumentar a produção.

No médio prazo, “a demanda por combustível fóssil e a emissão de gases que produzem o efeito estufa seguirão sua presente trilha insustentável até 2030, se não houver ação governamental”, diz o “Panorama Mundial da Energia”, editado pela agência. “Novas tecnologias de biocombustíveis em desenvolvimento hoje, notadamente o etanol celulósico, poderiam levar os biocombustíveis a desempenhar um papel muito maior”, diz a publicação.[1]

O etanol celulósico é produzido a partir de resíduos florestais e agrícolas e de plantações específicas. O chanceler brasileiro, Celso Amorim, observa: “Se não tivesse havido a primeira fase, com a comprovação da eficiência do etanol de cana, não haveria a segunda. De todo modo, não podemos descansar. Temos que nos preparar para essa nova etapa”.

Fonte: SEGS