Apesar das críticas, presidente afirma que não vai impedir as negociações
Efe
LA PAZ – O presidente da Bolívia, Evo Morales, criticou na segunda-feira, 4, a intenção de alguns países andinos negociarem a água com a União Européia (UE) e aceitarem que os conhecimentos sobre plantas originárias dos povos indígenas sejam patenteados.
A crítica foi realizada poucos dias depois de os países-membros da Comunidade Andina (CAN), Bolívia, Colômbia, Equador e Peru, não conseguirem chegar a uma posição conjunta para abrir negociações com a UE, devido às recusas bolivianas em certos temas.
“Alguns países da região andina querem negociar a privatização de água, a privatização dos serviços básicos, e essa situação não podemos aceitar. Estamos recuperando a água das empresas transnacionais”, declarou Morales, segundo a Agência Boliviana de Informação (ABI, estatal).
A próxima cúpula presidencial do bloco andino será realizada na cidade boliviana de Tarija, dia 14 de junho.
O presidente participou na segunda-feira da inauguração de obras da Empresa Pública Social de Água e Saneamento. Ela foi criada no início deste ano, após a saída da francesa Suez, que prestava o serviço nas cidades de La Paz e El Alto.
“Nenhum país pode nos obrigar a privatizar a água”, acrescentou.
Ele também revelou que há nações andinas que pretendem aceitar que as plantas nativas sejam patenteadas, o que a Bolívia rejeita.
“É como patentear a vida. Estamos falando aqui de nossas ervas medicinais, de nossas plantas, de nossos animais, que não podem ser propriedade de outros países”, afirmou.
O chefe de Estado anunciou que seu governo tentará convencer os movimentos sociais da América a proclamar o direito à água e a rejeição das patentes. Mas garantiu que não pretende impedir as negociações entre a CAN e a UE.
Fonte: [ Estadão ]
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