
Tem gente que fala da vida no campo como se fosse um retiro espiritual permanente. Mostram a varanda com rede, o café coado na hora, o pôr do sol atrás da mangueira.
Esquecem — ou nunca souberam — que o campo não é cenário de filme romântico. É, na verdade, uma escola dura. E seu maior ensinamento é a autonomia.
Aqui, a vida não espera. O mato cresce. O solo pede cuidado. A água precisa chegar onde deve. As galinhas, se não forem tratadas, vão embora ou adoecem. A bomba pifa, a roçadeira falha, o corpo cansa. E não tem ninguém por perto pra resolver por você.
Quem vive no campo aprende rápido que liberdade não é ausência de problemas — é a responsabilidade de enfrentá-los com as próprias mãos. É levantar mesmo quando se está cansado, é improvisar com o que se tem, é aprender a ficar só — e ainda assim seguir em frente.
A romantização da vida rural apaga a parte mais nobre dessa escolha:
o esforço constante, silencioso, de manter tudo funcionando.
Fingem que é só paz. Mas a paz mesmo vem depois da lida, não antes.
A terra devolve o que você dá, mas exige presença. Exige humildade. Exige tempo. E para lidar com o tempo, a primeira regra da arte do bonsai: aprenda a ter paciência.
E é nesse trato que a gente vai se transformando. Vai ficando menos dependente, mais atento, mais inteiro. Porque aqui, cada erro ensina. Cada acerto tem suor por trás.
E cada pequeno avanço tem um preço que só quem planta sabe.
A Natureza é um livro aberto ao olhar curioso. Quem se dispõe a aventurar-se na busca pelo conhecimento passa certamente pela vida real, pelas atividades diárias que possibilitam relacionar-se com o ambiente.
Em vez de preservar, relacionar-se com o ambiente!
Nego Bispo
É isso que forma gente porreta, que aguenta os trancos que a vida gentilmente nos presenteia.
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Anderson Porto,
agricultor de ideias e capim, coletor de frutas e
dispersor de poemas.
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Pura verdade… Adorei
Grato por comentar e demonstrar afinidade com meus escritos, Eni! Vlw! Abraços!