Unha-de-cavalo (Tussilago farfara): a erva medicinal pioneira

Conheça a Tussilago farfara, a unha-de-cavalo: usos medicinais, cultivo, composição química e papel ecológico. Ficha completa no Tudo Sobre Plantas.

A Tussilago farfara L., popularmente conhecida como unha-de-cavalo, é uma erva perene da família Asteraceae que se destaca tanto pelo seu valor medicinal quanto pelo seu papel ecológico em ambientes perturbados. Seus botões florais secos, chamados de Farfarae flos, são tradicionalmente utilizados na medicina, especialmente para afecções respiratórias.

Originária de regiões da China, como Gansu, Sichuan, Shanxi e Hubei, a espécie é cultivada em larga escala. Em 2020, a área total de plantio atingiu cerca de 1.600 hectares, com uma demanda anual de mercado de 1.550 toneladas — e a oferta de Farfarae flos representa mais de 80% da demanda nacional chinesa, segundo dados de um estudo de 2023 sobre o cultivo contínuo da espécie.

Neste artigo, exploramos as características botânicas, o cultivo, a composição química e as aplicações da unha-de-cavalo, sempre com base em pesquisas científicas. Para se aprofundar, acesse a ficha completa no portal Tudo Sobre Plantas, onde você encontra fotografias, referências científicas e pode contribuir com a comunidade SiSTSP.

Características botânicas e distribuição

A unha-de-cavalo é uma planta herbácea perene que se desenvolve a partir de rizomas. Ela produz vários caules florais, cada um com altura diferente — uma característica que, segundo um estudo de 2020 sobre a influência da altura das plantas no comportamento dos polinizadores, favorece a polinização cruzada. As folhas são colhidas na primeira metade do verão, quando estão cobertas por uma densa penugem macia e livres de ferrugem; o corte é feito aproximadamente na metade do comprimento do pecíolo.

Os botões florais secos são a principal parte utilizada medicinalmente. A espécie é encontrada em áreas perturbadas, como terrenos baldios e beiras de estradas, onde atua como pioneira, colonizando solos expostos à poluição por metais pesados. Um estudo de 2026 sobre a acumulação de cádmio em habitats ruderais destacou que a planta apresenta diferenças na distribuição de metais entre suas partes: manganês e ferro concentram-se mais nas raízes e caules subterrâneos, enquanto níquel, zinco, cádmio e chumbo aparecem ligeiramente mais nas flores. O cádmio foi o único elemento que se acumulou intensamente (fator de bioconcentração = 1,44).

Essa capacidade de crescer em solos contaminados também foi observada em um estudo de 2020 sobre a colonização de áreas de rejeitos de flotação na Sérvia, que alertou para o risco do uso medicinal da planta colhida nessas condições, devido à acumulação de elementos tóxicos nas partes aéreas. Por isso, é fundamental conhecer a procedência do material antes de qualquer uso.

Cultivo e manejo

O cultivo da Tussilago farfara é bem documentado em regiões de clima alto, frio e sombreado, como Gansu, onde a altitude é de 2.352 m, a precipitação média anual varia de 600 a 700 mm e o período sem geada é de cerca de 130 dias. O solo ideal é do tipo castanho-cálcico. Um estudo de 2023 sobre o impacto dos anos de cultivo contínuo mostrou que o pH da rizosfera diminui ano a ano com a repetição do plantio.

O plantio ocorre entre meados e final de março, utilizando-se a técnica de plantio direto, com fileiras espaçadas 25 cm, plantas espaçadas 15 cm e covas de 10 cm de profundidade. Os rizomas selecionados devem ter três nós, cor branca, ser tenros e livres de doenças e SAIs. Antes do plantio, aplica-se fertilizante de base nas quantidades de N (288 kg·hm⁻²), P (211,5 kg·hm⁻²) e K (210 kg·hm⁻²).

A colheita pode ser feita no final do outono — em um estudo de 2023, a coleta do solo da rizosfera ocorreu em 26 de novembro de 2021. Após a colheita, as folhas podem ser secas à temperatura ambiente, conforme metodologia de um trabalho de 2013 sobre alcaloides pirrolizidínicos em folhas de coltsfoot na Polônia.

Entretanto, o cultivo contínuo traz desafios. Uma pesquisa de 2025 revelou que o plantio repetido leva a uma redução gradual de microrganismos benéficos no solo, como Ralstonia, Nitrospira e Trichoderma, enquanto microrganismos prejudiciais, como Mortierella, Fusarium e Tricharina, se acumulam significativamente. Isso afeta a produtividade: em Gansu, a área de plantio em 2020 foi cerca de 30% menor do que em 2019.

Composição química e propriedades

A composição química da unha-de-cavalo é rica em compostos fenólicos. Um estudo de 2020 sobre o extrato da planta como inibidor de corrosão identificou como principais constituintes o caffeoylquinate, a hiperosídeo, o kaempferol, a quercetina e a rutina. Esses compostos estão associados a atividades antioxidantes e anti-inflamatórias.

Em uma análise de 2025 sobre a composição química da planta, foram detectados altos teores de minerais em 100 gramas de amostra: 1.732.042,69 µg de potássio, 341.060,19 µg de magnésio e 119.243,43 µg de fósforo. Esses dados reforçam o valor nutricional da espécie, que também é consumida como vegetal em muitas regiões do mundo desde os tempos antigos, conforme uma revisão etnobotânica de 2021.

As atividades farmacológicas documentadas incluem efeitos neuroprotetor, anti-inflamatório, antioxidante e anticancerígeno, segundo uma revisão de 2025 sobre métodos de extração, fitoquímica e etnofarmacologia. É importante ressaltar que esses dados são de estudos pré-clínicos e não constituem recomendação de uso medicinal sem acompanhamento profissional.

Uso medicinal tradicional e aplicações

O Farfarae flos, os botões florais secos, é usado tradicionalmente para suprimir a tosse, revestir os pulmões, aliviar o catarro e combater inflamações. É uma matéria-prima importante em diversos medicamentos chineses patenteados, sendo conhecida como ‘a mais antiga e moderna prescrição para tratar tosse com pulmão quente’. Essas informações vêm de um estudo de 2023 sobre o cultivo contínuo da espécie.

Além do uso medicinal, a planta tem despertado interesse em outras áreas. Um trabalho de 2025 demonstrou que folhas maduras de Tussilago farfara podem ser utilizadas como adsorvente lignocelulósico para remover azul de metileno de soluções aquosas — uma aplicação ambiental promissora.

No entanto, é crucial ter cautela. A planta pode acumular metais pesados quando cresce em solos contaminados, como indicado por um estudo de 2020 na Sérvia. Portanto, a procedência do material é essencial para qualquer uso, seja medicinal ou alimentar.

Ecologia e interações

A unha-de-cavalo desempenha um papel importante nas fases iniciais de revegetação de locais altamente contaminados, conforme observado em um estudo de 2020 sobre a acumulação de elementos-traço em áreas de rejeitos na Sérvia. Sua capacidade de colonizar solos perturbados e tolerar condições adversas a torna uma espécie pioneira valiosa.

A polinização é facilitada por moscas-das-flores, abelhas solitárias e vespas, que preferem visitar plantas com flores de alturas diferentes — um comportamento que promove a polinização cruzada, de acordo com um estudo de 2020 sobre a influência da altura das plantas. Esse mecanismo contribui para a diversidade genética das populações.

As sementes não apresentam dormência e germinam rapidamente, desenvolvendo-se bem em substratos com pouca água, mas não sobrevivem quando armazenadas em condições experimentais, segundo um trabalho de 1978 sobre estratégias de germinação de plantas indesejadas perenes. A germinação é alta em laboratório, mas ineficaz em condições naturais, e as sementes são de vida curta, tolerando fatores desfavoráveis do habitat, conforme um estudo de 2014 sobre a produção e germinação de diásporos.

Sob forte competição, a biomassa das raízes diminui, como mostrou um estudo de 2014 sobre o declínio populacional da espécie após abandono de cultivo.

A Tussilago farfara, a unha-de-cavalo, é uma planta fascinante que combina valor medicinal, importância ecológica e potencial para aplicações ambientais. Seu cultivo, no entanto, exige manejo cuidadoso para evitar a degradação do solo e a acumulação de contaminantes. Para conhecer todos os detalhes científicos, acesse a ficha completa no portal Tudo Sobre Plantas, onde você encontra fotografias, referências e pode compartilhar suas observações na comunidade SiSTSP. Participe e contribua com o conhecimento colaborativo sobre essa e outras espécies!

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Autor: Anderson Porto

Desenvolvedor do projeto Tudo Sobre Plantas

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