Etnobotânica em uma comunidade ribeirinha do Careiro Castanho, AM, Brasil

Mariane Sousa Chaves, Francisco de Matos Dantas, Luciana dos Santos Fontes, Raquel Sousa Chaves, Valdely Ferreira Kinupp

Resumo

Resumo: o presente trabalho teve como objetivo fazer um levantamento etnobotânico na comunidade ribeirinha de Joarité, município de Careiro Castanho-AM, com o intuito de identificar as espécies utilizadas na medicina popular, o órgão vegetal utilizado, a forma de uso e a finalidade terapêutica. Foi aplicado um questionário semiestruturado aos moradores da comunidade. Identificou-se 36 espécies de plantas, distribuídas em 25 famílias, as mais citadas foram: Lamiaceae 11%, Euphorbiaceae 8% e Rutaceae 8%. O órgão vegetal mais utilizado é a folha, sendo o chá a forma de preparo mais usual. As principais doenças citadas foram: gripe, cólica e diarreia. O estudo mostra que o conhecimento popular com relação ao uso de plantas para fins medicinais é importante, uma vez que os ribeirinhos se apropriam dos recursos vegetais disponíveis em seus quintais, para tratar diversas doenças, pois as plantas são o principal recurso dos moradores no combate as enfermidades.

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Jaborandi Verdadeiro e Falso

por Fabian László

Você sabia que existem duas plantas com o nome de Jaborandi sendo comercializadas e que uma delas, a falsa, não tem nada a ver com os princípios ativos da verdadeira?

Pois é, o mais conhecido Aperta ruão ou falso Jaborandi é uma planta da família das pimentas e vem sido utilizada em shampoos e loções de forma enganosa, pois não possui os efeitos químicos e farmacológicos do verdadeiro Jaborandi.

O Pilocarpus pennatifolius, que é a planta verdadeira, possui uma substância conhecida como Pilocarpina, utilizada pela indústria farmacêutica para problemas de glaucoma e também com efeito comprovado para a queda de cabelo.

Porém, o Piper aduncum não possui esta substância e, se tem algum efeito como tônico capilar, ele ainda não foi comprovado e se ele existir, seria devido a um efeito urtigante e irritativo do couro cabeludo das pessoas (causado pela pimenta), o que poderia, ainda com algumas sombras de dúvidas, estimular o crescimento dos fios capilares.

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Ayahuasca: Uma História Etnofarmacológica

por Dennis J. McKenna, ph.D.

Das inúmeras plantas alucinógenas utilizadas pelas populações indígenas da Bacia Amazônica, talvez nenhuma delas seja tão interessante ou complexa -no sentido botânico, químico ou etnográfico -como a beberagem denominada por muitos ayahuasca, caapi ou yagé. Ela é mais conhecida como ayahuasca, termo da língua quéchua que significa “cipó das almas” e que tanto é aplicado para a beberagem como para uma das plantas básicas utilizadas na sua preparação, ou seja, um cipó malpighiáceo da floresta, cujo nome científico é Banisteriopsis caapi (Schultes, 1957).

No Brasil, a transliteração desta palavra quéchua para o português resultou no termo hoasca. A ayahuasca, ou hoasca, ocupa uma posição central na etnomedicina mestiça, de tal maneira que a natureza química dos seus constituintes ativos e sua forma de uso tornam seu estudo relevante para os temas contemporâneos da neurofarmacologia, da neurofisiologia e da psiquiatria.

O QUE É A AYAHUASCA?

No contexto tradicional, a ayahuasca é uma beberagem preparada através da fervura ou infusão das cascas e ramos da Banisteriopsis caapi junto à mistura de outras plantas. E, entre estas, o espécime mais comumente empregado é a rubiácea do gênero Psychotria, especialmente a P. Viridis, cujas folhas contêm os alcalóides necessários para o efeito psicoativo. A ayahuasca é o único preparado cuja atividade farmacológica depende de uma interação sinérgica entre os alcalóides ativos de suas plantas.

Um dos seus componentes, a casca da Banisteriopsis caapi, contém alcalóides Beta-carbolinas, potentes inibidores MAO. Quanto aos outros componentes, as folhas da Psichotria viridis ou de outros espécimes semelhantes, contêm o potente agente psicoativo N,N-dimetiltriptamina (DMT). Por si só, o DMT não é oralmente ativo quando ingerido; no entanto, poderá se tornar oralmente ativo em presença de um inibidor MAO periférico, e esta interação é justamente a base da ação psicotrópica da ayahuasca (McKenna, Towers, & Abbott, 1984).

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