Seca na Amazônia atingiu 38% das áreas habitadas no último El Niño

Mais de um terço da Amazônia habitada sofreu com a seca extrema de 2024.

O El Niño de 2024 causou seca intensa em 38% das áreas habitadas da Amazônia.

Em 3 pontos

  • O El Niño de 2024 expôs 38% das ocupações humanas da Amazônia à seca severa.
  • O fenômeno alterou a circulação atmosférica e reduziu as chuvas na região.
  • A perda de vegetação nativa aumentou a vulnerabilidade das comunidades ao evento.
Seca na Amazônia atingiu 38% das áreas habitadas no último El Niño

Mais de um terço (38%) das ocupações humanas existentes na Amazônia tiveram alta exposição aos efeitos do El Niño de 2024, segundo um estudo divulgado nesta sexta-feira (4) pelo Mapbiomas. Entre as 5.673 localidades habitadas na região, 2.172 sofreram de forma intensa com o fenômeno. O El Niño se caracteriza pelo aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico Tropical e provoca alteração na circulação atmosférica, tornando os volumes de chuvas irregulares. Na Amazônia, ele causa seca e aumento na temperatura. Notícias relacionadas:ONU prevê El Niño "muito forte" com duração até fevereiro de 2027.Mapbiomas: menor vegetação nativa aumenta exposição do país ao El Niño.Saiba como proteger pesca e aquicultura de efeitos do El Niño.Diante da previsão meteorológica de que o fenônemo será e

Fabíola Sinimbú - repórter da Agência Brasil 4 de setembro às 07:40

🧭 O que isso muda para você

  • Agricultores podem adotar sistemas agroflorestais com espécies nativas resistentes à seca.
  • Pesquisadores podem monitorar áreas de maior risco usando dados do Mapbiomas.
  • Comunidades ribeirinhas podem diversificar fontes de água para mitigar a estiagem.
  • Gestores públicos podem priorizar restauração de vegetação em zonas críticas.
  • Criadores de peixes podem planejar reservatórios para períodos de seca prolongada.
Atualizado em 04/09/2026

Contexto e Relevância

A Amazônia, maior floresta tropical do mundo, desempenha papel vital na regulação climática global e abriga milhões de pessoas. O El Niño de 2024, caracterizado pelo aquecimento anômalo das águas do Pacífico Tropical, provocou seca extrema e aumento de temperatura na região. Segundo o Mapbiomas, 38% das áreas habitadas — cerca de 2.172 de 5.673 localidades — sofreram alta exposição aos efeitos do fenômeno. Esse dado é alarmante, pois revela a vulnerabilidade de populações tradicionais, ribeirinhas e indígenas, além de impactar a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos.

Mecanismos e Descobertas

O El Niño altera a circulação atmosférica, deslocando as chuvas e reduzindo a precipitação na Amazônia. Isso resulta em déficit hídrico, aumento da temperatura e maior frequência de incêndios florestais. O estudo do Mapbiomas destaca que a degradação da vegetação nativa intensifica a exposição ao evento, pois áreas desmatadas têm menor capacidade de retenção de umidade e regulação do microclima. As regiões mais afetadas incluem aquelas com histórico de ocupação e desmatamento, onde a resiliência natural já está comprometida.

Implicações Práticas

As consequências são profundas para a agricultura, a pesca, a saúde e a segurança alimentar. A seca reduz a produtividade de culturas como mandioca, açaí e cacau, e afeta a disponibilidade de água para consumo e irrigação. Comunidades que dependem da pesca enfrentam queda na população de peixes devido à diminuição dos níveis dos rios. Além disso, a exposição prolongada a altas temperaturas pode agravar problemas respiratórios e transmitidos por vetores. A restauração da vegetação nativa emerge como estratégia crucial para aumentar a resiliência, pois ela conserva a umidade, protege o solo e regula o clima local.

Espécies Envolvidas

Espécies como a castanheira (Bertholletia excelsa), o açaí (Euterpe oleracea) e a seringueira (Hevea brasiliensis) são diretamente afetadas pela seca, reduzindo a produção de frutos e látex. A perda de árvores nativas também compromete habitats de polinizadores e dispersores de sementes, essenciais para a regeneração florestal.

Aplicação no Brasil e Trópicos

No Brasil, o monitoramento contínuo do Mapbiomas é ferramenta essencial para identificar áreas vulneráveis e planejar ações de adaptação. Em regiões tropicais, onde eventos extremos tendem a se intensificar, políticas de conservação e uso sustentável da terra são urgentes. O estudo orienta a criação de sistemas de alerta precoce e a implementação de práticas agrícolas resilientes.

Próximos Passos da Pesquisa

Futuras investigações devem focar em modelos preditivos que integrem dados climáticos e de uso da terra, além de avaliar a eficácia de técnicas de restauração em mitigar impactos. Ações comunitárias e políticas públicas precisam ser desenvolvidas em conjunto, garantindo a proteção das populações e a manutenção dos serviços ecossistêmicos diante de cenários climáticos cada vez mais desafiadores.

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