Medicina natural volta a ser valorizada

[img:fitoterapicos.jpg,full,alinhar_esq_caixa]Em Viçosa do Ceará, o Laboratório Fitoterápico manipula plantas e produz medicamentos que são distribuídos gratuitamente na rede pública de saúde (Foto: Natércia Rocha)

O costume de utilizar plantas medicinais para cura de doenças é antigo, mas ainda presente na zona norte do Ceará

Sobral. Reza o dito popular que para todo mal existe um remédio na natureza. Dentro dessa lógica, ao longo da história da humanidade, há registros de que o homem sempre fez uso de plantas para fins terapêuticos. Nos primeiros anos do século XXI, a medicina natural, aliada ao avanços tecnológicos da ciência, volta a ser valorizada por setores que buscam melhor qualidade de vida.

Durante séculos, o Interior do Ceará esteve repleto de rezadeiras, benzedeiras, parteiras, geralmente líderes, inclusive espirituais, de grandes núcleos familiares. Mas os curandeiros do sertão estão desaparecendo rapidamente. Entretanto, ainda existem jovens que se interessam em receber dos avós segredos de plantas curativas. Os que ainda estão na ativa garantem: “uma beberragem de força, com erva e pau, cura dor até de cotovelo”.

Desvendando mistério

O Diário do Nordeste visitou alguns dos poucos sertanejos que, na zona norte do Estado, continuam desvendando mistérios de sementes, folhas, cascas, flores, raízes e frutos. Gente como Antonia de Maria Holanda, conhecida como dona Toinha Grande, que, do alto dos seus 60 anos, 17 filhos, 30 netos e três bisnetos, se orgulha de ter cuidado “a vida inteira” da família com remédio caseiro. Ou como seu Sebastião Barbosa da Silva, que se emociona ao confessar que pede licença às plantas quando vai retirá-las da natureza. Ou ainda Sebastião Sales, que passa o dia vendendo “mãcheia” de preciosos paus, banhos e óleos, em um dos poucos comércios especializados em Sobral, a “Casa das Ervas”.

Mas nem só de empirismo sobrevive a cultura popular. Em Viçosa do Ceará, a 348km de Fortaleza, o Laboratório Fitoterápico (que utiliza vegetais em preparações farmacêuticas), desenvolvido com base no projeto Farmácia Viva, da Universidade Federal do Ceará (UFC), manipula plantas e produz medicamentos que são distribuídos gratuitamente na rede pública de saúde.

De acordo com a farmacêutica responsável pelo núcleo, Rosilândia Trajano Bandeira, as plantas são responsáveis pelo tratamento de 80% das enfermidades mais comuns nas populações de baixa renda. Ela destacou que mais de 70 espécies de plantas medicinais, encontradas em solo nordestino, foram analisadas cientificamente e estão de acordo com as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS). “Utilizamos sete espécies de plantas que dão origem a dez tipos de medicamentos. O diferencial da fitoterapia é que mantemos o princípio ativo das plantas na forma de xaropes, chás, tinturas e cápsulas gelatinosas. A indústria farmacêutica isola esse princípio”, disse.

NATERCIA ROCHA
Repórter

Fonte:

Equinácia reduz pela metade risco de contrair resfriado, diz estudo

O consumo da equinácia, uma das mais populares plantas medicinais, pode reduzir as chances de desenvolver resfriado comum em mais de 58%, segundo uma pesquisa realizada na Universidade de Connecticut, nos Estados Unidos.

O estudo, publicado na última edição da revista científica The Lancet Infectious Diseases, também indica que a equinácia reduziria ainda o tempo de duração do resfriado em até quatro dias.

Os pesquisadores da Escola de Farmácia da Universidade de Connecticut chegaram à conclusão ao cruzar os dados de 14 estudos anteriores sobre o uso da equinácia.

Segundo os autores do estudo, se a equinácia for usada para prevenir a infecção natural pelos vírus do resfriado, as chances de contaminação podem ser reduzidas em até 65%.

Porém em testes nos quais os pacientes eram inoculados diretamente com o rinovírus, um dos vírus causadores do resfriado comum, o consumo da equinácia conseguiu reduzir a incidência do desenvolvimento da doença em 35%;

“Com mais de 200 vírus capazes de causar o resfriado comum, a equinácia pode ter um efeito modesto contra o rinovírus, mas efeitos mais fortes contra outros vírus”, diz o pesquisador-chefe Craig Coleman.

Vitamina C

Um dos 14 estudos analisados indicou ainda que, em conjunto com o consumo de vitamina C, poderia haver uma redução de até 86% no desenvolvimento do resfriado.

Mas, segundo os pesquisadores, não havia dados suficiente para concluir se os dois suplementos combinados são realmente mais efetivos do que o consumo somente da equinácia.

O estudo afirma que, apesar das indicações do efeito da equinácia sobre o desenvolvimento do resfriado, a forma como ela age ainda não está totalmente clara.

Os pesquisadores acreditam que três substâncias presentes na equinácia – alcamidas, ácido chicórico e polissacarídios – poderiam induzir a um aumento da imunidade, mas não sabem se um ou mais desses componentes poderia ter o efeito sozinho ou combinado com outras substâncias.

Eles dizem ainda que mais pesquisas são necessárias ainda para verificar a segurança do consumo da equinácia, o que não foi analisado neste estudo.

“Uma análise das evidências na literatura científica indicam que a equinácia tem um efeito benéfico em reduzir a incidência e a duração do resfriado comum; porém, estudos em larga-escala são necessários antes de a equinácia possa se tornar uma prática comum para a prevenção o tratamento do resfriado comum”, diz o artigo na Lancet.

Fonte: [ BBC Brasil ]

Agraer pretende implantar um horto de plantas medicinais na Capital

A Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer) pretende implantar a partir do próximo ano, um horto de plantas medicinais, em seu centro de pesquisa e capacitação, em Campo Grande.

O objetivo é cultivar, em uma área de 600 metros quadrados, 150 espécies de plantas medicinais. A proposta, conforme a agrônoma Ana Cristina Ajala, que é responsável pelo projeto, é aprimorar as pesquisas na área, identificar e multiplicar mudas para o uso em estudos farmacológicos e de processamento.

Para atingir a meta de conseguir pelo menos 150 mudas até o final do ano, a Agraer está estabelecendo parcerias com universidades, prefeituras, comunidades rurais e instituições de pesquisa.

Atualmente, a unidade conta com 30 mudas. Entre elas, espécies como a insulida (Cissus sicyoides L.), usada popularmente para combater o diabetes, e a colônia, que tem comprovada ação antihipertensiva e calmante.

Fonte: [ Redação TV Morena/Subsecom ]

Em busca das ervas nas serras de Montalegre

Dezenas de pessoas sobem por esta altura, as serras do Barroso em busca de ervas medicinais utilizadas para confeccionar os ancestrais chás e licores, procurados por milhares de turistas que se deslocam a Montalegre.

Foi com a sua mãe que o padre António Fontes, conhecido pela realização dos Congressos de Medicina Popular de Vilar de perdizes, aprendeu a distinguir as ervas e os tratamentos para que estas servem. É por esta altura, na época da floração, que o padre sobe às serras do Barroso para colher as “melhores” ervas que vai secar e transformar em chás que diz servirem para tratar “quase todo o tipo de doenças”.

A natureza oferece no Barroso e, em alguns microclimas da região, como Vilar de Perdizes, uma “variedade enorme” de ervas medicinais, aromáticas ou condimentares. “Elas vêm sendo usadas pelas gentes mais idosas até aos nossos dias”, recordou o sacerdote à Agência Lusa, reconhecendo que anda quilómetros para apanhar, por exemplo, a betónica, uma erva que diz estar “em vias de extinção” e que é utilizada para tratamentos de asma. Já a carqueja é para António Fontes, “o chá dos barrosões”, pois serve para resolver os problemas de digestão ou do sistema nervoso. “Há falta de melhor, é o chá para tudo e até é utilizado para os temperos na cozinha”, salientou.

Junto ao hotel que abriu em Mourilhe, o padre Fontes plantou uma horta onde colhe alecrim usado nas feridas, a verbena que serve como anti-depressivo, o mil-folhas usado em tratamentos de emagrecimento, o lupo que ajuda a combater as insónias ou a salva-ananás utilizado para lavar os dentes. A antiga e pequena capela do hotel é o local preferido pelo padre Fontes para secar as suas plantas. Mas há até quem plante ervas, como a arruda, junto às entradas das casas para combater a “inveja” e o “mal olhado”. E, para que as ervas “tenham maior efeito”, algumas pessoas colocam-nas a secar na madrugada do dia 24 de Junho para que apanhem o orvalho da noite de São João e desta forma “fiquem mais abençoadas”.

Fonte: [ Mundo Português ]

Horto já recebeu mais de 6 mil visitantes

Com cerca de trinta mil metros quadrados, o projeto destaca-se entre os maiores do Brasil

Umuarama
Assessoria de Imprensa

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O Horto Medicinal da Universidade Paranaense(Unipar), em Umuarama, está completando dez anos de implantação e, neste período, já foi visitado por mais de seis mil alunos, professores, pesquisadores de outras universidades e demais pessoas interessadas em conhecer de perto o trabalho com as plantas medicinais, segundo informou a coordenadora, professora Ezilda Jacomassi.

“É um extenso e complexo laboratório a céu aberto”, define.

A estrutura fica no Campus II da Unipar, ao lado do Hospital Veterinário e possui 30 mil metros quadrados de área, onde, segundo a coordenação, são cultivadas cerca de 350 espécies de plantas, entre ornamentais, tóxicas, comestíveis e medicinais, que são as que prevalecem.

Do projeto de Extensão Universitária, saem outros, com metas focadas também em pesquisa. “Embora cada um trabalhe com objetivos específicos, no fundo todos buscam a socialização dos conhecimentos científicos sobre plantas medicinais”, explica Ezilda.

Estudantes de Farmácia recepcionam os visitantes, repassando informações e orientando sobre como usar os recursos terapêuticos que a natureza oferece com mais segurança e eficácia.

O Horto Medicinal também dá suporte a aulas práticas dos cursos de Ciências Biológicas, Medicina Veterinária, além de Farmácia. As equipes que atuam nos projetos são entrosadas e ajudam inclusive a cultivar as plantas, porque isso também faz parte do aprendizado. Um detalhe é que só usam adubo orgânico.

“Para o trabalho mais pesado, a universidade mantém dois funcionários. O restante, fica por conta dos estagiários, que no momento estão empenhados também em produzir mudas”, comenta Ezilda. Estão sendo cultivadas plantas medicinais e condimentares, como manjericão, orégano, tomilho, camomila, alfavaca e babosa.

As mudas são comercializadas a preços acessíveis. O dinheiro arrecadado é reaplicado no projeto. “É o primeiro passo que estamos dando para fazer do horto um projeto auto-sustentável”, reforça a professora.

No Horto também há uma Casa de Estudos, com ambientes equipados para a seqüência de trabalhos importantes que são iniciados nos canteiros ou para outras atividades, como o de manutenção de um herbário, que guarda centenas de espécimes.

O “Farmácia Viva”, outro projeto de Extensão Universitária da Unipar, também é subsidiado pelo Horto Medicinal. Lá, os integrantes do projeto (professores e alunos de Farmácia) colhem e preparam as plantas que, no laboratório, são transformadas em cosméticos (sais de banho, sabonetes em barra, cremes e velas aromáticas, entre outros).

Fonte: [ Jornal Umuarana Ilustrado ]

Anvisa regulamenta fitoterápicos

Por Amanda Mont’Alvão

Desde quando o homem sentiu a primeira dor, ele procura na natureza maneiras de atenuar ou mesmo combater a má sensação. O alívio, que começou com um chá, evoluiu para medicamentos feitos à base de caules, folhas, flores e extratos de plantas.

O uso de ervas para o tratamento de doenças ainda é visto com receio, mas uma recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) pode tornar os medicamentos baseados em plantas, os fitoterápicos, reconhecidos pela Medicina como recursos terapêuticos. “Basicamente, todos os medicamentos existentes hoje ou são originários de plantas ou tiveram suas estruturas químicas sintetizadas com base numa estrutura química identificada em uma planta”, esclarece Elizabeth Uber Bucek, farmacêutica industrial.

Os fitoterápicos, assim como todo medicamento sintético, devem atender à regulamentação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Resolução de 2004 da Anvisa descreve 34 plantas cuja ação farmacológica é reconhecida pelo Ministério da Saúde. “A resolução apresenta uma lista com as plantas, as partes utilizadas, a indicação terapêutica, a forma de uso (posologia) e a freqüência com que o medicamento deve ser administrado”, descreve Elizabeth.

A eficácia do fitoterápico é garantida desde que acompanhada e utilizada de forma padronizada. “Quando eu faço o tratamento com um produto padronizado, elaborado sob a responsabilidade do farmacêutico, tenho uma resposta clínica comprovada. É a diferença do chá. Muitas vezes, o chá não tem uma resposta garantida, porque as plantas têm efeito farmacológico diversificado, de acordo com a sua composição química, que varia”.

Segundo a farmacêutica, a desconfiança dos fitoterápicos deriva do uso feito como um remédio, e não como um medicamento. “Eu acredito que esse descrédito existe porque muitas vezes a planta medicinal é utilizada no tratamento na forma de remédio, que é algo que todos podem fabricar. Já um medicamento é um produto que foi tecnicamente elaborado de forma padronizada e que tem eficácia, segurança e qualidade”, explica. “Muitas vezes, o próprio médico não acredita no fitoterápico porque a resposta que ele tem do paciente que usa o medicamento não é a mesma daquele que usa a planta em um chá. O desafio da fitoterapia é a padronização da resposta farmacológica. É por isso que o trabalho deve ser feito por profissionais da área da saúde, e não apenas com base no controle químico do fitoterápico”.

Fonte: [ Jornal da Manhã ]

Chás e xaropes sob suspeita

Por Thiago Romero

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Análise de 27 produtos à base de plantas medicinais constata que mais de 90% não apresentam informações técnico-científicas exigidas pela Anvisa. No teste de pureza, 59% das amostras estavam fora do padrão recomendado

Agência FAPESP – Apenas 7,4% dos produtos à base de plantas medicinais vendidos em supermercados e farmácias no Recife contêm nos rótulos ou nas bulas informações técnico-científicas exigidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A conclusão é do trabalho Qualidade de produtos a base de plantas medicinais comercializados no Brasil, realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e publicado na Acta Botanica Brasilica.

Foram analisados 27 produtos de marcas diferentes, sendo 11 derivados do capim-santo (Cymbopogon citratus), dez da castanha-da-índia (Aesculus hippocastanum) e seis da centela (Centella asiatica), provenientes de fabricantes de diferentes estados.

As plantas medicinais escolhidas são as que aparecem com mais freqüência em produtos como chás e xaropes. Em cada um dos 54 estabelecimentos comerciais analisados foram colhidas informações como o nome comercial do produto, composição vegetal, indicações terapêuticas e o laboratório envolvido na produção.

Segundo o trabalho, 92,6% de todos os produtos analisados não continham informações como a composição qualitativa e quantitativa dos princípios ativos, ação do produto, riscos, efeitos colaterais ou adversos e conduta em caso de superdosagem.

“Não só no Recife, mas em todo o Brasil, os chás são comercializados em sachês que não seguem a padronização dos medicamentos convencionais, como com rótulos e bulas, apesar de serem produzidos a partir de plantas que contêm princípios ativos que podem ser tóxicos ao organismo”, disse Ulysses Paulino de Albuquerque, coordenador do trabalho e professor do Departamento de Biologia da UFRPE, à Agência FAPESP.

Segundo ele, apenas dois produtos continham informações exigidas pela Anvisa, um à base de centela e outro de castanha-da-índia. A ausência de bulas, o principal instrumento de informações técnicas ao consumidor, foi constatada em 22 produtos analisados.

“O problema é que os chás são comercializados como complementos dietéticos, enquanto as pessoas os consomem para uso medicinal. Suas embalagens muitas vezes oferecem informações de uso enganoso”, destacou.

Impurezas

Nas análises de pureza dos produtos, realizadas no Laboratório de Etnobotânica Aplicada da UFRPE e no Laboratório de Química Farmacêutica da UFPE, 59,2% das amostras estavam fora do padrão recomendado pela Farmacopéia Brasileira da Anvisa, documento oficial que estabelece a qualidade dos medicamentos em uso no Brasil.

A verificação da pureza baseou-se na determinação do teor de umidade e das cinzas totais. Duas amostras de castanha-da-índia, sete de capim-santo e todas de centela estavam com teor de umidade acima do recomendado, que são 10%, 11% e 6%, respectivamente.

“Os produtores têm que secar as plantas para formular os chás, mas uma quantidade mínima de água deve permanecer. Entretanto, com a quantidade de água acima do ideal, aumenta a possibilidade de fungos e bactérias serem desenvolvidos na embalagem”, afirma Albuquerque.

Todas as amostras à base de centela ultrapassaram o percentual máximo de 11% do teor de cinzas totais. Os produtos derivados de capim-santo e castanha-da-índia apresentaram percentuais de cinzas totais em concordância com o recomendado pela Anvisa.

“A quantidade de cinzas totais indica o cuidado que se teve na preparação do produto, o que pode sugerir a mistura com materiais estranhos para dar volume ao produto final”, descreve o professor da UFRPE.

A pesquisa foi financiada pelo Ministério da Saúde, por meio da Fundação de Amparo a Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe), e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Para ler o artigo Qualidade de produtos à base de plantas medicinais comercializados no Brasil, disponível na biblioteca eletrônica SciELO (FAPESP/Bireme), [ clique aqui ].

Fonte: [ Agência FAPESP ]