Urbanismo deve incorporar florestas às cidades, defendem pesquisadores

Cidades não são concreto: podem ser florestas vivas.

Incorporar florestas ao planejamento urbano melhora clima, biodiversidade e qualidade de vida.

Em 3 pontos

  • Pesquisadores defendem que florestas sejam parte do tecido urbano, não apenas áreas isoladas.
  • O conceito de fitópolis propõe cidades projetadas como ecossistemas florestais.
  • Exemplos históricos na Amazônia mostram que essa integração já foi prática em civilizações antigas.
Urbanismo deve incorporar florestas às cidades, defendem pesquisadores

As grandes cidades não podem mais dar as costas para as florestas e devem incorporá-las ao urbanismo atual. Presente em civilizações antigas que habitaram a Amazônia, por exemplo, essa é uma ideia resgatada e defendida por pesquisadores e ativistas, como o escritor italiano Stefano Mancuso, referência internacional nos estudos sobre a inteligência das plantas. Mancuso foi um dos participantes da 3ª edição do Seminário Internacional Transmutar, realizado pelo Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG), no último final de semana. Notícias relacionadas:Desmatamento na Amazônia cai 61,4% em maio de 2026.Governo recorrerá contra mudanças no Código Florestal, diz Capobianco.Soluções do Sul Global são protagonistas do Rio Nature & Climate Week.O escritor e pesquisador apresentou o conceito das fitópol

Ana Cristina Campos - Repórter da Agência Brasil 13 de junho às 14:02

🧭 O que isso muda para você

  • Agricultores urbanos podem cultivar hortas florestais com espécies nativas como açaí e juçara.
  • Pesquisadores podem estudar espécies tropicais como ipê e pau-brasil para arborização viária.
  • Entusiastas de plantas podem participar de projetos de reflorestamento urbano com mudas de árvores frutíferas.
Atualizado em 13/06/2026

Contexto e Relevância

O urbanismo tradicional trata florestas como áreas externas às cidades, mas pesquisadores como o italiano Stefano Mancuso defendem a incorporação ativa de ecossistemas florestais ao tecido urbano. Essa abordagem, chamada de fitópolis, resgata práticas de civilizações antigas que habitaram a Amazônia, onde cidades eram integradas à floresta. O tema foi debatido no 3º Seminário Internacional Transmutar, no Instituto Inhotim (MG), destacando a urgência de repensar o planejamento urbano frente às mudanças climáticas.

Mecanismos e Descobertas

Mancuso, referência em inteligência das plantas, propõe que as cidades sejam projetadas como organismos vivos, com árvores funcionando como infraestrutura verde. As florestas urbanas podem regular temperatura, sequestrar carbono, filtrar poluentes e aumentar a biodiversidade. Espécies como embaúba (Cecropia spp.), ipê-roxo (Handroanthus impetiginosus) e açaí (Euterpe oleracea) são exemplos de plantas adaptadas a ambientes tropicais que podem ser usadas em projetos de arborização. Estudos mostram que a presença de árvores reduz ilhas de calor e melhora a saúde mental dos habitantes.

Implicações Práticas

• Na agricultura: sistemas agroflorestais urbanos podem produzir alimentos como frutas nativas (cupuaçu, bacuri) em praças e quintais.

• No meio ambiente: florestas lineares ao longo de ruas e avenidas criam corredores ecológicos para fauna local.

• Na saúde: áreas verdes reduzem estresse e doenças respiratórias, além de promoverem atividades físicas.

• Nos ecossistemas: a reintrodução de espécies nativas atrai polinizadores (abelhas, aves) e dispersores de sementes.

• No Brasil, regiões tropicais como a Amazônia e a Mata Atlântica oferecem rica biodiversidade para adaptação urbana.

Próximos Passos

Pesquisadores planejam criar modelos de fitópolis adaptados a diferentes biomas brasileiros, testando espécies como jequitibá-rosa (Cariniana legalis) e palmeira-juçara (Euterpe edulis). A integração com políticas públicas, como o novo Código Florestal, pode viabilizar projetos piloto em cidades como Belo Horizonte e Manaus. O objetivo é transformar o conceito em prática replicável, unindo ecologia, arquitetura e engenharia florestal.

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