Vilã da soja, do algodão e milho, lagarta abriga fungos e bactérias que degradam isopor

A SAI que destrói lavouras pode salvar o planeta do isopor.

Intestino da lagarta Helicoverpa armigera tem microrganismos que degradam poliestireno.

Em 3 pontos

  • Lagarta Helicoverpa armigera abriga fungos e bactérias em seu intestino.
  • Microrganismos intestinais degradam poliestireno (isopor) em condições controladas.
  • Descoberta abre caminho para biorremediação de resíduos plásticos.
Foto: Tom Fisk / Pexels
Vilã da soja, do algodão e milho, lagarta abriga fungos e bactérias que degradam isopor

Por Frances Jones* Uma lagarta de mariposa apontada pelo agronegócio como uma das SAIs mais agressivas a atingir plantações de soja, algodão e milho pode abrigar em seu intestino fungos e bactérias capazes de degradar isopor. Artigo publicado em maio na revista BMC Microbiology por pesquisadores de duas universidades públicas paulistas apresentou os resultados do estudo que investigou a […]

Agência Fapesp 29 de julho às 07:00

🧭 O que isso muda para você

  • Coletar amostras de Helicoverpa armigera em lavouras de soja, algodão e milho para isolar microrganismos.
  • Cultivar fungos e bactérias intestinais em laboratório para testes de degradação de poliestireno.
  • Desenvolver formulações enzimáticas ou consórcios microbianos para reciclagem de isopor.
  • Aplicar microrganismos em aterros sanitários ou usinas de reciclagem para acelerar decomposição de plásticos.
  • Monitorar populações de lagartas em regiões tropicais, como o Cerrado, como fonte de novas cepas.
Atualizado em 29/07/2026

Contexto e relevância botânica

A lagarta *Helicoverpa armigera*, conhecida como uma das SAIs mais destrutivas para culturas de soja, algodão e milho, é tradicionalmente vista como vilã do agronegócio. No entanto, uma pesquisa recente revela que seu intestino abriga comunidades de fungos e bactérias capazes de degradar poliestireno — o popular isopor. Essa descoberta inverte a narrativa e destaca a complexidade das interações ecológicas entre insetos e microrganismos, abrindo novas fronteiras na biotecnologia ambiental.

Mecanismos e descobertas

• O estudo, publicado na revista *BMC Microbiology* em maio, foi conduzido por pesquisadores de duas universidades públicas paulistas.

• Eles analisaram o microbioma intestinal da *Helicoverpa armigera* e identificaram cepas de fungos e bactérias com atividade enzimática capaz de quebrar as longas cadeias de poliestireno.

• A degradação ocorre em condições controladas de laboratório, sugerindo que esses microrganismos podem ser isolados e otimizados para aplicações industriais.

• O mecanismo envolve enzimas como lipases e esterases, que hidrolisam ligações éster do plástico, convertendo-o em subprodutos menos nocivos.

Implicações práticas

• Agricultura: o manejo integrado de SAIs pode incluir a coleta seletiva de lagartas para extração de microrganismos, agregando valor ao controle biológico.

Meio ambiente: a biorremediação de resíduos plásticos em aterros e oceanos pode ser acelerada com consórcios microbianos derivados do intestino da lagarta.

• Saúde: a redução da poluição por microplásticos beneficia ecossistemas e cadeias alimentares.

• Ecossistemas: a descoberta reforça a importância de preservar a biodiversidade mesmo em espécies consideradas SAIs.

Espécies de plantas envolvidas

A *Helicoverpa armigera* ataca principalmente soja (*Glycine max*), algodão (*Gossypium hirsutum*) e milho (*Zea mays*). Essas culturas são amplamente cultivadas no Brasil, especialmente no Cerrado e no Centro-Oeste.

Aplicação no Brasil e regiões tropicais

O Brasil é um dos maiores produtores mundiais de soja, algodão e milho, com imensas áreas infestadas pela lagarta. Isso torna o país um laboratório natural para coleta de cepas microbianas adaptadas a climas tropicais. A aplicação prática pode incluir o desenvolvimento de biofertilizantes ou bioinseticidas que também degradam plásticos, integrando soluções para dois problemas simultâneos.

Próximos passos da pesquisa

• Isolar e identificar as enzimas específicas responsáveis pela degradação do poliestireno.

• Otimizar as condições de cultivo (pH, temperatura, nutrientes) para maximizar a atividade enzimática.

• Realizar testes em larga escala em aterros sanitários e usinas de reciclagem.

• Avaliar a segurança ambiental dos subprodutos gerados pela degradação.

• Explorar a possibilidade de engenharia genética para aumentar a eficiência das cepas.

🌿 Espécies citadas nesta notícia

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(*) SAI: Servidores Ambientais Indesejados

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