A Atriplex nummularia Lindl. é um arbusto perene da família das quenopodiáceas, conhecido popularmente como oldman saltbush (algo como “erva-sal do velho”) e reconhecido em muitos países como uma planta forrageira de terras salinas. Originária da Austrália, ela cresce de forma ereta, com ramos concentrados na base — o tipo botânico chamado nanofanerófita —, formando uma ramagem extensa e abundante que pode atingir de 3 a 4 metros de altura.
Sua grande fama vem da tolerância ao sal: é uma halófita, capaz de prosperar em solos salinos e sódicos, embora também se desenvolva em solos sem essa condição. Por isso, tem sido adotada em regiões áridas e semiáridas de vários países, tanto para produzir forragem quanto para proteger o solo e combater a desertificação. Neste artigo, reunimos os principais dados científicos documentados na ficha do portal Tudo Sobre Plantas sobre a espécie — do sistema radicular profundo ao valor nutritivo das folhas.
Se você se interessa por plantas que aliam resistência e utilidade, vale conhecer a ficha completa de Atriplex nummularia no portal, com fotografias, referências científicas e espaço para contribuir com suas próprias observações de cultivo na comunidade colaborativa.
O que é a Atriplex nummularia: origem e classificação
Arbusto perene de crescimento ereto, a Atriplex nummularia pertence à família Chenopodiaceae e é nativa da Austrália. Hoje, está amplamente distribuída em vários países, especialmente naqueles com regiões áridas e semiáridas. Um exemplo recente dessa expansão é a Etiópia, onde a espécie foi introduzida e vem crescendo bem em diferentes partes do país, com boa adaptação na região de Tigray, no norte.
Do ponto de vista botânico, a espécie é dividida em duas subespécies: A. nummularia ssp. nummularia e A. nummularia ssp. spathulata. Essa distinção é importante para quem trabalha com melhoramento genético ou deseja identificar corretamente plantas em campo — detalhes que você encontra na ficha completa do portal.
Características botânicas: porte, raízes e fotossíntese C4
A planta alcança entre 3 e 4 metros de altura, com ramagem abundante que se concentra na base. Um dos segredos de sua resistência à seca está no sistema radicular: a espécie tem grande capacidade de explorar águas subterrâneas, com raízes que podem atingir até 10 metros de profundidade. Esse acesso à água profunda explica, em parte, por que a planta se mantém produtiva mesmo em condições de baixa precipitação.
Outro fator decisivo é seu metabolismo fotossintético do tipo C4, mais eficiente em ambientes quentes e secos. A planta cresce ativamente a partir de temperaturas de 10–13 °C, com faixa ideal entre 30 e 35 °C. Temperaturas abaixo de 0 °C causam danos, e a faixa de tolerância fica entre -8 °C e -12 °C; abaixo disso, a planta provavelmente morre. Ainda assim, há relatos de sobrevivência em locais com temperaturas entre -10 °C e -15 °C. Em relação à precipitação, desenvolve-se em condições áridas e semiáridas com chuvas anuais entre 180 e 600 mm.
Solos salinos, pH e tolerância a estresses abióticos
A grande marca da Atriplex nummularia é a tolerância a solos salinos e sódicos, o que a torna uma aliada em áreas degradadas por salinização. No entanto, ela não cresce bem em solos muito densos, compactados ou com problemas de alagamento e má drenagem. Em um estudo realizado no Deserto do Atacama, no Chile, plantas do gênero Atriplex foram estabelecidas in situ em solo com pH de 8,6 ± 0,1, ou seja, levemente alcalino — uma indicação de que a espécie lida bem com essa condição.
Além da salinidade, a planta tem sido estudada por sua capacidade de acumular íons. Em análises de crescimento e produção de biomassa sob estresses abióticos, pesquisadores avaliaram o conteúdo de cálcio, magnésio, sódio, potássio e cloro em diferentes partes da planta, separando folhas, caules finos (até 3 mm de diâmetro) e caules grossos (mais de 3 mm). Essa compartimentação de íons é uma das estratégias que explicam sua sobrevivência em ambientes extremos.
Produção de forragem: proteína, digestibilidade e produtividade
Uma das aplicações mais difundidas da espécie é como forragem para ovinos e bovinos, especialmente em terras salinas durante o outono. As folhas secas contêm 92,02% de matéria seca, 21,99% de proteína bruta, 24,77% de cinzas, 58,27% de fibra em detergente neutro e 26,56% de fibra em detergente ácido. São números que explicam por que a planta é apreciada: alto teor de proteína bruta e baixos metabólitos secundários.
Em um estudo conduzido no norte da Etiópia, a substituição do concentrado comercial por folhas de Atriplex nummularia na alimentação de ovinos não causou efeitos negativos no desempenho nem nas características de carcaça. As folhas usadas nesse experimento foram colhidas no distrito de Kola Temben, em Tigray Central, secas ao ar livre, moídas em moinho de martelo e peneiradas a 25 mm.
A produtividade varia bastante conforme o manejo: a produção de matéria seca palatável pode ir de 0,5 tonelada por hectare por ano em áreas salinizadas a 12 toneladas por hectare por ano quando irrigada, podendo chegar a cerca de 15 a 20 toneladas por hectare por ano. O teor de proteína bruta da forragem também responde à adubação: em um experimento no norte do México, o maior valor (27,43%) foi alcançado com 180 kg de nitrogênio e 30 kg de fósforo por hectare. Também foram relatados teores de proteína bruta de até 18,7% e digestibilidade aparente in vitro da matéria seca de até 75,5%.
Como cultivar: plantio, irrigação, adubação e poda
O cultivo da Numularia, como é chamada em algumas regiões, começa em viveiro: as mudas são produzidas até atingirem cerca de 20 cm de altura. No norte do México, a melhor época para transplantá-las em condições irrigadas é de setembro a dezembro. O transplante é feito em sulcos espaçados de 1,5 m, com buracos a cerca de 15 cm da fita de irrigação e profundidade de 15 a 20 cm. O espaçamento entre plantas é de 1,0 m, resultando em 6.666 plantas por hectare.
A irrigação, nesse sistema, foi de seis horas por semana durante oito meses, totalizando 3.626,7 m³ de água por hectare por ciclo. Já a adubação foi testada com oito tratamentos combinando doses crescentes de nitrogênio (0, 60, 120 e 180 kg/ha) e fósforo (0 e 30 kg/ha), usando sulfato de amônio (20,5% de N) como fonte de nitrogênio e fosfato monopotássico (0-52-34) como fonte de fósforo.
A poda é uma prática importante: em um estudo no semiárido brasileiro, ela foi realizada aos 6 e 12 meses após o transplante, estimulando o crescimento de novos brotos com menos lignina — folhas e caules com diâmetro de até 3 mm. A polinização da espécie é feita principalmente pelo vento. Para quem deseja se aprofundar no manejo, a ficha completa no portal Tudo Sobre Plantas reúne esses e outros dados, além de referências científicas.
Sementes, germinação e curiosidades
As sementes de Atriplex nummularia apresentam germinação bastante influenciada pelo peso: sementes com menos de 0,5 mg tiveram germinação abaixo de 10%, enquanto as com mais de 0,5 mg atingiram 83% ou mais. Esse dado, obtido em estudos sobre o uso de arbustos halófitos em regiões semiáridas afetadas por sal, é um alerta para quem pretende propagar a espécie a partir de sementes — a seleção por tamanho faz diferença.
Entre as curiosidades, as flores da espécie já foram usadas na produção de extratos testados quanto a possíveis efeitos contra tumores em organismos vivos, em um estudo de 2008. Os princípios ativos identificados na planta incluem oxalatos e taninos, tanto condensados quanto hidrolisáveis. Vale lembrar que se trata de pesquisa preliminar e que qualquer uso medicinal exige acompanhamento especializado.
Além disso, o plantio de espécies do gênero Atriplex é recomendado para criar cobertura vegetal que ajuda a evitar que o arsênio se espalhe pelo solo ou pelo vento em regiões áridas. No paisagismo e na recuperação de áreas, a planta é usada em terras afetadas por sal para fornecer cobertura vegetal. Não é uma espécie madeireira: é um arbusto forrageiro, empregado para proteção do solo, fornecimento de material lenhoso e forragem, além de ser manejada para controle da erosão, conservação do solo e combate à desertificação.
A Atriplex nummularia é um exemplo notável de como uma planta pode transformar ambientes difíceis em oportunidades. Com raízes que alcançam 10 metros, fotossíntese C4 e tolerância a solos salinos, ela produz forragem de alto valor proteico, protege o solo e ajuda a conter a desertificação. Seja você produtor, pesquisador ou simplesmente um entusiasta de plantas resilientes, vale explorar a ficha completa dessa espécie no portal Tudo Sobre Plantas. Lá você encontra fotografias, referências científicas e pode compartilhar suas próprias observações de cultivo na comunidade colaborativa SiSTSP — porque o conhecimento sobre plantas cresce quando é compartilhado.
Explore a ficha completa no portal
Todas as informações deste artigo foram extraídas diretamente da base de dados científica do portal Tudo Sobre Plantas. Acesse a ficha completa de Atriplex nummularia para ver fotografias, referências bibliográficas disponíveis para download, discussões da comunidade e muito mais.
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